seen from Denmark

seen from United States
seen from United States
seen from Taiwan
seen from United States
seen from Denmark
seen from Russia

seen from Netherlands
seen from Türkiye

seen from Russia
seen from France

seen from Malaysia

seen from United States
seen from United States

seen from France

seen from Russia

seen from United States
seen from Japan
seen from United States
seen from United Kingdom
Há pessoas inesquecíveis e para isso não há cura.
Charles Bukowski
PRECE
Me apaixonei de novo, já sabendo que não deveria.
Um coração bobo e uma mente emocionada.
Me apeguei tão rápido que quando me dei conta, já estava pensando nele antes de dormir.
Agora acordo pensando nele tbm.
Foi tudo tão rápido que não sei a parte que errei.
As coisas aparentemente parece estar indo bem. Mas sinto que não tão bem quanto eu gostaria que estivesse.
Parece que algo do lado de lá, deu uma esfriada... Não sei como explicar, mas sinto.
Será que também consigo esquecer tão rápido o quanto me apaixonei?
Espero que sim.
Caso não... Seja gentil enquanto isso.
Eu tenho mais o que fazer. por Julio Vicari, 2026.
Minha vida melhorou 200% no dia em que eu descobri uma expressão milagrosa: “Eu tenho mais o que fazer.” Não foi num curso de autoajuda, nem num vídeo motivacional com música épica ao fundo. Foi numa quarta-feira qualquer, dessas que já nascem com cara de segunda-feira atrasada.
Tudo começou no trânsito. Eu estava parado há séculos no mesmo lugar, assistindo a coreografia de buzinas e fechadas que se repetia toda manhã. Um carro me tranca, quase encosta no meu para-choque, o motorista grita alguma coisa, provavelmente nada sobre poesia contemporânea. Antigamente, eu teria evitado, gesticulado, ensaiado uma briga imaginária digna de novela e passado o resto do dia remoendo o episódio, reescrevendo na cabeça todas as respostas que eu poderia ter dado. Mas naquele dia, algo em mim, talvez cansado de ser figurante da própria irritação, sussurrou: “Sério mesmo que você vai gastar sua energia com isso? Você não tem mais o que fazer?” Ficou um silêncio dentro de mim. Era óbvio. E ao mesmo tempo, era novo. Respirei fundo, liguei o som, deixei o motorista ir embora levando só a própria raiva. Eu fiquei com o resto do dia.
A segunda grande prova veio no grupo da família. Discussão sobre política: tios inflamados, primos especialistas em tudo, emojis de “palminha” e “joinha” voando como se fossem argumentos. Eu, com o celular na mão, dedos coçando para escrever uma resposta de 18 linhas, citando dados, links, comentários analíticos, tudo aquilo que, sinceramente, ninguém ia ler. Foi aí que a frase reapareceu, como uma notificação interior: “Eu tenho mais o que fazer.” Deixei o celular de lado, coloquei uma música, fui lavar a louça. O mundo continuou girando, a treta continuou sem mim, e, curiosamente, ninguém morreu porque eu não dei minha opinião. Minha sanidade agradeceu.
Percebi, então, que antes eu tinha um talento impressionante: transformava problemas dos outros em carga extra de bagagem emocional para mim. Colega de trabalho reclamando do chefe? Eu sentia como se o chefe fosse meu. Amigo reclamando do relacionamento? Eu sofria como se fosse minha ex. Vizinho revoltado com o síndico? Lá estava eu, quase organizando uma revolução condominial. Era um talento, sim. Só que inútil. Um dia, depois de ouvir uma longa lamentação, eu desliguei a ligação exausto, como se tivesse corrido uma maratona emocional. Me olhei no espelho e perguntei: “De quem é essa vida que você está carregando nas costas? Porque a sua mesmo está ali, te esperando sentada no sofá…” E, de novo: “Você não tem mais o que fazer?” Foi libertador admitir: eu posso me importar, posso ouvir, posso apoiar. Mas assumir a dor do outro como se fosse minha profissão? Não mais. Eu tinha outras coisas pra fazer. Inclusive viver a minha própria vida.
Um dos parasitas mais silenciosos da minha paz eram as discussões imaginárias: conversas que nunca aconteceram, respostas que eu gostaria de ter dado, diálogos ensaiados com pessoas que já tinham seguido a vida há anos. Eu lavava a louça discutindo com o passado. Tomava banho respondendo ofensas que nunca vieram. Andava na rua com a testa franzida, brigando com alguém que nem estava lá. Até o dia em que, no meio de uma dessas novelas mentais, eu percebi: “Eu tô aqui, discutindo com o vento, e a vida passando na minha frente. Eu tenho mais o que fazer.” Parei. Senti a água batendo no rosto. Voltei pro presente. A discussão perdeu a graça sem plateia.
Quando digo que minha vida melhorou 200%, não fiz nenhuma fórmula exata. Mas tem uma conta que eu entendo: 50% foi quando eu parei de responder tudo. 50% quando eu parei de entrar em todas as brigas. 50% quando eu parei de tentar convencer quem não quer ser convencido e mais 50% quando eu parei de viver em função do que não depende de mim. Sim, o total dá 200%. Porque sair de “tudo me irrita” para “isso não é problema meu” quase dobra a qualidade de vida.
Hoje, eu uso essa frase como quem usa protetor solar: aplico antes de sair para viver. Alguém é grosseiro sem motivo? “Eu tenho mais o que fazer.” Alguém quer discutir só por esporte? “Eu tenho mais o que fazer.” Alguém insiste em me arrastar para um drama que não leva a lugar nenhum? “Eu tenho mais o que fazer.” E, curiosamente, esse “mais o que fazer” não significa que eu vá conquistar o mundo, ficar milionário ou escrever três livros. Às vezes, esse “mais o que fazer” é: deitar no sofá e descansar, aproveitar um café quente, ouvir uma música que eu gosto, brincar com o cachorro, ficar em silêncio. Porque eu descobri que ter “mais o que fazer” inclui, principalmente, cuidar da minha paz como quem cuida de uma planta difícil de manter viva.
Minha vida melhorou 200% depois que eu aprendi a olhar para certas situações e pensar: “Eu tenho mais o que fazer.” Não porque eu fiquei mais ocupado, mas porque fiquei mais seletivo. Se antes eu entrava em qualquer guerra, hoje eu escolho minhas batalhas. Se antes eu dava resposta pra tudo, hoje eu dou resposta só quando vale a pena. Se antes eu tentava controlar o incontrolável, hoje eu me concentro no que realmente é meu.
O resto? O resto eu deixo passar, na mesma leveza de quem olha pela janela do ônibus e pensa: “Bonito lá fora, mas eu não preciso descer em todas as paradas.”
7 coisas que me fizeram pensar muito
ninguém está realmente torcendo por você.
a obsessão por perfeição te paralisa.
o mundo não vai te dar espaço só porque você é boa
o medo de errar te impede de crescer.
as redes sociais te fazem acreditar em uma realidade distorcida.
dinheiro é só uma ferramenta, não uma medida de valor.
esforço não significa resultado.