Destiny 2: Heresy Ato I confira o que está disponível
Já pensou em jogar Destiny 2 com armaduras e acessórios inspirados em Star Wars? Que bom que a Bungie pensou.
Destiny 2: Heresia, o último episódio a ser lançado no ano de A Forma Final, estreia com novas atividades, uma história inédita, recompensas novas e reprisadas, novos aspectos de subclasse e mais. Os Guardiões voltarão para o Encouraçado de Destiny 1, agora sob a orientação de um Eco.…
Prefiro ter cerceada logo a vida pelo teu ódio, a ter morte longa, faltando o teu amor.
Era um comentário comum dizer que aqueles poços escuros eram vazios. Não havia nada para preenchê-los, afinal, se tudo que eles presenciaram em sua existência foi sangue, dor e ódio. Tão novo era seu dono e já marcado por uma guerra que não era sua, embora lhe fora dito que ele era parte daquilo por ser parte do mundo. Era injusto como nunca havia pedido para existir, e ainda assim era obrigado a participar de tais atrocidades simplesmente por estar… Ali. O preço que pagou por vir ao mundo foi perder o brilho. Os sentimentos que um dia talvez preenchessem tais poços. A essência. As cavidades, na verdade, mal se lembravam de carregar algo que não fosse amaldiçoado e ruim. Porque, por mais que o dia não houvesse sido violento, as marcas ainda estariam lá quando fossem fechados ao fim dele. E elas nunca desapareceriam, dando vida a todo o desespero de novo e de novo.
Os olhos de Itachi aprenderam muito cedo sobre o que o mundo tinha de pior. A guerra lhe fora arrastada na face de apenas quatro anos de idade como nunca deveria ser nem na de um adulto. A morte era carregada nos dedos infantis, exigindo deles uma agilidade e frieza do assassino em que se tornara. A única coisa que prendeu suas lágrimas naquele momento foi o objetivo que tomou para si de mudar aquela visão horrenda para uma de paz, aonde ninguém precisaria matar para continuar existindo. Ele seria forte como jamais ninguém foi e daria um fim àquele massacre sem sentido.
Os ideais de Itachi estavam ali e sempre estiveram. No entanto, ainda havia tantas dúvidas. A tenra idade nunca lhe fora empecilho ou escuridão que cegasse seu discernimento acerca do que acontecia ao seu redor; não apenas pelo trauma de um campo de batalha sangrento, mas por sua consciência ser naturalmente mais aguçada. O que para as outras crianças eram rivalidades triviais e brincadeiras de pegar, para Itachi era ponderar sobre os conceitos que o cercavam. Mesmo assim, ainda não entendia. O que era vida? O que era comunidade? O que era um shinobi?
Certa vez um ninja mais experiente lhe respondeu que não havia sentido viver. Decerto não pôde se contrapor a uma verdade disfarçada de opinião, que era tão realista que se tornava massacrante; tão massacrante que se tornava insuportável; tão insuportável que Itachi se jogou de um penhasco no mesmo dia. Assim, simplesmente, poderia ter sido seu fim naquela dimensão. Em um segundo ele estaria vivo, em outro morto. Morto? O que era a morte? Ele não poderia responder, pois a alguns segundos do chão que trazia escrito nas marcas ríspidas de vida nas pedras sua certa libitina, salvou-se. “Ninguém quer realmente morrer” foram suas palavras, que nada seriam adequadas ao resto da sua própria vida.
Em vida, Itachi já foi mistificado. Um prodígio, um exímio ninja, um verdadeiro shinobi. Ora, como poderia ser um shinobi completo se não sabia o que era um shinobi? Ele entendia de acertar shurikens em seus alvos e de perseverança em difíceis jutsus. Mas, por dentro, não passava uma mistura desagradável a ele mesmo de perguntas sem respostas e poços sem luz enquanto não alcançava seus objetivos. No entanto, Itachi era vazio de propósitos e vontades pessoais.
Até que, de repente, ele o viu.
