zerxus 🤝 opal
“I can fix him/her”

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zerxus 🤝 opal
“I can fix him/her”
❝ I, Gokudera Hayato, place my life in your hands.❞
— gokudera hayato ; katekyo hitman reborn!
❝ I’ll dedicate myself to you and work to dominate the school together.❞
— asmodeus alice ; mairimashita! iruma-kun
↪ GOKUDERA HAYATO & ASMODEUS ALICE
a/n; the moment azu said that he’ll test iruma, my mind immediately went to gokudera and tsuna; even more so when he lost (and even mentioned the loser serves winner trope, which reborn also said) and said he’ll dedicate his self to iruma lmao
Asmodeu - João Sabiá (Hoje é Dia de Maria - 2005)
“Recordo muito bem esse dia. Estávamos sozinhos no ateliê. Uns sinos distantes soaram, e isso me distraiu por um momento. Como sempre fazia, contei as horas mentalmente. Não sei exatamente o que aconteceu. O certo é que perdi a conta no eco do último tangido. Então contemplei o mestre. Sua expressão me surpreendeu. Ele tinha a cabeça levantada, com os olhos muito abertos. Eu ia lhe perguntar o que estava acontecendo, quando ele me fez um gesto muito rápido com o dedo para que me calasse. Na expressão de alarme de seu rosto, compreendi que algum perigo nos ameaçava, nos espreitava ali mesmo no quarto. Eu nunca o vira assim. A reverberação daquele último toque do sino ainda vibrava na atmosfera, e de algum lugar próximo começou a crescer uma respiração. Fiquei em guarda. Imaginei que era um gato, um cão talvez, que ficara trancado. Depois me dei conta de que aquele ofego tinha algo de humano, mas também de fera. Advinha da parte escura da oficina, onde se acumulavam as estátuas e os moldes de gesso. O mestre olhava para lá com uma atenção anormal. Parecia paralisado. Meus olhos procuravam no fundo e se detiveram em uma silhueta. Descobri ressaltado a silhueta de uma estátua que nunca estivera ali, tinha plena certeza. Contemplei novamente o mestre e sua quietude; a expressão de seu olhar me provocou uma mistura de estranheza e aturdimento. Senti medo. O que estava acontecendo?
Não sei se foram fantasias minhas, mas, ao olhar novamente para a silhueta escura do fundo, senti como se estivesse sendo envolvido pela sua presença fria, senti seu espírito penetrando, percorrendo meu corpo, como uma névoa invisível e muito espessa. O mestre estava ali, e no entanto tive a sensação de que também ele era uma das estátuas sem vida. Não podia fazer nada. Senti-me tão só, tão desamparado, que uma vertigem se apoderou de todo meu ser. Diante de mim se abria um abismo insondável. Meu corpo, minhas veias estavam gelando; imaginei então que aquela coisa intangível não era deste mundo. Esse pensamento me fez tiritar. Podia ouvir nitidamente seu estertor sibilante, estava me chamando pelo meu nome, como em um sussurro. Lutei dentro de mim para que fosse embora, para apagar aquela voz que me atraía e ao mesmo tempo repugnava... Recordo que essa foi a primeira vez que senti, que quase mastiguei um desassossego tão absurdo e estranho que não consigo descrevê-lo em palavras. O terror e a escuridão ou até a morte não eram nada comparados a sensação de pânico em relação ao desconhecido que experimentei naquele momento. A percussão do tangido do último toque de sino, seu eco metálico havia se coagulado na atmosfera, ia decrescendo tão lentamente que me arrastava com ele às trevas. O horror em relação a algo sobrenatural que estava ali, na oficina, me oprimia o peito, me cortava a respiração. Eu chorava em silêncio, as batidas do meu coração retumbavam em minhas têmporas, eu queria gritar, sair correndo dali, e no entanto compreendi que também era uma estátua.
Foi então que a silhueta escura, cujo rosto estava coberto por uma máscara, adiantou-se um passo. Sua pisada troou em meus ouvidos com um tambor imenso. A silhueta continuava avançando.
A voz rasgada do mestre me resgatou do pânico, do abandono.
- Fora! - gritou, pronunciando sem parar algumas frases em latim que não consegui compreender.
A silhueta parou.
- Venha, Juanito, esconda-se atrás de mim, depressa. - disse-me o mestre, gritando, fora de si.
Ainda não sei como o fiz, mas reagi, não tinha forças para pular nem dar um passo e deixei meu corpo cair, me arrastei pelo chão, tina as pernas e os braços intumescidos. Fiquei como puda atrás do mestre, exatamente debaixo de uma longa mesa de projetos.
Não entendi o que diziam, mas estou certo de que ali se desenvolvia uma batalha terrível. As dias figuras em pé, uma diante da outra, trocavam imprecações, ofensas, em um idioma estranho. eram como golpes de espada no vazio. A voz do mestre se modulava em uma oração, enquanto o homem da mascara parecia se retorcer de dor. Recordo que tive de tapar meus ouvidos diante daqueles gritos horríveis. Sua mascara ficou muito vermelho vivo, seu fulgor era tão imenso que afastei os olhos. Não sei quanto tempo durou aquele combate, só sei que de repente aquela sensação se afogamento desapareceu, e o tangido do último toque de sino desvaneceu para sempre.
Todo o meu corpo tremia, eu não podia me controlar... Com a voz muito débil, depois de um grande esforço, perguntei:
- Está passando bem, mestre?
O mestre estava exausto, parecia que tinha envelhecido muitos anos, estava encurvado, os braços caídos, ofegava... Não me atrevi a sair de meu esconderijo, olhava para todos os lados. Ao cabo de um longo tempo, quando sua respiração foi sossegando, falou comigo:
- Foi embora... Não voltará. O plano precisa ser cumprido. Não temos muito tempo.
O mestre ocupou uma cadeira. Tinha os olhos fechados, respirava com força. Saí de um pulo e me acocorei entre suas pernas, o espanto me fez chorar.
- Já passou, Juanito... Não tenha medo. Eu lhe prometo que ele não voltará."
{O Código Gaudí}