Narin parece alguém calmo, porém sociáciavel. Apesar de ser um tanto tímido para determinadas situações, não deixa isso transparecer com facilidade. É determinado e audacioso, teimoso e um tanto mimado. É bastante reclamão e rabugento, mas fazer piada de tudo consegue lhe garantir algum carisma. É leal, apesar de cabeça dura.
HEADCANONS
Narin nasceu em Bangkok, em uma família que já foi parte da elite tailandesa. No seu nascimento, sendo filho único, a família já enfretava algumas dificuldades que nunca antes haviam tido. E ainda assim, mantinham o padrão de luxo que sempre conheceram. Assim, In estudou nas melhores escolas, tendo motorista pra levar e buscar, amigo dos herdeiros mais ricos da Tailândia.
Porém, as dívidas demoraram, mas não tardaram. E logo a família se sentiu sem saída. Precisariam abandonar aquela vida antes que fosse tarde demais. Aos dezesseis anos, tudo mudou. Mudaram-se de Bangkok para o interior, uma vida mais simples do que a que conheciam, ainda assim muito acima da média nacional.
Narin não conseguia se adaptar àquela situação. Estava entediado, sentia falta dos amigos, e a vida simples na praia não era algo que estava em seus planos. Se tornou um jovem sonhador, queria estudar fora, em alguma grande cidade, ainda que Bangkok não fosse uma opção. Então, a família o enviou para Seul após sua aprovação em uma universidade pública coreana. Ainda tinha a boa educação que haviam lhe dado toda a vida. Fluente em inglês e beirando o coreano, mudou-se em um programa de intercâmbio.
Os anos se passaram e com eles certo amadurecimento do rapaz, que precisou se virar sozinho pela primeira vez. Ainda que vivendo uma vida bem confortável, de maneiras que não queria saber como, já que sie pai sempre dava um jeito de ter dinheiro. E ele não era nem doido de perguntar como. Que fosse, estava vivendo em e era isso que importava.
In já viajou muito pelo mundo e é apaixonado por arquitetura e história. Ama histórias de terror e casos reais, jogos também prefere de terror ou de estratégias. Jogava muito rpg na adolescência. Livros de suspense e fantasia. Música um pouco de tudo, aliás, sabe tocar guitarra e queria ter uma banda quando mais novo.
Ocupação: Estudante de programação/game design na Yonsei Uni e técnico de manutenção no Su Noraebang
Unidade: Hongdae
Andar e Loft: 8º andar, loft 8003
Bluesky: harubit
PERSONALIDADE
Ele é muito introvertido e costuma ter vergonha de falar com estranhos. Geralmente fica bem quietinho em ambientes lotados, só consegue se soltar quando mais conhecidos estão na roda conversando também. Isso o torna alguém que escuta os outros. Mas quando consegue se soltar, ele é alguém fácil de se lidar e leal aos amigos que tem. Ele é um garoto bonzinho como um todo, só não sabe como interagir quando está fora da sua zona de conforto.
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O mais novo da família com duas irmãs mais velhas, Haruma era mais isolado dentro do ambiente familiar. Como era de se esperar, ele era um caçula bem mimado pelas irmãs, tratado que nem bebezinho muitas vezes e isso o deixou meio caladão num geral. Ele era muito do tipo socado dentro do quarto e, nessa, conquistou a sua paixão gigantesca por videogames. Jogava pra caramba durante a infância e a adolescência e isso se estendeu até a vida adulta. A vidinha dele foi bem tranquila mesmo assim, nada muito diferente de um jovem da idade dele.
Ao concluir o ensino médio, entrou na faculdade no curso de programação com a intenção de fazer game design. Ele já tinha programado alguns joguinhos menores anteriormente, mas ainda se considerava muito novato no ramo, então foi logo atrás de uma formação. Sempre teve as melhores notas no curso e logo foi selecionado para uma bolsa de intercâmbio na Coreia do Sul, em uma das melhores universidades do país. E somando ao fato que o país é um dos melhores no ramo de game design que existe, não tinha nada melhor para ele.