“Ele vai se chamar Sasuke, como o avô do Sandaime. Já falei com ele”, foi o que disse Fugaku lá longe em sua compreensão. Itachi olhava Sasuke com atenção apenas para presenciar a menor e mais frágil coisa que já havia visto em todos os seus poucos e muitos anos de vida. Uma nova vida. A bochecha mais rosada, a pele mais pálida e o cabelo mais negro em comparação a si mesmo o fizeram perceber que aquele tempo em que estivera no mundo não era nada próximo de sua intensidade e vivacidade. Ele questionou-se sobre o que houvera feito até então, já que nada se comparava ao rebuliço que sentia ao ter a pequena criatura entre os braços pela primeira vez. Os poços tinham com que se preencher, afinal; seu brilho só não havia chegado ao seu plano ainda.
Itachi não poderia regozijar de seu novo status iluminado de irmão de Sasuke Uchiha, no entanto. Muitas de suas perguntas foram respondidas sobre sua própria existência, mas a que preço? As cinzas de toda uma estrutura em chamas chamavam seu nome, e ele se achava no dever de atendê-las. Muito sangue já havia escorrido por suas mãos sem qualquer remorso antes. Além do reflexo da vida do irmão mais novo nos olhos, nada mais interpelaria as suas falhas empáticas. Entretanto, a situação enquanto shinobi se agravaria a um ponto em que seu próprio sangue, e muito dele, tivesse de manchar sua consciência.
O ódio, e o rancor provindo dele, foi uma arma mais poderosa contra Sasuke do que qualquer kunai e jutsu que poderia usar. Itachi conhecia seu irmão mais que a qualquer um; eles tinham uma conexão que julgaria divina, se acreditasse em algo além da afiação de sua espada. Arrancar-lhe a família e a admiração para consigo o faria forte. Não havia espaço no mundo shinobi para os fracos, e Sasuke havia de sobreviver. Era o legado que Itachi Uchiha, afinal, havia escolhido deixar para trás. Todavia, era uma via de mão dupla aquilo que chamavam de vida. Se podia ferir Sasuke com ódio, ele o podia destruir por inteiro com apenas uma lágrima. Nem mesmo a vida do primeiro homem que matara lhe pareceu tão significante quanto um segundo do pranto daquele cuja vida física tentava proteger do jeito mais grotesco possível.
Os ideais pacíficos que uma vez basearam seus passos como ninja caíram em desgraça assim que Sasuke nascera, e ele soube disso desde seu primeiro soar de choro. Se antes suas perguntas não respondidas eram parte de uma mistura homogênea com seus tão mencionados poços obscuros, agora a luz proporcionada pelo seu irmãozinho tolo cegava todos os objetivos e vontades pessoais que ele nunca teve. Nunca houvera julgado suas faltas como motivos para preocupações, mas a ruína trazida pelo desespero do preenchimento fora a responsável pelo seu sacrifício. E essa conclusão a que chegara não era nem mesmo um lamento; era um sincero agradecimento.
“Obrigado, Sasuke. Ser capaz de viver como seu irmão mais velho me fez… feliz”.
A bagunça nunca fizera mais sentido antes. E o certo era extremamente errado. A sorte de Itachi era que aquelas noções mundanas e humanas demais não se aplicavam aos seus sentimentos por seu irmão mais novo, os quais cultivava como o mais fiel camponês que necessitava daquela colheita para lhe servir de alimento e sobreviver; e necessitava mesmo. Não havia mais conceitos aos quais se apegar, afinal. Não havia comunidade de sangue ou de sociedade para a qual voltar. Só havia o restante de existência a ser arrebatado pelas mãos daquele que, por dentro, decretou destruição.
A ciência mal dava conta de sua doença. Suspeitava fortemente — e acreditaria nisso se, mais uma vez, acreditasse no divino — dela ser um castigo do acaso pelas atrocidades ainda atreladas à sua existência. O sangue que tossia era aquele que havia arrancado em excesso de seu próprio povo e as marcas avermelhadas visíveis na pele eram resultado do ódio que nutria por si próprio. Nem mesmo Sasuke Uchiha o odiava mais do que ele mesmo; conquanto, ainda o amava mais do que desejava ser punido por seus pecados.
