Caminhos Traçados, capítulo 57
— Quanto ás testemunhas do casamento...
— O mínimo é um casal, não é?
— Não sei, nunca casei. — Arthur disse simplesmente e Lua riu.
— São, Thur. O mínimo são duas pessoas. — Disse anotando em um caderno pequeno. Estavam sentados no sofá tirando dúvidas sobre a “cerimônia”.
— Eu quero a Sophia. — Disseram uníssonos. — Acho que vai dar uma briga de leve. — Gargalhou.
— Eles não vão aceitar ser um casal de testemunhas. — Arthur riu.
— Eles vão dizer que não querem, mas nós sabemos a verdade.
— Se amam, é fato. — Lua assentiu. — Amanhã eu falo com o Mika e você com a Soph. — Assentiu mais uma vez. — Os documentos eu preparo...
— Eu não sei quando vão começar as visitas da conselheira tutelar, mas acho que nada acontece até a próxima reunião.
— Posso continuar na minha casa normalmente né?
— Garota! Cê nunca foi a um casamento civil? Se o casamento no religioso for logo depois, eles já estão vestidos formalmente. Caso não, eles capricham da mesma forma, é o melhor dia da vida deles!
— Digamos que o nosso não é um casamento de livre espontânea vontade.
— Lua... — Pegou o caderno da mão dela e colocou sobre a mesinha. — Eu não quero que você se sinta obrigada a fazer isso. Eu me caso com outra pessoa, e quanto acabar tudo isso, você volta a trabalhar aqui, com seu salário, tudo certo.
— Não, eu não to fazendo isso por medo de perder meu emprego.
— Eu espero! Porque eu gosto de você, não te deixaria na mão. Eu só preciso da sua ajuda nesse momento, mas precisar não significa que você tem que fazer.
— Hey! Eu não estou me sentindo obrigada. — Ele segurou firme em sua mão.
— Eu gosto de você, gosto de quando você ri de algo que eu disse, de quando você diz algo sorrindo e eu rio também. Não sou expert em sentimentos, mas sei que não é apenas uma afinidade. Aquela noite, quando nós...
— Meu Deus! — Soltou da mão de Arthur e levantou. — Já são dez horas! Eu preciso ir embora, a pizza e a nossa conversa me fizeram perder a noção do tempo. — Chegou até a janela. — TA CAINDO O MUNDO ALI FORA!
— Ué, você não sabia? Não ouviu o barulho dos trovões?
— Eu não ouvi nada, ta chovendo desde quando? — Arthur riu.
— Ta tendo tempestade desde quando eu cheguei. Nós subimos pela escada, por medo de acabar a energia enquanto estávamos no elevador.
— Eu preciso ir pra casa, se tiver ônibus...
— Se você quiser, eu te levo de carro. — Levantou-se a acompanhado enquanto ela pegava a bolsa.
— Do jeito que está essa chuva? Nem pensar. O que deve de ter de rua alagada, trânsito... E o Brian, deixá-lo aqui sozinho é arriscado.
— A senhorita aceita dormir aqui? — Disse se aproximando com um sorriso nada inocente no rosto.
— Arthur... — Acabou sorrindo do seu sorriso pervertido.
— Para de fugir de mim. Para de fugir do assunto... — Segurou com as duas mãos sem suas bochechas.
— Eu não to fugindo. — Olhou em seus olhos, sem noção do que estava falando mais.
— Não precisa ter medo de mim. — Disse em tom baixo e ela assentiu vendo seus rostos de aproximarem.