Ao descobrir a gravidez, duas semanas após o término do relacionamento, eu já sabia que seria mãe solo, mas só descobri um pouco depois que não seria apenas solo, seria pãe.
Após muitas vezes tentar pedir ajuda e presença nos exames, consultas ou pelo menos nas horas de emergência para me acompanhar no hospital o que no começo parecia simples, pois o papai sempre concordava que estaria presente.
Porém, não foi bem assim, a postura seria apenas da boca para fora.
Ver a pessoa que também gerou o pequeno ser capaz de nos deixar a própria sorte e depois de muita briga e encheção de saco ir uma única vez no hospital e nas outras apenas ignorar as ligações e mensagens e fingir no outro dia que nada aconteceu, ou nem dar bola aos pedidos de ajuda, eu desisti.
Entre muitas desavenças e desacordos por buscar responsabilidade e apoio onde pensei que encontraria, decidi desistir então de tentar pedir.
Infelizmente não conseguimos fazer as pessoas enxergarem o que vemos, cada um enxerga o que quer.
Peguei o resto de vergonha que me tinha na cara e deixei pra lá. Daquele momento em diante era apenas eu e o Gael.
Tudo o que o papai tinha prometido fazer, não cobrei mais, deixei que ele se esquecesse e seguisse sua vida. Arregacei as mangas e fiz eu mesma, as vezes com a ajuda da minha família ou de amigos, as vezes sozinha.
Mesmo conversando sobre valores, não quis deixar que chegasse a hora que também não cumprisse com isso, então fui direto regularizar a pensão.
Foi pior para o convívio? Foi sim.
Fui acusada de muitas coisas por isso, mas foi o melhor para o meu filho e sinceramente para mim é isso que importa.
Pode ser que eu tenha uma visão muito distorcida de paternidade, mas para mim, ela começa na gestação assim como a maternidade.
E acredito eu que para ser pai não basta apenas uma pensão, assim como também não precisa de um namoro, casamento, etc ... para atuação desse papel.
Pãe porque assumi os dois papéis, papai quando vem não acrescenta em nada, passa uma hora olhando as coisinhas do Gael que eu preparei para sua chegada e não tem a coragem de perguntar nem o que está faltando do enxoval.