An Archive of Our Own, a project of the Organization for Transformative Works
"— It is you. — Robbe whispered, the distance between their faces was minuscule and a whisper seemed enough."

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An Archive of Our Own, a project of the Organization for Transformative Works
"— It is you. — Robbe whispered, the distance between their faces was minuscule and a whisper seemed enough."
"Los sentimientos que no se pueden contener, no deben mezclarse con alcohol" #wattpadespañol #elamantedelcultivador #fanfic #cap19 #lwj (en Posadas, Misiones República Argentina) https://www.instagram.com/p/CAeadv-Js5H/?igshid=ygjq8h71tztx
19. Amei te ver
Alícia’s POV:
Era um domingo “quase noite”. Defino como “quase noite” aqueles períodos em que começa a escurecer, porém, ainda não é totalmente noite, porém, também não é mais tarde. É um período indefinido na fenda do tempo. Minhas quase noites costumavam ser bem agitadas, pois normalmente era quando eu estava me preparando para sair, mas naquele dia não. Afinal, o dia seguinte era segunda-feira e eu finalmente estava entrando no período final da escola, antes que eu tivesse minhas merecidas “meias” férias, já que a greve no início do semestre atrasou toda a parte divertida da escola: as férias. Fiquei no meu quarto brincando com o Stitch, que por sinal, minha mãe havia amado. Isso era quase impossível de acontecer, já que ela odiava cachorros e eu imaginava que quando ela se desse conta de que havia um em nossa casa, ela me mataria na certa. E mataria ele. E a Jade e todos os outros envolvidos no caso. A quase noite não demorou muito para realmente se tornar noite, e por volta das 23h eu estava deitada na minha cama, de bobeira, aproveitando o momento de paz já que o peludinho havia dormido. Eu não queria deixar ele dormir na minha cama, mas a cena estava completamente irresistível, então o deixei ali. Enquanto John Mayer tocava na minha playlist, deixando tudo mais calmo e eu finalmente estava quase dormindo, alguém quase me matou do coração ao fazer meu celular tocar. Eu esperava realmente que fosse algo importante, ou ia ter guerra. “Um abraço agora?” – Dizia a mensagem recebida por “Tarik ❤”. Tudo bem, era alguém importante, mas eu estava morrendo de sono e minha cama estava realmente muito boa. Ok, não era alguém qualquer, era o Tarik. “Onde você está?” – Respondi. Ele me conhecia o suficiente para saber onde eu estaria em qualquer lugar do hemisfério em qualquer hora do dia, porém, eu não era tão boa com adivinhações, por isso resolvi perguntar. “Em casa.” – Óbvio, Alícia. Como você não pensou em outro lugar? Era o Tarik, qual é! Ele não saía por aí assim.
Me levantei e troquei de roupa, o Tarik estava acostumado a me ver de todos os jeitos, mas pijama não era uma boa escolha. E ainda bem que eu iria o ver. Precisávamos conversar sobre nós, sobre o beijo... Eu havia me resolvido, era melhor manter só uma amizade. Eu não era hétero, eu só me sentia bem com ele e mais nada.
Minha mãe estava no quarto dela, mas nem perguntou quando me viu passar. Mesmo assim, gritei: “Tarik. Fui”, foi como se me justificasse, pelo menos assim depois ela não pegaria no meu pé.
A rua do Tarik não ficava muito longe da minha, por isso fui a pé mesmo. Uns dois cigarros e vinte minutos depois, o encontrei sentado na calçada com os pés na sarjeta. A cabeça dele estava abaixada e parecia estar tão distante que nem ao menos me ouviu chegar.
