O monumento megalítico de Sakafune-ishi e sua conexão com Masuda-no-Iwafune, Yonaguni e a Anomalia do Mar Báltico
A área de Asuka, a cerca de 25 quilômetros ao sul da atual cidade de Nara, a antiga capital do Japão, é uma das mais ricas histórica e arqueologicamente do Japão, repleta de kofuns (túmulos antigos), monumentos megalíticos e relíquias espalhados pelas colinas e pequenas fazendas, a maioria deles envoltos em mistério quanto aos seus construtores, à idade e função original.
Vários deles foram objeto de especulações de partidários da teoria dos antigos astronautas, que os associaram a civilizações avançadas desaparecidas e até a visitantes de outros planetas. Alguns foram de interesse para os arqueoastrônomos por seu possível alinhamento Solsticial. Uma pedra em particular em que estive e que irei abordar em detalhes a partir de agora, Sakafune-ishi, é semelhante não só com Masuda-no-Iwafune, onde também estive e que já abordei em artigos e matérias anteriores, mas também com a Anomalia do Mar Báltico. Na foto abaixo, estou sobre o monumento de Masuda-no-Iwafune.
Asuka é conhecida não apenas por ser a capital do Reino Antigo de Asuka, mas por ser também um período histórico especial (Asuka-jidai, o Período Asuka) que durou quase 200 anos (de 538 a 710 d.C.), com o seu início coincidindo com o do período anterior, o Kofun (de 250 a 538 d.C.). O Período Asuka foi um dos mais importantes da história japonesa por suas significativas transformações sociais e políticas, marcado que foi pela introdução do budismo da China através da Península Coreana, de numerosos Kanji (caracteres chineses), bem como uma nova perspectiva cosmológica, sem contar a mudança do nome do país, de Wa (Yamato) para Nihon ou Nippon (Japão). Asuka foi, portanto, o berço espiritual, o centro formador do que é o Japão hoje.
Sakafune-ishi (literalmente "Liquor Ship Rock" ou "Navio de Pedra de Bebidas") fica perto do centro da vila de Asuka, a cerca de 20 minutos a pé no topo da colina de Muraoka. Dali da base sobe-se ao topo por uma trilha em direção a Sakafune-ishi, no sítio Asuka Itabuki-no-miya, em frente ao que teria sido o Palácio do Imperador Kōtoku (597-654), o 36º Imperador do Japão (a partir de 645), construído no século VII durante o apogeu do Período Asuka. Não havia placas indicativas sobre as trilhas que se deveria tomar, a não ser as escritas em antigos kanjis indecifráveis, o que exigiu que confiasse em meus instintos e continuasse caminhando em direção a uma floresta de bambus. Essa dedução não foi tanto um chute, mas baseado em minha experiência anterior em Masuda-no-iwafune, que também fica localizado em uma colina em meio a uma floresta de bambus.
Não há sinais de pedreiras em volta, ou seja, ao que tudo indica esta rocha foi cortada em outra parte e transportada para o topo mediante um esforço considerável, para não dizer descomunal. Sakafune-ishi é feito de granito e mede 5,5 metros de comprimento, 2,3 metros de largura e 1,0 metro de altura ou espessura, mas acredita-se que a pedra original era muito maior e foi sendo cortada ao longo dos séculos para ser usada em outras construções.
A superfície superior da laje tem recortes circulares e ovais conectados por canais estreitos. Partidários da teoria dos antigos astronautas ou de civilizações avançadas desaparecidas não se contentam com explicações convencionais de que a estrutura megalítica de Sakafune teria sido construída com propósitos meramente funcionais como canalizar água ou prover necessidades etílicas, medicinais ou estéticas. Para eles, não faria sentido tanto trabalho, tanto esmero e precisão para produzir cortes tão perfeitos e notáveis, com linhas retas que sugerem o uso de compassos, esquadros e até maquinas de esmerilhar, e apontam os entalhes e sulcos circulares em sua superfície superior como símbolos sagrados, esotéricos, mágicos, ritualísticos, cartográficos, astronômicos, astrológicos, cabalísticos ou de algum tipo de campo de alta frequência.
A função de Sakafune-ishi como posto de observação astronômica é a que tem até agora mais peso empírico devido às tentativas que foram feitas para enquadrá-la nesse sentido. Na edição de abril/junho de 1980 da revista Archaeoastronomy, Kunitomo Sakurai relatou os resultados de seus estudos relacionados à posição da pedra. Olhando para o oeste da borda leste de Sakafune, Sakurai notou que o vale central está "bem alinhado ao longo da direção leste-oeste, sendo coincidente com o caminho do sol nos equinócios". Sakurai concluiu que a função primária de Sakafune-ishi era a de uma estação de observação do pôr do sol para determinar os solstícios de inverno e verão.
Aspectos da simbologia sagrada ou esotérica teriam sido embutidos em profusão em Sakafune, que talvez servisse como um relógio astrológico gigante dividido em decans ou seções, assim como se fazia no Antigo Egito. Os ângulos dos ramos coincidem com os ângulos do pôr do sol entre os equinócios e os solstícios. Certos globos aparecem ligados por linhas, as famosas ley lines ou linhas de energia que cortam o nosso planeta e que são marcados por colossais monumentos de pedra como dolmens, cromeleques, obeliscos, pirâmides, catedrais, etc. Sakafune poderia ter sido assim projetado para ser um imenso repositório de informações, um banco de dados ou HD (Hard Disk) de pedra ambulante feito para suportar a passagem do tempo e levar uma mensagem codificada para nós, no futuro. Geometria sagrada e alinhamentos cosmológicos são sempre a linguagem universal de altas civilizações deste e quiçá de outros mundos.