Está morando na Coreia faz alguns meses, recém-mudado para um loft com outros japoneses em Seoul. Além de se formar, ele está buscando um trabalho fixo em algum estúdio na Coreia mesmo para aprender mais na prática e está fazendo alguns projetos, na tentativa de lançar algo que faça sucesso no mercado. 100% da sua dedicação vai para um futuro com videogames e deseja se profissionalizar nesse meio o quanto antes.
Além de um cara tranquilo, ele é bastante simpático. Do tipo que sempre cumprimenta os vizinhos, decora os nomes de cada um, pergunta sempre sobre o dia e a família. Isso também vale pros clientes da Soonsiki e outros pais da escolinha do filho. Ele tem seus momentos de altos e baixos (os baixos costumam ser bem baixos) e pode ocasionar em momentos de reclusão, mas num geral ele costuma ser uma pessoa bem gente boa e extrovertida.
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Ele nasceu em Sydney, na Austrália, e é filho único de pais coreanos. Quando era muito criancinha, os pais se divorciaram e um padrasto de origem ocidental assumiu o papel de figura paterna na vida do garoto, já que o pai biológico sumiu em algum lugar. Graças ao padrasto, ele teve sim um pai presente e alguém para se espelhar nesse sentido e um lar amoroso. Ele é muito agradecido ao homem até os dias de hoje por ter tido um papel muito fundamental na sua criação. Aos 18 anos, Nathan decidiu que queria ser músico e tentou voltar à Coreia do Sul para tal. Morou com os avós por um tempo e via os pais nas férias. Cursou faculdade de artes plásticas, já que sempre teve muito dom artístico em geral. Foi nessa época também onde começou a se tatuar.
Com vinte e oito anos, quando estava entrando na sua época mais rato de academia, ele conheceu uma garota numa balada em Hongdae. Eles tinham idades parecidas, o papo deu certo e rolou algo a mais. Daí eles se desencontraram e vida que segue. Só foi ouvir dela depois de quase um ano quando alguém bateu na porta do seu apartamento no meio da noite. Era uma senhora de idade alegando ser a mãe da garota com um bebê recém-nascido nos braços, entregando-o para ele e falando que se não quisesse cuidar da criança iria a entregar para adoção. No desespero e no susto, Nathan ficou com o bebê para si, mesmo sem preparo algum. De uma hora pra outra, tinha virado pai. Voltou às pressas para a Austrália passar os primeiros seis meses com os pais, o ajudando com os cuidados básicos e ensinando o que fazer. Na hora de registrar, deu-lhe o nome de “Theo” em homenagem ao padrasto.
Voltou à Coreia quando o filho fez um ano e meio para concluir a faculdade (tinha trancado para se dedicar ao filho) e foi quando se mudou para a Bitna em Myeongdong, próximo de uma escolinha. Conseguiu um emprego como personal e usa mais as suas habilidades artísticas como hobbie. Meio que desde que Theo apareceu na sua vida, tudo passou a girar em torno dele e nada mais. Ele quer tentar se dedicar mais às artes depois de um tempo, mas agora só quer tornar a vida do filho a melhor possível. Quer vê-lo continuar a crescer e se tornar o garotinho brilhante que ele sabe que é.
Riku é o tipo de garoto que parece frio demais para a idade que tem — mas talvez isso venha de tudo o que foi forçado a engolir desde cedo. Herdeiro de uma fortuna familiar, foi arrancado do Japão aos 14 anos e enviado para Seul para “amadurecer” e “preparar-se” para assumir os negócios do pai. Desde então, vive numa espécie de exílio emocional autoimposto.
Apesar do desprezo declarado por tudo que envolva negócios e família, Riku mantém a mesada milionária intacta — só para investir em doações anônimas para ONGs de resgate animal, creches públicas e abrigos infantis. Não é raro vê-lo nos arredores de Itaewon dando comida para gatos de rua ou empurrando o carrinho de uma criança aleatória enquanto a mãe descansa ao lado. Mas que ninguém se engane: ele não é gentil com pessoas. Só com animais e crianças.
