Capítulo 117
Meu pai ainda estava chocado.
Ele se aproximava lentamente da entrada do colégio sem entender o que acontecia.
"Boreal . . . Me explica" ele olhava pra mim confuso.
"Eu. . . Também quero entender. . ."
Charlie repentinamente começou a latir muito e empurrar eu e meu pai com as duas patas.
Foi a primeira vez que vi ele interagir com meu pai sem ser pra rosnar.
Ele latia e rosnava mas . . . Era diferente.
"O que houve ?!" meu pai falava assustado olhando pras atitudes estranhas de Charlie.
Mas Charlie continuava.
"Ele tá seguindo as ordens do Armin pai . . . O Armin mandou ele cuidar de mim e eu não sair de casa.
Armin voltou pra escola pra ver o que estava acontecendo.
Eu fiquei presa em um buraco com varias meninas e nossa . . . Uma confusão.
Resumidamente, o Dake nos colocou pra fora por uma passagem no fundo do colégio e falou para me manter afastada." falei.
"E porque voltou ? Se ele falou isso é porque algo de errado iria acontecer contigo. Você sabe que estão te perseguindo." meu pai parecia preocupado e irritado nessa hora.
"Meus amigos, minha mãe, meu namorado, todo mundo ta ai dentro ! Acha mesmo que eu ia conseguir ficar em casa parada ? Eu sequer sei o que tá acontecendo !! Todos estão incomunicáveis !" respondi.
Meu pai então respirou fundo e me deu a mão.
"Eu sei que você vai mesmo se eu te mandar pra casa . . . Você sempre passa por cima.
Então já que é pra ir . . . Vou contigo." ele dizia.
Charlie começou a latir mais ainda e ameaçou morder pela primeira vez . . . Porém, obviamente ele não o fez, afinal, ele tinha veneno e sabia bem disso.
"Charlie ! O que deu em você ?!" falei espantada e gritando.
Ele então se acalmou e começou a andar na nossa frente . . . Ele estava tão confuso hoje.
Muitas pessoas se aglomeravam em frente ao colégio.
Fomos direto na porta do auditório, mas estava trancada e . . . Dava choque ? Era algo estranho.
"Minha mãe e todos os pais estavam ai dentro . . . " Eu dizia.
"Temos que entrar ai . . . Tem outro caminho ??" meu pai falou olhando o prédio.
". . . . Tem um buraco que da no auditório, onde eu fiquei presa. Dá pra acessar a partir o porão." falei.
Charlie estava muito inquieto e tentava entrar no auditório pela porta mas ele mal conseguia encostar na porta.
"Lá estava trancado mas . . . Com a super força do Charlie quem sabe consigamos entrar. Talvez lá não esteja sendo eletrocutado ou sei la o que." falei.
Meu pai parecia preocupado demais.
Ele então foi em frente, até a estufa do jardim e começou a mexer na maleta de equipamentos de jardinagem.
"A escola está bem vazia . . . " ele resmungava.
"Enquanto eu estava no buraco mandaram todos se dividirem, as meninas em uma sala, os meninos em outra e os pais no auditório . . . Só quem estava comigo eu vi fugir."
Meu pai então repentinamente me entregou uma tesoura da jardineiro.
"Pra que isso ?" perguntei assustada.
"Tem 2 organizações atrás de você, demônios, fantasmas, tudo rondando sua vida. De repente temos brilhos por aqui e todo mundo desaparece. Seu amigo mais próximo dos responsáveis do colégio te manda ficar afastada . . . Se quer andar nesse colégio comigo vai andar com algo que te permita se proteger, caso contrario, vai voltar pra casa." meu pai falava bem sério.
Era estranho pensar que ele me deu uma tesoura enorme pra que eu me defendesse . . .É estranho pensar que eu vou me defender de algo.
Espero que seja só precaução.
Ele pegou uma pá e seguimos pra dentro do colégio, que inclusive, estava trancado.
"Que estranho. . ." ele falava enquanto Charlie quebrava a porta.
Assim que entramos estava tudo vazio.
Fomos abrindo porta por porta do corredor pra ver se achávamos alguma alma por ali, mas não tinha ninguém.
Por fim, ouvi um som. Estava tudo vazio e silencioso demais, era fácil ouvir qualquer som emitido.
