INTIMACY + 24
non-sexual forms of intimacy with athos — [ singing AND playing instruments together edition. ]
era 𝒅𝒊𝒇𝒊́𝒄𝒊𝒍 lembrar quando exatamente começou a confiar tantas coisas a athos, mas provavelmente foi junto com os iogurtes silenciosos. a verdade é que não precisava falar muito, tinham quase que uma conexão mental interessante, onde podiam reconhecer os humores um do outro a partir da expressão — e naquele dia, yori diria que nenhum dos dois estava muito bonito e brilhante. de todo modo, apreciava a companhia, mesmo quando estavam bolados. no final de tudo, apenas entendia. e era entendido também, então valia à pena. estava absorto nos pensamentos sobre a vida, o céu, a morte, os mutantes, se aliens existiam ou não, se tinha ouro no final do arco-íris; literalmente qualquer coisa que fosse impedi-lo de pensar no próprio fracasso. athos, por outro lado, parecia ter ideias mais interessantes — e tudo bem com isso! yori apenas o seguia com um movimento de cabeça, não costumava questionar muitas coisas quando se tratava do rapaz. a ideia da vez parecia engraçada, mas nada fácil para um garoto introvertido; mesmo assim, ao botar os fones de ouvido, o japonês percebeu que se tratava da música que sempre tocava na livraria, e que era bem engraçado athos tê-la salvo em seu celular; no fim, era só mais uma coisa para a listinha de coisas sobre o outro que ele ainda não havia tido a oportunidade de conhecer. nessa lista haviam muitas coisas, mas nenhuma delas o preparou para aquele momento. riu baixo quando viu athos sentar em frente ao piano, completamente incrédulo com aquela cena, e ainda mais quando percebeu que ele havia se dado o trabalho de passar a música para as teclas. “cê tá falando sério...” murmurou enquanto retirava os fones, e gostaria de parecer um pouquinho menos encantado, mas os olhinhos brilhantes entregavam mais que as palavras gaguejadas da frase anterior. encostou então a lateral do corpo no instrumento, batendo os pés no chão no ritmo enquanto o observa, murmurando a música — ‘hmhmhmhmm’ — enquanto aproveitava do momento inesperadamente único que vivia. imerso na delicadeza na qual as mãos do outro mutante passeavam pelas notas, não conseguiu sequer disfarçar a surpresa ao vê-lo passar a bola para si. “eu?” apontou para si mesmo quando seguiu os olhos de athos para o celular e entendeu. em partes, é claro. não eram muitas as pessoas que sabiam sobre seu hábito de cantar, e menos ainda as que o pediriam para fazê-lo, considerando que tinham medo. os orbes escuros encararam o chão, os dígitos de uma mão batendo contra a superfície de madeira do piano enquanto a outra tocava a tela do celular para que este se mantivesse aceso, o permitindo ler a letra. então cantou. e cantou de verdade, sem medo (ou menos, no mínimo). provavelmente havia emitido algumas vibraçõezinhas, mas nada preocupante... era só ele. sendo ele mesmo. com athos, pra variar. não conseguia olhar para o outro, mas também não sentia o olhar alheio sobre si, então estava calmo. encarava um pouco o celular, um pouco o chão, depois fechava os olhos... ficou assim até acabarem, quando riu meio nervoso, envergonhado. soltou o ar pelas narinas e coçou a própria testa por cima da franja, bagunçando os fios como maneira a manter a mão em frente ao rosto, tentando impedi-lo de ver suas bochechas manchadas num tom carmesim vívido. a pergunta de athos, entretanto, o fez gargalhar espontaneamente, direcionando passos curtinhos e tímidos até o banco do piano em que o rapaz estava sentado, dando a volta para ser capaz de se ajeitar ali no cantinho em que cabia quase que perfeitamente. se ele queria saber se funcionava cantar para espantar os males, yori tinha a resposta perfeita. “não sei... mas cantar com o athos espanta muitos sentimentos ruins que vem com os males” esticou os lábios em um beicinho tímido, estendendo o celular para ele. “eu vou saber como você aprendeu a tocar piano ou é um lance misterioso tipo aquilo de saber falar polonês?”












