“A vontade de não poder”
Encontrei esse texto perdido no meu antigo blog. Escrevi em uma quarta-feira de 2010 e ainda hoje me é tão viva a sensação dessa personagem:
DO AMOROSO ESQUECIMENTO
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
Mário Quintana
Era uma carta.
Não podemos mais nos falar. Tudo tem sido estranho desde aquele momento que nos vimos pela primeira vez. A reação dos nossos corpos não condiz com a situação permanente a que me era comum, antes de você. Tudo era controlado calmamente pela racionalidade do meu ser, agora tudo parece confuso, parece que nem sou a mesma de antes. Na verdade, não a sou. Não sei mais o que faço por mim ou o que faço para que você me note, ou pense em mim. Não sei se me arrumo para os outros ou para você reparar em como sou, mesmo que não nos encontremos. Já nem posso dizer que minhas atitudes são feitas sem ser pensadas. Mesmo que você não me olhe, nem esteja perto de mim, penso que lá está você, reparando em como sou bonita sentada naquela posição, gesticulando daquele jeito na hora de falar. Até ouso entrar em seu pensamento e ver que você fica tão feliz em ter uma garota como eu.
Mas não, aquele é o pensamento que eu desejo que tenhas, mas que no fundo, provavelmente, está tendo-o com outra que não eu. É duro ter que realizar essa árdua tarefa de dizer essas coisas, nesse pouco tempo que nos conhecemos – e olha!, eu até sei dizer as datas, nunca antes me havia acontecido isso – já posso te configurar como um mar nunca dantes navegado na minha vida. Sim, sou nova, sei que mares e mais mares virão ao meu caminho, porém, no momento, só queria o teu braço de mar invadindo minha serena ilha que espera pela tranqüilidade de suas ondas, mas que só recebe as suas bravas ressacas e seu ardido sal.
Então tenho que declarar que por essa carta – que me foi a melhor forma de dizer-te tais aforismos – eu digo para que não me procures. Não me dê falsas esperanças, deixe-me controlar de novo minha vida. Deixe-me dizer por quem devo me apaixonar e me desapaixonar. Por favor. Não me tornes aqueles seres amargurados que julgam o amor o infindável da alma, eu preciso voltar a ser aquela que ama a si, que se acha algo importante para alguém. E não essa coisa que me venho transformando, vendo que eu não sou importante pra ninguém como achavas que era, sou apenas mais uma na vida de meus amigos e dos meus familiares. Por favor, devolva meu brilho e para isso me evite. Evite-me como se eu fosse a ilha que secará toda sua água.
Mas, por favor, não me esqueça.
















