Amiahzatan (O Demônio do Tabaco)
Amiahzatan é apresentado dentro da corrente necrosófica e falxiferiana como uma das manifestações obscuras da Morte personificada, um dos poderes que se revelam através do culto ao Senhor da Foice. Seu nome está diretamente ligado à dimensão funerária do caminho necrosófico: a presença que abre passagens e conduz ao domínio dos mortos. A etimologia simbólica de “Amiahzatan” é associada à ideia de dissolução e permanência no além, sendo invocado como um Guardião do Limiar e um dos intermediários entre o praticante vivo e os despojos dos que partiram. No contexto da Liber Falxifer, Amiahzatan é mencionado como entidade de grande relevância por carregar o aspecto do poder fúnebre e ressurgente do trabalho necromântico. Seu sigilo, composto de linhas cruzadas e intersecções que lembram tanto uma chave quanto uma foice estilizada, é um selo de abertura de contato, usado em rituais de evocação e comunicação com o mundo dos mortos. Esse sigilo não é apenas uma marca de identificação, mas uma “porta espiritual” que, quando traçada em cinzas, ossos moídos ou sangue, estabelece a sintonia com sua esfera. Ritualmente, Amiahzatan atua como uma presença que liga o praticante aos cemitérios, ossários e túmulos, reforçando a clarividência cadavérica, o poder sobre sombras e a habilidade de manipular correntes necromânticas. Sua participação fúnebre se dá como a de um mestre da putrefação espiritual, o que significa que, ao ser cultuado, ele não apenas se associa ao morrer, mas também ao renascer sombrio — o retorno de forças ancestrais e espectrais que podem ser colocadas a serviço da obra do necromante. Assim, Amiahzatan simboliza o aspecto inevitável da Morte enquanto poder iniciador, a foice que abre caminho, e o eco das vozes enterradas que respondem ao chamado do praticante.
Na corrente necrosófica, Amiahzatan é também compreendido como o Espírito ou Demônio do Tabaco, o que amplia a sua função além do aspecto exclusivamente fúnebre. O tabaco, planta de fogo e de sopro, é visto como elemento de conexão direta com o mundo espiritual, especialmente quando queimado e oferecido em ritos de evocação. Amiahzatan, nesse sentido, é o senhor do hálito necromântico, aquele que carrega a fumaça como veículo de comunicação entre vivos e mortos. A denominação de “demônio do tabaco” não se refere a algo trivial ou meramente folclórico: dentro da Liber Falxifer, fumar, soprar ou oferecer tabaco em seus ritos é ato de sacralização e invocação. O tabaco é sua planta-sacramento, sua chave aromática que embriaga tanto os mortos quanto os espíritos de sombra, tornando o ambiente permeável ao contato necromântico. A fumaça invocada é como um manto etéreo, que desmaterializa o mundo visível e aproxima o praticante do invisível. Nesse aspecto, Amiahzatan participa nos rituais como intermediário fumígeno, aquele que dá corpo ao hálito e ao sopro mágico. Ele é visto como a personificação do tabaco que queima nos altares fúnebres, carregando pedidos, oferendas e encantamentos até o reino dos mortos. A fumaça que sobe é a estrada negra que liga o necromante às entidades sombrias. Assim, como demônio do tabaco, Amiahzatan reforça seu papel de espírito-limiar: senhor do sopro, da fumaça e do hálito fúnebre que dissolve as fronteiras entre morte e vida.
A Magia do Tabaco e da Tintura de Amiahzatan é apresentada como uma forma de pacto fumígeno e líquido com esse espírito/demônio. O tabaco é tratado como a erva sacramental de Amiahzatan: ao ser queimado, fumado ou soprado diante do altar, cria-se um elo entre o necromante, o Senhor da Morte e as forças cadavéricas. Já a tintura de Amiahzatan, um extrato preparado a partir da planta consagrada a ele, é considerada veículo material de sua essência, devendo ser mantida próxima ao altar do Senhor da Morte para que irradie sua força e magnetize o espaço ritual. O Sigilo e o Círculo Conjuratório de Amiahzatan são ferramentas indispensáveis no trabalho com este espírito. O círculo funciona como limite e invocação, delimitando o espaço onde a fumaça e a tintura evocam a presença viva do demônio, enquanto o sigilo é a chave para abrir o contato e estabelecer comunicação. A fumaça do tabaco é então direcionada sobre o sigilo ou dentro do círculo, carregando a invocação. No conjunto, esse sistema ritual une três elementos: o sopro (tabaco queimado), o sangue verde (tintura) e o selo (sigilo e círculo conjuratório). Esses pontos criam um campo de poder onde Amiahzatan atua como intermediário fúnebre, carregando mensagens e vontades para além do véu. A proximidade da tintura com o altar do Senhor da Morte consagra não apenas o espírito do tabaco, mas também a força necrosófica que o sustenta, transformando cada rito em um sacramento do hálito e da morte.
A entrega do copo de água é seguida pela oferenda de tabaco. Um charuto é aceso em nome de Amiahzatan (o grande demônio do tabaco) como uma oferenda ao Mestre Qayin, e sua fumaça é soprada sobre o fetiche central e todos os outros objetos sagrados sobre o altar. Em troca da fumaça provida de energia de Amiahzatan, o Mestre é convidado a fortalecer todos os laços entre o próprio Self e as Hostes da Sombra da Morte, e a conceder tanto abundâncias e riquezas tanto mundanas quanto espirituais. Quando todas as oferendas forem servidas, o cigarro ou cigarrilha é aceso em nome de Amiahzatan, e sua fumaça é soprada por todo o altar e todas as oferendas colocadas sobre ele. Quando restar menos da metade do cigarro, coloque-o no cinzeiro e deixe para os mortos fumarem, e é dito a eles para virem se fortalecer pelo bafo ardente de Amiahzatan e, em troca, que concedam todas as suas bênçãos.