— Cara, tu sabe que a mensagem foi muito gay, não é? – Dei uma risada ao terminar de falar, já que estava o zoando. Ele não respondeu nada, apenas levantou a cabeça, me olhando. A cara dele estava péssima. Eu nunca o tinha visto daquele jeito. Seus olhos estava inchados, como os de alguém que passou dias chorando. Suas olheiras estavam bem fundas e assim que me encarou, os olhos voltaram a encher de lágrimas e ele abaixou a cabeça outra vez, tentando disfarçar. Me sentei ao lado dele imediatamente, e não falei nada. Às vezes tu só precisa de alguém que fique do teu lado e cale a boca, sem perguntas, sem nada. E foi isso que eu fiz, fiquei do lado dele, se ele quisesse me contar o que havia acontecido, ele contaria. — Alícia eu... Eu não sei o que dizer. – Ele disse com a voz baixa, totalmente falha, como de alguém que segura o choro. — Relaxa, tu não precisa dizer nada. E tu quiser chorar, chora. – Eu disse enquanto passava a mão nas suas costas, o acariciando. Ficamos mais alguns minutos em silêncio enquanto ele chorava. Eu não sabia o por quê, mas com certeza aquilo tinha a ver com o sumiço dele da escola. — Você se lembra que eu te falei alguns anos atrás sobre a minha avó ter descoberto um câncer e ter dito que estava curada? – Ele disse entre alguns soluços, tentando parar o choro. Eu imaginei o que tivesse acontecido, mas por alguns segundos preferi me convencer do contrário. Não consegui dizer uma palavra, acho que por um tempo, entrei em estado de choque. Apenas balancei a cabeça, concordando com ele. — Então... Ela realmente se curou, mas acabou voltando e... – Ele não conseguiu terminar a frase, apenas chorou e eu senti o dever de abraça-lo, retribuindo o que ele fez por mim no outro dia. Fiquei ali com ele por mais de duas horas, até que ele se acalmasse e enfim, se sentisse um pouco melhor. — Eu não preciso dizer que estou contigo, né? – O olhei enquanto passava minha mão entre seus cabelos.
Ele olhou pra mim e abriu o sorriso mais gostoso do mundo. Sorrisos pós choro sempre são lindos, pelo menos na minha opinião, são. — Alícia, me dá um beijo? – Puta que pariu, Tarik. Cara... Eu não podia dar um fora no garoto justo naquele momento. Ele estava mal e eu me sentiria a pior pessoa do universo se fizesse aquilo. — Tarik... – Eu tentei começar a explicar tudo, mas logo desisti quando vi sua carinha. Tudo bem, mais um beijo não ia matar ninguém, não é? — Lícia... – Ele respondeu, como se esperasse o que eu tinha a dizer. — Vem cá... – Foi a última coisa que eu disse antes de sentir sua boca na minha. E lá vamos nós... Alícia, você consegue se enrolar mais do que ninguém.
Acabei adormecendo entre meus pensamentos, acordando com o despertador. Graças ao meu despertador, I Must Be Dreaming, do The Maine, virou uma das músicas mais odiadas por mim. Dica: Se você gosta muito de uma música, nunca a coloque como despertador, isso vai fazer com que você queira explodir a cara do cantor e passe a odiar a música por um bom tempo. Nada novo na escola, tirando que ver a Jade e o Tarik e sentir um grande constrangimento. Eu não sabia como a Jade iria reagir e muito menos ele. Ela continuou na mesma, falava comigo de vez em quando entre uma aula e outra, já que quase ninguém sabia do nosso “lance”. Aliás, nem eu sabia se aquilo era um lance. Nem eu sabia o que era aquilo. Não sabia nem meu nome ultimamente. Será que era mesmo Alícia? Já o Tarik... Bem, ele estava estranho. Bem estranho, agindo quase como se fossemos um casal. Que droga! Dica número dois: Nunca. Nunca. Nunca na sua vida fique com o seu melhor amigo. A situação pode ser bem mais embaraçosa e constrangedora do que você pensa. Eu não sabia como reagir, mas tentei não parecer tão neurótica quanto a aquilo. Eu só sabia que precisava de um jeito de explicar para ele como eu realmente me sentia, porém, infelizmente, isso não podia ser naquele momento, já que ele não estava em uma situação muito boa. A aula seguiu normal e após muito eu insistir, o Tarik não me levou em casa. Enquanto eu dividi minha parte da tarde em: dormir, comer, brincar com o Stitch e brigar com ele por ter destruído minhas coisas, recebi um telefonema. “Putão” estava escrito no visor, enquanto tocava uma música do Bonde da Stronda. Não me julgue, era a única coisa que combinava com o Gabriel. — E aí!!! – Ele me pareceu bem animado. — Fala. – Respondi enquanto jogava uma bolinha na parede do meu quarto e a pegava quando ela rebatia na minha mão. — Que barulho irritante. Para com isso! – Ele disse, provavelmente sobre o barulho da bolinha. — Cara, o quarto é meu e a bolinha é minha e tu que me lig... – Não deu tempo de terminar a frase antes que ele começasse a falar. Ou melhor, gritar. — PARA COM O BARULHO E ME ESCUTA LOGO! FESTA HOJE, CANAL TRÊS, TE MANDO MENSAGEM COM O ENDEREÇO, VAMOS FICAR MUITO DOIDOS! – Ele disse bem empolgado. BEM MESMO. E desligou. Não demorou muito pra ele me mandar o torpedo com o endereço e o horário da festa. Eu nem sabia de quem era a festa e apostava que ele também não. O Gabriel tinha dessa, não importava de quem fosse a festa, o importante era: Tinha festa. Beleza, o dia seguinte era feriado e eu não tinha nada para fazer. Precisava de um tempo da minha vida “amorosa” e... Ia me conter para não ficar tão doida quanto a animação do Gabriel.
