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@bellanova-selina
after all we still friends | Selina&Sloane
Não havia sido fácil simplesmente voltar para toda aquela realidade que era o Reino Unido. O clima úmido constante fazendo com que tudo ao seu redor estivesse com a aparência de molhado. O cheiro de terra molhada que a acompanhava, e até mesmo o gosto já conhecido de sal na boca. O sal sem dúvidas vinha do tempero de peixe que era um prato quase rotineiro dela. Selina não gostava de provar coisas novas, e usualmente sempre comia a mesma coisa no Caldeirão Furado. A ponto do cozinheiro até mesmo tentar fazer algo diferente, e acabar com uma Selina de humor muito mais ácido que o normal. A mulher aos poucos estava tentando mudar. Como tentar ser mais próxima de seu irmão, e por conta daquilo estava escrevendo uma carta para o mesmo. Nathaniel estava em Hogwarts, e por isso, demoraria um pouco para eles se encontrarem. Escrever cartas havia sido uma maneira dos dois se entenderam, e começarem a se conhecer melhor. Pelo menos uma vez ao mês deveriam fazer aquilo quando estava na Finlândia, era muito mais fácil contar das coisas que estava fazendo, e até mesmo fingir um pouco de empolgação. Agora estando ali se tornava algo completamente diferente.
Ela já havia recebido sua carta do mês, mas ainda não havia feito sua parte em responde-la. Suspirou, e guardou o pergaminho e sua bolsa. Deixaria aquilo para a noite, pois não conseguiria pensar nada. Se atrasaria para seu emprego, e Selina não tinha nada para reclamar dele. Servia para pagar suas contas, e em seu escritório não possuía muitos rostos conhecidos. Poderia até considerar agradável. A mesma estava pronta para voltar para seu quarto na parte de cima do estabelecimento ao receber um bilhete de Sloane. Então, Selina se lembrou que ela havia mandado uma carta para a amiga. Era estranho considerar alguém como sua amiga. Selina sempre tinha bastante dificuldade em aceitar outras pessoas em sua vida, mas receber cartas de Sloane, e a facilidade para responde-la quando se estava longe tornou-se uma surpresa agradável para a Bellanova.
A razão para ter enviado a carta foi por ter se reencontrado com Bran, e realmente não ter feito ideia do que fazer. Sloane na hora disse que elas precisavam se encontrar, e Selina havia esquecido completamente. A antiga sonserina então leu o local que se encontrariam, e acabou aparatando. Olhou para si mesma ajeitando seus trajes, e soltando seu cabelo que havia ficado preso o dia inteiro. Sentou-se no balcão, e esperou pela avalanche que seria a presença de Sloane. Elas eram muito diferentes, e Selina sempre precisava fazer um esforço para não acabar magoando a garota com seu jeito. Ainda mais agora que estava tentando mudar, então respirou fundo, e tomou uma bebida antes enquanto a garota não estava ali somente para poder ficar um pouco mais solta. Ao ver a amiga toda empolgada chegando, Selina percebeu que somente um copo não seria o suficiente. Aquela ainda seria uma longa noite.
'cause I wonder where you are, and I wonder what you do | Brelina
Para alguém que sempre esteve tão dedicada em ir embora na primeira oportunidade que aparecesse nem mesmo a mulher poderia imaginar que voltaria tão cedo para aquelas ruas já conhecidas. Por mais que não estivesse nas antigas ruas de casa, lugar que ela desejava nunca mais voltar. Ela não era obrigada, e nem precisava. Até mesmo a ideia de mudar seu sobrenome havia cogitado a sua mente, mas para Selina era como uma cicatriz. Toda vez que ela ouvia alguém falando seu sobrenome poderia lembrar automaticamente de seus pais, mas também era uma marca de que ela havia sobrevivido e não precisava mais deles. Quando seu dinheiro acabou a garota havia tentando sobreviver na Finlândia e procurar um emprego por lá, mas após algumas cartas de ofertas de empregos melhores no país já conhecido Selina optou por voltar. Não havia sido uma escolha fácil, mas ali havia Nate. Ele já era adulto, e não precisava dela, mas agora ela queria estar lá por ele, e por Mina. Independentemente do que precisassem. Ela não ficaria oferecendo ou seria uma pessoa diferente, mas ela estava diferente.
A mulher por mais que tivesse passado apenas um ano havia mudado muito. Ela havia se formado, e ido embora. Havia se virado em um país estrangeiro e conhecido uma nova língua, e aprendido como era realmente ficar sozinha. Não era nada do que ela sequer havia imaginado, mas fez com que Bellanova ficasse mais independente. Entendesse mais coisas, mas ainda assim ela continuava ali. Não dando oportunidade para as pessoas conhecê-la, e se virando como podia. Ela ainda estava procurando um novo lugar para morar, e por isso acabava no Caldeirão Furado. No contexto que seu irmão, e cunhada haviam lhe descrito em cartas o mundo bruxo não era o local mais seguro naquele momento. Selina não deveria ficar andando para cima e para baixo. Pelo menos, não até a poeira baixar. Por isso que havia já alugado um quarto por alguns meses. Não tinha pressa em arranjar um lugar para se estabelecer. Afinal, ela mesma nunca pertenceu a algum lugar. Ainda haveria tempo.
