ʏᴏᴜ’ʟʟ ᴋɴᴏᴡ ɪᴛ ᴡʜᴇɴ ɪᴛ ʜᴀᴘᴘᴇɴs | Aᴅᴀ x Dᴏʀɪᴀɴ
┆ ♛ | | ᴄʟᴏsᴇᴅ ᴡɪᴛʜ @amranthis | ┆
O líquido âmbar era hipnotizante, o gelo que aos poucos se dissolvia na bebia parecia um imã para os olhos azuis tão gélidos quanto. Todo o barulho e conversas do fundo pareciam não existir para o homem com o sobretudo, o olhar distante entregando os pensamentos que estavam em qualquer lugar, menos no Blood Fang. Faltavam poucos dias para completar sua primeira semana na cidade e as coisas simplesmente não aconteciam como ele queria. Toda aquela certeza que o impulsionou a entrar na cidade, parecia desaparecer aos poucos, exatamente como aquele gelo na bebida.
Ele conseguia sentir aquela presença familiar ali, mas não havia sinal dela. Era difícil dizer se poderia ser ela - e se fosse algum outro exilado? Ou até assassina que o seguira para aquele mundo - ah, ele desejava que estivesse certo em seguir seus instintos - eles tinham que servir para algo além do campo de batalha. Os pensamentos foram trazidos de volta quando dois vampiros bêbados começaram a falar mais baixo ao seu lado e entre os murmúrios, pronunciaram o nome dela. O nome dela. Não podia ser uma coincidência. Conversas aleatórias sobre um ataque, sobre como o trabalho de guarda era chato e como a Líder das Feiticeiras estava ocupada na Central. Ele estava pronto para se levantar e sair quando o restante da conversa o fez estacar no lugar. “Se ela não me desse tanto eu medo, eu até tentava a sorte.” “Eu queria tanto saber o que ela esconde por baixo daquelas roupas pretas...” “Eu aposto que ela deve ter uma-” A voz do homem foi abruptamente interrompida quando uma mão pálida e fria foi de encontro ao seu pescoço, esmagando a laringe enquanto o erguia no ar. Rápido demais para que notasse, o acompanhante apenas percebeu o que acontecia meio segundo antes de ter a cabeça chocada contra o balcão, a madeira rachando com o impacto. Com um impulso, jogou o bêbado em uma mesa que quebrou com a força do golpe. A palavras saíram sussurradas da boca de Dorian, a mão ainda apertada na garganta do vampiro, o rosto a poucos centímetros da face do outro.
--- Fale mais alguma coisa desrespeitosa sobre ela de novo... --- Os olhos não ficaram vermelhos e nem as veias negras tão comuns saltaram dos olhos do louro. Mas qualquer um poderia sentir aquela ameaça violenta que irradiava dele. --- e eu juro que arranco a porra da sua garganta.
Farsteel se ergueu, os olhos vidrados com um ódio que ele tentava controlar. Não valia a pena perder tempo com bobagens como aquela - não quando tinha informações tão importantes. Essa urgência que o preencheu era imperceptível para quem o via se virar e sair sem pressa pela porta do pub, aquela frieza característica em seus movimentos. O ar frio da noite encheu os pulmões que não precisavam de oxigênio, a essência de magia pura misturada com todos os olores daquela cidade. Central dos Líderes. Ela tinha que estar lá.
Dois guardas que estavam quase cochilando ficaram de prontidão ao notar a aproximação do homem,mãos próximas o bastante de uma espada embainhada - a qual ele tinha certeza que mal sabiam usar. Uma conversa rápida, uma desculpa pensada em ultimo minuto como ‘uma reunião de emergência coma Líder das Bruxas, e sua permissão para adentrar foi dada, mesmo sobre desconfiança. Tolos. Ele deveria decepar as cabeças dos dois pelo trabalho de merda em proteger ela.
Mas a urgência era maior, corria em suas veias junto com aquele sangue impuro. Os passos, mesmo sem intenção, ficaram mais apressados; a ansiedade fazia pressão em seus ouvidos e, um segundo antes de abrir a porta, ele parou e engoliu em seco. Tentou ouvir algo atrás daquela porta pesada e imensa, mas era difícil ouvir com todos aqueles pensamentos, lembranças misturadas com sua insegurança e anseios por vê-la, nem que fosse apenas mais uma vez.
Apenas mais uma vez.
Então, ele abriu a porta.













