📓 FANFIC #02 — “Sempre Você! ”
Protagonistas: @solbourbon & @ricccrdao
Capítulo 1: Nós Já Nos Matamos Antes
Os corredores do Palácio Real de El Escorial cheiravam a cera de vela, flores cortadas e perigo.
Maria Ensolarada andava como se o mundo inteiro estivesse abaixo dos seus pés — porque estava. Era a princesa da Espanha, dona de uma aura magnética e herdeira de uma postura que você ou nascia com ou morria tentando possuir. Mas ninguém ousava encará-la com tanta ousadia quanto ele.
Ricardão.
O novo guarda. Vermelho como a guerra, como o sangue dos mártires que pintavam as tapeçarias reais. Vermelho como o erro que nunca deveria ter cruzado o caminho dela.
— Você deveria me reverenciar, não me encarar — ela disse ao vê-lo no corredor da Ala Oeste, onde só os mais próximos tinham permissão para circular. — E você deveria me temer, mas continua falando — ele respondeu, sem desviar os olhos.
Maria soube ali. No primeiro segundo. Soube, como uma lembrança esquecida batendo de volta no peito: eles já se conheciam.
Ele já tinha matado por ela. Ela já tinha morrido por ele. E agora estavam de novo ali — respirando o mesmo ar, fingindo que eram estranhos.
Mas o mundo não esquece o que o destino escreveu.
Ela sonhava com ele.
Todas as noites, desde que Ricardão entrara no castelo. Sonhos em que ele a chamava por outro nome. Em que segurava sua mão, ou seu pescoço, ou sua espada. Sonhos em que morriam juntos. Ou se beijavam entre escombros. Ou queimavam ao som dos sinos de Roma.
Ela acordava com a garganta seca e os lábios ardendo. E o pior era que, ao vê-lo de manhã, ele olhava de volta como se também soubesse.
— Você me odeia tanto assim? — ele perguntou certa noite, de guarda na porta dos aposentos dela. — Eu te odeio desde antes de nascer — ela respondeu. — Então por que me olha como se quisesse me tocar?
Ela não respondeu.
Mas na noite seguinte, ele apareceu na sacada dos seus aposentos. E pela primeira vez em mil vidas, ela deixou.
Deixou que ele tocasse sua mão. Deixou que os dedos vermelhos se entrelaçassem nos fios azuis. E quando os lábios dele encostaram nos dela — suaves, como um reencontro prometido por eras —, ela sentiu tudo voltar: as fogueiras, as juras, as mortes, os beijos.
Tudo. Cada vida. Cada amor.
— Somos maldição — ele sussurrou contra o pescoço dela. — Não — ela corrigiu, com um sorriso que feria mais que espada. — Somos inevitáveis.
E pela primeira vez naquela vida, a princesa azul e o guarda vermelho pararam de lutar. Não porque o mundo permitiu. Mas porque, mesmo que o mundo ardesse, eles arderiam juntos.









