Depois que comecei a enxergar a vida de um ponto de vista diferente, as coisas já tinham perdido todo aquele brilho que eu achava que tinha. Tudo ao meu redor mudou, e eu também. Propagandas me fazem pensar "quanto te pagaram pra você falar isso ?", melações de casaizinhos me fazem ter ânsia, eu comecei a conhecer pessoas, antes mesmo que elas viessem se apresentar, eu só observava suas atitudes, com quem andava, e mesmo conhecendo certas pessoas, a gente não se dá bem. Nunca fui de grupinhos, preferia ficar sozinha do que um bando de falsos que não gosto. Amizades de infância que duraram até agora ?Posso dizer que são "conhecidos", ou nem isso. Enfim, tudo que eu imaginava que era legal, nem era tanto assim. Amigos hoje, tenho poucos, poucos de verdade. De um tempo pra cá, minha companhia, tem sido o computador, aqui me isolo um pouco de gente estúpida e hipócrita da realidade, mas nem no mundo virtual eu me livro deles. E cada dia eu me surpreendo mais com essa gente, com o que fazem pra receber tão pouco, como postar uma foto polêmica, pegar frases do google e colocar créditos falsos, fazer correntes etc, é tanta coisa imbecil e sem nexo que nem cabe aqui. Incrível né ? Estupidez, hipocrisia, imbecilidade e tais outros parecem vírus, que contamina a todos com uma facilidade, parece que metade da humanidade é afetada, só não afeta um pouquinho de gente que resta no mundo, esse pouquinho, é o que enxerga a vida de outro jeito. Eu vejo o lado ruim das coisas, sou muito negativa, mas sempre vejo uma possibilidade pra me fazer acreditar. Antes eu fazia as coisas sem pensar, por impulso (ainda faço, só que poucas vezes), hoje já paro pra enxergar as consequências e os pouquíssimos acertos. Eu sempre me isolava das crianças quando tinha festa, porque sabia o quão chata era a companhia delas. Até hoje me isolo, se não for alguém que conheço (conheço muito bem). Em festas de parentes, eu ficava conversando com meus primos, eles são.. vamos dizer diferentes, do padrão de pessoas que converso. Eu até gostava, pois conhecia eles. E conversava com os parentes também (os adultos) mesmo eu achando a conversa idiota, eu conversava. Eu sempre me achei deslocada do padrão de meninas, nunca gostei de roupa curta, mal faço minhas unhas, odeio rosa, não uso maquiagem, nem brinco, não sei andar de salto. Eu nunca tinha ido ao shopping sozinha com minhas amigas, só fui uma única vez, no aniversário da minha melhor amiga. Quando ia ao shopping com meus pais, eu andava (e ainda ando) de mãos dadas com eles. E não tenho a menor vergonha. Pode passar garotas, garotos, amigos, conhecidos, até o papa, não é por causa de uns quaisquer que vou largar meus tesouros. Quanto a relação com meus pais, eu acho ótima, sempre sabemos a hora de parar de falar, e continuar, vemos tv, rimos, almoçamos, jantamos, saímos juntos. Coisa que me perdoem dizer, muita gente não pode. Nunca perdi aquela boa convivência com eles, claro que tem os puxões de orelha, mas fazem parte. Sempre gostei de conversar sobre vários assuntos com meu pai nas festas sem graça, certa vez em uma festa, ele me disse: "seja alternativo". Ele me explicou o significado, e eu gostei. E de lá pra cá, eu sei que não vivi nem metade do que tenho que viver, mas eu enxergo tudo diferente de antes. O que muitos veem de bom em algo ou alguém, eu vejo algo ruim, e nem gosto. Eu acabo me deslocando de propósito do padrão de meninas, nunca gostei de ser normal e nem tive vontade de ser. Como meu pai disse: "seja alternativo".