Nada em suas duas décadas de vida valeu mais a pena que a façanha de se manter vivo até morrer pelas mãos do único Uchiha conhecidamente vivo além de si mesmo. O egoísmo de tê-lo deixado vivo para sofrer as corrosões da solidão e dos efeitos de sua traição e a justiça por seu próprio clã seriam expiados pelas mãos de Sasuke. Secretamente, Itachi ansiava pela morte — sem mais se questionar sobre o que ela era senão o fim de todas as coisas — e vê-la tão próxima nem o fazia ter vontade de continuar atuando como o vilão da trajetória de seu irmão. Não o fez no último momento. Fraquejou. Faltou-lhe ódio. Ele poderia apenas ter se dado por vencido e desabado ali mesmo, o peso da doença e do ódio de Sasuke todo em seus ombros. Mas… por uma última vez… precisava do brilho de seu irmão refletindo nas cavidades agora não tão mais negras pela névoa da literal cegueira. Estava condenado à eterna danação, de qualquer forma, então um último gesto do quão decrépito em seu âmago poderia ser não era nada. Cambaleou até perto do responsável por seus maiores fracassos e únicas vitórias. Itachi viu seu sangue contrastar tão vívido contra a tez alva e o assombro aparente. O sorriso em seu rosto pelo medo que Sasuke tinha da morte era de puro contentamento; se ele a temia, correria para longe dela e demoraria muito para se encontrar com ele depois de tudo, se é que havia um depois. As últimas palavras, no entanto, apesar de desprovidas de lamentos, eram cheias da saudade de ir a algum lugar em que seu pequeno irmão não existia.
“Desculpe, Sasuke. Essa é a última vez”.
Aqui, sim, aqui mesmo fixar quero meu eterno repouso, e desta carne lassa do mundo sacudir o jugo das estrelas funestas.
Olhos, vede mais uma vez; é a última.
Um abraço permiti-vos também, ó braços!
Lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo legítimo selai este contrato sempiterno com a morte exorbitante.
আর্ন্তজাতিক মেধাস্বত্ব সংরক্ষণ দিবস উপলক্ষ্যে বাংলাদেশ আইপি ফোরাম (বিআইপিএফ) এর উদ্যোগে ঢাকা বিশ্ববিদ্যালয়ের নওয়াব আলী চৌধুরী সিনেট ভবনে অনুষ্ঠিত হলো ভলেনটিয়ার ফর আইপি প্রোগ্রাম। ভিআইপি, আই পি ক্যাম্প বাংলাদেশ আই পি ফোরামের ইয়ুথ সেগমেন্ট যার মাধ্যমে আইপি ফোরাম প্রতি বছর এপ্রিল মাসের এই দিনে ৩০০ জন বিশ্ববিদ্যালয় ছাত্র-ছাত্রী ও তরুণ উদ্যোক্তাকে মেধাসত্ব সম্পর্কে সম্মুখ প্রশিক্ষণ দিয়ে থাকে।প্রশিক্ষণ…
O primeiro plot point é quando a história começa de verdade. É aquele momento em que não tem volta. Não importa o que seu personagem faça agora, ele não tem como retornar para a vida que ele tinha antigamente - a única opção dele é seguir em frente e lidar com o que quer que você tenha arranjado pra ele.
O primeiro plot point acontece no fim do primeiro ato, mais ou menos nos 25% do livro, e por isso pode ser considerado o clímax dele. O primeiro plot point faz com seu protagonista reaja, iniciando o segundo ato, e é onde tudo muda pra ele. É aqui que você tem uma boa oportunidade de chamar a atenção dos seus leitores, de capturá-los novamente, por assim dizer.
Duas coisas podem estar relacionadas ao primeiro plot point: o acontecimento instigante e a cena chave. Isso não quer dizer que tais elementos têm que ser o primeiro plot point; sua história pode ter um acontecimento instigante, uma cena chave, e um primeiro plot point, por exemplo, ou apenas um acontecimento instigante e uma cena chave no lugar de primeiro plot point. Isso varia muito de história para história. Mas vamos por partes. Antes de tudo, o que é acontecimento instigante e cena chave?
Acontecimento instigante
O acontecimento instigante é aquilo que faz sua história acontecer. Ou melhor, aquilo sem o que sua história não aconteceria. Em O Senhor dos Anéis, por exemplo, podemos dizer que o acontecimento instigante é quando Bilbo dá um Um Anel para Frodo; em Game of Thrones, é quando a Mão do Rei é assassinada, ou ainda quando a rebelião de Robert acontece; em Harry Potter, é quando Trelawney diz sua profecia; em Como treinar o seu dragão, é quando os dragões atacam a vila de Soluço.