Não demorou muito até que eu criasse coragem para levantar da cama e ir me arrumar. Eu não estava tão animada pra essa festa, mas distrair meus pensamentos com música boa e uma ajudinha alcóolica, não me parecia nada mal. Depois de tomar um banho de alguns minutos — ou séculos, já que me recusava a sair de baixo daquela água maravilhosa —, finalmente saí do banheiro e enquanto desfilava em frente ao guarda roupa apenas enrolada em uma toalha, tentava decidir o que usar. Por fim optei por uma calça preta, com alguns rasgos nos joelhos, um tênis de couro, também preto, e uma blusa branca, com alguns detalhes em preto e outros detalhes azuis escuros. Ficou legal, pra quem estava andando apenas com blusas largas nos últimos dias, aquela blusa colada até que ficou boa. Deixei meu cabelo solto, apenas modelei os cachos para que ficassem definidos nas pontas, contrastando com a raiz lisa do cabelo. Após me maquiar, decidi que estava na hora de ir. Já passava das 22h quando decidi sair de casa, tentei ligar pro Gabriel e conseguir uma carona, mas as tentativas foram inúteis, já que ele não me atendeu. Ele provavelmente devia estar com aquela garota, a Luna. O endereço que ele havia me passado não era nada perto, aliás... Era uns quatro bairros da minha casa, eu não ia andando nem ferrando! Que droga, ele bem que podia atender a droga do telefone. — Odeio andar, droga! É bom que essa festa seja muito boa, para compensar. – Resmunguei enquanto procurava um cigarro em um dos meus bolsos. Era o último... A noite estava ficando cada vez melhor!
Depois que meu cigarro acabou e eu não estava nem na metade do caminho ainda, decidi que a melhor opção era pegar um ônibus, pois o meu sedentarismo e a vida de fumante não estavam ajudando. Eu ia acabar chegando lá para a festa de Natal. O ônibus demorou um pouco mais do que o esperado, por conta disso, quando cheguei no tal endereço, já tinha bastante gente por lá. A casa era consideravelmente grande, ainda mais pelo lugar. Não era um bairro chique, mas com certeza aquela casa chamava a atenção. Haviam dois andares e assim que entrei, pude ver que ela era maior ainda por dentro. As luzes estavam apagadas e em alguns cômodos haviam trocado as lâmpadas por lâmpadas fluorescentes, ou luzes negras. A decoração estava bem maneira. Na playlist tocava alguma eletrônica que eu não conhecia, mas parecia fazer sucesso, já que todos em volta estavam dançando. Ou talvez estivessem chapados demais. E eu sóbria... Precisava resolver aquilo!
— Achei tudo, menos o bar... Af! – Resmunguei comigo mesma de novo, pra variar. — Acho que alguém está de mau humor. O bar é pra lá, morena. – Ouvi a voz de uma guria atrás de mim, assim que me virei, ela abriu um sorriso.
Não, eu não a conhecia, mas ela era bem bonitinha e me chamou de morena, poderíamos casar facilmente, eu não me importaria.
— Ah, valeu. E não é mau humor, é sobriedade. – Respondi em um tom de brincadeira, após ter parecido chata por estar resmungando comigo mesma.
Fui na direção que a guria me indicou e bingo! Cheguei no bar. Pra dizer a verdade, era mais um balcão com algumas geladeiras em volta, e tinha bastante gente por ali, o que deixava tudo com um calor do caralho. Assim que passei os olhos pelo balcão, vi uma tequila. Ok, Alícia, chega de reclamar, a vida é linda! Um cara percebeu o brilho nos meus olhos ao ver a garrafa e logo encheu uma dose, ele parecia ser apenas um pouco mais velho que eu e estar muito mais doido. Minha mãe sempre me disse pra não aceitar bebidas de estranho, mas era tequila.
— Vira, vira, vira! – Pude ouvir alguém gritando atrás de mim e levei como um incentivo. Virei.
