Não se aprende nada enquanto não se aceita a condição de aprendiz.
Jon
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Não se aprende nada enquanto não se aceita a condição de aprendiz.
Jon
Musicoterapia
Algo me acontece por algumas intervenções divinas, que me deixa estupefato sempre que percebo que incide. Trata-se de um acolhimento musical, uma trilha sonora, que me faz acalmar sempre que me vejo em desespero. Tem aquela música que diz que “o mundo acaba hoje e eu estarei dançando”... eu não acho que dançar seja minha maior virtude (valha-me!), mas sei que já cheguei a alguns fins iminentes e pude continuar com um sopro de vida, de uma canção, com letra ou não, que só me faz suportar pra conseguir entrar no palco novamente. Os músicos, esses que usam sua voz ou sua destreza sublinhada com instrumentos musicais, conseguiram prover à humanidade não uma cura, mas um paliativo existencial, a fim de tornar mais suportável aquilo que não podemos compreender ou que não podemos modificar. Nada me torna mais tranquilo do que a certeza de ser compreendido, de oferecer empatia, de conseguir fechar os olhos e revitalizar minha energia, de abrir os pulmões e desafinar músicas como que numa histeria, tudo isso, talvez, com um único instrumento, uma única voz, canção, ou batuques. Tenho imensa gratidão àqueles que sobrepõem ao ruído do mundo uma melodia que toca profundo, e limpa de dentro pra fora.
Ansiedade
É um nó cego Que era pra ser laço É quando descompassamos Admirar o pôr-do-sol? Ou aturar a superfície Que nada nos significa Ansiedade É a sirene da mente Apita quando nosso âmago Não cabe dentro de nós Quando se desentende É o grito de socorro O último fôlego Pra nós salvar do mundo Antes que precisemos Nos salvar da gente
Saber inocente
eu sempre fui capaz de ver graça na cerâmica do piso no número do visor do ônibus no tombo do colega, no riso da amiga, da vida que vivia com emergências familiares frequentes
eu enfrentava tudo quebrava estigmas eu me construía quando tudo parecia ruir e ainda dava tempo de ver o Sol ainda dava tempo de ser fútil o que me era muito útil numa vida de numerosas violências
eu era feliz e não sabia eu não sabia, e por isso era feliz
Um pensamento me sacode. É a primeira vez na vida que experimento a verdade daquilo que tantos pensadores ressaltaram como a quintessência da sabedoria, por tantos poetas cantada: a verdade de que o amor é, de certa forma, o bem último e supremo que pode ser alcançado pela existência humana.
Viktor Frankl
Cantei baixo minhas vitórias Não se faz barulho em ninho de cobras Assino discretamente as minhas obras Porque minha riqueza não está na autoria Mas sim na euforia De enxergar pedaços de mim por onde passei
Com palavras molhadas, patino retumbante na linha da existência. Imerso estou numa solidão consistente, sólida, que me afoga em crises torrenciais e esporádicas. Se tenho um mapa que leva a algo valoroso, a vida deve tê-lo enrolado dentro duma garrafa e me fadou a procurar. Os ventos rugem e a estrutura ameaça ruir, mas as velas continuam a postos. A tempestade está aí, como sempre esteve, e que eu não desaprenda a lidar com ela.
Cuide para que haja mais de você no que faz, e que exista espaço no que é para aquilo que gosta. Não há sobrevivência no desespero de servir ao próximo sem estar antes abastado de vida. Não podemos encarar nada desviando os olhos de nós, porque somos nós, em primeiro lugar, que nos empenhamos ao mundo. E no âmago o mundo não significa nada, se nós não temos conteúdo para senti-lo.
Jon