Se nada do que eu descrevi acima não tivesse acontecido, as respectivas histórias nunca teriam acontecido também. Ou seja, sem o acontecimento instigante, não tem história, simples assim.
Perceba que alguns desses acontecimentos instigantes sequer aparecem no próprio livro; nós nunca vemos a Mão do Rei sendo assassinada ou a rebelião de Robert acontecendo, nunca vemos Trelawney dizendo sua profecia. Isso tudo acontece antes da história começar, mas é o que faz o plot acontecer de fato. Ou seja, alguns acontecimentos instigantes podem vir antes da história, e por isso não são nunca os primeiros plot points. Em O Senhor dos Anéis e Como treinar o seu dragão, porém, o acontecimento instigante acontece já na história e não antes, mas também não é nos 25%. O livro e o filme têm outro primeiro plot point.
Em resumo, o acontecimento instigante pode acontecer desde antes da história começar até o fim do primeiro ato da história. É ele que, no fim das contas, faz o plot acontecer.
Cena chave
Se o acontecimento instigante é o que faz o plot acontecer, a cena chave é o que faz o plot e o personagem se encontrarem. Ou seja, é o momento em que o personagem passa a ser afetado pelo plot.
Em O Senhor dos Anéis, por exemplo, podemos dizer que a cena chave é quando os espectros do anel vão atrás de Frodo no Condado e ele tem que fugir para Bree - esse também é fim do primeiro ato, o que torna o livro um exemplo de cena chave que também funciona como primeiro plot point. Apesar do plot ter sido colocado em ação, por assim dizer, no momento em que Bilbo deu o Anel à Frodo, foi apenas quando os espectros do Anel vieram atrás dele que Frodo sentiu as consequências disso e reagiu, dando início a história de verdade (primeiro plot point).
Em Game of Thrones, a cena chave é quando o rei Robert vai até Ned Stark para convidá-lo para ser sua Mão, o que jamais teria acontecido se a antiga Mão não tivesse sido assassinada. É só aí que o protagonista (bem, um deles) se envolve no plot, apesar dele (o plot) já ter sido colocado em ação há algum tempo.
Em Harry Potter, é só quando Voldemort ouve a profecia de Trelawney, conclui que ela se refere a Harry, mata os pais dele e tenta matá-lo que Harry se envolve com o plot. E isso tudo ainda acontece antes da história começar de fato. O acontecimento instigante e a cena chave de A Pedra Filosofal acontecem antes da primeira página do livro.
Nesses dois últimos exemplos, a cena chave não foi o primeiro plot point. Veja, portanto, que isso varia muito, como eu disse lá em cima, e que depende muito de cada história.
Primeiro plot point
Como vimos ali em cima, o primeiro plot point é o fim do primeiro ato. É aqui que sua história muda de foco. Até agora você esteve apresentando seus personagens, mostrando os riscos e seus desejos, dando hints do que está por vir, mas é agora, com o primeiro plot point, que você solta a bomba nos seus leitores. A história começa a acelerar nesse momento.
Em O Senhor dos Anéis, como já dito, o primeiro plot point é quando Frodo (e Sam) deixam o Condado fugindo dos espectros do Anel. Perceba como a história muda completamente; até então o livro foi todo sobre a vida no Condado, sobre as histórias de Bilbo, as idas e vindas de Gandalf, etc. Então puf!, Frodo tem que fugir por sua vida para um lugar em que ele nunca esteve tendo apenas Sam como ajuda.
No fim das contas, houve uma espécie de reviravolta.
Em Harry Potter algo semelhante acontece. O primeiro plot point da história é quando Hagrid invade a cabana da ilhota no meio do mar que tio Valter arranjou para a família enquanto tentava fugir das cartas. A partir das coisas que Hagrid conta a Harry e de como ele reage a isso, a história toda muda; Harry vai para o Beco Diagonal e então para Hogwarts e lá acaba impedindo que Voldemort retorne. É um ponto de não-retorno. A vida de Harry vira de cabeça pra baixo.