O gosto não era lá essas coisas, mas era algo que me deixaria tonta rápido, e eu precisava daquilo. Fiquei um tempo no bar e umas duas doses depois, decidi parar e beber algo mais doce, para não ficar bêbada tão rápido e acabar vomitando.
Passei por uma rodinha na qual eu conhecia uns dois caras que estudaram comigo durante o fundamental. Eles me abraçaram como se fôssemos amigos de infância, bêbado é foda, cara. É melhor amigo de todo mundo. Eu estava quase indo embora quando vi algo queimar na mão deles: um baseado. Amém! — Então quer dizer que Alícia, a senhora “número um do colégio Kennedy” fuma maconha? Hahahahaha! – O Nicolas quase chorou de rir.
Era engraçado ver como eu havia mudado ao longo dos anos, mas não tanto quando ele estava rindo. Como eu disse, bêbado é foda. Eu nem me lembrava mais como eu era durante o Kennedy, mas ele me fez lembrar. Eu sempre fui a número um da sala, quem sabe até da escola. Era o tipo que os professores olhavam e jurava que eu seria brilhante. Puff, olha só como eu estava. Ele finalmente me passou a “bola” e pude aproveitar a minha brisa. Mas não por muito tempo, já que eles insistiram em ficar falando do tempo da escola. Não que eu não gostasse do meu passado, eu gostava, esse era o problema. De uns anos pra cá minha vida havia decaído de maneira inesperada, eu quase não tive controle sobre aquilo. Talvez eu pudesse ter desapontado muita gente com isso. Aliás, eu desapontei. Mas... Porra, eu estava em uma festa tendo um momento de reflexão? Credo! Voltei pro bar, era o melhor a se fazer. Peguei um dos copos que já estavam prontos ali em cima, sem nem ao menos saber o que era. Mas parecia ser vodca, menos mal, era bom. Depois de alguns copos e estar com a roupa quase com 90% de álcool, já que esbarraram em mim muitas e muitas vezes, decidi ir ao banheiro. Eu não havia encontrado ninguém realmente conhecido, que droga! Onde estaria o Gabriel, cara? Eu estava passando pela sala enquanto novamente resmungava comigo mesma.
— Essa mina é foda, cara. Por que ela fica no pé dele? Credo! Eu já teria encontrado ele se não fosse aquela... Luna? – Antes de terminar a frase, pude ver que ela estava vindo na minha direção, ela me encarou em silêncio e saiu da minha frente bem rápido. A cara dela não estava nada boa, parecia a de quem estava chorando ou ia chorar. Olhei em volta para ver se o Gabriel estava por perto e então eu o vi. Com outra mina. Eu nem tinha intimidade com ela, mas na hora senti raiva dele. Olhei para trás e a vi subindo as escadas da casa rapidamente, quase esbarrando em todos, como se fugisse de algo — daquela cena, no caso. Aquilo me deixou bem curiosa, e puta também, não que eu tivesse algo a ver, mas eu não estava tão sóbria e aquilo me interessou. Subi as escadas logo atrás dela e pude vê-la entrando em um dos quartos e fechando a porta. Abri a porta alguns minutos depois que ela entrou e ela olhou pra trás rapidamente. — Luna? – Perguntei em um tom não tão alto enquanto abria a porta calmamente. Fechei a porta atrás de mim e ela logo se virou, ficando de pé e me encarando por alguns segundos, mas logo desviou o olhar. — Ei, qual foi? Tu costuma chorar em festas? Que isso! – Perguntei tentando tirar uma onda e amenizar o clima, mas ela logo voltou a me encarar, sem um sorriso no rosto, apenas lágrimas. Ela definitivamente estava chorando. Eu nunca sabia o que fazer quando as pessoas choravam perto de mim, ainda mais ela. Eu queria ajudar, mas não tínhamos a mínima intimidade pra isso. Quero dizer, eu a conhecia, já havia esbarrado com ela algumas vezes, mas nada que me desse o direito de me intrometer na vida dela. Mas eu podia imaginar como ela estava se sentindo, ser traída assim, na frente de todo mundo... Eu sempre soube que o Gabriel era putão, mas desde o começo, quando vi os dois juntos pela primeira vez, torci pra que ele não a magoasse, pois ela não era o tipo de garota que merecia passar por essas coisas. Mas o Gabriel também não era o tipo de cara que sabia diferenciar as putas das minas de fé. — Luna, eu... Eu sinto muito. Eu imagino como você deva estar se sentindo, eu via o quanto tu gostava do Gabriel e até achava que ele gostava de você também, mas a verdade é que ele é um babaca e... – Desisti de continuar a falar assim que ela chorou ainda mais ao ouvir o que eu disse. Eu não estava entendendo nada. – Porra, não chora... Eu falei alguma coisa errada? Me desculpa. Olha, eu tô indo nessa. Foi mal mesmo. – Eu ficava nervosa com gente chorando perto de mim, ainda mais chorando após algo que eu disse. Estava me virando pra ir embora, enquanto ela olhava pro chão, tentando secar as lágrimas, até que... — Alícia. Espera! – Ela disse enquanto eu me preparava para ir embora. Me virei e fiquei em silêncio, apenas esperando o que ela tinha a dizer. Não queria parecer estar invadindo a privacidade dela ou a pressionando, então, tentei parecer o mais natural possível. — Não é nada com você nem com o que você disse, de verdade. – Ela deu uma pausa, tentando conter as lágrimas e eu me sentei na cama, para que pudesse a ouvir.