Calmamente seguimos o som, dava na sala do grêmio.
Charlie ia na frente, meu pai vinha em seguida e eu atrás dos dois.
Todos apreensivos.
Então começamos a vasculhar a sala toda.
Eu me mantive na porta.
Por fim, meu pai abriu o armário de papeis.
Ele estava em prontidão com a pá na mão, porém, ouvi som de choro intenso e em seguida vi pequenas mãos abraçarem o pescoço do meu pai.
Era a Bia.
"Bia ?! O que faz aqui ?! Dake não mandou todas vocês pra casa ?!" eu falei espantada e relaxando.
". . . S-Sim . . . Desculpa . . . Mas . . . Quando ouvi a conversa e quando vi o desespero dele voltando pro colégio falando que tinha que ir onde estavam os pais eu entrei em pânico.
Minha mãe ! Ela tá naquele auditório e não atende nenhuma ligação . . . " Bia chorava intensamente.
Eu não posso condena-la nem culpa-la de nada . . . Eu fiz o mesmo.
Então abracei ela, que colou no meu tronco na mesma hora.
Ela chorava muito.
"OK . . . E porque se escondeu no armário ?" meu pai questionou.
"Eu . . . Ouvi tiro mais cedo vindo do corredor.
E muitas pessoas gritando. Eu fiquei em pânico e corri pra primeira sala aberta e me tranquei no armário. Não sei quanto tempo se passou mas . . . Mas estou apavorada." Bia tremia muito.
Eu imagino o nervosismo que ela passou.
"Bia . . . Você viu mais alguém ? Armin ? Dake ?" perguntei.
"Não . . . Eu só vi um homem de cabelo verde passando no corredor em um dos momentos que tentei sair, parecia o jardineiro antigo, mas eu estava com tanto medo que voltei. O que tá acontecendo ?" ela perguntava.
"Também queremos saber . . . " respondi preocupada.
"Bem . . . Não podemos te deixar sozinha. . ." meu pai dizia.
"Eu . . .posso ir com vocês ?" ela falava timidamente.
"Melhor ir pra casa . . . Já acho que a Boreal não devia estar aqui.
Pode deixar que vamos procurar cuidar bem de todos os envolvidos."
Bia pareceu se sentir contrariada mas não questionou.
Então saímos para leva-la a saída.
Ao chegar na porta de entrada dos corredores para o pátio . . . Algo MUITO estranho aconteceu.
". . . Cadê a porta . . . ??" falei espantada.
Pude ver claramente os olhos de Bia e meu pai ficando enormes de tanto espanto.
"Passamos por ela agora . . . O que houve ?!" meu pai dizia.
Passávamos a mão por toda a parede e não tinha nem sinal de que existiu uma porta por ali um dia.
"OK . . . não é hora pra questionamentos. Vendo isso eu concluo que precisamos achar o resto do pessoal e sair daqui o mais rápido possível. Tem algo estranho acontecendo DE VERDADE." meu pai dizia bem sério.
Nós então demos meia volta e começamos a caminhar pro interior do colégio.
Eu e Bia íamos atrás do Charlie e do meu pai que averiguava todas as salas em busca de pessoas.
Ouvimos sons de vozes vindo do segundo andar.
Meu pai mandou eu e Bia ficarmos pra trás com Charlie que ele ia ver. Obviamente recusei.
"Pai, pensa bem. O melhor agora é ficar todo mundo junto. Você sabe que existe gente com super força por aqui e não vai bater de frente com um desses, pra isso só temos o Charlie.
Temos que ficar todos juntos." meu pai respirou fundo e por fim concordou.
Subimos as escadas lentamente e cautelosamente.
Aos poucos as vozes ficavam mais altas.
"Eu tenho certeza do que eu vi !! Parem de me tratar como louco !" eu ouvia. Parecia a voz do Castiel.
"NÃO É HORA PRA ISSO ! TEMOS QUE ENTRAR NAQUELE AUDITÓRIO ANTES QUE O DAKOTA DESMAIE" pude reconhecer bem aquela voz, era do Nathaniel.
Eu então tomei frente e segui a voz.
Estava na sala de artes.
Eu abri a porta de repente.