Uma das coisas boas em estar vivendo no Caldeirão Furado sem dúvidas era o bar na parte debaixo. Assim, ela nem precisava ter que andar muito pelo Beco Diagonal. A questão era que assim como era algo bom, também poderia ser algo muito ruim. Uma vez que era o local onde os bruxos entravam e saiam quase que o tempo inteiro e Selina sempre que via um rosto conhecido fazia de tudo para esconder-se na mesa do bar. Evitando qualquer tipo de conversa desnecessária que ela realmente não saberia lidar. Quando via que se aproximavam para o bar a garota pegava sua bebida, e até mesmo poderia a subir para seu quarto. Já estava quase se acostumando com aquele tipo de costume quando um rosto a fez ficar indecisa. Eventualmente, ela deveria imaginar que Brandon passaria por ali. O local era extremamente perto de onde ele trabalhava, e os dois já estiveram ali em outros momentos. Ainda assim, ele parecia procurando alguém e certamente não era ela. A garota já deveria ter imaginado isso.
Sabia que no momento em que havia feito sua decisão havia aberto mão do ex-namorado. O problema era que ele ainda poderia causar algo dentro da garota que nenhuma pessoa se quer foi capaz de tentar. Seria muito egoísmo da parte dela pedir para que a situação que estavam voltasse. Ele certamente teria encontrado alguém. Selina tinha certeza que Bran merecia alguém melhor do que ela. O que fazer, então? Era a dúvida da mulher. Ficar ali, e conversar com o Greengrass fingir que estava bem com toda aquela situação tendo que lidar provavelmente com alguma namorada, se não, até mesmo noiva ou esposa. Ou simplesmente fugir. Se fosse um ano atrás, a resposta seria bem óbvia. Ela sempre foi do tipo que fugia das coisas, mas ela havia ficado um pouco mais responsável e começou a enfrentar as coisas.
Ela tentou, mas não era forte o suficiente para enfrenta-lo naquele dia. Pegou seu drink, e estava já começando a pensar em um caminho que poderia fazer para não ser notada por ele. Só esperava que fosse tarde demais.
greenbrangrass :
Tudo bem, contra isso não posso argumentar. Eu não estou nem aí para o que a sua família é ou deixa de ser, eu já falei que gosto de você, nada mais importa, muito menos o que o meu avô pensa sobre isso. Coloquei os pés para fora daquela casa assim que cheguei de Hogwarts e peguei o resto da minhas coisas, e não pretendo voltar por nada. Com a condição de deserdado, não acho que eu seja algo muito aproveitável para sua família.
Eu… Eu não sei o que te dizer. Não vou pedir para que você não vá, caso seja o que está pensando, não sou egoísta a esse ponto. É só que… Estou muito surpreso, mas não posso dizer que não entendo também. Desde que você esteja feliz fazendo isso, é uma boa decisão. Você deve estar certa, mas… Apesar de todas as coisas ruins, eu não poderia deixar a Grã-Bretanha, não teria essa capacidade. Ainda mais agora que consegui aquele estágio no Gringotts e tudo o mais. Mas espero que você tenha uma boa viagem.
Esse é o problema, Brandon. Você acha que gosta de mim, mas você nem me conhece. Você gosta da ideia que todo mundo tem de Selina Bellanova. O que vai acontecer depois de você conhecer é finalmente entender que não passava de algo na sua cabeça para se manter entretido. Brigar com seu avô e criar uma confusão não vale a pena. Como se minha família ligasse com quem eu vou me casar. Eles só se importam com Nathaniel, e vai ser sempre assim.
Eu te agradeço, e acho que eu queria dizer mais isso. Existem garotas mais legais que apreciam o fato de você ser um perseguidor incubado. Garotas com pais com saco de ouro que você vai conhecer em seu novo trabalho. Logo logo, Selina Bellanova, vai ser só um borrão na sua mente. Que vai fazer você levar a mão na cabeça e se perguntar o que estava pensando. Ficar não é uma boa ideia, e você realmente deveria levar isso em consideração. Não quero acabar tendo que descobrir o que aconteceu com você através das paginas finais do Profeta Diário. Obrigada, espero que as coisas deem certo para você também. Sabe, entre a maioria de pessoas no castelo até que não era tão ruim ter sua companhia, mas não vai me ouvir dizer isso duas vezes.