Capítulo 19
Capítulo 19
Tomei meu primeiro café, de fato, em menos de 15 minutos. A única certeza que eu tinha era essa necessidade de tomar o café. Depois dali não sabia para onde ir, até porque minhas aulas começariam na manhã seguinte. Depois de tanto rodar e sempre parar na frente do refeitório, decidi voltar para o quarto e procurar o meu horário.
Caminhei cuidadosamente até meu dormitório. Pesquei as chaves no bolso esquerdo e abri a porta ruidosamente. Acendi as luzes, larguei a bolsa na cadeira e, opa!, pisei em um papel. Boa! Tudo que me faltava era mais um incidente. Peguei o papel e lá estava o mapa do campus e meus horários dos próximos dias. Passei o restante do dia fotografando um pouco do meu novo lar, mandando e-mails dizendo que eu já estava acomodada. Procurei minhas salas de aula e, claro, esbarrei com Deus e o mundo e passando muita vergonha.
Enquanto você dormia
— Analu, fica quieta filha. Não sou tão bom assim pra te trocar, sua avó me deixou aqui sozinho com você como se eu soubesse cuidar de você tão bem, nem de mim sei cuidar filha.- Ela abria aquele sorriso sem nenhum dente que me encantava, Analu estava com dois meses de vida, mesmo tão novinha era muito esperta e não ficava quieta. - Sua mãe ia ser de grande ajuda aqui, ela ia te trocar com toda calma do mundo é tenho certeza que você ia ficar quietinha. - Catarina estava ainda em coma, sempre que ia lá ela apertava minha mão, o doutor dizia que ela estava indo bem e a qualquer hora poderia acordar..queria levar Analu, mas eles nunca deixavam ela ia ajudar demais trazer a mãe dela de volta, eu não gostava de deixar Analu sozinha sempre levava ela comigo nas viagens que diminuirão, as vezes minha mãe me acompanhava por causa dela, mas hoje ela não estava aqui e estávamos atrasados para ir ao local do show. - Tudo bem Analu, eu te arrumo quando chegarmos lá.
Pego Analu e um cobertor lilas e enrolo ela, ela odiava quando enrolava ela no cobertor, sempre tirava os bracinhos para fora era uma briga eterna entre eu e Analu, pego sua bolsa e então saio do hotel e vou direto para van, onde cubro novamente os braços de Analu e novamente ela tira os braços resmungando.
Desisto de colocar os braços dela dentro do cobertor, quando chegamos ao local do show que era um festival em salvador tinha muita gente, ia atender o pessoal ali, mas Analu começou a chorar com os flashes então resolvi entrar. Andava pelo corredor tentando colocar os braços dela dentro do cobertor, mas ela estava resmungado
— Desisto Analu, você é teimosa igual a sua mãe. Falando nela vou te levar pra conhecer ela. - Ela da um gritinho que chama atenção de alguns no corredor - É filha, sua mãe é linda mesmo dormindo.
Entro no camarim e me sento no sofá, tirando co cobertor dela pego uma faixa que estava na bolsa dela é coloco em sua cabeça sabendo que alguns minutos ela ia tirar pra colocar na boca.
— Luan, vai se ajeitando ai pra atender o pessoal da imprensa e os fãs. — Beleza boi. - Digo olhando pro rober. - Analu vai ficar quieta aqui né? - Entrego ela para Rober que ficou brincando com sua barba.
Me ajeito então começa a entrar os fãs e não demorou nem se quer cinco minutos para Analu começar a chorar e querer meu colo, então peguei ela no colo que parou de chorar.