Festeiro assumido, divide o loft com seu melhor amigo, com quem tem uma conexão intensa e meio caótica: festas no rooftop, ressacas em dupla, decisões impulsivas como adotar um cachorro de 40kg porque ele “parecia triste”. Eles fazem tudo juntos — menos falar sobre sentimentos. Porque Riku simplesmente não fala sobre sentimentos. Não liga para drama, não quer saber de namoro e não suporta quando alguém tenta "entender ele".
Apesar da fachada durona, age de forma mimada, teimosa e até infantil quando contrariado. Coleciona tênis caríssimos e ainda dorme abraçado com um urso de pelúcia (presente da babá japonesa que cuidava dele).
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Riku nasceu em Tóquio, numa casa silenciosa demais para uma criança cheia de energia. O pai, um cirurgião prestigiado e CEO de uma cadeia de hospitais, tratava o filho como um projeto corporativo desde que ele ainda usava fraldas. Riku passou a infância entre babás e treinadores particulares, ouvindo mais sobre "excelência", "disciplina" e "expectativa" do que sobre afeto. Sua mãe — figura apagada que preferia viajar a lidar com o marido — nunca foi uma presença real.
Aos 14 anos, após uma briga por ter acolhido um cão de rua no jardim da mansão da família, foi "exilado" para Seul. Oficialmente, era para estudar. Extraoficialmente, era para "refletir sobre suas atitudes" e "amadurecer longe das distrações". Ele nunca mais voltou para casa. Nunca perdoou o pai. E nunca mais confiou em nenhum adulto.
Riku mora no 7º andar da Bitna Housing Itaewon, com seu melhor amigo e parceiro de caos. Os dois vivem numa rotina de afters silenciosos, desafios aleatórios e decisões impulsivas. A vibe do loft é meio gamer, meio balada. Ele tem luzes de LED, um sofá inflável que nunca dura mais de um mês e um puff em forma de urso panda onde vive dormindo com o cachorro que adotaram (chamado Tanuki, por motivos óbvios).
Na universidade, está oficialmente matriculado em Medicina Veterinária, mas mal aparece nas aulas. Passa mais tempo nos abrigos da cidade ou visitando creches comunitárias do que na faculdade. Não tem paciência para contato humano, a não ser quando envolve crianças pequenas que não julgam ou animais que não mentem.
Apesar de parecer emocionalmente indiferente, ele guarda fotos antigas no celular: da babá que cuidou dele, de um filhote de gato que não sobreviveu, e de um bolo de aniversário com apenas uma vela que ele assoprou sozinho aos 10 anos.
Riku não tem ambições grandiosas. Não sonha em ser famoso, nem milionário (ele já é). Mas sonha em quebrar o ciclo que o criou. Sonha em construir um abrigo próprio, um lugar que acolha tanto animais quanto crianças — e que ensine empatia antes da performance.
Quer viver longe do nome Tanaka, sem precisar do sobrenome nem da fortuna, mesmo que, por enquanto, ainda a use para fazer o bem em silêncio. Por isso tomou a decisão de alterar seu sobrenome em segredo quando completou 18 anos, tornando-se Riku Kageyama.
No fundo, sua maior ambição é que o pai um dia peça ajuda — e que Riku tenha a força de dizer “não”. Não por vingança, mas para provar que ele sobreviveu sem precisar de nada daquilo. Que ser gentil, mesmo calado, pode ser mais forte do que qualquer diploma de prestígio.
Seo Yejun é o retrato vivo do que é crescer cercado de tudo, menos de propósito. Carismático, bonito e com um ar blasé que mistura desinteresse com um charme quase irritante, ele sabe que é um rostinho bonito e se aproveita disso sem um pingo de culpa. Flerta sem esforço e nunca parece levar nada a sério. Nada mesmo.
Apesar disso, não chega a ser cruel: é do tipo que trata bem os garçons, ajuda os amigos em qualquer circunstância — desde encontrar um endereço até uma ajuda financeira, afinal tinha mais dinheiro do que conseguia gastar — e tem traços de empatia que surgem quando ninguém está vendo. Seu problema é o vazio e o tédio que acompanha quem teve tudo entregue de bandeja.