Armin, Dake, Nathaniel, Azriel e Castiel estavam ali.
"Boreal ?!" Armin gritou espantado e se aproximando.
"O que houve ?!" perguntei.
"EU QUEM PERGUNTO !! O QUE FAZ AQUI ?! MANDEI VOCÊ FICAR EM CASA ! O DAKOTA FALOU QUE ERA PERIGOSO !!" Ele gritava.
"E VOCÊ ACHA MESMO QUE EU IA FICAR EM CASA COM VOCÊS TODOS AQUI NO COLÉGIO SEM SEQUER ME DAR SINAL DE VIDA ?! PARECE QUE NÃO ME CONHECE !" eu gritei de volta.
"EM OUTRA SITUAÇÃO EU ACEITARIA SEUS ARGUMENTOS ! MAS AGORA, É UMA SITUAÇÃO ARRISCADA ! SERÁ QUE NÃO PENSA QUE O FATO DE TERMOS QUE PROTEGER VOCÊ DE ALGUMA COISA VAI ACABAR NOS DEIXANDO VULNERÁVEIS ?!" Armin gritava ainda mais irritado.
"Então que não me protejam ! EU NÃO PEDI PRA SER TRATADA FEITO UMA PRINCESA EM PERIGO CHEIA DE CAVALEIRO NO CAVALO BRANCO QUERENDO ME PROTEGER !" gritei ainda mais alto.
"SE TOCA UM POUCO QUE VOCÊ EM PERIGO VAI DEIXAR TODO MUNDO EM PERIGO !! NÃO É QUESTÃO DE TRATARMOS VOCÊ COMO PRINCESA ! MAS A QUESTÃO É QUE NÃO SABEMOS O QUE QUEREM FAZER E ISSO PODE SIM PREJUDICAR TODO MUNDO !! PENSA UM POUCO SUA AMEBA !!
EU SOU O PRIMEIRO A ACHAR QUE VOCÊ DEVE TOMAR DECISÕES SOBRE A SUA VIDA ! MAS QUANDO ELAS INTERFEREM COM A VIDA DE MAIS PESSOAS TEMOS QUE PARAR PRA PENSAR ! AINDA MAIS PORQUE FOI AVISADO PRA VOCÊ NÃO VOLTAR !" Armin estava MUITO irritado.
"Armin . . . Não temos o que fazer, só resta aceita que ela tá aqui." Nathaniel se meteu.
"NÃO ! VOCÊ VAI PRA CASA AGORA BOREAL ! JÁ ESTÁ UM INFERNO PRA NÓS AQUI DENTRO !" ele gritou ainda mais forte e me puxando.
"NÃO ! EU QUERO AJUDAR E VOU !" eu puxei meu braço de uma vez.
"Armin . . Eu não queria que ela viesse também. E você sabe que ela é teimosa. Pensa: Seria pior se ela estivesse sozinha agora andando pelo colégio. Ainda bem que encontramos com ela não acha ?" meu pai respondia.
"A questão não é essa ! Porque ela não pode só ficar em casa e esperar ?! Foi avisado que estão atrás dela !! DÁ PRA ELA SER MENOS TEIMOSA AS VEZES ?!" Armin dizia desesperado olhando pro meu pai.
"Foi avisado pra você que você destruiria linhas se ficasse comigo, qual foi sua resposta ? Que ia continuar.
Você não ligou pra vida dos outros. E eu não te julgo por isso." respondi ríspida.
"A questão é: não sabemos se é verdade ! É uma suposição da Debrah." ele falou.
"A questão REAL é: VOCÊ É TÃO TEIMOSO QUANTO OU ATÉ MAIS QUE EU. Se algo sai do seu controle você pira e se torna ainda mais cabeça dura." gritei.
"Tá Boreal ! Chega !" Armin gritou colocando a mão na cabeça.
"De qualquer forma . . . Não temos como ir embora . . . A porta de entrada desapareceu." Bia dizia finalmente.
"Outra louca . . . Tinha que ser a Bia. . . " Armin falou se sentando irritado.
"VIU !? EU NÃO FUI O ÚNICO QUE VIU ! " Azriel dizia.
"Nós vimos também com a Bia. A porta de entrada realmente sumiu." meu pai falava.