Estou curiosa, Bellanova. Me responde uma coisa, essa sua cara de azeda é algum feitiço pra ficar bonita e não deu certo ou é natural assim mesmo?
Tão natural quanto a sua falta de inteligência genética. Nascer assim deve ser bem complicado. Agora por que não vai procurar um catalogo de vestidos de noiva ou amolar outra pessoa?
greenbrangrass :
É claro que estou percebendo, mas… Como você consegue sempre virar minhas próprias palavras contra mim? Por Merlin. O meu avô… Ele não tem uma palavra nesse assunto, sabe que pouco me importa o que ele pensa ou diz, não devia ouvi-lo. Ele está praticamente senil, de qualquer forma.
Espera, você… O quê? Isso é uma brincadeira, não é? Eu sei, você não brinca, mas… Como assim embora, Selina?
Não estou virando. Como você consegue fazer um drama sobre tudo. Caso não esteja com boa memória as palavras que ele disse em nenhuma maneira foram mentiras. Eles refletiram a pura verdade da condição da minha família de aproveitadora.
Olha, vou ser super sincera, não é por sua causa ou de sua família. Isso é algo que eu tenho que fazer por mim. Eu sempre quis ir embora. Hogwarts nunca foi minha casa, e aqui é sufocante demais. Com o que vem acontecido isso é a decisão mais sensata que já tomei. Todo mundo deveria ir embora antes que coisas piores aconteçam. Estou indo para Finlândia. Planejo isso a muito tempo, e acho que era isso.
Eu sei que você não quer falar sobre isso, mas uma hora teremos que conversar sobre aquele beijo, e você me evitar durante todo esse tempo não vai diminuir a minha determinação, você sabe disso melhor que ninguém.
Não estou evitando o assunto ou você. Simplesmente existem outras coisas acontecendo ao nosso redor caso não esteja percebendo. Sem contar, que após o discurso de seu avô na formatura ficou bem claro a posição da sua família. Se quiser discutir sobre algo podemos falar sobre o fato deu estar indo embora daqui a dois dias.
Não ia dar certo de qualquer jeito, e acho melhor assim.
(flashback) I saw her standing there | Bran&Selina
greenbrangrass :
Brandon nunca fora tão curioso. Gostava de saber mais sobre as pessoas e buscar entender suas motivações para serem de determinada maneira e agirem da forma como agiam, mas nunca ultrapassava nenhum limite pessoal nessa busca. Ou melhor, quase nunca, pois sua única exceção era portadora de um par de belos e penetrantes olhos castanhos que pareciam ser quase capazes de perfurá-lo se permitisse que ela o olhasse por tempo o suficiente. E ele permitia. Na verdade, praticamente implorava por isso, como uma sede imensa que, ao mesmo tempo em que era saciada por apenas o mais breve olhar da garota, era praticamente impossível de ser saciada mesmo que ele próprio passasse três horas a observando incessantemente. Selina Bellanova era, não apenas sua única exceção para uma enorme lista de coisas que Bran nem sequer conseguia começar a contar, como também a maior contradição que ele já conhecera em sua vida. Quem a visse ao longe, sentada com os joelhos dobrados de forma firme e os olhos fechados tentando capturar os fracos raios de sol, talvez nunca imaginasse que ela fumasse mais maços de cigarro que a maioria dos homens de idade muito superior ou as palavras frias que ela era capaz de dizer para afastar alguém. Ele mesmo tinha se enganado ao vê-la pela primeira vez, tantos anos antes no Expresso de Hogwarts, mas não demorara a descobrir que ela não era o tipo de menina para se brincar. Mesmo assim, sempre tivera aquelas perguntas em sua mente, rodeando-o como uma nuvem de moscas. Ele sabia que havia algo de diferente com ela, algo que a tornava mais que uma garota criada para a frieza como muitas das meninas de sua casa. Sabia que ela possuía hábitos isolados e evitava contato social como se fugisse dele, e sabia que ela tinha certo vício em cigarros, mas aquelas eram as únicas coisas reais e palpáveis que poderia afirmar com toda a certeza sobre Selina. Isso, e o desprezo que ela sentia pelo Greengrass, que era palpável apenas em seu olhar. O resto das coisas ele podia apenas supor, como ao inferir que sua frieza era na verdade uma forma de defesa eficaz para evitar ser machucada. Havia algo de tão triste sobre ela que o fazia desejar poder remover aquilo de alguma forma, mas ele nem sequer sabia se aquilo era realmente tristeza ou uma incrível falta de sentimentos. A verdade era que Selina Bellanova era um completo mistério para ele. O problema é que mistério sempre foi o gênero favorito de Brandon Greengrass.