Tem momentos de introspecção, mas mascara com piadas, álcool, drogas e festas irresponsáveis. No entanto, tenta mudar isso, mas a verdade é que nem ele sabe ao certo o que quer. Só sabe que não quer ser como o pai.
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Yejun é filho único de um magnata do setor de construção civil e uma ex-modelo internacional que hoje vive entre clínicas estéticas e resorts de luxo. Foi criado num triplex em Apgujeong, teve babá bilíngue, fez intercâmbio no ensino médio em Genebra, estudou piano e competiu em torneios de tênis quando estava na europa, e desde pequeno ouviu que herdaria o império da família. Mesmo não querendo e deixando claro isso para os pais.
Mas ao invés disso, implorou para morar “sozinho” em Itaewon, convencendo os pais de que viver próximo da Yonsei, onde estudava para seguir o caminho do pai, o ajudaria a ser mais “responsável”. A Bitna Housing parecia segura o bastante para o teatro da liberdade que montava sempre que seus pais davam as caras por Seoul e funcionava, até então. Yejun gastava sem nem ver e seus pais não se importavam com isso, nem mesmo questionavam com o que ele gastava tanto — ou se gastava tanto. A única preocupação era se o filho estava vivo, porque não queriam deixar os negócios nas mãos de qualquer outra pessoa da família.
Seus pais juram que ele está focado nos estudos, quando na realidade Yejun sempre dá o seu jeitinho de fugir das aulas e procurar outras coisas para gastar o tempo. Tenta a todo custo manter-se discreto, ainda que abusando de substâncias uma vez ou outra, porque precisou ser internado em uma clínica de reabilitação duas vezes (uma na Suíça, outra em Busan).
Seus pais sempre o ameaçam com o fato de que, se continuasse pelo caminho errado, quem entraria no seu lugar na hierarquia seria seu primo, que sim era uma pessoa decente para agir feito um adulto funcional. Meio que Yejun até torcia para que essa fosse a decisão dos pais, mas… Caso acontecesse, ele perderia tudo. E não tem muita certeza se conseguiria viver sem todas as coisas que cresceu cercado.
Nacionalidade e etnia: Tailândia, sino-tailandesa.
Faceclaim: Ten - NCT
Ocupação: Professor de dança, Coreógrafo e Preparador Físico
Unidade: Itaewon
Andar e Loft: 7º andar, loft 7017
Bluesky: yangbit
PERSONALIDADE
Na superfície, Yang pareceria a tranquilidade em pessoa. É que ele tenta, tenta mesmo, faz um esforço ativo para viver uma vida que esteja mais alinhada com sua filosofia — a de apreciar o mundo e tudo que tem vida nele, de dar valor ao que cada pessoa tem a oferecer, de apreciar a arte em cada canto em que pode tropeçar com ela, e, acima de tudo, de valorizar a comunidade. É aquele tipo de professor acolhedor, o que faz as vezes de psicólogo, que tenta transformar uma classe em uma família, até porque ele vê como parte de seu dever conservar e cultivar os pilares do hip hop. A verdade é que ele gosta de ser mentor, de sentir que pode criar, ou ser, um espaço seguro para as pessoas ao seu redor… e fazer algo de útil com tudo que ele aprendeu do jeito difícil. Vai ver isso é porque sente que está redescobrindo a fonte de seu valor. Vai ver a verdade, também, ou principalmente, é que ele ainda está meio que tentando descobrir quem ele é para além da dança. E a verdade é que ele ainda está experimentando como é criar raízes, e fazendo as pazes com todas as ausências, despedidas e e ses que vê quando olha pra trás, para a sua história. Ainda é meio inquieto, porque adora viajar, e eterno aprendiz. Talvez com certa vergonha admita que gosta do conforto material também, e de poder ostentar um pouquinho. Ainda tem muitas duvidas e incertezas, mas ainda confia que, bem, tudo bem, e que está bem melhor do que já esteve.