"Mas . . . A de entrada também ? O que tá acontecendo ?" Azriel falava.
"Também ?" o que ele quis dizer ?
"A porta do auditório havia desaparecido. . . "Azriel dizia.
"Nós passamos pelo auditório e a porta estava lá. Mas estava com algo que parecia eletrocutar ela." eu respondi.
"Não é possível . . . "
"Com mais gente podemos despachar o Nathaniel e o Dakota." Armin falava se levantando.
"Pelo visto o remédio do Dajan fez efeito na sua perna . . . " ele falou enquanto passava por mim. Eu havia me esquecido da perna.
Azriel colocou o Dake nas costas e Castiel colocou o Nathaniel, então todos nós descemos as escadas.
"O que houve com sua cadeira ?" perguntei no caminho.
"Eu não sei . . . acordei na sala de artes depois que fui pro local indicado pela diretora . . .
Ela reuniu todos os alunos e eu não lembro o que houve, só de ter sido acordado pelo Azriel." Nath respondia.
"Eu encontrei com o Armin carregando o Dake e quando estava ajudando a por os alunos pra fora, ou no caso, achar alunos pra por pra fora, eu encontrei o Nathaniel lá na sala. Então chamei o Armin e o Dake e no caminho o Castiel apareceu." Azriel dizia.
Assim que chegamos no corredor . . . Armin parou incrédulo e correu até a porta de entrada.
"Não é possível . . . Onde está a porta ?!" ele berrava enquanto passava a mão na parede procurando indícios de porta.
"Não tem jeito . . . Vamos ter que sair daqui por outro lugar." Azriel dizia.
"E as janelas ?" Castiel falou.
"AS JANELAS ! FINALMENTE CASTIEL DEU UMA IDEIA QUE PRESTE !" Armin falou rindo.
"VAI TOMAR NO CU !" Castiel gritou.
Todos então saíram pelas janelas e então notamos que . . . o auditório estava aberto.
Eu fui correndo até lá, mas Armin me parou.
"Eu acho que se o Dakota falou pra não irmos pro auditório contigo, tinha motivo, deixa de ser afobada." ele dizia.
"Eu, Charlie e o Armin vamos na frente, vocês aguardam ok ?" meu pai dizia.
"MAS EU QUERO IR !" gritei.
"Não Boreal ! Temos que ver se é seguro." meu pai dizia.
"Boreal . . . Escuta seu pai . . . " Dake falou fraquejando . . . Aquilo me deixou bem triste mas eu obedeci.
Eles então entraram no auditório.
Demoraram um tempo, um bom tempo na verdade . . .
Eu estava nervosa, andava de um lado para o outro inquieta.
De repente ouvi gritos, gritos altos, muito alto mesmo !
Eu fiquei desesperada.
Castiel soltou o Nathaniel de uma vez e foi correndo até o auditório.
Eu fui atrás, mas antes que eu pudesse entrar o Armin surgiu na porta de uma vez me segurando.
Armin me empurrava contra o lado de fora do auditório.
"O que aconteceu por lá ?" Eu questionava desesperada.
"Boreal, só confia em mim, não é o melhor momento pra entrar no auditório. . . " ele me empurrava enquanto tentava fechar a porta com a outra mão.
A atitude dele pra mim estava muito suspeita. Os gritos continuavam, era meu pai.
"Eu quero saber Armin, me solta !!" continuei a insistir e ir contra o Armin e gritar com ele.
Por fim eu consegui abrir a porta de uma vez empurrando muito o Armin e sai empurrando e correndo.
Armin veio atrás de mim mas não deu tempo, eu fui mais rápida e cheguei na parte de trás do auditório.
Haviam varias pessoas caídas em um canto da cortina.
Elas pareciam estar acordando aos poucos, faziam sons de dor.
E por fim, vi meu pai abaixado.
Eu me aproximei e Armin veio a tempo, começou a me empurrar contra.
"BOREAL VOLTA POR FAVOR ! DEPOIS VOCÊ VEM !" ele dizia.
"NÃO ! NÃO QUERO DEPOIS QUERO AGORA ! PORQUE ESTÃO ME IMPEDINDO DE VER ?! O QUE HOUVE ?! É MINHA MÃE NÃO É ??" eu gritava empurrando o Armin.
