(Not So) Chilling Adventures: Bella Soo
TUDO PODE E VAI SER ALTERADO NO FUTURO. INFERNO.
Naquele verão, só tinha uma pergunta que ela se prestou a responder: Bella, uma passagem de avião com destino misterioso ou três meses fugindo de um homem de trinta e tantos anos inconformado?
Como ela termina em Londres, com uma mala com a metade do seu tamanho cheia de vestidos curtos e bonitos e casaquinhos (porque ela é uma piranha consciente) e pronta pra explorar o resto da Europa de metrô e barco, nem ela sabe, mas com certeza é melhor que aturar seu ex namorado lhe mandando cartas todos os dias e incomodando até seus pais na América, como se o motivo do término tivesse sido muito aleatório.
Ela só precisa olhar em volta daquele barzinho na rua de seu Airbnb, e perceber que jamais poderia passear ali, um lugar onde ela gostou e se sentia bem, com Dae-Jung e todas as suas voltas de homem imaturo e que não dava a mínima pras coisas que ela queria e gostava de verdade: é sobre como ela consegue falar com todo tipo de pessoa e arranjar amizades muito rápido, como ela gosta de experiências novas e quer aprender tudo sobre as pessoas diferentes que ela vê e se interessa naquele espaço, porque ela é uma pessoa carismática e adorável e quer mais do que ficar trancada em um quarto, dando o dia todo pra um chato.
Mas se o rapaz à sua frente, quiser comer ela o dia todo em um quarto, ela vai ser obrigada a tomar a difícil decisão de aceitar.
Bella decide isso assim que o vê se aproximar dela e percebe que ele é tão alto, que bloqueia a luz do pub e faz seus saltos de 10 centímetros parecerem piada. Ela decide quando escuta ele falar em uma voz deliciosa e com um sotaque que a faz cantar God I love the English internamente. Ela decide quando ele olha pra ela, de verdade, e quer saber o nome dela também e de onde ela vem.
— JS não parece um nome de verdade, mas eu acho que Bella sem ser abreviação pra Isabella, também não e é isso que deixa tudo interessante. — Comenta, finalmente estendendo sua mão como a mulher educada que ela é, e como a mulher que não tinha pensado imediatamente naquela mão quente e enorme apertando seu pescoço. — Mas eu não quero saber quem você é de verdade, e nem de onde você vem, e muito menos o que faz pra viver. Eu só gosto de três coisas no mundo, que é sair, conversar e foder e acho que você não vai precisar de muito mais pra fazer o último comigo.
Tudo o que ele precisa, é perguntar se ela tem mesmo certeza absoluta que quer fazer aquilo com ele; quando eles estão a caminho do Airbnb dela, quando ele a prensa na porta, quando ele a leva pro quarto e antes de beijar todo o seu corpo menor debaixo do dele. Ela decide também que quer dizer sim todas as vezes, principalmente quando ele abre suas pernas e afunda o rosto entre elas até vê-la chorando e tremendo sem misericórdia.
Depois que ela escala aquele homem enorme a noite toda e rebola em cima dele até ele ficar bêbado pela buceta dela, ela também decide que é com ele que vai sair, conversar e foder naquele verão.
Porque ele é muito bonito pra rejeitar, e deixa ela entretida mesmo quando eles estão só jogando conversa fora e andando por aí com os dedos entrelaçados.
Quando ela diz que um dos motivos pra ter escolhido Londres, foi pelos vários sebos de rua e livrarias antigas e ele a acompanha por toda parte sem nem questionar, ela quase pensa em escrever sobre aquilo para suas amigas, mas fica mesmo sem tempo quando está perto dele.
Bella gosta de ouvir sobre esses irmãos caçulas que ele tem, sobre como seu trabalho é assim e tal sem ele precisar se aprofundar na profissão, assim como gosta de ouvir sobre as coisas que ele gosta e não gosta, na mesma proporção que ele presta atenção nela e como ela fica mais animada quando acha livros de pedagogos e psicólogos menos conhecidos mas muito importantes também.
