Querido J., Um ano se passou e eu continuo te amando como da primeira vez que passei a noite em claro pensando em você. Como o primeiro texto exageradamente dramático que escrevi sobre você. Como os sorrisos tímidos e os corações acelerados quando te conheci. Um ano atrás, quem diria? Já pensei nessa data milhares de vezes e sempre me perguntava como seria que estaríamos agora. Hoje a pergunta - finalmente - está respondida. A resposta? Sei que você sabe, meu amor. Faz muito tempo que estou sem notícias suas, e isso dá uma agonia de encher o peito e soltar o ar lentamente. É como dizem, "quero saber onde tu estás, mas perdi esse direito há um tempo." Essa, talvez, só talvez, seja a coisa mais dolorosa que eu posso lhe dizer. Eu sinto sua falta, meu - ex? - amor. Eu queria poder te falar que agora eu estou bem. Que eu te superei, que já não me flagro pensando em você nas horas solitárias do meu dia, que eu não escrevo seu nome na última folha da última matéria do fichário, que eu não choro, as vezes, por você. Queria te dizer muitas coisas a mais, entre as quais tem um simples, ridículo e clichê: é uma tortura viver sem você. Mas, meu anjo - se é que ainda posso te chamar assim -, você não vai querer me ouvir. Afinal, "não há espaço para exs na sua vida." Eu me lembro bem da sua partida. Sabe o que mais me impressionou? Que você demonstrou que me conhecia melhor do que eu mesma, que tu sabias o que eu iria sentir, antes de acontecer. "Esse vai ser o maior erro da sua vida." E foi. E como foi, J. A culpa foi minha, querido. Eu que te deixei ir, sem mais nem menos. Te deixei partir porque acreditei numa mentira que inventei a mim mesma. Me desculpa? Te peço perdão por ter sido tão tola. Oh, caro J., estava lhe escrevendo sobre o tempo que passou e agora estou te pedindo desculpas pelo passado, não é? Desculpa, novamente, por ser sempre assim, tão... Tão exagerada. Você sabe, eu sempre senti mais do que devia. Sempre falei mais do que precisava. E quando precisava falar, eu ficava quieta. Assim como fiquei quieta quando você se foi, querendo, na verdade, gritar o mais alto possível para você ficar. Para você me dar as forças que eu precisava. Mas isso já não importa, não é meu amor? Hoje faz um ano. Um ano que te ganhei. Um ano que você foi meu. Estou feliz por isso. Estou feliz por saber que, mesmo que o tempo passe, a nossa história será eterna. Ela sempre estará em nossos corações, não é? Ao menos no meu, estará. Pode ter sido curta, e ter acabado antes de hoje. Mas ainda não acabou, meu amor. Não é o fim, não pode ser. Uma história só chega ao final quando estão todos bem, não é? E eu não estou bem. Eu não estou nada bem. Eu estou péssima. Eu estou destruída, acabada. 'To implorando por socorro, e rezando para ser você meu salvador. Tem que ser você. Porque se não for você, não poderá ser mais ninguém. Ninguém, além de ti, pode me resgatar dessa necessidade de você, J. Eu odeio todos esses clichês, mas eu acabei me tornando uma clichê depois que te conheci. Te odiei por isso, e te odiei ainda mais por me fazer te amar tanto. Você foi meu primeiro amor. E o único. Eu não quero que tenha outros. Eu te juro, querido, já procurei - e procuro - você em todos os homens que conheço. E nenhum nem chega perto. Tento achar um detalhe, um defeito, uma qualidade. O conforto parecido de um abraço, o calor que seu corpo me causava. Tem sido uma tentativa totalmente inútil. Você, agora, normalmente, iria dizer que eu não procurei direito. E quer saber? Não procurei direito mesmo, porque eu realmente não quero encontrar. Porque mesmo que eu encontre, vai ser o seu nome que vai vir em minha mente. Vai ser a dor de não te ter que vai me fazer chorar, e vai ser a nossa história que vai me fazer sorrir ao lembrar. Começamos a nossa história a exatamente um ano atrás, e faz alguns meses, talvez uns quatro ou cinco meses, que ela acabou - não completamente, porque eu ainda não desisti de você -. Quer saber, J.? Eu ainda tenho uma chama, bem pequena, de esperança lá no fundo do peito. E é isso que me dá forças para continuar. É a nossa memória, é a lembrança de cada momento, e a esperança e o desejo de que, um dia, talvez, só talvez, a gente possa recomeçar tudo isso. Um dia, amor, vou lhe falar tudo que tenho engasgado na garganta. Poderei lhe dizer, enfim, que te amo. E eu te amo de verdade. E, tendo acabado ou não, hoje faz um ano. Então, parabéns, meu amor. Parabéns para a gente, mesmo que nosso nós já não exista.
Beijos desesperados de uma garota que nunca deixou de te amar, R. (UGDS)