Finalmente me soltei dos braços dele depois de muita força e corri até onde estava meu pai abaixado.
Castiel então veio também pra tentar impedir.
"Não vai é serio !" Castiel dizia e parecia chocado.
"Deixe ela vir . . . " meu pai falou.
Armin e Castiel olharam pra ele preocupados e tensos. Mas o Castiel me soltou aos poucos . . .
Foi quando vi . . . Minha mãe.
Minha mãe estava . . . morta.
Eu . . . Eu . . . Não pude acreditar.
O corpo dela estava repleto de sangue da cintura pra baixo . . . Foi . . . A visão mais horrível da minha vida.
ERA MINHA MÃE ! NA MINHA FRENTE.
Eu só me aproximei do corpo dela . . . Ele estava gelado . . . Muito gelado.
A sensação que tive de tocar um defunto a primeira vez foi horrível . . . Mas saber que esse defunto era da minha mãe ?
Não importava o quanto eu chamasse por ela, ela não me respondia.
Eu aumentava progressivamente meu tom, até chegar no nível de berrar.
Eu me sentia rouca de tanto gritar e gritar.
Repentinamente, ouvi vozes.
"Fique tranquila querida. Foi para um bem maior." era a diretora.
Ela falava normalmente como se nada tivesse acontecido.
Atrás dela tinha 2 professores.
"Foi a senhora ?!" Armin perguntou.
"Em partes sim . . . Fico feliz que tenha sido sua mãe, me preocupo contigo querida." Ela repetia.
"PREOCUPAÇÃO ?! VOCÊ MATOU MINHA MÃE !" eu falei levantando e indo pra perto dela irritada.
"Seria ou você ou ela, fico feliz que tenha sido ela. Você é jovem, tem muito o que viver ainda. Se isso não é preocupação."
Castiel então foi pra cima da diretora, foi quando um dos professores deu um soco no Castiel e imobilizou ele no chão.
"Ele . . . É muito forte . . . !" Castiel falava sentindo claramente muita dor.
Charlie foi pra cima da diretora, mas antes que pudesse o outro professor imobilizou ele calmamente.
Ele levava mordidas do Charlie e nenhuma surtia efeito.
"C-Como assim . . . "
Repentinamente surgiram mais professores.
Um se direcionou até o Armin e imobilizou ele.
O outro até mim, e outro até o meu pai, que não lutou contra, meu pai se entregou facilmente.
Ele só olhava pro corpo da minha mãe perdido.
Era como se estivesse desligado de tudo que estava acontecendo . . . Era horrível ver meu pai naquele estado.
Todos imobilizados, Armin se mantinha quieto enquanto sera segurado, ele parecia avaliar a situação toda, como sempre.
A diretora veio então até mim.
"Eu te defendi de tanta coisa Boreal. Seja mais grada a sua salvadora !" ela dizia sorrindo gentilmente . . . Aquela gentileza que eu sabia que era falsa.
". . . Porque matou a mãe da Boreal ? Porque queria a Boreal ?" Armin perguntou em tom firme e sem demonstrar nenhuma insegurança ou medo.
A diretora se virou e foi até ele.
"Como sempre destemido né Armin ? Eu nunca pensei que você fosse se meter tanto na vida dela. Sempre achei que só teria que lidar com o idiota do Castiel, que era bem mais fácil. Mas parece que ela conquistou muitas amizades. Enfim . . . Você gosta muito de filmes, séries e afins né ?" A diretora dizia sorrindo.
Armin se mantinha em silêncio olhando pra ela.
Ela andava pela sala tranquilamente, chegou a acariciar o rosto de minha mãe.
"Em filmes, quando os mocinhos são capturados, o vilão conta todo seu plano não é mesmo ? Então acho que é essa cena né ?" ela ria. Aquele mesmo sorriso gentil.
Armin por sua vez, continuava em silêncio.
"As Boreais serviam de portal. Simplesmente isso.
Elas conectam nossa dimensão com a outra.
Rituais, "magia" só é possível nesse mundo, graças a presença misteriosa delas.
Eu precisava desse portal pra ter acesso a mais magia, a mais coisas . . . Resumidamente . . . Fiz tudo isso pra abrir esse portal novamente.
