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Tempo ausente
O vai-e-vem do amor é daquelas loucuras da vida que a gente nunca se acostuma a experienciar. Quando ele vem é uma euforia completa, oferecemos de tudo, queremos que ele fique. As vezes oferecemos o que nem temos por medo de que ele se vá. Quando ele se vai é uma desolação total. Não temos nada a oferecer, temos medo de tudo e só sentimos a dor da partida do que tanto queríamos que ficasse em nossas vidas.
Aprendemos tão pouco sobre a transitoriedade do amor, que parecemos balbuciar quando amamos. Sonhamos e vivemos como se não houvesse amanhã e desejamos viver tudo aqui e agora, hoje. Mas o amor tem dessas lições dolorosas que poderiam ser somente lições. Não fosse nosso tão pouco conhecimento aprendido sobre o ato de amar, compreenderíamos as lições com graciosidade. Cada lição é um presente do amor, uma dádiva do universo. A cada lição sabemos mais sobre como amar e receber amor, desde que tenhamos compreensão do que as lições vêm para nos ensinar.
Maturidade emocional tem muito a ver com a compreensão de que a incondicionalidade do amor não pressupõe que você seja a melhor pessoa para aqueles que te amam. Compreender o vai-e-vem do amor é saber lidar com o tempo de ausência de quem amamos de uma forma alegre por saber que as pessoas amadas existem e estão por aí. O desamor que perpetuamos por nós mesmos nos impede de vivenciar a beleza do viver o amor. Por tantas violências sofridas, tememos até mesmo o que há de melhor na vida.
Nesse tempo ausente, em que o amor se vai, somente nos resta apreciar a vida e lembrar que o amor essencialmente nunca se foi. Nós somos amor, ele sempre está aqui. O vai-e-vem é das paixões, é das escolhas, é das decisões. Confesso, querida, que teu partir me foi brutal. Tuas escolhas e decisões levaram para longe a paixão que senti por ti. Todavia, por ser amor, permaneci.
Nesse tempo ausente me acostumei um pouco mais com a loucura do vai-e-vem do amor, pois aprendi a valiosa lição de que não foi o amor que foi. Nesse tempo ausente foi a paixão que se esvaiu e tá tudo bem. Paixões vem e vão. Foi nesse momento inebriante que aprendi que posso te amar de longe, posso desejar tua felicidade de longe e torcer para que um dia a paixão possa retornar. E não necessariamente com você, afinal, toda a brutalidade com a qual partiu pode te levar cada vez mais para longe de todo o amor que tenho para te oferecer.
Nesse tempo ausente experienciei uma das maiores loucuras da vida: me recordei da graciosa lição de que cada um oferece aquilo que tem. E, para ti, meu bem, te tenho um presente eterno de amor.
Tempo ausente de mim já não há mais, pois tu me ensinou com ternura a lidar de forma alegre com a tua ausência. Só é lamentável que esteja tão distante e não possa saborear da maturidade emocional que tuas decisões, mesmo que brutais, me levaram a construir comigo.
Nesse tempo de aprendizado e vai-e-vem do amor, espero, genuinamente, que consiga também compreender todas as lições que o amor e esse tempo ausente tentaram te ensinar.
Espero que possa se acostumar com as coisas boas do tempo ausente e, que o retorno das paixões em tua vida seja inebriante, que toda a brutalidade que tanto te aflige possa ser mitigada por todo e tanto amor que há em ti.
Com amor em todo tempo ausente, tua ex-paixão.
Haha, the real Kelly is back, sorry folks I couldn’t say bye bye to her, honestly I think shes better then the other Kelly xD Other Kelly remind me of that werid samurai jack look. Anyhow I still got some more work left to do on it.
Eons.
It has been too long. I can not believe I am back.
I am back from my hyadus!
I apologize to all. I’ve been sick, and have been settling into my new home 🤣 I am back for art, gaming and chaos!!