HEADCANONS
A trajetória de WONGISKING na dança é de dar inveja. De inspirar admiração, com certeza, afinal ele se consagrou como o primeiro tailandês a levar prêmios em alguns dos principais festivais de danças urbanas do mundo. Então, não choca que sua “aposentadoria” precoce foi recebida com espanto e com uma mesma pergunta feita repetidas vezes, em uma miscelânea de idiomas: mas por quê?
Inclusive, você deve estar lendo isso porque quer uma resposta também. Acertei?
A gente vai chegar lá. Mas, antes, vamos apertar rewind.
Kanaphan Wongkrittiyarat nasceu em Bangkok, na Tailândia, em uma família grande e amorosa. Meio caótica, é verdade, mas uma boa família mesmo assim. Yang, como foi apelidado, cresceu perto de seus avós e tios; se duvidar, sua família ocupava a rua toda. Não era uma família pobre, mas estava bem longe de nadar em dinheiro. Pelo menos todo mundo se ajudava.
Yang ainda era criança quando conheceu seu primeiro amor: o bboying. Desde então, não pararia mais de dançar. Quando largou o breakdance, foi porque o coração bateu mais forte pelo hip hop e pelo popping, mas Yang nunca deixou de explorar outros estilos. Aprendeu sobre a cultura, sobre a história. Para ele, a dança foi de um hobby a uma arte, um modo de expressão, uma filosofia, uma comunidade, um modo de vida. E tudo começou porque a dança lhe trazia uma felicidade quase transcendental.
E se tornou uma profissão, também. Uma profissão que fez de Yang um cosmopolita. Ele saiu de casa ainda cedo, mudou de país para treinar, e, no fim das contas, acostumou-se a viver de canto em canto, se mudando de tempos em tempos; ia para onde o vento soprava e as oportunidades surgiam. Até começou a cursar fisioterapia durante sua estadia na China, mas teve de trancar a faculdade e retomar os estudos depois de se mudar para a Coreia do Sul. Convinha que sua irmã estava morando em Seul também, então era difícil negar a chance de se mudar.
Yang não saberia bem dizer em que momento a faísca começou a apagar, mas sabe que o processo foi vagaroso, insidioso. Vai ver por isso mesmo não notou. Amava dançar, amava criar, amava coreografar e dar workshops. Sim, amava de batalhar, e, claro, gostava da adrenalina da vitória. Mas, em algum momento, a necessidade de vencer começou a ocupar espaço demais em sua mente. E se não fosse o melhor, e se deixasse de se destacar, e se perdesse espaço na cena, e se, por isso, perdesse os brand deals que ajudavam a pagar suas contas? A ansiedade, o perfeccionismo, e até umas doses de síndrome do impostor, começaram a falar tão alto na cabeça de Yang que ele já não ouvia mais a música. A felicidade quase transcendental? Ele esqueceu o sentimento.
Uma lesão brecou sua vida. Mas Yang poderia ter voltado para a cena uns meses depois mesmo assim. Estaria em tempo para uma competição. Mas optou por… desistir. Estava continuando o tratamento — só não mencionou que era do tipo mais focado em saúde mental do que física. Veja bem, ele nem pensava que podia ter burnout fazendo o que amava, mas, pelo visto… vivendo e aprendendo, né?
O tempo “parado” o ajudou a colocar a cabeça no lugar, depois de uma sequência de crises existenciais. Mesmo assim, Yang percebeu que talvez não gostasse tanto de quem estava se tornando, e que precisava reformular, ou redescobrir, sua relação com a dança.
Yang começou dando algumas aulas por semana em um estúdio em Seul, com cuja proposta se identificava. Passou a dar alguns workshops gratuitos, também, e se envolveu com um projeto de dança inclusive. Talvez fosse sorte, talvez fosse algum karma positivo, talvez fosse destino; aqueles espaços pareciam ser os lugares certos para lhe lembrar por que ele acreditava na dança. Passou a dar mais aulas, além de treinamento físico para dançarinos. Queria, ou, bem, quer criar um espaço que possa carregar sua mensagem que dança pode ser um espaço seguro para todo mundo, como forma de criar comunidades, se expressar, se curar, e reintegrar corpo, mente e alma. Não fora essa filosofia que o fizera se apaixonar pela arte pra começo de conversa?
