A ordenação de uma Sacerdotisa
Dotados de dons incríveis e donos de uma grande conexão com a natureza, os elfos em Filhos da Lua possuem uma crença firme e profundamente enraizada em seus costumes. Embora saibam separar o Estado da Religião, é inegável que sua fé lhes é muito importante. Especialmente se levado em conta que a parte clerical desse povo é tão nobre quanto a realeza.
A religião élfica tem como base a crença na Deusa Kaguya, também conhecida como a Deusa Lunar na história. Ou seja, os elfos, em sua maioria, possuem apenas uma divindade a quem adoram, sendo monoteístas.
A líder religiosa da fé élfica é conhecida como Grande Sacerdotisa e, embora seja comum que muitas mulheres elfos decidam dedicar sua vida como servas de Kaguya, apenas aquelas tocadas pela própria Deusa serão contempladas com habilidades especiais e poderão ter a chance de completar seus destinos como Grandes Sacerdotisas, caso escolhidas. É normal que duas ou mais Grandes Sacerdotisas reinem juntas, enquanto a próxima escolhida é treinada e regida nos ensinamentos da Deusa para que, posteriormente, ela também possa ser oficialmente ordenada.
Existe uma diferença entre as Sacerdotisas e Grandes Sacerdotisas. Além de mais poderosas, também cabe às Grandes Sacerdotisas regerem sua fé como líderes clericais supremas, ocupando a posição mais prestigiada e de maior responsabilidade dentro do templo.
As Sacerdotisas são abençoadas por sua Deusa ainda novas, dos dez aos doze anos de idade. Nem sempre a bênção acontece depois dessa idade, porém, é possível. Uma vez agraciadas pelos dons que Kaguya pode oferecer, as jovens elfos são levadas a um dos inúmeros templos da Deusa Lunar espalhados por Hiddenleaf. Lá serão instruídas sobre a Deusa e como podem controlar seus dons. Caso uma das jovens exiba os traços de uma Grande Sacerdotisa em potencial, sua educação é elevada ao nível de tal posto e suas habilidades serão intensamente treinadas. Nesse caso, é vital que a aprendiz fique em tempo integral com suas mestras, passando a viver no templo principal de Hiddenleaf.
Embora rigoroso, o treinamento para líder religiosa não impede que as elfos vejam sua família. Porém, o contato diminui bruscamente visto que, uma vez iniciada a educação, nem mesmo podem voltar a morar em suas casas. Geralmente, é escolhida como sucessora do sacerdócio supremo apenas uma abençoada num intervalo de 10 a 15 anos. Quando acontece, a jovem não apenas demonstra dons básicos dados pela Deusa, como a cura ou telepatia, mas também exibe grandes poderes, podendo até mesmo possuir uma afinidade incomum com algum elemento e/ou interferir em forças da natureza.
No marco de suas 21 primaveras, as futuras Grandes Sacerdotisas são presenteadas com uma marca sagrada em sua fronte: um pequeno losango vazado. Ao atingir a completa maturidade como Grande Sacerdotisa, a pequena marca se preenche por completo. Isso marca o começo de um novo ciclo.
Apenas as mulheres da raça são abençoadas com o toque da Deusa e a marca frontal losangular é uma característica exclusiva das Grandes Sacerdotisas. Porém, uma vez abençoadas, todas as Sacerdotisas recebem tatuagens prateadas como a luz do luar. Normalmente, nos membros superiores se entrelaçam pelos seus dedos e podem subir até pouco abaixo dos cotovelos. Nos inferiores, podem se desenhar pelos pés e panturrilhas ou pelas coxas. Os padrões nas tatuagens são únicos de sacerdotisa para sacerdotisa, variando os desenhos em lindos intrincados de filigranas prateadas.
Quanto à construção de uma família, não há proibição alguma de que uma Sacerdotisa — seja mor ou ordinária — possa formar uma família, se casar e/ou ter filhos. É muito comum que isso aconteça, especialmente após sua ordenação. Todavia, algumas ainda optam pela vida de serventia absoluta a Deusa, se essa for sua vontade.
Como a influência religiosa é bastante importante para os elfos, é vital que ela não se misture à política. Sendo assim, é estritamente proibido que Sacerdotisas ou servas tenham qualquer tipo de envolvimento com a realeza. E, sendo a bênção celeste o maior presente e honra que possa ser concedido a uma elfo, é sempre sua posição no clero que permanece. Caso uma Sacerdotisa seja desposada por alguém da realeza, o herdeiro perde imediatamente seu direito ao trono e cargo político, renunciando ao seu título. Já no caso de uma Sacerdotisa nascida real ser tocada pela Deusa mais tarde, também será seu destino deixar de ser oficialmente parte da realeza.
Na história, Sakura foi uma princesa — a terceira na linha de sucessão ao trono — tocada pela Deusa Kaguya em uma idade já considerada tardia. Ao ter seu desejo de poder curar o guerreiro humano no campo de batalha atendido, provou-se por seus dons excepcionais que o posto de próxima Grande Sacerdotisa deveria ser seu, tomando o lugar de sua amiga Ino, quem antes acreditava-se ser a sucessora mor. Sakura não só perdeu seu título nobre, como, também, seu posto militar como guerreira devido ao treinamento intenso e sofisticado que se seguiu após a descoberta de suas habilidades.
Ino, por sua vez, continua sendo uma Sacerdotisa, perdendo apenas a sucessão da posição como líder suprema, tendo um treinamento bem menos intenso e conquistando uma maior liberdade.
Chiyo foi introduzida como avó paterna de Sakura, mãe do rei Kizashi. Sendo assim, Chiyo não possui qualquer ligação com a realeza, visto que seu filho se tornou rei ao desposar a princesa Mebuki, verdadeira herdeira regente das terras de Hiddenleaf.