Mapa Conceitual - Saberes e Competências em Saúde Coletiva
Quando falamos sobre Saúde Coletiva (SC), me remete um movimento de renovação da Saúde Pública institucionalizada, seja como campo científico, seja como âmbito de práticas, e mesmo como atividade profissional. Acerca dos saberes da SC, Paim e Almeida-Filho, trazem que SC produz saber acerca do objetivo "saúde", onde operam distintas disciplinas fundadoras e estruturantes do campo, são elas: Epidemiologia, Ciências Sociais e Política, Planejamento e Gestão. Entende-se que SC é um campo interdisciplinar, multidisciplinar, transdisciplinar e intersetorial. Percebe-se também que SC vai para além do modelo biomédico, ele compreende práticas de um modelo biopsicossocial. Enquanto campo de conhecimento, a SC contribui com o estudo do fenômeno saúde/doença em populações enquanto processo social; investiga a produção e distribuição das doenças na sociedade como processos de produção e reprodução social; analisa as práticas de saúde na sua articulação com as demais práticas sociais; procura compreender, enfim, as formas com que a sociedade identifica suas necessidades e problemas de saúde, busca sua explicação e se organiza para enfrentá-los. Os autores citados anteriormente, também falam sobre os desafios do campo de Saúde Coletiva, relacionados ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro, trazem a questão da desigualdade social (e aqui eu complementaria com a desigualdade racial). Entendendo SC como campo holístico e global, portanto o processo de produção-reprodução de suas práticas, suas competências devem contar com a participação organizada dos grupos sociais, desde iniciativas comunitárias à profissionais de saúde qualificados/dotados de competência técnica, deve-se ter uma relação técnica e social, uma vez que saúde não se faz sozinho e apenas com conhecimento "técnico" vindo de dentro dos muros das instituições estatais, mesmo que Pierre Bordieu (1989) traga que saúde coletiva é composta por agentes (profissionais de saúde, pesquisadores, técnicos, docentes e gestores), não citando os agentes sociais/populares. Para finalizar, trago duas citações de autores que admiro no meio do âmbito da saúde. 1) Gastão diz que "(...) movimento que, sem dúvida, no Brasil, contribuiu decisivamente para a construção do Sistema Único de Saúde (SUS) e para enriquecer a compreensão sobre os determinantes do processo saúde e doença (...). 2) Paim e Almeida-Filho "É preciso que nós, enquanto futuros sanitaristas, compreendemos a trajetória, as lutas, conquistas e desafios que o campo apresenta, para que assim possamos contribuir de forma significativa nesse projeto de transformação social."
Gastão traz que os núcleos e saberes da Saúde Coletiva são: "(...) núcleo como uma aglutinação de conhecimentos e como a conformação de um determinado padrão concreto de compromisso com a produção de valores de uso. O núcleo demarcaria a identidade de uma área de saber e de prática profissional; e o campo, um espaço de limites imprecisos onde cada disciplina e profissão buscariam em outras apoio para cumprir suas tarefas teóricas e práticas". O autor também traz que não teria possibilidade de fugir da institucionalização, mas que esse processo poderia se dar de forma democrática e flexível, aberto a diversos campos de influência. Um trecho que me chamou atenção no artigo onde Campos traz "a noção de núcleo valoriza a democratização das instituições, ou seja, ressalta sua dimensão socialmente construída, sugerindo que a escolha de seus caminhos funcione como uma possibilidade e não como uma ocorrência automática". Acredito que quando se fala em paradigma, se fala em um modelo biomédico presente dentro das instituições, Paim e Almeida-Filho trazem essa "quebra do paradigma", através dos saberes que dão suporte para as práticas dos atores sociais, os autores não trazem uma resposta em caixa, mas uma resposta provisória, como dizem no artigo. Segue: a) “Saúde, enquanto estado vital, setor de produção e campo do saber, está articulada à estrutura da sociedade através das suas instâncias econômica e político-ideológica, possuindo, portanto, uma historicidade."; b) “As ações de saúde (promoção, proteção, recuperação, reabilitação) constituem uma prática social e trazem consigo as influências do relacionamento dos grupos sociais.”; c) “O objeto da Saúde Coletiva é construído nos limites do biológico e do social e compreende a investigação dos determinantes da produção social das doenças e da organização dos serviços de saúde, e o estudo da historicidade do saber e das práticas sobre os mesmos. Nesse sentido, o caráter interdisciplinar desse objeto sugere uma integração no plano do conhecimento e não no plano da estratégia, de reunir profissionais com múltiplas formações” (...); f) “O conhecimento não se dá pelo contato com a realidade, mas pela compreensão das suas leis e pelo comprometimento com as forças capazes de transformá-la”. Enfim, os autores trazem um leque de possibilidades, que acredito que só seja a ponta. Por fim, entendo que essa "quebra do paradigma" estimula o desenvolvimento da própria Saúde Coletiva, enquanto área de produção de saber e campo de prática.
AbraSUS!
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