Cacos de Mim - 25.05.25
Tem dias que eu acordo com o peito estilhaçado, mas sigo.
Porque aprendi a colar meus pedaços com silêncio, com cigarro na varanda, com cerveja olhando o céu, com o colo de quem me ama sem me pedir pra mudar.
Já fui a que inventava as brincadeiras, hoje invento formas de continuar inteira.
Já dei risada quando queria sumir, já sumi sem que ninguém notasse.
Não nasci pra ser consertada, mas pra ser vivida — com todas as rachaduras que brilham à luz da verdade.
Se me ver quieta, não me julgue fraca. Silêncio também é armadura.
E se um dia eu parecer fria, é só porque aprendi a não me queimar por quem não me aquece.
Sou caco, sim. Mas caco de vidro colorido, que reflete o sol, que corta o que não serve, e que brilha mesmo depois de quebrar.