Bella gosta como tudo flui, como ela pode tecer qualquer comentário e ele vai ter uma opinião também, e é assim que eles vão gastar mais horas em uma cafeteria compartilhando experiências e comendo doces bonitos, antes de se pegar na casa dele.
— Eu quero te beijar a noite toda, igualzinho uma adolescente. — Porque é, ele é um grande gostoso e tem uma rola incrível, mas ela também acha que ele beija muito bem e que o aperto de seus braços em sua cintura é confortável e ela não quer se mexer. Só segurar o rosto dele e o atacar com beijos, guardar na memória a maciez de seus lábios e o cheiro dele quando ela marca seu pescoço com os dentes. — Porra, será que dá pra ficar aqui pra sempre?
Quando uma carta de Mahoutokoro e outra de Maejig chegam, lhe desejando boa volta às aulas e todo o briefing que ela precisa pro próximo ano, ela sabe que não dá pra estender mais aquelas semanas, mas se conforma com aquele fim do mesmo jeito.
As pessoas têm vidas, e isso inclui os dois: empregos diferentes mesmo sem ser citados, casas totalmente opostas no globo, famílias culturalmente diferentes também e só uma história de três meses de verão pra tentar justificar tudo.
Essa era a parte que ela amava e odiava sobre ser uma peregrina por aí, como conseguia se desapegar e desencantar fácil de algo, porque sentia que ela mesma queria mais e que aquilo podia ser substituído no futuro. Mesmo que ela não quisesse substituir todos aqueles momentos com outra pessoa, por hora, um dia ela o faria, e ele também e estava tudo bem.
Mesmo que agora ela não saiba como vai sobreviver sem esses momentos abraçada com o rapaz do pub em sua cama em um dia mais frio que o normal, com ele rindo de suas piadas ridículas e a beijando a cada poucos segundos, um dia ela vai superar e continuar vivendo sua própria vida, do mesmo jeito que ele também.
— Você deve ser a primeira pessoa que eu conheço que teve uma ex maluca de verdade, indo contra todo padrão de homens… Até mesmo o meu ex. — Bella murmura com os olhos bem abertos, meio chocada depois de ouvir toda aquela história e depois de ter contado pra ele como foi difícil se separar de um homem velho e chorão, na última tarde deles juntos. — Mas é por isso que eles são exes. E é por isso que nós dois estamos aqui.
Ela leva a surra de pica mais violenta que já teve em anos e o agradece mamando com fome tanto quanto ele quer meter na boca dela, ainda o deixa dormir grudado nela e que não liga pra todos as marcas de dentes e chupão espalhados por sua pele visível, porque sabe que tudo termina no dia seguinte.
Quando ela passa um minuto inteiro, vestida e arrumada dos pés a cabeça, pensando em que tipo de bilhete se escreve pra alguém que te atravessou e adorou por meses, tentando explicar que agora você tem que partir. Observando ele dormindo e despreocupado com qualquer coisa, ela quase pensa em escorregar para debaixo dos braços dele de novo, e é isso que a faz sair pela porta decidida que o silêncio era melhor.
Um silêncio que ela não mantém quando revê professores, colegas, alunos e melhores amigas, se enfiando entre Camille e Hina, respondendo todas as perguntas sem elas nem precisarem ser feitas.
— Foi divertido e… Bom, como todo romance de verão. — Tão divertido, tão bom, que ela acha que vai lembrar até o próximo verão. — Mas agora vai virar história pros meus sobrinhos, quando vocês ou minhas irmãs mais velhas tiverem filhos.
Ah, ela pensa sim em criar uma versão livre para todas as idades pras crianças, mas não tem a menor intenção de esconder que pode ter se apaixonado nesse meio tempo pelo cara bonito e super alto do pub.