O desaparecimento de fotografias no sertão da Bahia
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O desaparecimento de fotografias no sertão da Bahia
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De Salvador até Serrolândia
08 de novembro de 2016.
A estrada vai se transformando à medida que nos aproximamos do sertão. Vê-se o deserto de longe. Sente-se o cheiro do amarelo da paisagem. Tudo é seco, porém bonito.
Em Serrolândia já anoitece. É o tempo de comer e caminhar um pouco. Estamos na pousada de Dona Geni e Seu Niel.
Eu voltei pela memória; porque ela me interessa. Admiro as pessoas que têm boa memória, porque eu não tenho. Reconhecer o espaço é, de algum modo, reconhecer a memória. Dar de cara com ela. Ver que, mesmo sem estarmos presentes, nos lembramos daquele lugar.
Em 2009, estive pela primeira vez no sertão da Bahia, para fotografar um filme. Aquele encontro mexeu verdadeiramente comigo e eu sabia que, em algum momento da minha vida, eu teria que voltar para lá.
Os anos passaram e muita coisa aconteceu. Deixei Salvador, morei na Argentina por 5 anos, perdi pessoas queridas, encontrei tantas outras; encontrei o Yoga, amadureci como fotógrafa, amadureci como mulher e ser humano. O sertão ainda estava em mim e o meu desejo de voltar ‘praquela’ paisagem nunca deixou de existir.
Em 2015, decidi enviar para o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia um projeto que tinha começado a pensar em 2013 e que estava guardado desde então. Eu queria voltar ao sertão para pesquisar as fotografias das pessoas de lá. Eu já estava bem envolvida com a questão da memória em todos os meus processos e isso se acentuou depois que fiz o ‘Caminho’ (para ver mais sobre o meu livro, ande por aqui e aqui). Para mim, está claro que o que me inquieta na fotografia é a sua relação com a memória e atualmente, com a “desmemória” (vou falar mais sobre isso por aqui). Eu sinto necessidade de buscar imagens e memórias que estejam sobre o signo da fragilidade; atos e posturas que evoquem a incapacidade da imagem de guardar todas nossas lembranças, simplesmente porque elas desaparecem.
As imagens desaparecem. Seja porque os papéis não são eternos ou porque os hd’s são suscetíveis à falha ou principalmente, porque esquecemos delas.
O projeto foi aprovado e agora, na segunda semana de novembro, retornei ao sertão, à mesma região que que tinha ido anos antes. Passei uma semana em Serrolândia, percorrendo e reencontrando os moradores dos povoados de Boa-Vista (mais conhecido como Corró), Varzeolândia (mais conhecido como Canequinho) e Roçadinho.
Como eu tinha imaginado, as imagens que vi nas paredes das casas, lá em 2009, tinham desaparecido.
Aonde estão essas imagens?
Equipe técnica toda afinada para começar os ajustes finos da última edição do projeto Uma tradição nos Rio Grandes. @tiago_limaa @lucianovalenca @allan_marlon @milatonhozi #roselynakagawa #rubensmatuke #restaurantecamaroes #umatradicaonosriograndes #premiomarcferrez