Pareço uma vilã quando digo que não me importo com quem vai embora ou com quem me machuca. Mas na verdade só não perco o meu tempo tentando entender os motivos de quem foi ou de quem fez. Eu sei que estou comigo em todos os momentos e nunca me deixei sozinha. Então eu sei que preciso cuidar de mim independente de qualquer coisa ou pessoa.
O amor é relativo e mutável.
Amo pessoas que não falo mais e não sinto saudade. Só amo os momentos que tivemos. E não me recordo do amor quando me lembro do nome de outras pessoas por exemplo.
Hoje eu amo, amanhã se não me amarem eu preciso me adaptar e continuar de novo o meu caminho sozinha. E é por isso que eu não dependo do afeto de ninguém. Eu acho lindo, crio ótimos personagens e deposito o meu afeto neles. Mas não em pessoas. Eu não sei colocar o meu caminho dentro do caminho de outra pessoa e condicionar a minha felicidade apenas se os nossos passos estiverem em sincronia. Não não, eu não sei fazer isso.
Um dia eu já soube. E sempre que alguém decidia mudar o caminho contra minha vontade, sabe o que acontecia? - eu era arrastada. Sempre que alguém decidia parar de andar, sabe o que acontecia? - eu precisava escolher entre parar também ou abandonar alguém. E ainda quando decidiam colocar outras pessoas no mesmo caminho sem me avisar, sabe o que acontecia? - eu começava outro caminho, sozinha, e sem um (pouco) grande de mim, que havia antes da queda.
Então, eu hoje ando sozinha. E ainda que eu ande junto com você, e que você declare que nunca vai me deixar... -eu não acreditarei por completo- porque por completo, eu só confio em mim. E sim, eu sei que parece cruel, mas é saudável. E a saúde é mais importante do que qualquer coisa. Portanto, declaro fielmente que não me importa quem vai embora ou quem me machuca.
A dor não pode me matar, o abandono não pode me destruir, a tristeza não faz com que lágrimas surjam do meu rosto. Eu conheci as emoções e a vulnerabilidade de cada uma. Eu sei que eu sou forte, e sei que isso é meu, e é a minha maior sorte. Ninguém pode me roubar, e isso sim, isso me deixa feliz.
Quem amputa alguns membros não se assusta quando quebra um dedo ou um braço. Porque quem suporta a dor de uma amputação, pode suportar qualquer coisa. Quem suporta a dor de uma amputação, resiste todos os dias à uma outra dor que dura até o fim, (a dor de olhar a ausência de um membro que existiu e se foi pra sempre, e que não voltará nunca mais) dificultando o dia a dia e obrigando uma readaptação no mundo.
Então... quem amputou as emoções e quebrou algumas partes da alma, não se importa com um caco de coração que se esfarele ou uma sombra que cutuque. Independentemente de quem esteja comigo, eu sei que estarei comigo até o fim apesar de qualquer coisa.
-eu, Andressa Melo"