Esse primeiro plot point, muitas vezes é, portanto, como uma transição entre normalidade e o extraordinário para livros de ficção científica e fantasia. É quando os protagonistas mergulham em mistérios, mundos fantásticos ou tramas intrincadas. Para livros sem elementos fantásticos, o primeiro plot point continua sendo uma transição, mas entre a normalidade e o algo novo - esse algo novo podendo ser literalmente qualquer coisa.
Resumindo:
Acontecimento instigante: faz o plot acontecer. Sem ele a história não existiria. É um momento que você não conseguiria tirar da história sem que tudo se desmanchasse.
Cena chave: une o plot e o personagem. Sem ele o plot não afeta o personagem e a história não vai pra frente.
Primeiro plot point: muda tudo. O personagem não consegue mais voltar para a vida que tinha antes. A única opção dele é seguir em frente e lidar com as mudanças que surgiram. Pode ser o acidente instigante ou a cena chave, mas não é obrigatório.
Bem, é isso. A próxima matéria será a primeira sobre o segundo ato. Espero que tenha ajudado e qualquer coisa é só mandar uma ask!
(sem banner hoje porque o PS tá dando tilt toda vez que o abro, então...)
Como mencionei na última matéria, o primeiro ato toma, mais ou menos, 25% do livro e nele podemos encontrar o gancho - as primeiras linhas/parágrafos da sua história, que servem para “capturar” o leitor -, o primeiro plot point (incidente instigante ou cena chave) e o que é talvez mais importante, os personagens e o que eles têm a perder.
E é sobre isso que falarei hoje: personagens e o que exatamente esses personagens têm a perder durante a história.
Já falei mil vezes aqui que são os personagens que carregam a história. O plot é importante, claro, assim como a escrita, mas se seus personagens forem mais ou menos ou ruins, muitos leitores simplesmente não vão se importar muito com seu livro. Eles podem até gostar, claro, mas sem personagens marcantes fica difícil “convencê-los” a ler o próximo volume, por exemplo, ou um outro livro seu.
E é nesses primeiros 25% da sua história que você deve apresentar os personagens principais para o leitor, estabelecendo quem eles são, o que eles querem e o que eles têm a perder.
Quem seu personagem é?
No que seu personagem acredita? O que ele teme? Quem são seus amigos? Inimigos? Qual a aparência física dele? Qual sua ocupação? Qual sua maior fraqueza? Seus defeitos, qualidades? Enfim, quem seu personagem é? Eu já escrevi uma matéria sobre como criar personagens que pode ser de alguma ajuda, mas nesses primeiros 25% de história você deve mostrar ao leitor seu personagem em seu estágio inicial. Lembre-se: todo bom personagem muda durante a história, para melhor ou para o pior. O primeiro ato é momento de mostrar exatamente quais crenças vão ser questionadas, quais as características que vão ser desafiadas para que seu personagem possa crescer (ou não).
Exemplo: Fulano é uma pessoa cabeça quente. Logo no primeiro ato você, o escritor, mostra uma ou mais cenas em que Fulano se irrita facilmente ou reage de modo exagerado. O leitor percebe logo que isso é uma parte fundamental da personalidade de Fulano. Durante a história, portanto, esse temperamento dele será desafiado e trará consequências - talvez Fulano acabe falando a coisa errada na hora errada e isso estrague tudo o que Fulano e seus amigos estavam tentando alcançar ou talvez sua falta de paciência finalmente faça com ditos amigos se afastem. Como Fulano reage a isso? Ele aprende a controlar seu gênio forte, se tornando uma pessoa mais calma e mudando assim para melhor? Ou ele se ressente e culpa seus amigos pelo acontecido, se tornando amargo e raivoso e mudando para pior?
Outro exemplo: Beltrano viveu sua vida inteira acreditando que o dever de um guerreiro é proteger o povo e após sonhar muito em ser um também, ele vai para o lugar onde guerreiros são treinados. Lá, no entanto, ele descobre que boa parte de seus futuros colegas de profissão são simplesmente pessoas más e cruéis, e que muita corrupção permeia toda essa organização de guerreiros. A crença de Beltrano, portanto, é desafiada e também traz consequências; talvez os guerreiros zombem dele por ser tão ingênuo ou o excluam, ou ainda tentem se aproveitar dele. Como Beltrano reage a isso? Ele admite que sim, alguns guerreiros são uns babacas, mas ainda há alguns que são bons e ele vai ser um deles, se tornando assim mais maduro e menos ingênuo? Ou ele se deixará afundar na decepção, perderá toda fé que tinha na ordem e desistirá, se tornando assim uma pessoa desconfiada e cínica?
