Por muito tempo fiquei esperando o dia em que alguém chegaria e me presenteasse com uma carta, uma carta de alforria para a minha alma.
De tanto esperar, cansei. De tanto esperar me dilacerei. Cheguei a conclusão de que eu mesma preciso lutar para comprar a minha carta.
Não dá para esperar alguém que tenha uma sensibilidade capaz de enxergar a profundidade da alma, a ponto de reconhecer de que aquele ser, que sorri aos quatro ventos, precisa de ajuda.
Me dei conta, de que sou em mesma que preciso lutar para ser liberta, afinal, eu mesma me aprisionei. Eu virei a dona de mim mesma e com isso me tornei escrava das minhas emoções e sentimentos, escrava das dores, dos pesares e das magoas. Me tornei escrava do ódio, do mais latente ódio que me faz tremer por dentro. Eu na gana de esconder a ferida, percebi que não cicatrizou, pelo contrário, ela está maior, mais dolorida, está na carne viva.
A ferida que lateja me faz me lembrar todos os dias que preciso trata-la, mas trata-la, de inicio será pior, irá doer mais.... Me imagino gritando de dor, mas sei que é algo necessário para que finalmente ela cicatrize. Só me falta coragem, para lutar e enfrentar a ferida, que permaneceu por tanto tempo exposta, que se tornou parte de mim. Cheguei a quase me acostumar com ela.
Penso que se não fosse pela dor, pela podridão e pelo mal cheiro causado, eu poderia conviver com ela para sempre, mas sei que isso é ilusão! Antes da ferida não havia dor, antes da ferida era um local limpo e sem marcas. Só me resta pensar, que quando finalmente ela cicatrizar, ao olhar para cicatriz eu vou me lembrar do quanto fui forte.