— O jeito é você me ajudar a receber os fãs né filha. - Ela adorava a atenção que eles davam a ela sempre mimando.
Entravam os fãs e atenção era pra ela, devo começar a me acostumar com isso, quando a ultima fã sai a imprensa entra e Analu não queria sair do meu colo.
— Então Luan, Catarina como esta o estado dela? — Ainda esta em coma, o medico diz que ela pode acordar a qualquer hora. — Analu esta com quantos meses? — Dois, não parece é muito esperta adora ficar no meu colo só pra receber mimos de quem entra aqui. - Naquele momento ela queria pegar o microfone da repórter e dava uns gritinhos.
*-
Estava no corredor do hospital, Analu dormia em meu colo depois que insisti tanto eles deixaram eu levar Analu, minha mãe estava estranha quando me ligou dizendo que o medico tinha permitido.. meu coração estava apertado.. Quando liberaram a nossa entrada vou a caminho da cama de Catarina, eu sabia que tinha acontecido algo, a minha Cat estava sentada na cama e uma enfermeira ao lado dela, seus olhos estavam abertos e quando ela nos viu as lagrimas começaram a cair.
— Cat, essa é a Analu a nossa filha, quer segurar? — Ela não tem forças ainda. - A enfermeira diz e nops deixa sozinhos. — Eu te ajudo. - Pedi para ela ir um pouco para o lado e me sentir ao seu lado na cama esticando minhas pernas na mesma a puxei devagar para meu colo e coloquei Analu em seus braços ajudando ela a segurar. — Ela é tão linda - Finalamente eu escutei aqueça voz que tanto procurava. — Ela se parece com você. — Obrigada por cuidar dela. — Eu vou cuidar de vocês duas até eu morrer, não duvida disto. — Como tem sido Luan? — Desdo dia que tudo aconteceu, foi um dia pior que outro. Até o nascimento da Analu, eu levo ela pras viagens pra não ficar sozinho e enlouquecer, ela ama receber atenção de quem entra no camarim. Ela é teimosa igual você. — Você, poderia ter me deixado.. — Eu estaria me deixando também Catarina, eu te amo não duvida disto. — Eu quero sair daqui e cuidar da minha filha. — Comprei uma casa, ela não é grande. Tem um jardim lindo onde Analu pode brincar.. — Eu te ouvia.. te ouvia toda vez que você falava, ouvia você cantando, chorando, falando da Analu — Não me deixe novamente Cat, não irei aguentar..de novo não..
Catarina sorri e beijo sua testa, Analu acordou nos braços da mãe , parecia que a conhecia pois deu um sorriso enorme ao ver ela pela primeira vez. Ficamos aquela tarde brincando com Analu até a enfermeira me expulsar do quarto por ter deitado na cama com Catarina.
O que mais dói - Capitulo 2O
Capítulo 19
Anteriormente em Happiness: Alexia e Bianca discutem, acabam brigando e o pai da Alexia, que também é o diretor do colégio, chega e manda as duas para sua sala. Alexia e o pai discutem, mas após discussão a menina é libera e encontra sua tão esperada “liberdade”. Encontra Nicolas do lado de fora e eles saem pela cidade sem rumo. Hayley está solitária em casa, pelo menos era o que ela pensava. Hay recebe uma visita inesperada e fica bastante surpresa. Nicolas e Alexia seguem até o outro lado da cidade e decidem que cansaram de resistir ao incrível amor que habita em seus corações ...
Hayley narrando :
Eu : O que você está fazendo aqui ? – a surpresa era estampada na minha voz – Perdeu a voz Mase ?
Mase : Não, estava admirando sua cara de surpresa. Tenho que admitir que até assim você fica linda – Oi ? Ele nunca falou assim comigo.
Eu : Para com isso e fala logo o que você quer – ele deu de ombros e se aproximou de mim, recuei um passo e ele deu mais um, quando tentei chegar mais um pouco para trás cai sentada da cama.
Mase : Por que eu tenho que querer alguma coisa ? Não posso simplesmente ter vindo conversar, ou apenas ver como você está depois do que aconteceu no outro dia ?
Eu : Não faz o seu tipo, e se realmente tivesse vindo para fazer alguma dessas coisas estaria esperando do lado de fora, como as pessoas normais fazem. Aposto que não teria o trabalho de invadir a minha casa – pareceu pensar nos meus argumentos, e quando acabou sorriu e deu de ombros.
