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Anna Bee shares a story about her experience in playing a mobile app game to earn real cash.
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Animação // Parte 3 : Anna Bee no Vale dos Sonhos
(Maio ~ Dezembro de 2013)
No terceiro e último post sobre a animação, o Daniel vai falar sobre o processo de animação do novo piloto.
Fala mais, Daniel! o/
Uma das partes mais difíceis de um projeto autoral é lidar com as milhões de possibilidades conceituais e gráficas. Quando ganhamos o edital da Tv Cultura para financiar o episódio piloto, a nossa intenção era dar continuidade para o Annabee.log e adotar uma linguagem visual mais obscura como nas vinhetas. Tínhamos esboçado uma saga inteira onde a nossa querida Anninha teria que enfrentar 8 tipos de demônios para encontrar Luzia Hardt. O roteiro foi aprovado pelo edital, mas tivemos que esperar mais de um ano para poder começar o projeto de fato.
Alguns concepts da primeira versão de Anna Bee no Vale dos Sonhos:
Olha só o naipe dos vilões que diabólico:
Durante esse ano de espera canais fecharam e muita coisa mudou. Acabamos repensando a identidade do projeto para uma linguagem mais leve mas sempre mantendo as questões essenciais da série. Um dos primeiros desafios dessa nova linguagem foi adaptar o traço. Tínhamos que pensar num traço mais amigável e mais factível ao nosso cronograma. Foi aí que resolvemos tirar as linhas e trabalhar apenas com massas de cor:
Não apenas a parte visual, mas o roteiro também sofreu algumas modificações. A premissa da Anna ser uma justiceira na internet se manteve, assim como a profundidade da personagem, mas agora com um clima mais divertido.
A partir das experiências da série e dos clipes anteriores, nos sentimos mais confiantes em animar praticamente tudo do zero, sem referências de video – com excessão das transformações e dos golpes especiais da Anninha.
Passamos o primeiro mês fazendo testes de animação para entender o timing da nova identidade:
Primeiro teste de movimento finalizado com cenário:
Desde o começo do projeto sempre tivemos que fazer tudo com uma equipe bastante reduzida. Dessa vez tivemos a oportunidade de juntar uma equipe um pouco maior na animação. No Annabee.log éramos apenas 2 animadores, para o piloto tivemos uma equipe de 6 animadores.
Cada um dos membros da equipe tinha seu traço pessoal, uma das dificuldades foi achar um jeito de padronizar esses traços para que o estilo não mudasse durante o episódio.
Para isso combinamos que a queridíssima Amanda Grazini ficaria responsável em fazer uma versão entre o esboço da animação e o clean-up. A preocupação seria principalmente a de ajustar a proporção dos personagens. Essa proporção acabava se perdendo às vezes durante o processo de animação esboçada que o Paulo Stoker e eu fazíamos. A partir dessa correção, nossos amigos Guma e Lucas Fiacadori coloriam, finalizavam e colocavam a cerejinha do bolo:
Na teoria tínhamos uma função específica para cada um da equipe, mas na prática todo mundo fez um pouco de cada.
Ter uma produção maior teve seus prós e contras. Com mais recursos acabamos nos permitindo ter um preciosismo maior nos pequenos detalhes, o que resultou num piloto muito bonito. O importante mesmo é que foi uma grande oportunidade de aprender ainda mais sobre o processo de animação, sobre lidar com burocracias/recursos vindo de terceiros e principalmente de trabalhar em conjunto com grandes artistas/amigos que não só ajudaram na parte prática mas também me ensinaram muito sobre dedicação e companheirismo, além de me presentear com grandes momentos que vou guardar pra sempre com muito carinho <3
Valeu, Daniel! No próximo post vamos passar o microfone para o pessoal do Zurpilo, os responsáveis pela trilha e pelo (cof cof - tosse da emoção) HotHotMails :D Até a próxima!
Animação // Parte 2 : Annabee.log
(Retrospectiva 2011)
No segundo post sobre a animação, o Daniel vai falar sobre o processo de animação do Annabee.log.
Continua aí, Daniel! o/
No final de 2012, o clipe Chatroulete estreou na MTV Brasil. O pessoal de lá gostou tanto da Anninha que a convidou para ser a nova VJ do canal. Ficamos totalmente perpléctos! Mas não fazíamos ideia de como fazer isso ser viável. Acontece que fazer a Anninha se mover o suficiente para ser uma VJ descolada daria um trabalho absurdo e seria impossível pra gente na época. Explicamos para o pessoal da MTV e eles nos deram liberdade para pensar em alguma fórmula para a personagem aparecer na programação.
Dessa vez o desafio era : como pensar uma proposta de animação que seja econômica em movimentos a ponto de ser factível em pouco tempo e com pouca grana - e que ao mesmo tempo essa economia seja justificada pelo contexto da história?
A Marcella e eu passamos dias batendo a cabeça na parede em busca dessa solução, e a resposta veio despretensiosamente em uma conversa pela webcam. Quando estamos na frente do computador naturalmente nos movemos pouco, mexemos os olhos e a cabeça um pouco, às vezes uma coceirinha atrás da orelha e nada muito mais que isso.
