Eu vi uma vida ao seu lado. Eu vi um futuro em seus olhos castanhos, um futuro para nós que já estávamos tão cansados. Cansados de procurar outra pessoa, de iniciar os mesmos ciclos, os mesmos diálogos, de nos apresentar tantas e tantas vezes ao desconhecido, ao outro.
Contigo eu achei que fosse diferente, falei que te amava incontáveis vezes, mesmo enquanto dormia. Lembro como escrevi em suas costas, disfarçando de carinho a palavra "amor", numa tentativa de fazer o seu subconsciente entender que merecia, que mereciamos, acima de tudo, sermos amados. E você prontamente retornava pela manhã, com palavras de carinho e de amor, mas com medo em sua alma livre, de se entregar.
Todas as vezes que disse "te amo", o peso libertador dessas palavras me saltava os ombros e me deixava respirar. Motivo que me fez tardar a perceber, que o que você precisava não era de um terapeuta, como bem fazia em todas as santas segundas-feiras. O que você precisava era de um fonoaudiólogo para a alma, alguém que lhe fizesse ouvir, o que com gritos e lágrimas, eu não fui capaz.
O estrago era real, e eu, não fui, a sua cura.
Torço para que um dia possa escutar e se sentir amado, se não por outro, por si.
Espero que possa se dizer: eu me amo, eu mereço ser amado, pois eu não consegui e aos poucos me sacrifiquei para estar ao seu lado enquanto figurei uma amizade e te ouvi falar de outros.
Eu irei seguir em frente, adeus.