Propósito contraditório
Me olhei no espelho,
mais uma vez vim a perguntar:
“O que há de errado
para que insistas em voltar?”
Voltar é algo muito forçado.
Ficar.
O que há de errado
que te faça ficar?
Mesmo com todos os indícios de saída,
por que ainda estás a me acompanhar?
Aquele significado oculto,
nem sabemos se é mesmo existente.
Mas do que adianta essa tese?
Isso só te alimenta.
Te mascaro de inexistente,
insistente.
Mas és meu maior tormento.
Dias se passaram.
Tento seguir fingindo tua ausência,
mas sigo em teu convívio.
Será que te aceitar é vivido?
Adicionar camadas à tua falência
não é sensato.
Não sei como conviver,
talvez sobreviver aos teus fatos.
Fatos são verdades.
Tu não me mostras isso.
Atos.
Sobrevivi aos teus atos.
B.I.A