Mase : Está certa, eu vim atrás de alguma coisa – me ajeitei na cama e ele foi até a janela – Vim cobrar o favor que você ficou me devendo – meu sangue gelou e eu não conseguia me mexer – Não precisa dessa cara, não vou pedir uma coisa absurda.
Eu : Então fala logo – minha voz saiu arrastada e o medo era bem aparente.
Mase : São duas coisas.
Eu : Fala.
Mase : Tem que me ajudar a entrar na casa da Alexia mais tarde, e eu quero que você me mantenha informado de tudo o que acontece dentro daquela casa – apontou para a janela vizinha, que estava fechada, como em todos os outros dias.
Eu : Acho que você consegue fazer isso sem a minha ajuda.
Mase : Sim, mas eu não consigo fazer isso de um jeito civilizado e discreto.
Eu : Não quero trair a confiança do Nick, ele me disse tantas coisas ruins sobre você e vou me sentir uma traíra de compactuar com esse seu plano obsessivo.
Mase : Não tem plano obsessivo, eu só estou cuidando da Alexia. E você não parece acreditar muito em tudo o que ele te disse, já que você tem passado mais tempo comigo do que com ele.
Eu : Não quero fazer parte disso.
Mase : Você ficou me devendo um favor, e eu nunca gasto meus favores com algo que eu mesmo poderia fazer. Mas se você quer correr o risco de fazer algo pior ...
Eu : Ta bom, eu te ajudo. Hoje a família vai sair, a madrasta da Alexia comentou com a minha mãe e eu acabei ouvindo. Não tem como entrar pelo quarto dela, mas a janela do irmão está sempre aberta, é só entrar pelo quarto dele.
Mase : Está bem, e a segunda parte ?
Eu : Anota o meu número.
Mase : Vou te ligar uma vez por semana para saber o que está rolando. E não se preocupe, não vou contar para ninguém sobre a nossa aliança temporária.
Eu : Não tem aliança nenhuma, só estou pagando minha divida com você.
Mase : Se você quer chamar assim – deu de ombros e foi até a porta – Vou ficar aqui até de noite, e estou com fome. Você bem que podia fazer algo para a gente comer, já que sua mãe te ensinou a ser educada com as visitas.
Eu : Visitas são convidadas – falei enquanto íamos até a cozinha – E eu não convidei você.
Mase : Sua mãe não te ensinou que deve tratar bem as visitas ? Pois a minha ensinou ! – aquelas palavras me fizeram viajar, será que ele realmente tinha uma família ?
Eu : Posso perguntar uma coisa ? – assentiu e sentou no balcão – Você tem família ? – vi a escuridão tomar conta dos seus olhos, podia sentir a dor que tinha dentro deles – Não precisa responder.
Mase : Não, tudo bem – ele respirou fundo e olhou para mim – Já tive, meu pai nunca foi muito presente e minha mãe também não, mas quando ela estava comigo eram os melhores dias. Quando eu tinha 16 anos ela me mandou para longe e a gente brigou muito por isso, brigamos mais ainda quando ela me contou seus segredos, eu fiz uma promessa e depois disso eu nunca mais a vi. Fiquei sabendo uns dias depois que ela tinha se matado, e me senti culpado, por saber que ela carregou tantos segredos por causa de mim e acabou sendo sufocada por eles.
Eu : Nossa, eu sinto muito por isso. É uma historia muito triste, e se as pessoas soubessem disso não iam te achar tão ... mau.
Mase : Eu sou desse jeito com as pessoas porque eu quero, não tenho o direito de colocar a culpa em cima de outra pessoa além de mim mesmo.
Eu : Você não é tão assustador quanto parece – ele levantou o rosto, e só assim eu percebi que estávamos próximos um do outro, dei um passo para trás e ele riu.
Mase : Não sou tão assustador mas você continua a ter medo.
Eu : Não tenho medo, só não confio.
Mase : Então continue assim, não sou uma pessoa muito confiável.
Eu : Não diga isso sobre você.
Mase : Eu sei quem eu sou e não vou fugir disso. Agora vamos mudar de assunto – assenti e fiz um sanduíche para nós dois.
Nicolas narrando : Eu e Alexia curtimos uma parte da noite juntos, mas eu recebi uma ligação da minha mãe e discutimos por telefone, acabei decidindo ir para casa conversar com ela. Nós voltamos para o bar e peguei meu carro, seguimos para a casa da Lexi logo em seguida.
Eu : Está entregue – sorriu.