Encontros e despedidas
Em toda a efemeridade da vida somos inundados por ondas de tudo aquilo que fingimos não sentir. Fingimos para ter controle sem perceber que estamos na realidade proibindo nosso encontro com o que há de mais prazeroso no ato de viver.
O início de novos ciclos é constante. A vida é fugaz em todas as complexas camadas que a constituem. Por vezes desejamos nos encontrar com tudo aquilo que há de mais prazeroso em existir, mas não conseguimos. Na fila para nos encontrar ainda aguarda a nossa autorização para entrar tudo aquilo que fingimos não sentir. Aqui não tem como furar a fila e, somente podemos nos encontrar com o que há de mais prazeroso após nos despedirmos do que fingimos não estar à nossa espera.
As dores, angústias e raivas postas de lado. As mágoas, violências e feridas nunca cicatrizadas postas de lado. Do lado que tem que aguardar. Do lado que fingimos não existir. Nesse movimento ingênuo de evitar tudo o que dói, acabamos também por nos despedir de tudo que é gostoso em existir. E nos despedimos da pior forma: sem nunca termos nos encontrado.
As despedidas por si só trazem consigo a complexidade da vida. É uma das camadas do viver que mais nos aproximam da realidade do que estamos sendo e, julgamos ser. Porém, é no encontro que apostamos todas as nossas fichas. É no encontro que depositamos todas as nossas expectativas, sem sequer notar, que aquilo que desejamos tanto encontrar é tão efêmero e passageiro quanto nós mesmos.
Os encontros acabam por si só sendo a nossa maior fonte de dores, angústias, raivas e mágoas. É a violência que cometemos contra nós mesmos, abrindo as feridas e nunca permitindo a cicatrização. Por tanta expectativa imposta, o que deveria ser a reunião do prazer fugaz com a nossa existência, se torna na realidade o anseio pela mais breve e rápida despedida.
“Que se vá logo a dor de não poder fazer permanecer tamanho prazer que somos capazes de sentir.”
De tanto depositar nos encontros as nossas expectativas, antecipamos até a despedida de tudo aquilo que desejamos tanto encontrar. Infelizmente é nessas idas e vindas que passamos a desacreditar que somos dignos de tudo que é bom.
Cabe então, em nossa efêmera passagem nessa vida, encontrar formas de ressignificar a nossa relação com o encontro. Assim, a cada despedida haverá a certeza de que o que se vai não estar partindo porque não somos dignos da permanência. Pois ao se despedir, nós também nos vamos dali. O encontro e a despedida existem porque nós existimos. Não é algo que nos acontece. É algo que experimentamos porque estamos vivos.
A própria noção de permanência é uma mera sensação de controle, os outros se vão e ficamos. O que sentimos se vai e ficamos. Contudo, a transitoriedade de tudo é a essência do nosso existir. Aqui estamos de passagem.
Talvez seja necessário não somente nos encontrarmos hoje, em meio a permanente impermanência de tudo na vida, mas também aprendermos a nos despedir de quem fomos ontem.
Quem sabe assim o amanhã possa nos trazer com leveza a gostosa lembrança de que somos passageiros e que em todo o canto deixamos e recebemos um tanto de efêmero prazer.
Flores queimadas
Das queimaduras antigas, hoje ressoa o calor dos dias passados. Foram inúmeras as chamas que atingiram aquele local. Tudo ardia, água fervente. O nascimento do sol e o aumento dos graus de dor. Foi neste cenário calorento que fui novamente queimado pela paixão.
Como se houvesse amanhã, te disse o quanto o medo e a insegurança me corroíam. Te falei de dores profundas, mas infelizmente, você escutou apenas o superficial. Te escutei das tuas dores e quis saber mais, mas você não me permitiu ao não se permitir. E assim, a paixão que nos queimava foi se apagando. Mas você sabe o quanto nosso sublime amor é real. Você sabe o quanto tudo em nós se encaixa de forma impossível perfeitamente. Mas talvez isso nunca tenha sido o suficiente. Como se não houvesse amanhã, desligamos nosso fogo, tentando poupar o gás. A água não mais fervia e o sol já havia nascido. Não tínhamos mais café e ainda faltava muito para a hora do almoço. Mais um aumento nos graus de dor.
