O trio acompanhou o novo líder do Projeto AA12 por entre os corredores mal iluminados do complexo. O ar frio do local era acolhedor para ambos os jovens, esses que trocavam olhares cúmplices e curiosos, assim como leves risos baixos.
Eles passaram por entre vários corredores macabros até pararem em frente a uma porta metálica com um dizer em vermelho: Proibida a entrada!
-- Aqui vai ser o encontro noturno de vocês _ o homem explicou ao abrir uma das portas, os três entraram para ver uma sala repleta de computadores, mesas e até mesmo um saco de pancadas em um dos cantos. - Eu quero que vocês façam diários falados, como jornais _ explicou. - do dia a dia de vocês. Quero que falem sobre as tarefas dadas, os medicamentos, tudo que achem interessante.
-- Tudo o que quisermos?_ Alden o encarou com uma risada. - Tem certeza disso, senhor?
-- Sim! _ concordou com um balanço de cabeça. - Vocês começam agora.
-- Eu fico no meio! _ Alden correu até as três cadeiras roláveis em frente a um dos computadores, as duas meninas se olharam e correram até as outras duas cadeiras - Ethel na direita e Sayen na esquerda do garoto -, todos se arrumaram em frente a câmera.
-- Liga! _ Ethel falou para Sayen que estava mais perto do botão, a mesma apertou o botão.
-- Está gravando? _ Sayen foi para perto da câmera. - Olá!
-- Sai dai! _ Alden a puxou divertido.
-- O que é isso? _ Ethel pegou um globo de neve que estava sendo usado como peso de papel, ele sacudiu o globo e riu em escárnio quando os pequenos flocos voaram por todo o globo. - Legal.
-- Ok! Parem, foquem. _ Alden deu um leve tapa em cada garota, essas que o encararam com caretas.
-- Dia 01 _ Ethel falou para a câmera. - Do... não sei o que é isso.
-- Podemos por um nome. _ Sayen deu leve pulinhos na cadeira.
-- Os renegados e o soldado. _ Alden brincou.
-- Que horror! _ Ethel falou.
-- AA12. _ Alden estalou. - É o que somos, não é? O projeto AA12
-- Bem vindo ao diário AA12, dia um._ Ethel apontou para a câmera. - Prontos para essa jornada? Porque nós não estamos.
-- Estamos perdidos nisso. _ Alden murmurou. -Não temos ideia do que é pra fazer, e nem o que devemos ou não falar.
-- Falar! _ Sayen gesticulou. - Ele disse 'você fala', então vamos falar.
-- E você... _ Ethel balançou as sobrancelhas para a câmera. - seja lá quem for, vai nos ouvir.
-- AA12 no topo, baby! _ Alden exclamou feliz.
[EM ALGUM LOCAL DE PANDORA]
Norm estava em um trabalho tarde naquela noite quando o pequeno ponto no computador apitou dizendo que havia uma nova conexão. Estranhando tal conexão o homem arrastou a pequena flecha do computador até a lista, ali, naquele pequeno botão piscando em vermelho, ele pode ver uma pasta com até dez vídeos; curioso ele apertou em um dos videos.
-- Bem vindos ao dia três. _ uma garota falava na frente da tela. - Meu nome é Ethel e esses são os dois palhaços não humanos, mas maquinas.
-- Cruel! _ o garoto falou. - Eu sou Alden, o máximo.
-- Sayen, de única. _ sorriu para a câmera.
Norm rapidamente travou o vídeo, crianças, reais crianças em um complexo como o dele, só que vivas e falando com ele, ou melhor, mandando mensagem para ele sem nem perceberem.
-- Jake precisa saber disso.
-- Nós aprendemos algo novo hoje. _ Alden falou para a câmera. - Ethel é uma bomba!
-- Pare! _ a garota deu uma risada empurrando o mesmo. - Eu não sou uma bomba, Alden é um idiota.
