Eu fui o que eu tentei ser — mas não fui eu.
Me perdi na minha raiva e machuquei muito quem eu amei.
Também fui muito magoada, provocada, machucada.
Já pedi desculpas que não eram minhas, tantas vezes, que quase desaprendi a assumir as que realmente eram.
Porque, infelizmente, eu comprei a ideia do “amor”.
E hoje eu sinto que o amor é apenas uma marca de cigarro — só que sem aviso dos danos.
Morri sem saber quem me amou, e quem me amou também morreu dentro de mim.
Na mesma medida em que construí o amor, eu o destruí.
Hoje sinto que não tenho mais nada.
Fumo porque preciso me agarrar a algo que não sinta, que não me prometa nada.
Tenho medo de expor meus sentimentos.
Medo de ser repreendida por sentir “errado”.
Tento ser gentil porque quero ser aceita.
Posso ser gentil, mas também sou grossa, rude, teimosa — e eu gosto disso.
Gosto de não estar certa.
Porque não há sensação melhor do que perceber que estou melhorando em algo.
Você diz que me ama, mas parece que só quer me fazer pagar.
Isso não tem a ver com sentimento — tem a ver com vingança.
Você sabe que está me torturando, sendo cruel, me prejudicando.
Esse seu ódio pode me custar um emprego que paga as nossas contas — um emprego que, no começo, você me forçou a manter.
Só quando eu comecei a sofrer na sua frente você entendeu.
Você me odeia e chama isso de amor.
Eu já sabia que quando você bebesse ficaria paranoica.
+ Texto feito por Anne da Silva em 2022