Ele sabia que as palavras da morena não foram ditas com intenção de serem engraçadas, mas riu mesmo assim. Não por realmente achar alguma graça da frase, e sim por achar graça daquela situação em que se encontrava, mais uma vez virando as costas para todos os seus instintos que gritavam “Vá! Corra! Saia daí!” e permanecendo ao lado dela após um convite que fora claramente feito com sarcasmo e sem nenhuma pretensão de ser aceito. Mas especialmente, ele ria de sua própria estupidez em permanecer ali quanto era tão claramente não bem vindo. Talvez ele tivesse mesmo tendências autodestrutivas. – Acho que eu prefiro morrer mais lentamente e conseguindo controlar minha própria respiração. – disse com um ligeiro sorriso nos lábios, deixando o cigarro de lado. – Mas você sabe, cada um tem suas escolhas e tudo o mais, então não posso julgar as suas. – soltou, sabendo que estava brincando com fogo e que a qualquer momento soltaria alguma coisa que a faria expulsá-lo dali ou simplesmente sair andando para longe dele mais uma vez. – Na verdade não, ainda não peguei meu diploma de Psicologia em Oxford, então não cabe a mim analisar ninguém. – brincou, cada vez se sentindo mais perto de quebrar aquela frágil linha que unia aquela estranha conversa. Não pôde deixar de imaginar quem pegara o lugar de “perguntador irritante” na vida dela, visto que acreditava ser o único louco o suficiente para se permitir brincar com fogo daquela forma. Não sabia se devia sentir-se aliviado ou incomodado por não ser o único. A pergunta que veio a seguir o pegou de surpresa. Aquela era a primeira vez que ela o perguntava alguma coisa que não incluía nenhum questionamento sobre sua saúde mental, e ele não a estava esperando. Pensou por alguns segundos se devia respondê-la ou se era apenas uma pergunta sarcástica, mas chegou a conclusão de que era a melhor oportunidade que ele jamais tivera de manter uma conversa com a garota, então optou por responder com sinceridade. – Eu fiquei curioso. – disse simplesmente a princípio, e depois acrescentou. – Você sempre corre a sala como se estivesse fugindo de algo, achei que se a seguisse conseguiria entender esse hábito. – ele não fazia ideia do porquê de estar falando a verdade daquela forma, mas nunca fora um grande fã de mentiras. E também não havia porque mentir para Selina, pois sabia que ela acabaria por deduzir a verdade hora ou outra.
Companhia foi algo que a garota sempre negou a todo mundo. Ela tinha sérios problemas em estar acompanhada de alguém. Ela não era do tipo que sabia contar uma piada ou rir de uma. Simplesmente ficava quieta deixando a pessoa falar, e se necessário ou quando estava realmente interessada perguntava algo. Sua vida em Hogwarts resumia-se a todos os seus esforços possível para sair dali o mais rápido possível. Poderia parecer engraçado, mas a garota nunca entendeu como as pessoas diziam ser tão dependentes do castelo. Na cabeça da Slytherin aquele local era somente mais um em que os bruxos haviam feito um culto na cabeça da sociedade para colocarem todos os seus filhos em um único local, pois seria uma experiência boa colocar crianças e adolescentes em um mesmo ambiente por sete anos. Uma boa forma de se livrar delas, e de ter que lidar com elas. Ela sempre enxergou daquela maneira, uma forma de livramento. Durante todo o ano, os pais poderiam excluir a existência de seus filhos. Simplesmente para viverem suas vidas, e fazerem o que quiserem sem pestinhas atrapalhando. E as crianças achavam maravilhosa a falsa liberdade. Ter que respeitar normas, e estudar como condenadas. Era um grande circo de horror que todos aplaudiam. A Bellanova simplesmente revirava os olhos. Não via a hora de tudo aquilo acabar, e ela ir embora. O mais longe possível, sem nem mesmo olhar para trás.
Para ela aquela era uma boa sensação. Ela não estava obedecendo regra nenhuma, pelo contrário, estava definitivamente quebrando algumas. Sua única sensação boa, e agora havia alguém ali. Atrapalhando seu pequeno momento de alivio. Ela poderia chutar as pessoas que poderiam estar ali. Existiam algumas pessoas que ainda acreditavam na Bellanova, e nem mesmo Selina conseguia entender porque faziam isso. A mesma já dissera várias vezes para deixarem-na em paz. Lá estavam eles, a perturbando. Como se fosse um animal em um zoológico cutucando para ver até onde ela iria. A sorte do Greengrass naquele dia era que ela estava em um estranho bom humor. Talvez fosse por ter logo matado seu vício, ou fosse o calor do sol em suas bochechas. Selina Bellanova poderia se acostumar com a sensação de ficar deitada aproveitando o sol. Dos lugares que ela poderia fugir definitivamente ela queria considerar algum com bastante sol. Ela sempre se incomodava pela clima do local. A umidade do local irritava a garota e por mais que ela amasse o vazio e a imagem que a chuva fazia. Quando chegava, ela amava a sensação quente.