-- É claro que ela não é uma bomba, ela é uma arma. _ Sayen brincou. - Feita pra destruir tudo isso.
Ethel sabia que a brincadeira de seus amigos não eram só brincadeiras, ela sabia disso desde muito jovem.
Foi o que sempre falavam dela, talvez ela não quer ser especial, só uma pessoa normal.
Talvez sendo uma pessoa normal, um erro, Alden e Sayen falariam com ela de igual pra igual, não como alguém que poderia explodir a cada momento.
Havia ataduras nas mãos do trio, algumas agulhas foram postas ali e injetadas mais substâncias em seus organismos. Algo sobre o povo daquela área era que eles insistiam nos erros, mesmo que eles estejam morrendo, e era tão perceptível que Alden e Sayen estavam por um fio, embora Ethel feche seus olhos para isso.
Agora, sentada ali, ao lado deles, ela comia sua refeição do dia, a última de um dia cansativo, junto dos dois que riam até do vento.
-- Nós fomos pra aula de história hoje. _ Alden falou para a câmera, a boca cheia de comida. - Pessoa do outro lado, você sabia que nós tínhamos pássaros? Quero dizer… isso é incrível!
-- Ao todo eram 10.426 espécies. _ Sayen gesticulava enquanto falava, um olhar sonhador presente ali.
-- O que fizemos? _ Ethel sussurrou melancólica, ela sentiu sua garganta fechar e seu estômago embrulhar, pondo o pacote de lado ela desistiu da comida. - Por que destruímos algo tão bonito? _ se moveu desconfortável no local. - Nós destruímos a nossa casa, é isso que viemos fazer aqui? _ encarou os amigos. - Destruir tudo?
-- Ethel… _ Alden balbuciou.
-- Eu não tô me sentindo bem. _ se levantou, o gosto da bile subindo em sua boca. - Vou dormir, boa noite!
-- Boa noite. _ Alden desejou.
-- Vou com ela. _ Sayen pôs o prato de lado. - Não coma o meu! _ apontou pro mesmo.
-- Nem pensei. _ Alden se defendeu, o garoto suspirou quando elas saíram e encarou a câmera, ele se inclinou levemente para a tela. - Querida pessoa do outro lado, se você for um deles… dos que prezam por beleza. Por que? Por que nos trouxe aqui? Somos só crianças… e esse mundo não é nosso para reivindicarmos algo. _ suspirou. - Talvez quando vocês, velhos, morrerem e nós podermos tomar controle, esse mundo vai estar a salvo… eu espero isso! Boa noite!"
Aquela noite, depois do jantar e dos jovens irem pra cama, uma movimentação ocorreu pelos corredores, algo que acordou Alden e Sayen de seu sono.
-- O que está acontecendo? _ Alden questionou um dos cientistas que passava por ali.
-- Volte pro seu quarto _ mandou. - Os dois-
-- O que está acontecendo? _ Sayen refez a pergunta.
-- PRECISAMOS DE AJUDA! _ um grito ao fim do corredor soou, o homem correu. - ELA ESTÁ TENDO UMA PARADA CARDÍACA!
Alden encarou a câmera em sua frente, ele coçou a sobrancelha e suspirou.
-- Eles disseram que ela teve uma convulsão depois da dosagem _ o garoto balbuciou. - Então, ela foi dormir, tomou as vitaminas e tudo simplesmente ficou vermelho… ela estava morrendo ali, na nossa frente _ riu em escárnio, pequenas lágrimas piscando seus olhos. - Eles não querem lutar com os Na'vi… eles estão nos matando, e eles quase conseguiram. _ enxugou os olhos. - Querida pessoa do outro lado, se você ver isso, por favor… eu imploro, nos ajude! Eles estão nos matando!
-- Esse foi o último vídeo mandado. _ Norm explicou para Jake.
-- Estão criando crianças... matando elas? _ encarou o amigo.
-- Acho que eles nem sabem o que estão fazendo.