Isso é desenvolvimento, e você só consegue desenvolver bem seu personagem se estabelecer uma boa base no início da história. Ou seja, se mostrar ao leitor que existe algo a ser mudado. Mesmo que você tente desenvolver um personagem vazio, sem uma personalidade definida, o resultado não será bom; se não havia quase nada com o que trabalhar no início, com que material você poderia construir algo no final?
Mas como você pode mostrar quem seu personagem é nesses 25% de história? Simples: através de cenas que ilustrem suas principais características, medos ou crenças. Fulano perdendo a cabeça após uma mínima provocação de um rival faria isso e Beltrano ficando maravilhado diante de um guerreiro dessa tal ordem também. Desenvolvimento é algo que só tem impacto se for mostrado, e não contado. Não adianta de nada a narrativa me dizer que Fulano é cabeça quente e que Beltrano acredita piamente que todo guerreiro nesta terra é uma pessoa boa se eu não puder comprovar isso com meus próprios olhos, por assim dizer. Muito do impacto, daquilo que faz o leitor se importar, se perde ao apenas contar e não mostrar ao leitor.
O que seu personagem quer?
Nos meus posts sobre planejamento de plot (1 e 2) eu comentei que é o objetivo de seu personagem que move a história. Um protagonista que não age e apenas reage a acontecimentos está fadado ao fracasso; afinal de contas, ninguém gosta de ler sobre uma pessoa passiva (nota: seu personagem pode ser passivo, claro, mas é uma boa ideia comentar isso de um modo ou de outro na história). Logo, é muito importante apresentar o objetivo de seu personagem o mais cedo possível. É a vontade do personagem de alcançar esse objetivo que atrai o leitor e faz com que ele queira saber como a história vai terminar. E com o objetivo, claro, vem o que quer que esteja impedindo seu personagem de alcançá-lo. Afinal, se não tivesse nada dificultando a vida do seu protagonista não haveria história.
Peguemos Fulano e Beltrano de novo, e agora os dois estão na mesma ordem de guerreiros. Digamos também que algo está ameaçando o mundo/reino/cidade/idk deles e que as pessoas que vão lidar com essa ameaça vão vir dessa ordem de guerreiros. Então, Fulano está ali porque esses guerreiros são poderosos e respeitados, e ele quer muito ser poderoso e respeitado, e Beltrano quer ser um guerreiro porque quer ajudar as pessoas e ser um herói. Esses são objetivos bons, mas de certo modo vazios. Por que Fulano quer tanto ser poderoso e respeitado? Talvez algo em seu passado explique isso - ele foi extremamente humilhado por um grupo de pessoas e tem que viver com as zombarias até hoje? (Isso explicaria querer ser respeitado). Ele esteve em uma situação em que foi fraco demais para se salvar, ou para salvar uma pessoa com quem se importava? (Isso explicaria querer ser poderoso). E Beltrano, por que ele quer ajudar as pessoas e ser um heróis? Se for apenas por ter lido/escutado muitas histórias de guerreiros como heróis, pode ser que essa vontade suma quando ele perceber que os guerreiros são uns babacas. Logo, tem que ter algo mais: talvez ele queira ser útil para o reino/cidade/mundo deles de algum modo e ser um guerreiro é um jeito de fazer isso? Se sim, por que ele quer tanto ser útil para o reino/cidade/mundo? Talvez ele tenha sido criado pra isso e sua família espera que ele seja útil ou importante? Talvez ele acredite que se não se tornar um guerreiro sua família vai ficar muito desapontada?
Não vou me aprofundar muito em objetivos nessa matéria, mas veja como os principais objetivos de um personagem sempre nascem de um medo que ele tem: Fulano tem medo de ser humilhado e de ser fraco demais -> desejo de ser respeitado e ter poder -> ter como objetivo se tornar um guerreiro, já que guerreiros são poderosos e respeitados. Beltrano tem medo de decepcionar a família e/ou de ser inútil -> desejo de agradar a família e ajudar as pessoas -> ter como objetivo se tornar um guerreiro, já que ser um guerreiro deixaria sua família orgulhosa e tornaria possível ajudar as pessoas de um modo mais significativo.
