Sabe, essa madrugada ouvi sobre uma tal "beleza oculta" e me identifiquei com a situação usada para defini-la. Existem certas situações na vida de uma pessoa em que o tempo, o amor, a morte e a vida perdem o sentido. Tudo se mistura em um caos psíquico e emocional enquanto nos afogamos em um oceano de sentimentos e questionamentos.
O tempo é uma ilusão. É um conceito criado por nós para dar sentido a continuidade das coisas. Definimos o passado como aquilo que já não nos pertence, que já não está em nossa vida; o que passou e é imutável. O presente é onde as coisas acontecem, é ação; é onde temos poder para transformar, é quando vivemos. Já o futuro é um mistério, são as ideias, os sonhos, os desejos; são as expectativas de presente antes da ação. Mas o que é então o tempo quando se esquece o passado, não se enxerga um futuro e encontra-se estagnado, sem ação, no presente?
O amor está presente em tudo. Vivemos por amor. De uma maneira de outra, o amor está presente em cada gesto e momento da vida. Está no universo de um estranho; no calor da paixão; no frescor da manhã. O amor é a essência da vida e o princípio de sua beleza. Se o amor é tão inerente a vida, o que acontece quando seu corpo existe, funciona, mas enclausura ou nega-se a preencher-se de amor?
A morte, comum a todas as coisas, será passagem ou final de tudo que existe? Muitas vezes pautamos nossa vida pelo quão próximos acreditamos estar desse momento. Vivemos a vida com medo da morte e a tememos pela maneira como vivemos. Tememos não vir a dizer as palavras que engolimos; não nos deixar viver o que sentimos e sentirmos o que vivemos. O que sente-se em relação a morte quando se deixa de teme-la e passa-se a abraça-la? Quando o medo tranforma-se em curiosidade, em escape e a desconhecida fronteira da morte é uma opção tangível?
A vida... Em dados momentos, questionamos a razão de se viver. Por quê? Qual o sentido para enfrentarmos todas as batalhas que a vida nos apresenta? Não há uma resposta universal. Para cada ser vivo, há uma razão própria, um sentimento único que o move. A vida não possui um único sentido, mas tantos quanto forem as motivações que movem nossa existência. Nós somos o sentido de nossa vida. Nós fazemos o sentido.
Quando absorvemos as reflexões que o momento nos leva a ter, percebemos que nosso universo é mais profundo e incrível do que imaginamos. As vezes, é preciso conhecer a escuridão e ir além. Nesse momento, passamos a sentir uma beleza oculta em todas as coisas, em todos os momentos. Conectamo-nos com o universo de uma maneira intrínseca e afloramos em nós um novo sentido. Nem sempre conseguimos nos permitir sentir isso, mas quando o fazemos, tiramos o véu e passamos a viver a beleza oculta nos momentos da existência que chamamos de vida.