☠ MULHERES PERIGOSAS: Fundadoras {2/?}
Aonde quer que chegue, os olhares a seguem:olhos cheios de desprezo, de ódio, de medo e respeito. A corte olha incrédula para a bela mulher de vermelho e negro cujo lugar à esquerda do Rei está reservado, para a antiga plebeia que mesmo sem nenhum grande poder ascendera ao posto de duquesa e deixara um reino inteiro à sua mercê. Apesar de ser a mais nova de cinco filhos, Lysara era a joia mais preciosa de seu pai, um pequeno comerciante. Não era à toa: com seus cabelos castanhos lustrosos, olhos tão vermelhos quanto uma pedra de rubi e pele cor de alabastro, era bela o suficiente para que homens ricos e poderosos disputassem por sua mão, para garantir um futuro confortável e abastado para sua família. Nunca reclamou dos mimos que recebia, desfrutava deles o máximo que podia, e desde aquela época, escondida sobre máscaras sobre máscara de candura, poderia se ver um pouco da crueldade que afloraria no modo como tratava as irmãs-deleitava-se em “inocentemente” fazê-las se sentirem inferiores. Eles só enxergavam a parte de Lysara que lhes era conveniente, e falhavam em ver que ela não tinha a mínima intenção de deixá-los usufruir as suas conquistas, que eles não eram sua família, mas apenas um meio para um fim, um meio descartável. O primeiro a cair em sua teia foi um velho magnata do setor têxtil, um viúvo que fora cativado pelos modos discretos, sorriso tímido e humor espirituoso que demonstrava. Tolo. Ao longo de seis meses, todo dia a jovem esposa colocava um pouco de veneno em seu chá, e para todos fora uma misteriosa doença que o acometera e tirara-lhe a vida- mesmo os especialistas não encontraram traços do veneno em seu corpo. Com o marido morto, Lysara se viu ameaçada pelos concorrentes, que viam na jovem de dezesseis anos uma presa fácil: ela deveria vender a companhia e aproveitar a vida de uma viúva jovem e rica, ou perderia tudo. No entanto, não seria um bando de velhos que a derrubaria. Eles achavam que destruí-la era assim tão fácil? Então que tentassem. Em três anos, seus rivais seriam eliminados do mercado pelos mais sórdidos meios – alguns com a própria vida- até que Lysara ficaria praticamente sozinha no ramo, controlando o mercado de tecidos e quadruplicando seu lucro. Contudo, ser uma das comerciantes mais ricas do reino aos dezenove anos não era o suficiente; ela queria a nobreza, e seu segundo casamento lhe daria isso: sanaria as dívidas da família Heinsforth em troca do casamento. Lysara sabia que seu marido pretendia lhe dar um golpe, e ela livrou-se dele e de seu herdeiro antes que pudessem fazer qualquer coisa, tornando-se a Baronesa de Heinsforth por herança. Seus sete casamentos seguintes a ajudaram a ascender e a formar sua reputação, sem dúvida, mas eles não foram sua maior glória ou triunfo: não, foi o seu poder sobre os insetos. A maior moeda da corte não era dinheiro, mas segredos, e seus pequenos tudo viam, tudo lhe contavam, e ela usou e abusou das informações que recebia para ascender os degraus da nobreza- chantagem, extorsão, tortura, sequestros, assassinatos. Nada, nada era demais para saciar sua cobiça. Era a Viúva Negra que usava a tudo e todos ao seu bel prazer e os devorava quando perdiam sua utilidade. E quando enfim chegou aos ouvidos do Rei e foi chamada a presença deste, então uma Marquesa, ele não a repudiou, mas sim abraçou suas habilidades, sagrando-lhe uma Duquesa e nomeando-lhe a primeira Mão Esquerda do Rei, uma posição que, segundo as más línguas, nada mais era do que um nome bonito para espiã e assassina. Muitos rumores são os que cercam a família fundada por Lysara com seu novo status, a Casa de Ashënnbert, mas nenhum mais terrível do que aqueles que a acusam de ter matado seus próprios filhos para garantir que as crianças de seu nono, último e favorito marido, um Larrystein, herdarem seu legado.
she licks blood off her fingers and she looks like divine absolution. careful, meleager; this is your sport but she’s not playing a game. [x]