Ergueu uma sobrancelha confusa para o garoto quando o mesmo começou a falar, e manteve a postura conforme ele se aproximava. A formava como ele tentava ser engraçada, era no mínimo patética para a garota. Ela conseguia ver o esforço do mesmo, mas ainda assim era insignificante demais para ela. A mesma suspirou, fechando seus olhos e tentando ignorar tudo ao seu redor. “Oxfor..o quê? Sinceramente, Greengrass. Tudo que você foi em um mínimo estranho e em outro desnecessário. Não faço ideia do que você está falando. Por que você não tenta ficar quieto e simplesmente aproveitar o sol. Será que consegue?” Falou mais isso para ganhar tempo e entender o que ele havia dito em seguida. Ele a observava, então? Selina não imaginava ser objeto de visto de ninguém. Sempre tentava ser como um fantasma no castelo. Quieta, e na dela. Somente respondia quando a palavra era dirigida a ela ou quando estava muito irritada.
Com os olhos ainda fechados, e aproveitando o sol. Ela quis entender o Greengrass. Com sua fala ela esperava que o mesmo se levantasse, e simplesmente fosse embora. Ela não o julgaria por isso. Ela entenderia completamente a situação. Até mesmo concordaria se fosse o contrário. O que o fazia ficar por tanto tempo, então? Eram coisas assim que a garota tinha dificuldade de entender. Soltou um suspiro sabendo que deveria responder alguma coisa, além de suspirar e fumar. “Meus hábitos? Por que está tão interessado neles? Sinceramente, eu só queria aproveitar o sol e fumar. Não há segredo nenhum nisso. Você é mais patético que a garota. O que eu fiz para Merlin para merecer isso?” Revirou os olhos, enquanto apoiava-se em seus cotovelos.
Selina passou uma mão em seu cabelo deixando o sol bater em seu rosto. Como ela desejava que sua vida fosse somente isso. Deitar o dia inteiro e apreciar o sol, mas as coisas eram mais complicadas que aquilo. Ela era mais complicado que aquilo. Toda sua situação era uma fuga. Ela estava fugindo, e ainda assim era cega demais para perceber isso.
Spencer + facepalming
Unsaid things | Letter to Carter Fortescue
Você deve estar acordando quando ler isso e bem, só estou escrevendo por que pela primeira vez decidi ser completamente sincera e para isso não posso estar na sua frente. Primeiro de tudo, você é realmente idiota e estúpida garota. Por quê? Eu tinha deixado bem especifico para você ir embora e voltar para o castelo, mas não você teve que ir para o Hogsmead. Existe ainda uma coisa que eu ainda não entendo. Você ter ido é por conta da sua teimosa e chatice, mas o que eu não entendo é porque fui atrás de você quando tudo começou a dar errado.
Eu não tenho amigos. Isso deve ser bastante claro. Não sei como tratar as pessoas e geralmente as afasto como faço com você, mas você diferente do resto é insistente. Você não me deixa quieta e por mais que eu grite e faça tudo para você se afastar você não o faz. O que me leva a outra pergunta quando eu fui atrás para te ajudar, por que você acabou me ajudando. Não entendo o porquê de você ter se atirado para me ajudar ao invés de ter me deixado receber a azaração. Eu merecia. Ainda mais por todas as coisas que eu fiz e disse para você.
De todo jeito falei que seria sincera e bom como você deve ter percebido não estou bem. Alguma coisa aconteceu durante o ataque e eu percebi que o que eu quero não é poder ou ganhar alguma coisa. Tudo que eu quero, tudo que eu sempre quis é ser feliz. Claro, não sei como vou fazer isso. Porém achei que deveria começar com você.
Eu cometi um erro. Se bem que acho que foram mais do que um, mas de todo jeito sei que não dá para começar tudo do zero ou de novo. Não somos amigas. Não a tratarei diferente quando te ver, mas posso prometer tentar. Como uma prova disso vou responder algumas perguntas que você me fez durante esses anos. Não lembro de todas, pois sua curiosidade é irritante e infinita.
Como é ter nascido em meio a tantos pureblood? Sendo honesta, não sei responder isso. Posso ter nascido nesse meio, mas minha família foi rebaixada de nível quando um parente se casou com uma trouxa. Meus pais não aceitaram isso e passaram anos tentando subir ao antigo posto, mas parecia que eu nunca fui a resposta deles. Eles acham que meu irmão é, então eu nunca fui levada para jantares ou festas. Então não sei responder direito.