Logo, seus objetivos dizem muito sobre seus personagens, e apresentá-los no início da história não só dá ao leitor um pouco sobre eles como também move o plot da história. E, é claro, ver o personagem ultrapassar obstáculos para alcançar esses objetivos faz com que o leitor invista na história; como seres humanos, sempre acabamos atraídos por pessoas que não desistem e que continuam tentando, e é por isso que o objetivo de seu personagem deve ser algo que ele quer muito mesmo.
No primeiro ato você deve apenas mostrar o que impede o personagem de alcançar o que ele quer - é no resto da história que o veremos lutando contra essa coisa e tentando tirá-la de seu caminho. Usando Fulano e Beltrano de novo: talvez o que impeça Fulano de se tornar um guerreiro é justamente entrar na ordem. Talvez a coisa pelo qual ele foi humilhado no passado ainda esteja na mente das pessoas, e ninguém o considere digno de entrar na ordem (mesmo a ordem sendo podre, né). Um bom jeito de mostrar isso é mostrar ele tentando se inscrever para entrar na ordem, por exemplo, e então sendo recusado. Se a narrativa for esperta, vai conseguir deixar subtendido o motivo da recusa, e assim o leitor saberá rapidamente o que está impedindo Fulano de alcançar seu objetivo.
(Seria uma boa se o temperamento difícil de Fulano acabasse com o resto de chance que ele tem aqui também, já que mostraria que os defeitos dele têm consequência).
Já com Beltrano as coisas seriam diferentes. Talvez ele consiga entrar facilmente na ordem e seus problemas só comecem lá dentro. Ao ver que seus colegas são babacas e não os heróis que ele esperava encontrar, talvez Beltrano não consiga trabalhar com eles ou só se meta em discussões que acabam o excluindo do resto do grupo. Essa incapacidade de trabalhar em conjunto poderia prejudica-lo dentro da ordem, e mostrar isso através de cenas onde ele questiona seus colegas e acaba hostilizado seria fácil.
Com esse punhado de cenas já apresentamos ao leitor quem são os personagens, o que eles querem e o que os está impedindo de alcançar esses objetivos. Falta, é claro, o que eles têm a perder.
O que seu personagem tem a perder?
O que seu personagem tem a perder é o que faz a história parecer real. É basicamente o que faz os leitores ficarem grudados nas páginas, esperando para ver o que vai acontecer. É o que acontece se seu personagem falhar, se ele não conseguir alcançar o objetivo. E, é claro, tal acontecimento deve ser algo que o leitor (e o personagem, óbvio) não quer que aconteça de jeito nenhum. É a pior coisa que pode acometer seu protagonista (e talvez o mundo dele).
Claro que essa coisa não precisa ser algo enorme. Ou seja, não precisa ser o fim do mundo ou uma invasão alienígena. Antes de tudo, essa coisa horrível deve ser horrível para seu personagem - é nele que os leitores estão investidos, no fim das contas, e sim, o mundo acabar é algo terrível, mas não é pessoal. É por isso que boa parte das histórias sobre desastres ou fim de mundo ou coisas grandes assim (se não todas) sempre possuem algo menor que está errado para o protagonista. Percy Jackson, por exemplo: sim, os deuses estão para começar uma guerra que poderia acabar com o mundo, mas não é com isso que Percy está realmente preocupado; é com sua mãe. Em The Witcher 3, o mundo pode está prestes a ser invadido por seres de outro mundo e uma guerra está devastando o continente, mas Geralt, o protagonista, está bem mais preocupado com sua filha adotiva, que ele está tentando achar.
Resumindo, é o que seu personagem tem a perder em nível pessoal que importa de verdade, que faz com que o leitor torça para dar tudo certo. Não é necessário que um desastre esteja em risco de acontecer para que a história seja interessante.
Usando Fulano e Beltrano mais uma vez. O que eles têm a perder? Para Fulano, as coisas são um pouco complicadas; se ele não se tornar um guerreiro e com isso conseguir o respeito do seu povo e o poder que ele precisa, ele vai continuar exilado e vulnerável o resto da vida... mas é isso que vem acontecendo desde sempre. Ele já é exilado e vulnerável. Para tornar o risco que ele corre algo mais real, é preciso que algo muito pior aconteça de imediato se ele falhar, e pra descobrir o que isso é, é só fazer uma pergunta: qual a pior coisa que poderia acontecer com Fulano?