Alexia : Obrigada – me puxou para um beijo e nós só nos soltamos quando o fôlego não existia mais – Boa noite.
Eu : Boa noite – lhe dei um selinho e ela abriu a porta do carro – Lexi ? – olhou para mim e sorriu – Espero que amanhã as coisas não mudem – o sorriso em seu rosto se desfez e ela pareceu pensar.
Alexia : Eu também espero – Fechou a porta e entrou. Fui para casa e quando abri a porta dei de cara com o meu pai no sofá.
Eu : Pai ? O que você está fazendo aqui ?
Tina : Nós queremos conversar com você – olhei da minha mãe para o meu pai, nenhum dos dois esboçaram uma emoção. Respirei fundo e fui até o sofá, me sentei e esperei eles começarem a falar. – Onde você passou o dia ?
Eu : Fui dar uma volta.
Ricardo : Com quem ?
Eu : Ninguém.
Tina : Você está mentindo, eu sei que você estava com aquela menina – perdeu um pouco sua pose de mulher controlada ao falar isso, mas logo se recompôs.
Eu : E se eu tivesse ? O que vocês tem com isso ?
Ricardo : Olha como você fala, nós somos seus pais – revirei os olhos – Olha aqui garoto, eu vou ter que te lembrar de tudo o que aquela garota nos fez passar ? Você já esqueceu ?
Eu : Não esqueci ...
Ricardo : Pois não parece – nem me deixou terminar - Sua mãe me contou que você tem passado tempo demais com a assassina do seu irmão.
Eu : Ela não matou ninguém, vocês tiraram conclusões dessas cabeças malucas de vocês.
Tina : Olha o que ela fez com você, está tentando colocar você contra sua própria família.
Eu : Ela não fez nada disso, vocês que estão se colocando contra mim. Eu já tenho 18 anos e sei o que é melhor para mim.
Ricardo : Ter 18 anos não te torna um homem, você é um moleque que só faz merda. Mas dessa vez eu não vou deixar você estragar tudo.
Eu : Você sempre preferiu ele, o certinho do papai, e eu sou o merda que não faz droga nenhuma. Aposto que você pede todas as noites para trazerem o menino de ouro de volta e levarem o merda aqui no lugar. Mas pode ficar tranquilo, não vai me aguentar por muito tempo – Joguei todas as palavras na sua cara e subi, vi minha mãe tentando vir atrás de mim, mas ele a impediu e a discussão voltou a acontecer. Encontrei Diane no corredor e ela nem olhou para mim, provavelmente descobriu sobre minha nova relação com Alexia e estava fervendo de ódio, ela consegue odiar a Alexia mais do que meus pais.
Alexia narrando : Cheguei em casa e vi que não tinha ninguém, fui até a cozinha e vi um bilhete em cima da bancada.
“Minha filha, fomos jantar na casa da família da Chris, vamos voltar tarde e deixei dinheiro para você comprar comida, beijos. Ass : Papai.”
Rasguei o papel e joguei no lixo, peguei o telefone do meu restaurante favorito e quando estava prestes a ligar ouvi um barulho no andar de cima. Deixei o telefone em cima da bancada e peguei uma faca grande na gaveta, andei com cuidado e verifiquei a sala, nada. Fui para a escada e comecei a subir em passos lentos e silenciosos, mas parei quando vi uma pessoa na minha frente.
Mase : Larga essa faca, sou eu – Nunca fiquei tão aliviada de ver que era do Mase.
Eu : O que você esta fazendo aí e como entrou na minha casa ? – abaixei a faca.
Mase : Estou descendo a escada, e um mágico nunca revela seus segredos – revirei os olhos.
Eu : Não quero saber dos seus truques, agora você já pode ir embora.
Mase : Eu vim aqui por um motivo, não vai nem querer saber o que é ? – não faria mal saber o que ele quer, né ? Então fiz um sinal para ele continuar – Sua maior defeito sempre foi a curiosidade – riu e terminou de descer as escadas.
Eu : Não enrola, fala logo antes que eu desista e te expulse. – Tirou um envelope do bolso da jaqueta e estendeu para mim.
Mase : Tem uma coisa que você vai gostar de saber aí dentro. – joguei o envelope em um canto da sala.
Eu : Não caio nas suas mentiras, já veio entregar seu veneno agora já pode ir embora. – Fui até a porta e abri para ele sair, mas dei de cara com quem eu menos queria ver naquele momento. Ela olhou para o Mase e depois para mim, e pude ver um sorriso diabólico surgir em sou rosto.
Próximo.