"Pois ela merecia o céu, e eu queria da-lo! Sempre fora meu pedacinho. Aqueles sonhos, se tornavam reais a cada palavra trocada e tocada também, é que para almas como as nossas tudo virava melodia. No passado, presente e futuro, porque amor como aquele é intemporal. Ainda que com idas e vindas, jamais, deixa de ser. Há quem diga que não, que só é amor se acontece, se se consuma. Quem foi que disse tamanha barbaridade?! Do nosso coração só a gente é que sabe, e sente. Se tudo ali é intenso e real, se há genuinamente uma troca, uma reciprocidade, então, se materializar é questão de tempo, e desse, nós não sabemos, tampouco controlamos, mas acreditamos, e do jeito que dá, o vivemos. Por isso é amor, e sempre será."
Começavam assim as palavras de Luiza para Brisa... você lembra?
"Novas eras, as mesmas vontades. Muitas fases, poucas novidades. Somos de épocas, estações. E a favorita, ainda é o por do sol de uma tarde de Outono, ou uma manhã leve de Primavera, desde que seja no nosso lugar preferido. Vancouver. Ainda posso escutar teus passos, pé ante pé para não me acordar, carregando nosso felino até a cozinha sempre olhando para trás, e sua topada doída na quina da mesa, que você silenciou mordiscando o braço para eu não te notar. É que você tinha essa mania perfeita de me agradar. Sem pedir nada em troca. E se eu abria o olho se desfazia em desculpas até eu te alcançar, e trazer pra dentro do abraço apertado no meio da cama, e só descansava a se perdoar, quando eu te olhava nos olhos e falava — "está tudo bem pedacinho". Ás vezes acho que era até proposital, nesse teu jeito meigo só para me ouvir dizer, mais uma vez — "meu pedacinho". E mesmo assim, eu sempre me deixava levar, pois você, merecia sempre mais. Você é leve. Isso nos torna leves. Nosso jeito de amar, é leve. A gente se solta pra se agarrar."
As prosas de Luiza sempre eram extensas, ainda mais quando se tratava da sua pequena núvem ou onda, pedacinho de céu e de mar, de olhos cor avelã. Te lembro, te acho. E te enxergo até onde não estás.
"Dos bilhetes de cabeceira, ás bandeijas de café da manhã, nas falas ao pé de ouvido, e todas as canções partilhadas, ainda preferia as surpresas, as chegadas de mansinho, as dicas pelo caminho, os codinomes disfarçados. Ah, Brisa, eu te sinto daqui, até quando você se esconde. — Diria Luiza fingindo espanto e sorrindo a cada descoberta. — Por isso era amor. E é. Te sinto."
Com amor, L.
Cartas de Luiza para Brisa in “A moça do amor lilás”

