Por que vocês não gostam de nascidos trouxas? Boa parte das pessoas da minha casa acreditam que misturar o sangue ou deixar que os trouxas fiquem na sociedade bruxa vá acabar mudando. Eles não gostam da mudança, então preferem que não exista essa mistura. Não sou tão atenta isso, pois acredito somente que o poder deixa as pessoas mais fortes e não o sangue delas. Porém por algumas pesquisas que eu li os nascidos trouxas quando se casam com purebloods fazem mestiços com habilidades mais apuradas, então não acho que eles estejam bem certos sobre suas crenças.
Não lembro das outras perguntas, mas posso tentar começar a respondê-las ao pouco. Sem pressão, e por favor, não ache por um momento que eu mudei. Por mais que eu queria mudar. Eu….sinto muito. Não queria que você estivesse aí, e acho que nunca me abri tanto para alguém. Se você mostrar essa carta para alguém tenha certeza que estará morta pelas minhas mãos. Essa é outra razão para que eu queria que você acorde. Se é para alguém te matar que seja eu.
Não responda essa carta, e não vá atrás de mim. Apenas leia e entenda isso como um obrigada por ter salvado a minha vida.
Selina Bellanova.
s-stebbins :
Ele disse que eu sou mandona. E eu não podia deixar barato! E dessa vez ele não puxou meu cabelo, mas você sabe que ele faz isso sempre, aquele idiota. Não! Você ficou maluca? Claro que não, eu não reparei nele. Que nojo mesmo. Eu só disse que o cabelo pode estar diferente, só isso. Acho que ele está mais alto também. Nada demais, só… Reparei, mas sem reparar.
Provas? Espera, do que está falando? As provas não são só daqui a três semanas?
Mandona? Algumas vezes eu paro e penso em como vocês sobreviveram ao segundo ano. Assim espero seu gosto estava começando a me assustar. Eu imaginaria que nada bom viria, mas o Cameron é como andar três casas para trás em qualquer jogo de tabuleiro.
Você tá brincando, né? O que tem na sua cabeça? Estou a duas semanas te falando sobre as provas!
s-stebbins :
Tá bom, tá bom, você é Selina Bellanova e não precisa de ninguém, já sei de tudo isso. Vocês jovens são muito rebeldes. Possivelmente, mas estávamos brigando, então acho que não foi o caso. Yep, ele é patético, mas está melhorando… Notou algo diferente nele? Sei lá. Parece que cortou um pouco o cabelo.
Já e madame Pomfrey me proibiu de dançar por um mês. Ou seja, as chances de conseguir uma bolsa naquela escola que eu te falei diminuíram totalmente.
Por que raios vocês estavam brigando dessa vez? Ele puxou seu cabelo para chamar a sua atenção ou algo assim? Vocês dois são tão crianças! Não reparei nada, não me diga que você está reparando nele. Que nojo.
Não queria ser anti pática, mas quem sabe assim você não poem pé no chão e estuda para as provas que estão vindo? Você pode tentar a bolsa no ano que vem.
s-stebbins :
Porque querendo ou não, nós somos amigas, agora para de fazer essa cara de azeda pra mim.
Então, como eu estava dizendo, o Cameron me empurrou sem querer – ou pelo menos ele diz que foi sem querer – e foi assim que eu machuquei o tornozelo.
Não tenho amigos, Sloane. Ainda assim, o que ele estava pensando? Provavelmente o “sem querer” foi para você cair e ele ver debaixo da sua saia. Cameron é patético.
Você foi na enfermaria ou algo assim?
Que cara é essa? Por que está agindo e contando essas coisas como se fossemos amigas?
Under my skin | Selina&Mina
wilhellmina :
As coisas estavam realmente mudadas, o Bellanova que Mina sempre tinha ao seu lado naquele momento estava muito longe dela, não querendo vê-la de jeito nenhum. E a Bellanova que não gostava dela e nunca havia feito esforço algum para esconder o fato agora esta ali, parada à sua frente, dizendo que gostaria de conversar com Mina, de uma maneira tão dócil e que a jovem Yaxley nunca havia imaginado acontecer – ou imaginado que poderia existir em Selina. Não combinava com a jovem estar ali sem ter quatro pedras na mão para atacar, a Wilhelmina daquele momento estava achando patético Selina vir até ela de guarda baixa. O jogo havia virado e agora era Mina Yaxley quem tinha as pedras para acertar o teto de vidro de Selina.
Toda aquela situação havia despertado um lado de Mina que nem ela imaginava existir, um lado que havia permanecido adormecido por muito tempo e que agora implorava para sair como um dragão recém-desperto de um sono. Draco dormiens nunquam titillandus. Aquela era a parte de Wilhelmina mais semelhante à Elladora, a parte que a jovem sempre havia abominado e se iludido, afirmando para todos e para si própria que não existia. Não havia castigo pior para a jovem que acabar igual à sua mãe. E agora Mina era uma versão mais nova e mais raivosa de Elladora. E era esse lado dela que a deixava feliz por ver Selina tão desconfortável ali. Era reconfortante vê-la da maneira que sempre havia ficado na presença dela. Finalmente ser o outro lado da moeda trazia um fiozinho de alegria para ela depois de inúmeros dias ruins. Mina não sabia o que havia acontecido com ela durante o feriado dos fundadores, ou até mesmo se havia acontecido algo, mas ela não poderia se importar menos. Caso estivesse de bem com Nate seria ela quem insistiria para ele ir procurar a irmã e ver estava tudo bem com ela, mas aquele papel de babá na péssima relação dos dois irmãos já não cabia mais a ela.
