Para: @ally-of-justice
Em: estufa
Existiam coisas que Maerwynn não podia fazer durante a seleção ─ algumas por que eram proibidas para ela, como sair sem permissão, e outras porque era simplesmente rude.
Beijar Arthur e roubá-lo diretamente do salão de jantar para sair com ela devia ser considerada uma das atitudes rudes. Bem, ela poderia fazê-lo, mas seria inconveniente com todas as outras selecionadas que ali estavam. Mae odiaria se tivesse que ver uma das outras meninas beijando-o ali. Até mesmo a ideia, que provavelmente acontecia em outras circunstâncias, embrulhava seu estômago. O sentimento era ridículo, levando em conta a situação, mas não podia evitar.
Ainda assim, queria vê-lo ─ na verdade, queria conversar com ele. Depois do torneio, chegaram a tocar em alguns assuntos, mas com o acontecido com Valentina e Freya chegando no palácio, talvez fosse a hora que ela pudesse contar mais com ele, ou para ele. Precisava descobrir como fazê-lo, mas a primeira parte era chamá-lo para algum lugar onde estariam à sós.
Mae pediu à uma de suas damas que lhe buscasse um pergaminho e um tinteiro o mais rápido possível e aguardou mordiscando a ponta de uma torrada sem muita vontade, distraidamente. Por um minuto, pensou onde poderiam se encontrar e lembrou-se do que Allura havia dito ─ estufa. E quando os objetos foram colocados em sua frente, ela apressadamente escreveu:
“Encontre-me na estufa em 10 minutos.”
O bilhete era simples, a caligrafia era polida e os corações nos pontos era uma das formas de mostrar quem era. Não que ele sabia desse detalhe sobre sua caligrafia, mas iria descobrir em breve. Mae chamou a mesma dama de companhia que lhe entregou o pergaminho e o tinteirp para então deixá-la entregar o bilhete ─ esperando que ela fosse o mais discreta possível e não deixasse que os outros percebessem. Ela aguardou que ele lesse e procurasse a autora. Quando seu olhar encontrou o dela, mostrou a língua divertidamente e deu uma piscadela, antes de levantar-se da mesa para seguir para o local.
Não tinha como saber se ele iria. Não havia ficado no salão de jantar para receber uma confirmação, mas ela esperava que ele aparecesse. Sentou-se em um dos bancos, passando a mão no vestido repetidamente numa tentativa de tirar amassados invisíveis. “Que bom que veio, bonitinho,” abriu um sorriso quando o viu entrar, levantando-se.
“Antes de mais nada,” começou imitando a pose do Paladino mascarado ─ estendendo o braço direito para o seu lado esquerdo, em diagonal para cima, com a postura firme ao chão, e a mão esquerda fechada, sob o seu ombro ─ antes de cair na gargalhada. “Estive lendo os livros,” explicou, tendo começado quando ele falou o quanto era importante para ele, “e eu espero não estar tomando muito do seu tempo. Como você está? Eu esperava que pudessemos conversar.”