☠ MULHERES PERIGOSAS: Fundadoras {11/?}
Quando Elasia Arthrigën trouxe ao mundo um garoto de cabelos pálidos e olhos verdes como a floresta, a quem as luzes se curvavam com o balançar de uma mão, sua família celebrou- o sangue do Deus Antigo da Vida, venerado por eles há séculos, corria em suas veias. Não importava que aquela criança poder-lhes-ia custar à vida caso fosse descoberta, não importava que fossem torturados e executados como todos aqueles que ousavam venerar os Deuses Antigos após a ascensão da Imperatriz de Prata, seus corpos deixados para apodrecer em praça pública; não, proteger uma criança de seu Deus protetor era um propósito muito maior e mais precioso do que o tempo que passariam nessa terra. E quando outra vida começou a crescer dentro de Elasia, os Arthrigën esperaram ansiosos e animados pela segunda criança. Pessoas, seres mágicos- todos ganham os títulos de condenados, criminosos e pecadores ao longo da vida. Mas não Sasenia. O crime dela foi nascer; seu pecado possuir o sangue do Deus Antigo do Silêncio em suas veias. À jovem mãe foi forçada uma escolha: ficar ali com o filho mais velho e abandonar a recém-nascida em um mundo hostil, ou ser exilada com a menina enquanto o menino seria criado por eles. Elasia encarou os anciões - seus pais, seus tios, seus avós- por um longo tempo. Piscou. Sorriu um sorriso que não chegava aos olhos. E desejou que a Deusa de Prata levasse todos eles e que passassem a eternidade queimando no fogo do inferno. Não abandonaria a filha, nem deixaria Rheos ser criado para se tornar um fanático que condenaria uma criança inocente. Sasenia não permaneceu inocente por muito tempo- não há inocência em um mundo governado pelo medo. Ela foi forçada a crescer rápido se quisesse sobreviver, a usar seus poderes como armas. Se o idealismo de Rheos diante a uma vida escura os impedia de cair em desesperança, era a fria determinação e disposição de Sasenia a sujar as mãos de sangue que os mantinha vivos. Os irmãos eram tão diferentes como o Sol e a Lua, luz e escuridão, mas eram unidos e matariam e morreriam um pelo outro se necessário. E quando a liderança dos Arthrigën mudou e enfim resolveram livrar- se de sua conexão direta com os Deuses Antigos, assassinando Elasia... Ela se despediu do irmão, que nada disse quando ela se voltou em direção ao lugar onde nascera. Não pensou em sua segurança, em seu segredo quando colocou abaixo os portões da mansão e transformou tudo e todos ali em pó. Só via o sangue da mãe e a face desolada do irmão. Quando olhou para a ruína ao seu redor, não conseguiu sentir remorso. Sasenia desapareceu do lugar, e fugiu- fugiu para as profundezas das montanhas, longe dos olhos da Deusa de Prata, para as cidades decrépitas de uma raça já morta, e fez seu lar entre a podridão e os fantasmas. Contudo, pessoas aos poucos chegaram a seu canto do mundo, e ela não lhes recusou abrigo- quanto mais conseguisse salvar daquela Imperatriz maldita, melhor. As lendas lhe conferem parte da responsabilidade pelo miasma que torna o Bosque de Morpheus um lugar tão letal, uma barreira entre os seus e Eliynth, com apenas uma pequena estrada livre de sua influência. Ninguém que carregasse o estandarte de prata e entrasse em seus domínios jamais retornou, seus corpos encontrados cheios de feridas na margem da floresta, a carne morte e os olhos arregalados de terror. Quando a Cidade das Mil Torres foi engolida pelo mar e as terras caíram em Anarquia, a fortaleza e a vila – agora não mais fantasmas- de Sasenia se tornaram bastiões de ordem em meio ao caos, e os saqueadores e bandidos que adentravam suas terras eram duramente punidos: eram dominados por dores agonizantes, apodreciam de dentro para fora. Dama da Ruína, eles a chamavam, tanto pelo seu lar ainda parcialmente arruinado e pela natureza de seus poderes. Quando Adonai Von Einzenberg cortejou seu apoio, a Dama cuspiu na oferta que a colocava sobre a supervisão de Rheos- era um desrespeito consigo e os que a seguiam, se ele queria seu apoio teria que ser em iguais termos ao irmão mais velho. E o homem que seria Rei curvou-se a sua vontade. Seu sobrenome escolhido seria Hyperion e os escorpiões seu símbolo, o ideal para seus descendentes e tão próximos de si mesma: traiçoeiros, astutos, mas ferozes e apaixonados, aproveitando as menores oportunidades e sobrevivendo e triunfando mesmo as condições mais hostis.
Be careful of that girl, There’s a fire burning behind her eyes. She makes kingdoms fall, and monsters wish they’d never been born. She’s not just a warrior—she is a dragon. And she is not afraid to burn your heaven to the ground. [x]








