aurun, a.
[Flashback]
-Matar é crime quando feito por motivos egoístas e próprios, seja para se vingar, seja para qualquer outro objetivo que não seja proteger as pessoas. – Falava mais para si mesmo, do que para sua companhia. Era constante a necessidade de lembrar que fazia a coisa certa, já se sentiu culpado e já sentiu o peso das vidas que ceifou, até que ponto um inimigo é um vilão? Apenas se apoiava no fato de que sempre que matou alguém foi para proteger seu povo, fosse reprimir orcs que atacavam as fronteiras, fosse aqueles que invadissem as vilas mais remotas… Porém é claro que conhecia o motivo deles atacarem, as campanhas de expansão não foram apenas uma resposta, mas uma proatividade da coroa, eles incentivaram o combate tanto quanto defenderam-se, por isso foi uma guerra, por isso que ele sabia que o sangue que havia em suas mãos não era de todo maligno. Instintivamente fechava o punho que estava distante de Mae, tentando não deixar que os pensamentos tomassem sua mente, queria tudo menos aquilo, principalmente ao lado dela, apenas agitou a cabeça para os lados com vigor, afastando aquelas ideias – Isso vai soar meio irônico vindo de mim, mas não é só porque alguém estar dentro da lei que quer dizer que fez algo certo – dava de ombros, afinal sabia como era falha e um tapa, uma agressão contra um ente querido, sem motivo, era imperdoável. Porém respirou, suspirou e se acalmou, principalmente após ela beijar suas mãos, ela o acalmava, diminuía o seu impulso, o fazia sorrir facilmente… sentia na companhia de Mae um oásis dentre tudo aquilo – Tudo bem… mas se tiver qualquer coisa… – ele levava uma mão ao ombro dela, o segurando para que ela olhasse direto em seus olhos - … Qualquer coisa mesmo, que eu possa fazer… por favor, me avise – dizia com firmeza, tentando passar o ar de segurança para a selecionada. Após o momento que demonstrava preocupação, ele repousava a mão sobre o rosto de Mae, acariciando-o com carinho e cuidado, voltando a sorrir – Engraçado ouvir isso… – começou divertido, porém suave, suas palavras soavam sinceras - … Isso é exatamente o que eu procuro, sabia? Parceria. Em momento algum desacredito em você conseguir resolver as coisas… olha a mulher incrível que tu és, Maer… Mas… independente de você poder fazer ou não algo… Eu quero estar aqui para te ajudar, te apoiar e o que tiver no meu poder, fazer. Se esse é o seu desejo, permanecerei a parte da situação. – Completava compreensível
-AH SIM! – levantava-se num pulo do bando, quando ela lhe perguntava o que ele tinha que dize-la. O Paladino apanhava o pacote que havia trazido consigo, estava embrulhado em linho e parecia ser algo de um pouco mais de um metro, embrulhado em tecido de linho – Isso não é nada, só uma pequena lembrança e um símbolo do meu apreço, Maer – dizia sorridente, quase tendendo para timidez, conforme se ajoelhava diante da ruiva ainda sentada, dispunha o pacote com as duas mãos diante dela e desfazia o embrulho, revelando uma espada longa: cabo azul celeste, com um pomo prateado encrustado com uma pequena joia laranja, sua guarda tinha o formato de um par de asas de anjo com uma safira longa da qual as asas pareciam brotar – Feliz aniversário, Maerwynn Lighttree, lhe apresento Talon
“Mas isso é visto do seu ponto de vista── até vilões tem suas razões.” Não que seu pai fosse um vilão, mas em algum momento Arthur teria que entender que nem tudo era tão preto e branco quanto ele queria que fosse. Nesse ponto, Mae era mais como Kendra ─ diplomática. E se as coisas não funcionassem, podiam descer a cavalaria. O fato que ela passou grande parte da sua vida escondendo a sua luta, ajudou com que ela visse as batalhas como alguém de fora ─ as duas partes sempre achavam que estavam certas. Mae sabia que existiam coisas certas e erradas, em geral, mas não era tão claro em pequenos enlaçamentos. Seu pai colocou a vida em risco por todo o reino, e agora Arthur parecia querer agir numa mera coisa que ela falou. Sem provas. Sem razão. Quão bem ele conhecia os conselheiros? Ela não pode deixar de suspirar. “E não é porque alguém fez algo que errado que merece ser punido,” ela cortou quase que automaticamente. Não era trabalho de Arthur julgar quem merecia ser punido ou não, por mais irônico que isso fosse, sendo ele o futuro rei ─ ele teria aquele poder. “Pode deixar,” ela falou, levando uma mão a testa como uma continência, muito satisfeita pela mudança de assunto. Mae levou a mesma mão para a lateral do rosto de Arthur, passando a ponta dos dedos pelo cabelo dele, “──e você vai ser ótimo nisso.”
Se o presente não fosse longo e embrulhado em linho, Mae teria se assustado com Arthur ficando de joelhos. Não que ele fosse louco de fazer isso. Ela pegou a espada e sentiu o peso dela em sua mão, antes de deslizar os dedos pela lâmina até o punho. “Meu cabelo?” Ela perguntou, instintivamente, passando a mão pela jóia laranja e achando graça da sua associação. Não sabia se era realmente conectado, mas não perderia a piada. A maioria das garotas iriam preferir ganhar outros tipos de jóias, mas, para Mae, aquela era perfeita. “Arthur Aurun── é o presente perfeito,” Ela inclinou para frente ficando de joelhos também em frente dele e inclinou-se para beijá-lo.