Desistiu das batalhas, do universo das competições. Aquilo já não fazia muito sentido para si. Ainda coreografa, inclusive para grupos grandes da indústria do pop asiático, e é presente nas redes sociais, mas se dedica mais a ensinar. E, bem, acabou ficando por Seul mesmo. Sua irmã se casou, e Yang achou seu cantinho em Itaewon, não tão longe de onde trabalha na maior parte dos dias. Por enquanto, quer experienciar como é se deixar pelo menos tentar criar raízes, e até adotou gatinhos pra isso!
Jaeho é um rapaz que consegue ir de uma vertente a outra. Tem muitos momentos em que é muito calado e aprecia demais o silêncio, mas também é muito sociável e extrovertido, adora conversar e conhecer pessoas novas. Bem engraçado, gosta de descontrair para quebrar gelo com qualquer pessoa. Também é um bom conselheiro e costuma ser bom em passar calma para as pesoas. Só é bastante teimoso e, por mais que seja engraçado, tem uma tolerância um pouco baixa para certos tipos de brincadeira, como as que envolvam possíveis inseguranças ou a aparência alheia. Também odeia grosseria e não pensa duas vezes em responder na mesma moeda.
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Jaeho lembra-se perfeitamente de quando era criança, sempre muito apegado e carinhoso com a família, sua linguagem de amor sempre foi toque físico e seus pais falavam que ele tinha uma mão ótima para massagens, bem quentinha e com uma força boa para relaxar. Notava também que tinha uma facilidade em fazer pessoas relaxarem e dormir, seja com massagem ou com carinho. O mesmo acontecia com qualquer bichinho, até o filhote de cachorro mais agitado se acalmava com um simples carinho na barriga vindo de Jaeho.
Depois de perceber que aquilo era algo que não tinha apenas facilidade mas também gostava, a vida o levou a se formar em fisioterapia e massoterapia. Não parou por aí e se especializou em quiropraxia, se tornando rapidamente um ótimo profissional na área, trabalhando em uma clínica onde se dividia entre fazer massagens e sessões de quiropraxia.
Jaeho vive estudando novas técnicas para a melhora de seus pacientes e pretende crescer em seu ramo. Seu sonho atual é abrir a própria clínica e se tornar um nome de referência em sua área.
Quem não conhece bem ou não convive com Hyunjun pode até acreditar que o rapaz é um completo amante da vida agitada que uma cidade grande pode proporcionar, afinal, o horário em que mais sai de casa é à noite (muitas vezes só retornando pela manhã), sempre recebe muitas visitas e, por vezes, acaba excedendo um pouco o limite de barulho da unidade em que vive. Porém, a realidade é que todas essas movimentações são fruto unicamente de seu trabalho, podendo-se dizer até mesmo que essa personalidade é a persona que criou para o seu trabalho. Não que momentos agitados sejam completamente detestados por ele, muito pelo contrário, ou não poderia viver a vida que leva, porém, poucos sabem o quanto o rapaz preza por longos períodos de tranquilidade: se pudesse, passaria a maioria de seus dias em casa, com sua gata, cuidando das várias plantinhas espalhadas pelos cômodos, e se dedicando aos seus hobbies favoritos, o piano e a pintura.
Apesar disso, consegue manter-se sempre como alguém bem humorado, simpático e prestativo com aqueles que merecem seu afeto, mesmo que, internamente, tenha seus momentos introspectivos e pessimistas, em que acredita que tudo aquilo que alcançou não é merecido por si - afinal, os palcos também ensinam os dançarinos a atuar. E quem o conhece pessoalmente, mas não o seu lado profissional, pode até se assustar ao vê-lo trabalhando, pois sua expressão e postura corporal mudam completamente quando está no palco. Porém, é só descer os degraus para o chão que já volta a ser o mesmo Hyunjun de sempre, aquele que sempre faz piadas demais sobre si mesmo e não se aguenta sem provocar um pouquinho as pessoas ao seu redor, mas que tenta sempre ser um pontinho de alegria para aqueles que precisam, tanto no solo, quanto no palco.