O pesquisador japonês independente Hayashi Hiroshi vem estudando a fundo os monumentos arqueológicos de Nara, em particular o de Sakafune, e divulgando suas conclusões em seu blog pessoal e em seu canal no YouTube. Hayashi acredita que Sakafune está alinhado com vários outros monumentos megalíticos em redor do mundo. Ele usou uma bússola e sistemas GPS (Global Positioning System) avançados para coordenar o alinhamento, e com o auxílio de um software de grade, foi capaz de constatar que Sakafune se conecta com outros sítios arqueológicos como Teotihuacan (na Bacia do México, a 48 quilômetros a nordeste da atual Cidade do México), Chichén Itzá (Península de Iucatá, no México), Gizé (na margem ocidental do rio Nilo, a cerca de 20 quilômetros a sudoeste do centro do Cairo, no Egito), Mohenjo-daro (construído por volta do século XXVI a.C., um dos maiores centros populacionais da antiga Civilização do Vale do Indo, na província do Sinde, no Paquistão) e Urulu (também conhecido como Ayers Rock ou The Rock – “A Rocha”, monólito situado no norte da área central da Austrália, no Parque Nacional de Uluru-Kata Tjuta). Ele foi capaz de calcular essas distâncias e apresentou fórmulas e diagramas muito convincentes mas que exigem pesquisas adicionais que se comprovem essas conexões potenciais.
A configuração dos entalhes, sugerem alguns, se assemelha sobremaneira a Árvore da Vida da Cabala (palavra de origem hebraica que significa “recepção”), que visa conhecer a Deus e o Universo. O mais antigo monumento literário sobre a Cabala é o Sepher Yetzirah (Livro da Formação), considerado anterior ao século VI, no qual se defende a ideia de que o mundo é a emanação de Deus. Os primeiros comentários sobre esse pequeno livro foram escritos durante o século X, e o texto em si é citado desde o século VI. O termo “Cabala” não veio a ser usado até meados do século XI, e naquela época referia-se estritamente à escola de pensamento relacionada ao misticismo esotérico. Desde então, o conhecimento cabalístico passou a ser usado por filósofos herméticos, neopagãos e de outros grupos religiosos.
A Cabala tem sido usada por muitos como uma forma de conjuração de espíritos demoníacos. A demonologia é acondicionada em torno de determinados símbolos e formas geométricas (como pirâmides, hexágonos e pentagramas invertidos) que servem como pontos focais e portais por meio dos quais os demônios podem entrar no corpo humano. Sexo e sacrifícios de sangue são usados para conjurar demônios poderosos. De acordo com a demonologia de alto nível, certos espíritos poderosos só podem ser manipulados se houver sacrifícios de sangue. A contribuição voluntária de energia para esses objetivos demoníacos deve ser protegida de modo que o núcleo fique oculto.
Experimentei deitar sobre a laje de Sakafune e constatei que a cabeça e os braços se encaixam perfeitamente em seus entalhes, ou seja, não se pode descartar que sacríficos de sangue, imolações e holocaustos fossem conduzidos no topo daquela colina, com o sangue da vítima sendo escorrido pelas canaletas.
Sakafune e os monumentos megalíticos de Nara remetem ao monumento megalítico submerso de Yonaguni (a alguns quilômetros ao sul da ilha de Yonaguni, a ilha mais a oeste do Japão, no ponto mais meridional das ilhas Ryukyu, a 125 quilômetros da costa de Taiwan) que se supõe ter sido construído há cerca de 10.000 anos atrás, no final da última Era do Gelo, quando a atividade tectônica fez o nível da água das ilhas subir, enterrando o que poderiam ser resquícios de uma antiga e avançadas civilização no Japão.Teriam os monumentos megalíticos de Nara sido construídos pelos mesmos que ergueram Yonaguni?
Sakafune, assim como Masuda-no-iwafune, guarda ainda uma notável semelhança com a chamada “Anomalia do Mar Báltico”, descoberta por Peter Lindberg, Dennis Åsberg e sua equipe sueca de mergulho, a Ocean X. Em junho de 2011, quando retornavam de uma expedição à procura de um tesouro no centro do Mar de Bótnia, no norte do Mar Báltico entre a Suécia e a Finlândia, obtiveram uma imagem de sonar “embaçada, mas interessante” de um objeto circular de 60 metros de diâmetro, com os contornos gráficos de um disco voador (mais propriamente da espaçonave Millennium Falcon de Star Wars) e características semelhantes a rampas, escadas e outras estruturas.
Na perspectiva dos partidários da teoria dos antigos astronautas e do continente perdido da Atlântida, a Anomalia do Mar Báltico seria um monumento megalítico de uma civilização perdida. Se esta teoria é a mais correta ou não, é bem improvável, porém o fato é que a Anomalia subaquática se assemelha sobremaneira aos monumentos de Sakafune e de Masuda-no-Iwafune, como se fizesse parte de um mesmo e grande projeto.
Assista também ao vídeo que fiz em Sakafune no meu Canal no YouTube:
Site Name: Sakafune-ishi Alternative Name: 酒船石 Sakafuneishi
Country: JapanRegion: Honshū
Nearest Town: Asuka-mura (Nara pref.) Nearest Village: Oka 岡
Latitude: 34.475226N Longitude: 135.823556E