Ergueu uma de suas sobrancelhas em surpresa ao ouvi-la dizer que não precisava se desculpar, já que ela merecia aquele tipo de tratamento. Aquela realmente não soava como Selina e por um momento Mina desejou chacoalhar a morena para trazer à tona aquela Selina Bellanova insuportável que a loira tanto conhecia. A única coisa pela qual Mina procurava era um confronto para extravasar toda a raiva que sentia, achava que poderia encontrar a oportunidade perfeita ali, mas Selina não parecia estar colaborando.
Seu sangue ferveu quando ela disse que sabia o que aconteceu entre ela e Nate. “Não, você não sabe!” Mina afirmou exasperada, sem se preocupar em controlar seu tom de voz. Não se importava em estar prestes a fazer uma ceninha no meio do corredor. “Isso não tem nada a ver com esse maldito noivado. Se ele acha que é por isso então ele é um babaca.” Falou para Selina. A raiva de Nate era grande e ficava ainda maior a cada momento em que ela se lembrava de tudo o que havia acontecido, das coisas no banquete e depois da briga que tiveram. “Não existe relacionamento nenhum, Selina. Tudo acabou quando ele falou tudo o que me falou. E quando eu acertei aquele tapa nele.”
As coisas que Selina continuava dizendo acertavam Mina como soco seguido de soco em um ringue de boxe. Era surreal que ela estivesse ali dizendo aquelas coisas na intenção de fazer com que Nate e Mina se acertassem e voltassem a se falar. “É, eu conheço a sua família e todos os problemas dos Bellanova.” Começou, já não havia mais nada que pudesse segurá-la de dizer tudo o que estava engasgado. “E eu estou cansada dos problemas de vocês. Cansada dessa sua pose, dessa sua tentativa ridícula de afastar qualquer pessoa, de ficar tentando mascarar seus daddy issues. Seus pais não fizeram o que fizeram com você à toa, eles cansaram de você. Todo mundo cansa de você, Selina. E não é por que é você, é por que é difícil aguentar uma carga tão negativa frequentemente. E é isso que você causa nas pessoas.” Era tão bom poder sentir como se estivesse no topo daquela cadeia alimentar, poder machucar alguém da maneira que fora machucada. “Eu estou cansada dos problemas do Nathaniel também. Cansei de me desdobrar em mil pra fazer ele se sentir bem. Vocês são tão iguais, vocês são ridiculamente iguais. Duas crianças mimadas disputando pra ver quem faz birra por mais tempo até conseguir a atenção dos pais.” Aquela Mina interior que havia dormido por tanto tempo estava novamente descontrolada, falando tudo o que estava preso. “Mas quer saber? Foda-se vocês todos. Cansei de dar a minha vida pra tentar resolver os seus malditos problemas. Cansei de ser a ponte pra tentar deixar tudo bem. Eu já desisti dele e de vocês todos.”
Uma das coisas que nunca esperou fazer era falar em nome de outra pessoa. Selina nunca acreditou que algum dia estaria representando alguém. Seus amigos sabiam que não deveriam esperar tais atitudes vindas dela, assim como, ninguém nunca esperaria algo dela. Pelo menos, era isso que seus pais a fizeram acreditar durante todo esse tempo. Ela não devia fazer mais do que seus deveres, e o grande astro de tudo era seu irmão. Selina, era apenas um peão. Ainda assim, ela conseguia se destacar e muito mais coisas. Aprendeu todas as maneiras de etiqueta, que o irmão se quer se esforçava para tentar acompanhar. Era tão fácil se sentir injustiçada. Uma vez que tudo havia sido tirado dela, e não importava para seus pais isso. Nada era mais importante que Nathaniel. Ela jurou para si mesma, que nunca faria nada pelo irmão. Ele tinha tudo, mas lá estava ela. Fazendo coisas que jurou jamais fazer. Ele realmente estava tentando mudar, e aquela era coisa certa a se fazer.
