BIXO UFRGS Saúde Coletiva 2019/2
Com o término da minha primeira graduação em 2018/2, me peguei perdida em meio ao mercado de trabalho em 2019/1. Formada em Enfermagem, tentei Residência Multiprofissional em algumas instituições de saúde de Porto Alegre, mas não consegui ingressar em nenhuma delas, por motivos de currículo acadêmico. Isso me frustou. Em meio a frustrações, desisti de tentar o Mestrado em Enfermagem. E, fiquei mais perdida ainda, pois o que queria mesmo era seguir no meio acadêmico. Diante deste processo de aceitação e pela busca de um emprego (hehe), surgiu o Ingresso do Diplomado da UFRGS, uma espécie de extravestibular simplificado, me inscrevi, mas desacreditada. No dia da prova de seleção, que era a aplicação de uma redação, estava chovendo (muito) e eu tinha acordado bem cedo, com a esperança de que a chuva passasse, mas a mesma não passava. Olhei para o relógio e já estava atrasada. Chamei um Uber e fui. Paguei R$ 40 e lembro que este fato teria me deixado bastante aborrecida. Cheguei no Anfiteatro da Escola de Enfermagem e a prova foi aplicada, a mesma era sobre a Política de Álcool e Outras Drogas e os impactos negativos com as mudanças estabelecidas pelo governo em exercício. Tinha 2h para redigir e não me vinha nada em mente. Por um momento pensei em desistir, mas lembrei daqueles R$ 40 gastos e dei inicio a escrita (hehe!). Lembro de ter racializado meus argumentos, pois não se pode falar em Políticas de Drogas, sem falar de racismo, guerra as drogas, genocídio da população preta, população carcerária, etc. Saí da seleção leve por ter escrito o que acredito. Lembro que no dia da divulgação vi meu nome na listagem e parei tudo. Agradeci. Pensei no fato das coisas virem todas no seu tempo. Pensei que eu tinha me dado uma segunda oportunidade para construir com calma meu caminho que me levará a atingir muitos objetivos em prol da minha gente. Pensei no complemento que esse curso dará para minha primeira formação e nas coisas que eu posso vir a realizar. Viajei. Sorri. Agradeci de novo.
O principal motivo que me fez optar por Saúde Coletiva, tem a ver com o fato de que durante minha primeira graduação, sentia bastante falta da abordagem acerca da questão da saúde pública, sentia que a instituição privada me formava para atuar no âmbito "hospitalocêntrico", com um pensamento técnico somente, sentia que a instituição não me estimulava a produzir cientificamente. Então, por iniciativa própria, ainda durante a primeira graduação, procurei me familiarizar com o sistema público de saúde brasileiro num todo, através de pesquisas e produção independente. Essa familiaridade também foi construída a partir da minha atuação dentro de movimentos sociais, principalmente no Movimento Negro brasileiro e no Panafricanismo. Com a minha aproximação com a questão de saúde coletiva, me tornei membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva - ABRASCO, desde 2017, fazendo parte do Grupo Temático Racismo e Saúde. Tenho como pretensão profissional seguir na área da pesquisa e educação em saúde no âmbito da saúde pública. Tenho certeza que este curso irá contribuir muito na minha formação pessoal e profissional, estou com bastante expectativas. Ainda não sei exatamente o que é Saúde Coletiva, mas pelo acolhimento da primeira semana de aula, dá para ter uma noção do que me espera.
AbraSUS!









