Girls become lovers who turn into mothers | Flashforward
“Ele é o herdeiro, ele vai trazer a glória ao nosso sobrenome de volta, enquanto você vai perder algo que nunca deveria ter lhe pertencido”
Durante boa parte da vida de Selina, a mesma sempre acreditou que fora um erro. Seus pais sempre haviam deixado claro que não era ela a quem eles esperavam. Aquele desejo de se tornarem reconhecidos, a vontade de voltar a dizer que pertenciam a um pequeno círculo de pessoas privilegiadas. O sonho de elevarem somente a pureza para o mundo bruxo. Selina crescera ouvindo aquilo, e mesmo que sempre fingindo que não era de agrado a ela nada daquele discurso acabara se tornando alguém que ansiava por algumas realizações de seus pais. Aquilo a assustava, pois era inerente a ela que seus desejos eram representações daqueles que nunca cuidaram dela.
O poder era algo que ela sempre procurou. Formas de se testar, em sua mente era para conseguir provar que era mais forte e que não precisava de seus pais. Uma demonstração que era melhor do que seu irmão. O que ela havia feito para tentar conseguir poder, algumas vezes ela ainda possuía pesadelos. Agora era melhor, pois ela tinha uma mão para segurar toda vez que sentia-se perdida ou desamparada. Uma mão que nunca havia buscado, e que por muito tempo nunca teve. Afinal Selina sempre acreditou ser sozinha.
Outra coisa que só fora aprender depois, ela não era solitária. Sempre teve pessoas ao redor da mesma ajudando-a como se por algum motivo não quisessem que ela desistisse, mas porquê sempre sentia-se como se tivesse que fazer tudo por sua conta? Era aquela vontade, o orgulho de provar alguma coisa para seus pais que a fazia agir daquela forma. Havia sido seu orgulho também que fizera com que ficasse noiva de Regulus Black, em uma tentativa idiota de mostrar-se que era capaz. Só que ainda assim cometendo erros, ele nunca havia desistido dela.
Não deveria estar pensando aquilo. Tinha em suas mãos a maior preciosidade de sua vida. Nunca entenderia como algum dia teria uma filha, ou até mesmo uma família. Na sua mente ela estava longe de salvação. Não se lembrava de quando percebeu que o amava. Um sentimento discreto, mas que sempre estava no canto de sua mente. Muitas vezes o enxergou como o amigo que ela pensava que não tivesse. Só depois fora reparar que ele não era seu amigo como os outros.
As loucuras que ele havia feito por ela. Selina ainda não acreditava que ele havia aceitado-a. Que havia escolhido-a para ter uma vida inteira ao seu lado, e que agora tinham uma filha. Selina encarava a pequena bebê que carregava. Era tão frágil como se qualquer vento pudesse quebrá-la. Lembrou-se de quando a mesma nasceu. Selina não havia pedido para segurá-la. Deixara aquela tarefa a seu marido. Sim, Selina Bellanova havia se casado. O medo de que se tocasse naquela bebê a mesma poderia acabar perdendo aquele brilho e pureza.
Ela não sabia nem mesmo como se portar perto de um bebê, muito menos como ser a mãe de um. Em mundo algum ela pensou que um dia poderia ser mãe. Aquele bebê nos braços de Bash era o maior presente que algum dia alguém poderia dar para ela. Não era a melhor época, e muitas vezes Selina não achava que fossem sobreviver mais um dia, mas ali estavam eles provando que tudo era possível.
Não achava-se digna o suficiente de segurar a própria filha. Bash era um pai muito melhor do que ela poderia ser como mãe. Ele deveria ter se casado com alguém melhor. “I’ll never deserve you.” Suas palavras ainda eram sinceras como na noite em que ela havia contado isso para ele antes de se casarem. A chance que ela havia dado para ele recuar e ser feliz. Bash sempre fora um inconsequente, e algumas vezes até idiota para a antiga sonserina, mas não havia mais escapatória.
Demorou muito tempo para conseguir colocar Astoria em seus braços, e aquela era a primeira vez. Precisava de Bash ao seu lado, pois ela não sabia como lidar e se algo acontecesse ele precisava estar lá, e como sempre ele estava. Até mesmo quando ela não sabia. Selina tinha essa mania de acordar algumas vezes durante a noite para segurar a mão do mesmo, ou apenas para chegar se ele ainda estava ali. Ouvi-lo respirando, e sabendo que ele estava bem. Que eles iam ficar bem.
A mulher lembrava-se de sorrir quando Bash colocou Astoria em seus braços, e logo em seguida ela havia olhado para o marido sorrindo de volta. Selina agora era capaz de sorrir para as duas pessoas que ela mais amava no mundo. Ela estava segurando suas lágrimas, mas assim que a pequena abrira um sorriso a mesma não conseguiu. Ela não merecia a família que tinha, ela não merecia nada daquilo. Lembrava de Bash colocando os braços ao redor dela e de Astoria, e beijando o topo de sua cabeça.
Afinal seu pai tinha razão, o sobrenome Bellanova era algo que nunca havia pertencido a ela, pois ela preferia muito mais como era conhecida agora Selina Grengrass.