Mas ela jamais esperava aquela reação da outra sonserina. Parece que a mais velha havia tocado em alguma ferida aberta ou simplesmente ter jogado sal o suficiente para que a Yaxley falasse tudo que pensou a vida inteira. Ainda assim, em meio a todo aquele discurso, Selina não pode fazer nada além de olhar para seus próprios sapatos. Não era como se a garota estivesse mentindo. Selina já sabia de tudo aquilo, ela era a que mais sabia de tudo. Que seus pais iriam abandoná-la e que as pessoas se cansavam dela. Não era como se ela fizesse um grande esforço para as pessoas ficarem, então ela estava conformada em vê-las partindo. Uma por uma. Ninguém ficava tempo o suficiente, e a pessoa que mais havia ficado, e tentando, havia sido seu irmão. E até mesmo ele havia desistido antes do Festival. Selina não conseguia pensar em mais ninguém que aguentaria o fardo que ela era. Nem mesmo ela se aguentava. As pessoas tentavam se aproximar, e naquele momento ela só conseguia se lembrar de Carter Fortescue. A menina havia feito de tudo para que Selina abaixasse sua muralha. O que a sonserina havia feito em resposta? Chamou-a de sangue ruim. Não havia nada que Selina tocasse que ela não tinha estragado, e por isso ela sabia que Mina estava mais do que certa. Selina não tinha nem como argumentar algo diferente.
Vendo a garota a sua frente parecia que os papéis haviam sido invertidos. Selina Bellanova era uma péssima pessoa. Os Bellanova eram uma péssima família, e não importava o que tentassem fazer e as coisas boas que tentavam construir. Sempre acabava voltando para eles. Talvez eles estivessem destinados a serem esquecidos e nunca mais voltar ao fervor da sociedade bruxa. Eles estavam amaldiçoados. Cada Bellanova, possuía sua própria maldição. Mas todos tinham o poder de destruir as coisas ao seu redor. Destruir as pessoas em seu meio. Começavam se destruindo, e depois espalhavam para qualquer pessoa em contato.
“We suck, okay? Não somos os melhores com palavras ou expressar sentimentos. Eu não acredito que algum dia alguém possa me amar, mas uma coisa que eu sei é que Nate te ama. Mesmo que ele não saiba disso. Eu conheço vocês dois o suficiente. Vocês são insuportáveis juntos, e por mais que você fale que não tem volta e toda essa porcaria...eu sei que lá no fundo você ama ele. Por que eu já disse um monte de coisas piores para ele, e já fiz coisas muito pior do que você fez. Ainda assim...eu amo ele. Mesmo que eu nunca tenha feito uma coisa se quer por ele, por isso, que estou aqui. Para dizer para você não desistir dele. Eu já desisti, e me arrependo. Não faça isso o que vocês tem é muito melhor do que um dia eu já tive com ele. Você merece ele.” A garota já estava ficando sem palavras para se expressar, mas ao menos estava sendo sincera tirando aquilo do peito. Era verdade. Selina jamais acreditaria que alguém pudesse amá-la o suficiente para ficar. Para ignorar todo o jeito dela, e ainda assim seguir com ela. Só que nos últimos dias ela havia descoberto que também amava seu irmão, e que não era justo tudo que ela havia feito com ele.
As palavras em respeito a ela não faziam nem efeito a Selina. Ela já imaginava mesmo tudo aquilo, mas ficara surpresa, pois Mina fora a primeira a ter coragem de realmente falar todos aqueles sentimentos para ela. Talvez, se ela tivesse escutado aquilo antes. Se tivesse tido alguma amiga, aceitado ter alguma amiga. Ela fosse diferente agora, e nada daquilo teria acontecido. “Não poderia me importar menos para o que você, e todo mundo pensa de mim. Eu sei que tudo isso é verdade, e não estou pedindo para você acreditar em mim. Para fazer algo por mim. Se você não gosta de mim, e não quer ver a minha cara jamais. Eu não me importo, e faria de bom grado. Só não desconte todos os problemas da minha família, e meus, além dos da sua família no meu irmão. Assim como você ele é uma vítima desse noivado, e ainda mais, acho que vocês criaram muito furacão em copo d’água. Eu ainda não vejo o problema de vocês dois. A situação de vocês parecia ótima, e eu sei que algo de você ama meu irmão. Apesar de tudo que você falou. Não sou ninguém para apontar coisas. Se eu sequer tivesse alguém que não desiste de mim da mesma forma que você não desistiu do meu irmão, e da forma como eu sei que meu irmão não vai desistir de você. Eu tentaria de novo. Nós somos uma merda, mas se alguém pode mudar ele é você. Apenas se esqueça de famílias e deveres. Olhe dentro de você, e se ainda amar meu irmão. Mesmo que seja só um pouco tente falar com ele. Tentem se resolver, pois se deixarem as coisas assim. Vão se arrepender. Pois um dia vão acabar como eu arrependida de tudo que fez tentando concertar as coisas quando já é tarde demais. Não comenta o mesmo erro que eu. Você é mais esperta.” Ela estava tentando. Ao menos, ela estava tentando fazer alguma coisa. Agora já não estava mais em suas mãos.