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O início da segunda geração dos Hwang foi turbulento, afinal, a notícia do nascimento de Hyunjun, fruto de uma gravidez indesejada, não demorou para chegar aos ouvidos de sua avó materna, que não exitou em expressar o quão terrível aquilo era para a família, e em como preferia, a partir de então, evitar qualquer contato com a filha e com o neto bastardo. Apesar disso, a vida permitiu-se ser boa, ao menos até um certo momento. Não tinha nem seis anos quando sua mãe se envolveu em um terrível acidente de carro que acabou levando-a ao falecimento, o que levou a criança à se mudar para a casa da avó distante que, apesar de não gostar da ideia de ter que sustentá-lo, sabia ser o seu dever como parente mais próxima e que tinha condições de fazê-lo.
Mesmo que recebesse os cuidados básicos que deveria, Hyunjun sentia como se nunca conseguisse “impressionar” a avó - que se tornara mãe. Por mais que se esforçasse ao máximo, ela parecia nunca se orgulhar do neto. Não era como se ela não se importasse, muito pelo contrário, todas as oportunidades que pôde dar ao jovem foram dadas, foi inclusive assim que descobriu a paixão pela dança. Porém, na cabeça de uma criança, o que mais importa é sentir-se aceito por aquele que tanto admira, e também não é uma tarefa fácil para alguém com idade tão pequena compreender os sentimentos conflituosos de luto, raiva, culpa e tristeza que passavam pela cabeça da mulher.
Devido à isso e ao fato de, desde o início da adolescência, ter se tornado alvo de chacota devido à sua aparência relativamente frágil e pequena, e ao seu interesse pela dança, decidiu que se tornaria o melhor em absolutamente tudo o que fazia. Os anos seguintes consistiram em muito estudo, além da percepção de que o trajeto profissional e acadêmico que desejava seguir realmente era dentro do universo da dança, e um abandono parcial de sua vida social, com exceção das vezes que saia de casa escondido durante a noite para comparecer às festinhas do bairro em que vivia. Queria provar a todos que conseguiria alcançar tudo o que desejasse e assim o fez. Ao finalizar o ensino médio, a conquista de uma bolsa de estudos na Sacramento State foi a melhor notícia que poderia receber. Mas, como nada que é bom dura muito na família Hwang, a figura materna, ao compreender que aquilo significa que o neto não estaria mais tão perto assim, mais uma vez, fez questão de deixar seu posicionamento contrário muito claro. E a grande briga que se seguiu foi a gota d’água para que juntasse suas poucas economias e partisse para os Estados Unidos, abandonando tudo e todos, antes mesmo do período universitário começar.
Não poderia estar mais feliz. Encontrava-se em um local totalmente desconhecido, o que lhe possibilitaria as mais diversas experiências, e ainda poderia passar os próximos quatro anos explorando a cidade, conhecendo novas pessoas, e também a si mesmo. Não demorou muito para que conseguisse se adaptar totalmente à nova vida, porém, ao contrário do que sua mente juvenil imaginava, a dificuldade de encontrar um emprego dentro de sua área de interesse era ainda maior do que imaginava, o que o levou a trabalhar em uma casa noturna no centro da cidade. Porém os exaustivos turnos de trabalho noturnos que acabavam por se estender para além dos finais de semana, somados ao ambiente de trabalho insalubre, começaram a corroer Hyunjun, que não podia se dar ao luxo de se demitir e reiniciar uma busca incerta por outro emprego. Sua salvação chegou alguns meses mais tarde, na forma de uma ruiva acompanhada de um grupo consideravelmente peculiar de pessoas, que logo descobriu se tratar de um coletivo de dançarinos chamado ‘Route 66’, liderado por uma performer chamada Violet. Ao visitarem o estabelecimento, viram no rapaz potencial suficiente para que o chamassem para uma audição. Para sua não tão grande surpresa, foi contratado, não muito tempo depois, como membro efetivo do coletivo, que o acompanhou durante toda sua jornada até a graduação.