Era perfeito! Além da Anna agir naturalmente com uma economia absurda de movimento, a idéia também dava brecha para ela interagir de um bilhão de jeitos diferentes com o mundo inteiro, ali sentadinha na frente do computador. Fizemos um piloto com a proposta, apresentamos para o pessoal da MTV e a galera adorou!
Um pequeno detalhe que também fez diferença nessa fórmula foi o frame triplo. Grande parte da economia de movimento vinha da Anna ficar naturalmente parada encarando a tela como as pessoas normalmente fazem quando estão no computador. Mas manter um frame ali parado faz a animação parecer uma ilustração estática e a personagem parece morta x_x . A solução para isso foi muito simples: para cada frame dela parada tínhamos que redesenhar o frame 3 vezes, fazendo com que o traço se mantenha em movimento, dando um ar mais vivo pra Anna. Umas piscadelas também ajudam.
Tiramos essa idéia do cartoon Du, Dudu e Edu :)
A essa altura, eu já tinha experiência suficiente para animar do zero. Fazer a Anninha pulando, se transformando, correndo, dançando, derretendo não era mais problema, mas eu não esperava que animar expressões faciais e movimentos sutis seria ainda mais complicado. Pode acreditar, é muuuito mais difícil. Isso acontece por que quando se tem um movimento rápido, cada frame é muito diferente um do outro, e se tem algo torto acaba passando despercebido no play. Quando o movimento é sutil, qualquer frame torto é perceptível, e faz parecer que a personagem está tendo um troço :P
Para resolver isso voltamos a usar a técnica de rotoscopia.
Todas as noites rolava uma sessão de captura de movimento com minha amiga Juliana Bittencourt. A gente ligava a câmera no Skype e eu passava os movimentos para ela interpretar. Um programa de captura de tela salvava tudo em video e depois os movimentos serviam como base para os episódios.
Usamos essa técnica para grande parte da série, mas o mais legal era que a história permitia misturar esses movimentos reais com pirações gráficas e animações feitas totalmente no flow. Essas cenas eram definitivamente as mais legais de ser animadas :)
Mais uma vez a falta de recursos e tempo acabou nos ajudando. Tivemos que pensar em soluções inesperadas para conseguir fazer tudo a tempo e o ritmo acelerado de produção fez com que o traço ficasse bem solto e consequentemente mais vivo e expressivo. Acho que hoje em dia não tem muita regra para quem quer fazer animação, tudo é valido quando estamos experimentando.
Acreditamos que é possivel fazer muito com pouco quando se tem uma boa motivação e, no caso da Anninha, o pessoal que acompanhava a série e interagia com o projeto nos motivou bastante a continuar dando o sangue. Somos muito agradecidos por isso <3
Falou tudo, Daniel! :) No próximo post: a animação do piloto de Anna Bee no Vale dos Sonhos. Segura essa limonada que o Sérgio Lombardi está chegando para falar sobre a criação da trilha e as músicas do HotHotMails! Até o próximo post, galeri! <3
Concepts : Cenários
(Maio ~ Junho de 2013)
Nessa nova etapa da história, a Anna mora sozinha e é capaz de entrar fisicamente na internet – segura essa responsabilidade toda, Anna Bee! Então como seria a casa dela? E o Facelivro por dentro? Vem comigo.
Anna, Mika e Bisteca são mais que uma banda agora: eles são roommates. Na verdade a casa é só do Bisteca, mas a Anna e a Mika passam tanto tempo lá que é como se a casa fosse delas também. A sala do concept acima foi inspirada na sala da casa antiga do Daniel. Essa ideia de ter várias coisas coladas na parede foi mantida nos cenários finais. É divertido tentar adivinhar quem colou o que na parede. Na cozinha do piloto, por exemplo, o pôster da Cátia Fonseca foi colado pelo Bisteca. Ele disse: “Sou muito fã das receitas de Cátia assim como admiro o seu carisma”. Show.
Os cenários da internet têm uma mistura de tecnologia com elementos orgânicos. Quanto mais a Anna se aprofunda na internet, mais surreais os ambientes se tornam.
Concepts do palco do VocêTubo (acima) e a recepção do Facelivro (abaixo).
E quanto mais Anna se aprofunda na internet, mais chances ela tem de encontrar a Luzia. Mas seria a Luzia real? O que é verdadeiro na internet? Espero que Anna encontre o caminho de volta para casa.
Também espero que o Bisteca tenha mais uma cópia do pôster da Palmirinha. Até o próximo post!
As Vozes!
(Junho de 2013)
Até esse momento da história, Anna, Mika e Bisteca ainda não tinham uma voz oficial. Todos eles cantavam e escreviam, mas a voz que a gente usa para falar alô e comprar 100 gramas de mussarela, essa eles ainda não tinham.
