Ei, você, dia lindo né? – risos. – não, não tanto, tá nublado. Tá tudo muito nublado e você não tá aqui. Mas bem que você poderia estar, né? Não sei, não sei explicar muito bem, mas você me dá vontade de ser clichê. É, isso mesmo, quero ser clichê com você. Quero melar teu nariz de sorvete, quero te ver perder pra mim no videogame, e cantar uma canção pra você dormir – e, mais do que tudo, queria que você desejasse dividir todas essas tolices comigo. Tola, eu? Talvez. Mas a um que ama, não atribua tolice; o amor revigora o coração, faz com que você se sinta vivo, faz brotar em você sensações que você ao menos imaginava existir. Dizem que o amor não dura, que o amor acaba. Que o amor te faz sofrer; que a dor que o amor causa rasga, parte, corta, sangra e inflama... Dizem que o amor é perda de tempo. Mas o que posso fazer, se quando eu estou no ápice de meu autocontrole, você me cativa novamente e tudo o que eu havia lutado tanto para conseguir, cai por terra como nuvens carregadas soltando a água da chuva numa tempestade sem fim? É quando você sorri. Desde um sorriso doce e despreocupado, até uma gargalhada contagiante. Pode ser um sorriso triste ou um sorriso malicioso... Conheço todos os teus sorrisos. E sabe de uma coisa? Ainda não descobri qual é o mais bonito. Mas de uma coisa podes ter certeza: nada se compara aos seus olhos. Seus olhos sempre profundos e misteriosos, os únicos que eu ainda insisto em decifrar; talvez para saber o que pensa, porque olha, tá difícil de te entender. Como se ficar te observando não fosse o suficiente, como se pensar em ti o dia inteiro não fosse o suficiente, como se te imaginar comigo não fosse o suficiente, tenho também que preocupar-me com esse teu perfume que insiste em ficar impregnado no meu nariz o tempo todo. Eu sinto como se o meu mundo – que tem como órbita girar em torno do seu – parasse ou simplesmente girasse mais devagar, quando tu me dás um abraço mesmo que amigável; mesmo que não com as mesmas intenções. É como se eu pudesse te sentir correndo em minhas veias, levando meu oxigênio. Talvez possas achar meio irônico e contraditório, mas tu fazes com que eu ganhe e perca meu fôlego. E talvez eu sinta dor, depois. Talvez meu coração fique rasgado, partido, cortado, sangrando e inflamado. Talvez tu não penses em mim, e talvez teu mundo não tenha como órbita girar em torno do meu. Talvez eu seja uma tola mesmo, e talvez eu esteja perdendo meu tempo – e meu autocontrole – pensando apenas em todos os seus sorrisos e no jeito como olha para mim. Talvez eu não devesse ser tão dependente de você, e deixar que meu sangue e meus pulmões fizessem o trabalho de levar oxigênio para o meu corpo. Talvez eu devesse procurar um outro jeito de sentir-me viva e fazer meu coração revigorado, sentindo todas aquelas sensações novas e desconhecidas... Mas se um dia chegar este momento, não me sentirei arrependida. Não fraquejarei, não despencarei. Apenas continuarei esperando-te, como faço desde o momento em que te conheci, ou até mesmo antes; sei que por ti sinto o amor mais puro e mais verdadeiro, e se é amor mesmo, então a eternidade nos espera. (amidnightwish)