Parecia que tudo daria certo, mas o azar atrelado ao sobrenome de sua família logo o alcançou mais uma vez. Poucos meses após a conclusão de seu curso, no auge da felicidade e satisfação com sua vida pessoal e profissional, um dos piores males que poderiam se abater sob um dançarino - ou qualquer pessoa - aconteceu. Após um final de semana de apresentações fora da cidade, o coletivo estava retornando para a capital em uma van fretada, quando foram atingidos, no meio da estrada, por um carro que jogou o veículo para o acostamento, fazendo com que ele capotasse. Felizmente, todos sobreviveram e poucos sofreram ferimentos mais graves. Apesar disso, o rapaz havia sofrido uma lesão severa durante o acidente, nada que não pudesse ser tratado, mas que ditaria o futuro do jovem nos palcos. Foram meses de tratamento e fisioterapia para que pudesse ter uma recuperação satisfatória. Ao final, havia adquirido artrose pós-traumática e sofrido uma leve redução na mobilidade e flexibilidade da perna direita, e ainda precisaria usar uma muleta pelas próximas semanas. Mas, ainda conseguiria dançar.
Por mais que soubesse que se recuperaria, à medida que o tempo passava, suas expectativas para um futuro ali se perdiam, mesmo após voltar a andar sem apoios e poder retornar às suas atividades artísticas. Já não se sentia mais tão em casa assim, afinal, foi o único do grupo que precisou se afastar por tanto tempo dos palcos após o acidente. Aquilo acabou se tornando um empurrãozinho para que a ânsia de fugir para um outro lugar surgisse. Sentia como se precisasse se reencontrar e, após algumas semanas ponderando seus próximos passos, decidiu sair sem rumo pelo mundo, morando em diferentes cidades e países durante períodos relativamente curtos de tempo, o que foi excelente tanto para sua vida pessoal, quanto profissional: teve oportunidade de trabalhar, como dançarino - inclusive, em casas noturnas que o fizeram superar o seu desgosto pelos estabelecimentos - e coreógrafo, com várias pessoas incríveis ao longo do caminho, algumas essas que acabaram por se tornar amigas e locais de apoio mais do que necessários para o rapaz.
Os anos foram se passando e, a medida em que sua estabilidade financeira e profissional se estabeleceu, pôde pensar em voltar a morar em sua cidade natal, afinal, as oportunidades de trabalho que poderiam surgir em Seul para alguém com seu currículo eram várias, e sua avó havia envelhecido e logo poderia precisar do suporte do neto que, apesar de ainda guardar certa tristeza pelo ocorrido há tantos anos, nunca deixou de contatar a senhora. Poucas semanas depois de finalizar um último projeto coreográfico em Londres, embarcou com sua gata em um avião para a metrópole, tendo o bairro de Itaewon como o escolhido para seu destino final, onde atualmente trabalha como dançarino numa boate chamada Skandal! e fornece seus serviços de coreógrafo e dançarino de fundo para artistas em ascensão da região.
Apesar de ter conseguido sua tão sonhada estabilidade financeira e certo destaque dentro do ramo artístico, Seul é apenas um dos passos à caminho do que deseja conquistar no futuro. Planeja crescer ainda mais em sua área para atrair os olhares de artistas maiores e mais conhecidos, quem sabe até mesmo começar o seu próprio projeto artístico autoral. Mas, no fundo, o que Hyunjun realmente quer conseguir um dia é reunir recursos o suficiente para poder se afastar um pouco dessa vida agitada que leva, se esconder em uma cidade pacata, poder se dedicar ao piano e à pintura, seus hobbies favoritos, e ter mais tempo para gatos e plantas. Mas isso só, talvez, quando seus joelhos, já velhos de guerra, não aguentarem mais o tranco da profissão.