Fomos atrás do que nos nutria, na feira compramos o que nos ajudaria a permanecer e compartilhar da vida. O almoço chegou e não há nada para comer. Ao não nos permitir, você foi antes de vermos o pôr do sol, como usualmente adorávamos fazer. Com o aumento da dor da tua ida, veio novamente o ardor da ferida. A coceira de feridas antigas, a queimadura dos dias passados. A intensa e real existência do nosso amor foi só o que restou. Contigo pedaços de mim se foram e comigo lembranças de ti ficaram. Se ao menos ao anoitecer eu pudesse abraçar um pedaço teu, talvez não seriam necessárias tantas cobertas para me aquecer no inverno que se tornou a minha vida. Todos os dias lembro do perfume que me deu para proteção dos meus sonhos e o passo sempre nos mesmos lugares do corpo. Em certa medida de ti tenho mais do que lembranças e memórias. Mesmo ao ir, tu me presenteou com anjos lindos com quem converso diariamente. Eles me aquecem e me iluminam, fazem parte do meu sol. De você.
As flores que estavam naquele local foram completamente queimadas. Devastadas pelo excesso de fogo foram consumidas, exalando apenas aquele odor de fumaça que si dissipa, se tornou a nossa paixão. Neste cenário de destruição das flores quase me esqueci das ruínas do casebre atrás de mim, mas então lembrei que quando o sol nascer chegarão os materiais nos quais construirei o meu castelo. O inverno trouxe a necessidade de abrigo, a necessidade de me esquentar na fogueira da minha essência. Assim tenho cada dia mais plantado sementes de girassol, na esperança de que a vida gire e eu me encontre novamente com sol que iluminará e irá me ajudar a florescer. A saudade do teu calor é imensa, do cheiro da nossa paixão é avassalador. Nesse meu movimento tenho diminuído o grau da dor e aceitado o frio de inverno que me obriga a me aquecer de dentro para fora.
Por muito tempo pensei ser o castelo o meu lar, mas a realidade é que o estou construindo para abrigar o sublime e real amor que existe em nós. Talvez ele ainda não esteja pronto para receber a graciosidade da tua visita ou honrar a alma do teu amor. E neste cenário eu me pego refletindo sobre onde estou e quem sou. Agora compreendo que as sementes de girassol são minhas virtudes, que o amor é minha raiz e que, sim, eu até deveria florescer novamente. Porém hoje, já sou mais que um jardim de inverno de flores queimadas. Vejo tudo girar e sou também sol. Percebo que flor queimada não tem nada a ver com destruição, tem a ver com combustão.
Minhas raízes são longas, repletas de amores de dias passados. Não sou somente flor para florescer, sou a combustão espontânea do amor. Sou sol que queima e deixa marcas. Sou o castelo e o jardim de inverno. Sou tudo o que posso ser, sou impossível e infinito. Sou tudo que escolho e renuncio. E, portanto, meu amor, dos mares e oceanos mais profundos, o céu certamente sou eu. Navegue, flutue, floresça, queime, ilumine, transcenda! Não somos tão diferentes você e eu.
A sua flor queimada não precisa ser o fim da vida, você não precisa ser o jardim da dor nem as ruínas do castelo de outro alguém. Os anjos que me deu são também seus e, querida, eles conseguem mais do que eu ver o quanto você tem a mesma natureza que eu. Somos feitos da mesma matéria, somos parte da mesma existência. Tua alma se parece com a minha e nosso cheiro de palo santo é uma dádiva divina.
