โdor รฉ a fraqueza saindo do corpoโ
random: 13, temporariamente cega.
estava cansada. estava extremamente cansada e era por isso que tanto cafรฉ havia sido ingerido. precisava de estรญmulos pra continuar acordada, mesmo que o corpo pedisse por uma boa noite de sono. nรฃo conseguia dormir, nรฃo queria. mas como poderia ignorar uma necessidade bรกsica? algo que ajudava o organismo a funcionar corretamente? logo que miyoko se sentou, foi como se os membros nรฃo lhe obedecessem mais. os sentidos haviam apagado, seus olhos tambรฉm.
se perguntassem por quanto tempo dormiu, nรฃo saberia dizer. a รบnica coisa que sentia no momento era vergonha por ter cochilado no meio do corredor quando deveria ter feito apenas uma pausa nas atividades. a mente estava a mil, planejando uma reorganizaรงรฃo de seus horรกrios e estava pronta pra voltar ร ativa se nรฃo fosse por um pequeno detalhe: suas pernas nรฃo se moviam. o engolir a seco foi automรกtico, assim como a taquicardia e o marejar dos olhos. jรก sabia o que viria, nรฃo queria que viesse.
ainda que fosse em vรฃo, a vista embaรงada foi direcionada ao braรงo jogado sobre a coxa, como se encarar os dedos fosse fazรช-los obedecer. o nรณ na garganta ficava cada vez mais forte, mas nรฃo conseguia sequer abrir a boca pra gritar. estava paralisada, e o pior de tudo, estava fisicamente vulnerรกvel. bastou que o cรฉrebro fizesse ร quela ligaรงรฃo para a alucinaรงรฃo jรก conhecida entrar em jogo: era um corpo feminino formado com todas as memรณrias que tinha da mรฃe, porรฉm cadavรฉrico, que nunca interagia consigo. apenas observava de longe como se tivesse estudando a falta de movimentos, esperando pelo momento certo para atacar.ย
como se defenderia? como poderia? jรก nรฃo controlava as lรกgrimas que rolavam livres pelas bochechas, nem os soluรงos que forรงavam uma reaรงรฃo do corpo. precisava de ar. era difรญcil respirar, mais ainda quando sentia os olhos desfalecidos em si. queria sair dali, queria correr pro mais longe que conseguisse.ย โโ e-eu...! โโ e finalmente o som da prรณpria voz cortava a garganta quando percebeu a presenรงa de mais alguรฉm. nรฃo sabia diferenciar o que era alucinaรงรฃo e o que era realidade, mas pedia, suplicava ao universo que fosse uma pessoa real ali. โโ nรฃo consigo... respirar... โโย puxava o fรดlego como se sua vida dependesse daquilo, e de fato sentia que dependia.ย
foi a รบnica forma de conseguir se comunicar, de pedir ajuda. porรฉm quando tocou o braรงo da pessoa em questรฃo, independente de quantas vezes piscasse na tentativa de limpar a visรฃo, nรฃo via nada alรฉm de uma imensa escuridรฃo. nรฃo estava mais embaรงado, nรฃo estava mais confuso, sรณ... nรฃo estava. era a รบnica coisa que faltava para miyoko desabar de vez, em um choro desesperado. o braรงo que antes era apenas segurado foi agarrado, como se o tateasse para conseguir abraรงar. estava dividida entre se explicar e se desculpar, mas nรฃo iria soltรก-lo. nรฃo queria ficar sozinha. se nรฃo sabia como se defender enquanto conseguia ver, como saberia agora que nรฃo conseguia?