Elas atraem as coisas, e eu finalmente tenho livre acesso ao portal graças ao ritual que realizamos aqui.
Como falei, ia ser a Boreal filha, mas, pude poupar sua juventude querida." ela falava apertando meu rosto.
Me dava raiva.
"Acabou de falar seus planos ? Pra que quer esse portal ? Explique direito. Vilões contam todos os detalhes." Armin respondia sério.
"Contarei um segredo então . . . Todos nós, estamos mortos. Assim como o tal . . . Azriel ? Foi esse o nome que deram pra aquele clone do Castiel ?" ela respondia.
Pude ver espanto nos olhos do Castiel.
"Pera . . .Quem fez o ritual com vocês ?? Quem são vocês ??" ele perguntava assustado.
"Somos almas variadas meus caros . . . Mas isso pouco importa. Agora posso pegar a alma que eu bem quiser. Agora eu tenho passe livre graças ao ritual que fiz." Ela dizia sorridente.
". . . Sabe dona diretora . . . Eu não gosto de historia clichê. Então você fez tudo isso atoa. Contar seus planos." Armin respondia irritado, porém, com timbre calmo.
"Oh fiz ? Não Armin. Sabe porque não é uma historia clichê ? Primeiramente porque eu contei o plano após ele ser bem sucedido, não tem como vocês me interromperem mais.
E segundo . . . Essa historia não sou de toda ruim. Eu vou deixa-los viver livremente." ela falava sorrindo enquanto ia atras das cortinas.
E retornou com um neuralyzer.
"Amanhã não lembraram de nada.
E te pouparei de toda a dor querida. Colocarei lembranças em sua mente de que sua mãe morreu contigo nova. Vai tudo ser novo.
Esses pais já passaram pelo processo todo. Agora é a vez de vocês !" ela se aproximava com o neuralyzer.
Nessa hora o Jade apareceu bem na frente de todos.
Ele olhava sério pra situação toda ao seu redor.
Jade . . .
Mais uma pra festa ?
"VOCÊ DE NOVO !? O QUE QUER AGORA ?!" a diretora gritava irritada.
"Que você solte eles." Jade respondia firme.
"EU NÃO VOU SOLTAR NINGUÉM ! NÃO SEM ANTES APAGAR SUAS MEMÓRIAS." Diretora gritava ajustando o neuralyzer.
"Se você quer que tudo isso que acabou de fazer ocorra, você vai soltar eles.
Eles precisam da memória pra fazer tudo acontecer. Fica tranquila, eu vou garantir que eles não vão se meter no seu caminho." Jade dizia.
"EU NÃO CONFIO EM VOCÊ !! " Ela então mandou mais 3 professores atrás do Jade que desapareceu ao tocar seu relógio e apareceu atrás ela.
"Você sabe que é inútil. Porque insiste ?" Jade dizia.
"QUE TAL EU MATAR ELES ENTÃO ?! ESTAVA SENDO BOAZINHA !" ela respondia.
"E por em risco sua existência ? Você não vai fazer isso." Jade falava sério.
". . . Porque eu confiaria em você ?" ela falou irritada.
"Porque não confiaria ? Sou uma pessoa que pode viajar no tempo e aparecer onde eu quiser. Se eu quisesse te matar já teria te matado. Eu só quero que libere eles. Não é só o seu futuro que tá em risco caso a memória deles apague." Jade falou.
A diretora hesitou MUITO, mas finalmente deu ordem para que nos soltassem.
Jade cumprimentou ela com a cabeça e puxou a gente.
Castiel ainda explodia, porém, ele veio.
Meu pai teve que ser arrastado pelo Castiel praticamente.
"Se soltarem algo, eu juro que te caçarei Jade." a diretora dizia.
"Fica tranquila. Eu sei tudo que vai acontecer, e eles não vão falar nada. Nem tem pra quem falar. Quem acreditaria nesse bando de fantasia de adolescente ?" Jade estava com uma postura séria.
Armin e Jade trocaram olhares estranhos algumas vezes, eles pareciam ter algo em mente . . . Algo que incomodava o Armin claramente . . .
Ao chegar do lado de fora . . . Nathaniel e Azriel perguntaram desesperados o que houve.
