Tentei prestar atenção na aula da Sra. Connelly, por mais que interessante fosse, já tinha estudado aquilo. Era um tipo de atualização para mim. Em momento algum deixei de pensar no meu ''loiro'' dos olhos azuis.
-Vocês estão liberados, menos você, Srta. Scorpioni. - O que foi que fiz?
Todos os alunos saíram, e fiquei no mesmo lugar. Bessie Connelly mantinha os olhos fixos em mim, aquelas grandes íris esverdeadas que combinavam perfeitamente com suas linhas de expressão. Não fiz esforço para ler seus pensamentos, até porque ela não pensava muito.
-Poderia vir até aqui? - Levantei-me preguiçosamente e me dirigi em sua direção. Ela sorria docemente, diria até fraternalmente.
-Pois não? - Sorri amarelo.
-Você não prestou muita atenção na aula de hoje, bem parece bem inteligente. Já fez o curso antes?
-Não senhora, apenas estudei um pouco pela internet. - grande desculpa. A primeira da lista das piores dadas até hoje.
-Hum, interessante. Poderia preencher este questionário para mim? - Ela me entregou uma folha com pelo menos 40 questões. Olhei para ela, surpresa. Ela soltou um riso leve, divertido.
-Sra. Connelly, seria para entregar amanhã?
Suspirei derrotada e sentei na primeira carteira, onde o cheiro do rapaz que estava ali ainda impregnava o local. Comecei a responder as questões, todas objetivas, demorei um pouco para que a Sra. Connelly não suspeitasse de nada. Ela pensava nas questões certas, então, foi extremamente fácil. Fiz questão de errar algumas para não levantar suspeitas, então acertei 74% da prova. Uma hora e pouco depois, entreguei. Ela olhou minha mão e percebeu o anel meio azul que estava no meu dedo.
-Bonito o anel. Tem sua inicial.
-Ah, obrigada. - O anel me ''protegia'' do sol, e tinha uma delicada letra S, de Scorpioni; antigamente era Scorpion. Lembrei-me que Brenda tinha um igual, que também possuía a letra S. Tinha que me lembrar de perguntar isso a ela. - Posso ir agora, Sra. Connelly?
-Espere que o teste seja corrigido, e então poderá ir.
Era pegou a folha de respostas e foi corrigindo. Sorriu quando simplesmente não havia acertado tudo, ela esperava que tivesse um QI alto, suspirei. De novo.
As pessoas esperavam muito de mim.
-Bom resultado, Claire. A maioria dos alunos acertariam a metade das questões, você acertou, digamos, 75% da ''prova''.
-Sim, era uma prova que estava formulando. Iria passá-la amanhã, mas queria passar para a Senhorita hoje. Queria saber se estavam preparados para avançar num conteúdo mais profundo. Amanhã não precisará vir às aulas. Nas minhas aulas não.
-Obrigada, Sra. Connelly.
Saí para o estacionamento, havia esfriado mais. Brenda estava encostada na minha moto. Notei alguns arranhões, que formavam uma palavra: ''Vaca''.
-Criatura escrota, vai me pagar.
-Não, Âmbre. - Apontei para a palavra.
-Heloísa me ligou, disse para vir aqui esperar por você, foi o que eu fiz. Você demorou.
-A Bessie me deu uma prova com 40 QUESTÕES! - Falei com um pouco de raiva. - Ah! Percebi uma coisa! - Falei olhando para a mão dela. - Você tem um anel igual o meu.
-Tenho. Bonnie e Heloísa também. Por quê?
-Ahm, nada, era que, queria saber onde você arranjou o seu.
-Entendi. Bom, longa história. Quando fiz dez anos, minha mãe me deu o meu, e o S representa a família Souza. Sabe, eu nunca o tirei.
Depois da caçada, fui a uma funilaria para ver quantos ficava o preço para arrumar o estrago. Gostava realmente daquela moto. Mas havia uma garota, idêntica a Bonnie lá. Realmente idêntica...
-Quando passo para pegar a moto?
-Amanhã vai estar pronta. Pode ser na hora do almoço?
-Perfeito. - saí atrás da garota, mas seu coração batia. Não era ela.
Era a patricinha da Âmbre. Isso iria ser divertido.