〃boo's note⠀❛⠀ask realizada por @chosoru, espero que goste, meu bem! Acabei apagando a sua ask a o tentar achar o icon que tava dando sinalização de possível conteúdo adulto, perdão :(
랑︐⠀🍺 › SAINDO DO FORNO : ICONS NOITADA/STREAMERS BR
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a noite estava quente e abafada, o cheiro da cidade suja se misturando ao perfume amargo do cigarro que kaiser segurava entre os dedos. ele não falava nada, apenas olhava para frente, o olhar perdido na rua.
você roubou o cigarro dele antes que ele pudesse levar à boca, segurando entre os lábios sem realmente saber o que estava fazendo.
“você me ensina a fumar?”
ele bufou uma risada baixa, meio surpresa, meio descrente. “isso não é coisa que se pede.”
“mas eu tô pedindo.”
kaiser hesitou por um segundo, então suspirou e se aproximou, as mãos encostando nas suas, guiando o cigarro de volta à sua boca. “traga devagar, não engole a fumaça. não precisa forçar.”
você obedeceu, sentindo o gosto seco e amargo preencher sua boca antes de tossir levemente. ele riu de canto, os olhos brilhando sob a luz amarelada da lua.
“isso não tem graça.”
“tem sim.”
o cigarro foi esquecido logo depois, quando vocês encontraram uma loja de conveniência aberta e roubaram um vinho barato da prateleira de promoções. o atendente nem se importou, muito ocupado assistindo a um jogo qualquer na tv.
a garrafa passou de sua mão para a dele enquanto vocês andavam sem rumo, as ruas vazias e silenciosas, como se o mundo inteiro estivesse dormindo e só restassem vocês dois. kaiser tirou o casaco e jogou sobre seus ombros quando a brisa noturna ficou fria. você não agradeceu, mas também não devolveu.
no fim, acabaram no seu apartamento pequeno e desarrumado, com a garrafa já pela metade e um disco antigo tocando baixo no canto da sala. kaiser se jogou no seu sofá como se fosse dele, a cabeça apoiada na almofada, o cigarro aceso outra vez entre os dedos. você se sentou no lugar ao lado.
“tá confortável?”
ele abriu um olho. “sim.”
“ótimo, porque não vou te carregar se você dormir aí.”
dessa vez, ele riu de verdade.
o vinho deixou seus lábios manchados de vermelho, e quando você se inclinou para perto, ele percebeu. kaiser não recuou. apenas te olhou daquele jeito, como se estivesse esperando algo que nem ele sabia nomear.
“você dança?” você perguntou, quebrando o silêncio.
“dançar não é muito minha vibe.”
“mas você dançaria comigo?”
ele ficou em silêncio por um instante, depois largou o cigarro no cinzeiro, se levantou devagar e estendeu a mão.
“se você me guiar.”
o silêncio entre vocês era confortável, preenchido apenas pelo chiado do disco girando no toca-discos e pela respiração lenta de kaiser. ele segurava sua mão com firmeza, mas sem pressa, os dedos calejados contra os seus. a música era lenta, arrastada, do tipo que parecia pertencer a outra época, muito antes do mundo ter se tornado tão pesado.
ele não dançava bem, e você também não, mas isso não importava. vocês apenas se moviam, os pés descalços no chão frio. kaiser te puxou um pouco mais para perto, a cabeça baixa, o cheiro de cigarro e vinho misturado ao perfume que sempre grudava na pele dele.
“isso é ridículo.” ele murmurou, mas não parou.
“é. mas você ainda tá aqui.”
ele suspirou, fechando os olhos por um instante. “você sempre me faz ficar.”
você sorriu de canto, a ponta dos dedos deslizando até tocar a gola da camiseta dele. “e isso é ruim?”
kaiser hesitou. ele sempre hesitava quando se tratava de você, mas, naquela noite, talvez fosse o vinho ou o peso da escuridão lá fora, e ele não fugiu.
a música continuava rodando no disco quando ele abaixou um pouco a cabeça, a respiração quente contra sua bochecha.
“não.” a voz dele saiu baixa, quase um sussurro. “não é ruim.” e então, antes que pudesse mudar de ideia, kaiser te beijou.
o gosto de fumaça ainda estava nos lábios dele, misturado com o vinho barato e com algo que era só dele. foi lento, sem pressa, como se ele estivesse tentando memorizar cada segundo. você sentiu a hesitação dele, o medo de se perder ali, mas as mãos dele ainda estavam nas suas, e ele não te soltou.
a música acabou antes do beijo, deixando apenas o ruído da agulha riscando o silêncio.
kaiser encostou a testa na sua, os olhos ainda fechados, a respiração um pouco instável. “você me assusta.”
você passou os dedos pelo cabelo bagunçado dele. “porque eu te faço sentir alguma coisa?”
ele riu baixo, um riso quase triste. “porque você me faz querer sentir.”
e, pela primeira vez em muito tempo, kaiser se permitiu ficar.