"Eu queria entrar mas . . . Não sabia o que fazer com eles dois. Eu não ia deixar eles sozinhos . . . Então só esperei. Se demorassem mais eu . . . " Azriel então olhou pro Jade pareceu confuso.
"JADE ?!" Nathaniel gritava.
Azriel já tinha ouvido falar do Jade, na mesma hora ele ficou com postura ofensiva.
"A frase "Eu vim em paz" serve pra um Terráqueo falando com um zumbi ?" Jade falou rindo.
"O que quer ?!" Nathaniel dizia.
"Ele nos ajudou lá dentro e . . . "
Nessa hora eu . . . desliguei.
Me joguei no canto . . .Estava tonta e com dor forte, parecia cólica.
Estava entre gemer de dor e chorar pela perda . . .
Meu cérebro desligou.
Eu . . . Eu queria morrer.
EU QUEM DEVIA TER MORRIDO NÃO ELA ! EU !
PORQUE FUI COVARDE E FUGI ??
PORQUE EU NÃO ENFRENTEI ??
MEU MAIOR DESEJO AGORA ERA ESTAR MORTA !! EU QUEM DEVIA TER MORRIDO !!
Eu . . . Não aguento mais essa vida . . .
O simples fato de eu estar viva prejudica todo mundo que eu amo.
E o pior . . . Nos últimos tempos o que eu fiz ???
EU IGNOREI ELA.
EU DORMI FORA TODO DIA.
EU MAL FALEI COM ELA.
E AGORA ?? EU NUNCA MAIS VOU FALAR COM ELA.
Eu repentinamente comecei a entrar de novo no auditório.
Armin então me segurou.
"Onde pensa que vai ?!" ele dizia.
"VOU ME MATAR ! VOU DAR MINHA VIDA PRA MINHA MÃE !!" eu gritava.
"É o que ?? Não . . . Você não vai mesmo !" Armin então me prendeu ainda mais.
"EU VOU ME MATAR SIM "eu gritei . . . E esse é meu sentimento mais sincero no momento.
"BOREAL PARA DE FALAR ISSO ! VOCÊ NÃO VAI !" Armin gritava me prendendo.
"PORQUE VOCÊ PÔDE TENTAR E EU NÃO POSSO ?? EU QUERO ! ME DEIXA EM PAZ !" continuei a gritar com ele.
"VOCÊ ACHA QUE EU ME ORGULHO DISSO ?! SE VOCÊ SE MATAR COMO VAI FICAR TUDO ? ACHA QUE VAI SOLUCIONAR TUDO MORRENDO ??" quando o Armin falou isso eu me descontrolei ainda mais.
Eu comecei a gritar muito, me debater e bater nele inclusive . . . E não era brincadeira dessa vez.
"VOCÊ NUNCA PENSOU NISSO EM TODAS AS VEZES QUE TENTOU SE MATAR !" eu gritava enquanto tentava incansavelmente pegar os remédios dele.
Armin então me deu um tapa . . . Ele estava chorando muito.
Eu fiquei muito assustada com o tapa e estática.
"Desculpa . . . Eu não queria fazer isso mas . . . Só para com isso . . . Por favor." Ele dizia chorando, tremendo muito e ainda prendendo meus braços. Ele claramente só fez pra tentar me por de novo no lugar.
Armin estava chorando muito a essa altura.
"Armin . . . Se eu morrer eu vou salvar vocês todos . . . Tudo de ruim que acontece atualmente com todos que me certam é culpa minha. Da minha existência !" eu . . . não conseguia parar de soluçar.
"Eu sei que o que eu vou falar é egoísta mas . . . Se você se matar eu também vou.
Eu parei de tentar suicídio depois que te conheci porque você deu emoção pra minha vida, e se tornou parte importante. Se você morrer o que eu vou fazer ? Eu . . . Não sei viver sozinho. Eu falo da sua dependência mas . . . Eu quem sou dependente aqui.
Eu dependo de você Boreal.
Meu irmão constantemente se preocupa com minhas frustrações. Ele sempre acha que vou me matar por conta delas, mas . . .Eu não penso mais nisso faz tempo.
Você foi mais efetiva que todos os meus remédios.
