Eu não sei por que, mas hoje estou aqui, sentada na minha cadeira, e lembrei de você. Fazia muito, muito tempo que eu não pensava em você, e ainda bem. Mas talvez pensei dessa vez porque eu vejo sua namorada andando por aí todo dia.. Ou porque ontem foi seu aniversário. Sei lá. Não que você ligue, porque você não lembrou do meu, né?
Eu só estava pensando. Como alguém pode fazer o que você fez? Coisas que me afetam até hoje. Tem reflexo em mim até hoje. Como alguém passa literalmente a vida toda com você, vira seu melhor amigo, a pessoa que você faria de tudo por. De verdade... Você sabe. Eu teria feito de tudo por você. E sabe que você fez? Arrancou tudo de mim. Tudo o que eu chamava de meu, você levou. Meu coração, minha vida. A qual você era o centro, claro. Falar com você, nem que fosse por telefone, animava todo o meu dia. A minha semana. Eu não to brincando quando digo, eu teria feito de tudo.
Quando eu ouvi você chorar, só pelo telefone, eu sofri em dobro. Eu me dispus a fazer de tudo pra que você ficasse bem. Eu só queria te ver bem, o tempo inteiro. Então a gente para e pergunta, porquê? Por que teve que ser como foi? Por que as coisas são como são? E a resposta é, basicamente, porque têm que ser. Não há outra explicação.
E, no final das contas, eu fiquei sem você. Eu chorei, e muito. Provavelmente passei mais de um ano tentando te superar. Um ano inteiro escrevendo textos sobre você, e a cada linha deixando cair trocentas lágrimas, porque são lembranças demais.. Já cheguei até a dizer que te odeio, acredita? Nem eu acredito... Mas foi a forma mais fácil, naquele momento.
E hoje, você simplesmente virou uma lembrança, e um ensinamento. Quem está no meu passado, tem um motivo pra estar lá, e não no presente. Eu amei, de verdade, quem você era. Eu amei tanto que tinha vontade de gritar pro mundo, só não fazia porque não queria que você soubesse que era isso tudo. Mas, bom. Assim como mostra a conjugação do verbo, está no passado. Eu não sei quem você é hoje. Eu literalmente não falo com você tem, aproximadamente, um ano e dois meses. Não que você se importe. É só que.. Eu não te conheço mais. E isso é tão triste de admitir... Você tem como mais importante na sua vida pessoas absolutamente repugnantes. E o mais deprimente é saber que você prefere a eles do que a mim. Eu, que sempre te colocaria em primeiro. Que sempre fiz, e faria de novo, tudo. Mas você não é mais quem eu costumava passar horas rindo e conversando. Não é a pessoa que eu costumava ligar pra alegrar meus dias. Aquele que podia fazer qualquer coisa, só o fato de você existir já colocava um sorriso no meu rosto. Essa pessoa não existe mais. Hoje você.. Cresceu. E se tornou distante. E se tornou.. Essa pessoa que é hoje. É.. Essa aí.