Nós já sabemos que Fulano é cabeça quente e que isso provavelmente afasta as pessoas dele, o que o torna uma pessoa um tanto solitária. Sabemos também que ele tem medo de ser fraco e de ser humilhado. A pior coisa que pode acontecer com Fulano, portanto, é ser visto como fraco e inferior novamente. Então só precisamos de algo de torne esse medo realidade - talvez as pessoas no lugar onde Fulano vivem precisem de um ofício antes de fazerem x anos, e Fulano já é quase dessa idade, mas não tem ofício nenhum. E as pessoas que não conseguem um são imediatamente expulsas da comunidade e marcadas - talvez literalmente - como desnecessárias para a sociedade deles. Ser marcado como uma dessas pessoas, portanto, seria o ápice da humilhação para Fulano - algo que ele não quer que aconteça nunca.
Com Beltrano as coisas ficam um tanto mais fáceis; ele é muito ligado a família e quer agradá-la, então o que ele tem a perder é sua aprovação (e assumindo que Beltrano também não tenha ofício, ele poderia acabar exilado também, mas não é isso que ele teme de verdade). Mas a desaprovação da família não é algo forte o bastante se não soubermos até onde ela vai - se Beltrano falhar, sua família vai expulsá-lo? Vai cortá-lo inteiramente de seu convívio, fingir que ele não existe? Se sim, essa seria uma boa coisa para perder (well, em termos de narrativa, claro). Se essa forte ligação com entre Beltrano e sua família for mostrada nesse primeiro ato, os leitores com certeza vão torcer para que ele não a decepcione e se o risco de isso acontecer se tornar real durante a história, vão temer por Beltrano. O medo dele + o que poder acontecer se ele falhar muito provavelmente o transformarão em um personagem interessante de se acompanhar.
Em resumo, ao apresentar os personagens e os riscos você deve:
Mostrar as principais características, medos, fraquezas e crenças dos principais personagens e estabelecê-las como base para que sejam questionadas e tragam consequências durante a história, ajudando assim no desenvolvimento do personagem.
Mostrar o objetivo do personagem e o que está impedindo-o de alcançá-lo.
Mostrar o que o personagem tem a perder se não conseguir alcançar seu objetivo.
Apresentar essas coisas no primeiro ato fará com o leitor se importe ou pelo menos se interesse pelo seu personagem, o que por sua vez fará com que ele queira ler o resto da história. E com todas as peças no campo, vem a hora da história mostrar a que veio de verdade com o primeiro plot point.
Mas isso já é assunto para a próxima matéria. Espero que tenham gostado e qualquer coisa é só mandar uma ask!
"Pudera eu, sentir algo?" Questionei-me, sem saber de tal resposta. "Todos sentem algo, criança ingênua." Respondeu-me uma voz doce, mas não sabia se tal ser poderia ser homem ou mulher. "Quem está aí?! Apareça!" , "Já estou na sua frente, 'bem abaixo de seu nariz', jovem." Respondeu-me tal voz, e então apareceu, algo similar à um Anjo, seu rosto fino e liso, seus olhos azul-escuro, seus lábios finos e delicados, suas asas, ah, as mais linda asas que já vi, pretas, um Anjo da Morte, "Você sente algo, criança, só mente à si mesmo." , "Blasfêmia!" Gritei, mas no fundo, sabia que ela estava certa, em algo. "Porquê mentes para si mesmo?" Como ela sabia?! "Eu sou seu subconsciente, criança, não há como mentir pra mim, você foi feito apenas de ódio e mais ódio, e agora criou um Anjo da Morte dentro de ti," ela segurou meu pescoço, sua mão fria deu-me calafrios, ela abriu um sorriso, pude ver seus dentes, Presas, como as de um vampiro, "Huhu , você alegrou-me." Sussurrou ela em meu ouvido. "C-Como assim?" Fraquejei. "Sua mentira me enoja, humano." Falou ela, e só agora pude perceber a frieza em suas palavras.