Então se não quer viver pra você mesma, se quer se por como algo importante pra manter a vida de alguém, mantenha meu egoísmo se isso te mantiver viva . . . Fica viva pra me manter vivo." Armin falava me abraçando.
Eu me sentia tão sem chão.
". . . Fica tranquila. Essa sensação horrível vai melhorar." Jade dizia.
Armin parecia rosnar pra ele, porém, não falava nada.
Castiel então pegou ele pela blusa de uma vez só.
"PORQUE VOCÊ AGE COMO SABICHÃO ?! SEU JEITO ME IRRITA ! O QUE QUER COM A GENTE AFINAL ?!" Castiel dizia.
"Eu sou sabichão. Por isso tenho tais atitudes." ele sorriu antes de se retirar com o receptor.
Ele sumiu nos braços do Castiel que começou a rosnar de ódio.
Nessa hora Dake desmaiou.
Ele suava muito, MUITO MESMO.
E fazia sons de delírio.
Nathaniel tomou frente e se aproximou rastejando do corpo do Dake, ele foi calmamente até o braço do Dake.
Ao tirar o apoio do braço do Dake ele ficou chocado, aliás, todos ficaram.
Estava MUITO roxo o braço inteiro.
"Meu Deus !!! O Braço dele está quebrado a quanto tempo ?! O que fizeram com o braço dele ?! Tá . . . MUITO GRAVE !! PRECISAMOS LEVAR ELE PRA UM HOSPITAL URGENTEMENTE." Nath dizia desesperado enquanto pegava o celular.
"Você sabia do braço . . . "Azriel respondia.
"Não que estava nesse nível . . . " ele então demonstrou espanto ao notar que seu celular não tinha sinal . . . Nenhum celular tinha.
Bia se aproximou.
"Desculpem a demora eu . . . Boreal !" ela então veio até mim correndo e parou ao notar meu estado . . .
"Isso . . . É culpa minha também . . ." eu repetia sem parar.
"Boreal ! CHEGA ! NÃO É CULPA SUA !!" Armin então me sacudiu falando isso.
Ele parecia estar ao ponto de chorar novamente.
"CLARO QUE É !! EU ATRAIO SITUAÇÕES BIZARRAS PRA TODO MUNDO !!"
"Você acha que ele só sofre abuso por sua culpa ? Que ele ficou assim por sua culpa ?! Sabe quantas pessoas no mundo sofrem tudo que o Dakota sofreu ?? Ele deu sorte de você ser um imã e ter atraído ele.
Não sabemos como ele estaria agora. Talvez morto ! Graças ao seu imã conhecemos ele podemos tentar ajuda-lo !" Armin falava desesperado.
Sua voz foi coberta pela voz de meu pai que repetia "Lucia . . . " compulsivamente enquanto chorava.
O clima estava horrível . . .
Pude ouvir a distancia sirenes . ..
Alguém ligou para a policia ? Bombeiros ?
Alguém que fugiu ? Afinal, ninguém tinha sinal lá dentro.
Pouco importava . . . Sinceramente, pouco importava.
Eu só queria minha mãe de volta.
Só queria minha vida, aquela que eu reclamava tanto, de anos atrás de volta.
Se eu soubesse que minha vida ia se tornar esse inferno, teria agradecido por toda a bizarrice que vivi quando entrei pra esse colégio . . .
Aquilo tudo era nada perto do meu estado atual.
Minha vida estava de pernas pro ar.
Aos poucos me senti cada vez mais tonta . . .
Armin me apoiou em seu tronco desesperado.
Eu suava muito e a dor estava aguda.
A cólica aumentava gradativamente. Mas era algo mais forte que o normal . . . Era algo realmente doloroso em um grau que eu não consigo definir com palavras.Somente dizer: Estava muito forte.
"Boreal . . . O que esta sentindo ?" Armin falava calmo, porém, claramente muito preocupado e assustado.
Eu estava tonta e suas palavras soavam como um sonho pra mim.
As coisas brilhavam, claramente eu tive uma oscilação na minha pressão sanguínea.
Armin notou que a dor era na barriga ao ver meu gesto de por a mão na barriga e gemer de dor.
"Meu Deus ! É mesmo ! O bebê !" Nathaniel dizia olhando pra mim assustado.
Foi tudo que ouvi antes de perder a consciência . . .
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