Em 2009, estive pela primeira vez no sertão da Bahia, para fotografar um filme. Aquele encontro mexeu verdadeiramente comigo e eu sabia que, em algum momento da minha vida, eu teria que voltar para lá.
Os anos passaram e muita coisa aconteceu. Deixei Salvador, morei na Argentina por 5 anos, perdi pessoas queridas, encontrei tantas outras; encontrei o Yoga, amadureci como fotógrafa, amadureci como mulher e ser humano. O sertão ainda estava em mim e o meu desejo de voltar ‘praquela’ paisagem nunca deixou de existir.
Em 2015, decidi enviar para o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia um projeto que tinha começado a pensar em 2013 e que estava guardado desde então. Eu queria voltar ao sertão para pesquisar as fotografias das pessoas de lá. Eu já estava bem envolvida com a questão da memória em todos os meus processos e isso se acentuou depois que fiz o ‘Caminho’ (para ver mais sobre o meu livro, ande por aqui e aqui). Para mim, está claro que o que me inquieta na fotografia é a sua relação com a memória e atualmente, com a “desmemória” (vou falar mais sobre isso por aqui). Eu sinto necessidade de buscar imagens e memórias que estejam sobre o signo da fragilidade; atos e posturas que evoquem a incapacidade da imagem de guardar todas nossas lembranças, simplesmente porque elas desaparecem.
As imagens desaparecem. Seja porque os papéis não são eternos ou porque os hd’s são suscetíveis à falha ou principalmente, porque esquecemos delas.
O projeto foi aprovado e agora, na segunda semana de novembro, retornei ao sertão, à mesma região que que tinha ido anos antes. Passei uma semana em Serrolândia, percorrendo e reencontrando os moradores dos povoados de Boa-Vista (mais conhecido como Corró), Varzeolândia (mais conhecido como Canequinho) e Roçadinho.
Como eu tinha imaginado, as imagens que vi nas paredes das casas, lá em 2009, tinham desaparecido.
Aonde estão essas imagens?