Encontrar as vozes dos personagens no meio de muitos testes cheios de talento foi um dos momentos mais especiais do piloto. Ouvir a voz dos personagens pela primeira vez foi muito emocionante! :)
Olha lá todo mundo! No centro, começando pela esquerda: Priscila Franco (Mika), Thiago Zambrano (Zé Minoru), Luisa Porto (Sukiyaki), Simone Evans (Anna Bee), Melissa Garcia (de azul, Diretora de Voz Original) e, no fundo, Felipe Zilse (Bisteca).
Assim começaram as gravações. A Melissa Garcia foi a diretora de voz original e graças à ela, aos atores e ao pessoal da Ultrassom, essa magia aconteceu ♡
Mas antes, uma pausa para:
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - > SPOILER ALERT! < - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Luzia gente boa.
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Agora sim, o vídeo :)
E essa foi mais uma etapa do processo de criação do piloto de Anna Bee! No próximo post vamos falar da animação.
Segura essa tapioca que o piloto chega dia 4/3! \o/
♡
Roteiro e Colaborações
(Fevereiro ~ Junho de 2013)
Demorou alguns meses até que todo mundo se despedisse da família para entrar no confinamento da Casinha, essa nave louca. Levou mais algum tempo até que o roteiro ficasse pronto. Nossa maior dificuldade foi apresentar o que já existe de Anna Bee e introduzir a nova história em menos de 15 minutos. Também estávamos preocupados em encontrar uma forma de dar voz à Anna sem que ela perdesse a essência. Nessa nova etapa, a Anna conquista a vida além da webcam para gritar, pular, comer um dogão, entrar em crise existencial e ter poderes especiais.
Anna Bee é a nova heroína da internet. Missão: combater um troll por dia e encontrar o caminho de volta para casa.
Uma vez que entendemos que essa era a nova trajetória da Anna pudemos pensar melhor em que tipo de ajuda precisaríamos. A sorte é que temos muitos amigos.
Como a Carol!
A Carol é bailarina e coreógrafa. Foi ela quem criou os movimentos-chave da Anna. Ela também foi nossa modelo vivo em uma sessão que ajudou muito a entrar no universo da nova série além de soltar o traço para encontrar poses mais criativas para os personagens.
Aqui, um exemplo de como utilizamos o poder da Carol nos movimentos da Anna.
Também recebemos muitas visitas durante o ano inteiro. Os amigos e as amigas chegavam para assistir filme, jogar videogame, ficar vendo todo mundo trabalhar ou trabalhar um pouquinho com a gente.
Trivia maneira: O Sérgio aqui na frente (folheando o livro) é baterista e um dos compositores do HotHotMails :)
Mais pra esquerda. Que mãos douradas... Valeu pela massagem e pelo belo design gráfico, João!
No próximo post: as vozes.
♡
Seis da tarde ou seis da manhã? Quem sou eu na noitch?
CASINHA
Jan/Fev de 2013, São Paulo City. Nossa história começa com Casinha, a casa.
No passado, a Casinha foi um lugar que serviu por muitos anos como depósito de uma produtora. Um lugar mágico e empoeirado. Tinha cabeça de urso de pelúcia, crânio de plástico, fantasia de carnaval do Flamengo (juro), placa de trânsito japonesa, fantasmas, tinha tudo!
Tudo mesmo!
Como uma boa acumuladora, a Casinha tinha muitos objetos mas era carente de afeto e atenção. Chorava fedido pelas infiltrações, tossia uns insetos de vez em quando. Casinha estava em um momento tenso da vida.
Tudo o que é tenso um dia relaxa. Os dias de depressão da Casinha acabaram quando a produtora resolveu mudar o depósito de endereço. Foi aí que Casinha ficou livre e vazia. E a gente entrou nela sambando e fazendo faxina.
Na foto acima, Guma e Paulo esfregam o mofo dos azulejos enquanto Marcella faz o duplo hangloose: esse tradicional aceno que passa confiança para quem vê e alegria para quem faz.
Agora vemos Amanda e Guma iniciando o projeto de decoração – note o belo fio azul da internet que emoldura a porta, a caixa de papelão sustentando a parte de trás do sofá, a flor de plástico colada na parede. “São sutilezas assim que trazem o aconchego para o ambiente” (Marcelo Rosenbera).
Aqui, Daniel desfruta os bons ares de uma garagem (quase) limpa e cheirosa.
E aqui, a comemoração do fim de uma a faxina que nunca acabou.
Seis pessoas e uma gata moraram na Casinha naquele ano à base de pizza, promoções do iFood, South Park, Lucas Nildaimon, drinks variados, muitas noites e poucas manhãs.
Essa é a vida.
Trabalha.
Trabalha.
Boceja e trabalha.
Faz o infinito dos dedos infinitos e depois trabalha.
Faz o aviãozinho e depois lembra que tem que trabalhar.
Duplo hangloose da alegria! (Alô? Lucas, é pra você. Do trabalho.)
Cada um foi levando algo de si para dentro da Casinha e aos poucos ela foi ficando abarrotada de coisas de novo. Uma vez acumuladora, sempre acumuladora? Jamais saberemos, mas dessa vez ela estava mais feliz!
E viva a Dalinha! :)