Minha querida doce voz do cheiro de abraço receba esta carta de um jardineiro covarde e sem voz, que neste meio-tempo ausente, te tem muito amor.
Covardia
A ambiguidade de um ato covarde reside no limiar entre a dor e o prazer. É aquele aperto na coxa, o beijo no pescoço, a mordida nos lábios. Um oceano de tesão e alguém completamente entregue ao prazer de existir. Sem defesas, sem guardas, sem armas. Sem guerra. Sucumbir a estes atos de covardia é implicar no outro a mais genuína vontade de não fazer absolutamente nada contra os atos de prazer. É nesta impotência imposta que reside a mais sóbria ausência de valentia. Não há a necessidade de coragem, pois a situação já foi iniciada e é presente. É em meio a tanto prazer que observamos também o quanto dói o ato covarde de quem se indispõe consigo.
É aquela má vontade em dizer o que quer, em expressar o que sente, posicionar os próprios limites. É a falta de clareza na comunicação que torna tão doloroso se envolver com alguém. Tudo é óbvio desde que você saiba as respostas. Infelizmente são estas pequenas pedrinhas no rio que aos poucos se tornam uma barragem. É neste movimento de plena covardia em que nós nos escondemos de quem mais amamos: a nós mesmos. É neste ato de covardia que sucumbimos à dor do desencontro consigo e com o próximo.
Entre idas e vindas da vida é possível perceber o quanto o silêncio e a covardia estão intimamente conectados. É o silêncio de quem recebe o aperto na coxa, o beijo no pescoço e a mordida nos lábios que torna tudo tão mais atraente. O prazer se torna maior. As intenções físicas são claras. O desejo está claro. Não há a necessidade de nada ser dito. Porém, é também no silêncio que quem não sabe o que o outro sente, o machuca e se machuca. É no silêncio de quem não posicionou os próprio limites, que somos atropelados pela covardia alheia. É no silêncio de quem presume o óbvio e nada diz que a dor se torna maior. As intenções afetivas não estão claras. O desejo não está claro. Há a necessidade de algo ser dito, mas nada é dito. Feridas são feitas, machucados abertos. Atropelamentos em série e ao fim, a morte. A morte do sentimento de quem não se sentiu escutado. A morte do sentimento de quem nada disse. A morte do prazer físico, que de tantos machucados e feridas psicológicas, sucumbiu à tamanha dor da covardia imposta pelo silêncio de tudo que não foi dito.
Nada pode ser feito quando o estrago já se estabeleceu. Nada pode ser renovado. O prazer se foi. A dor permaneceu. Não há mais o que ser dito, embora haja tudo a se dizer. Não há mais aperto na coxa nem beijo no pescoço nem mordida no lábio que quebre o silêncio do que nunca foi dito. É neste instante em que o desencontro se torna permanente. É neste limiar da covardia que tudo que um dia foi prazer e afeto se torna a mais sensível e recente lembrança de dor.
A covardia e sua ambiguidade são fascinantes por causa do silêncio. É através do silêncio que a covardia se sustenta. A única esperança para conter o impacto da dor é o gesto, sincero, puro e significativo de se permitir contar para si tudo que dói. É através deste gesto de amor consigo que os encontros são novamente possíveis. É através da conexão com o que sentimos que podemos ampliar a nossa voz e nos conectar também com o outro.
Fica a torcida de que o outro possa compreender o nosso gesto e que ele possa ser entendido como a voz do amor. Fica também o desejo de que no universo de possibilidades, a covardia em nossas vidas possa ser cada vez mais um ato de prazer e menos de dor. Por mais que pareça impossível que isso aconteça quando o estrago já foi feito, é também notável que o impossível é apenas uma das possibilidades dentro de um universo de possibilidades.
Cabe nesse meio-tempo o aprendizado a permissão e a satisfação em reconhecer, quando nos for novamente apresentado, o cheiro de um abraço covarde, repleto de bem querer e amor.