OLHA QUEM VOLTOU
O MAIS NOVO VENDEDOR DE PACK DE PÉ, CASTIEL
INSTA DO CASTIEL
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OLHA QUEM VOLTOU
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Aquele meme que tá rolando de querer saber o proprio gosto...
EU PRECISAVA FAZER ISSO
(capitulo referente aqui)
Doodle do Jade cryiando no capitulo 154 da fic
(capitulo referente aqui)
Imagem bonus 131
Essa imagem define BEM a imagem do capitulo <3
INSTA DO ARMIN
INSTA DA ALEXY
DIALOGOS ABAIXO (na ordem)
(link da imagem em boa resolução)
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Capítulo 124
Eu estava atônita ainda.
Além do Armin estar agindo como se nada tivesse acontecido ele veio sem mais nem menos falar que a maquina estava pronta ???
"Armin . . . Como assim ?" Alexy falava surpreso.
"ISSO QUE OUVIU ! EU TERMINEI !" Armin respondeu ainda mais empolgado.
Alexy e eu ficamos calados.
Não sei se ambos pensavam a mesma coisa, mas ambos estávamos nos olhando.
"Você se trancou pra isso ?" Alexy questionou.
"Não era obvio ?" Armin ainda sorria.
Sabe . . Eu estava impaciente com tudo, especialmente com ele, então naquele momento a noticia ao invés de me alegrar me irritou, e por conta disso, eu acabei por explodir com ele.
"Pera. . . Quer dizer que você me abandonou em um hospital, me tratou feito lixo, mal olhou na minha cara, se trancou no escritório por causa da merda de uma maquina do tempo !?" eu esbravejava praticamente avançando nele.
Movia meu corpo "armado" pra cima do Armin.
Estava a um ponto que eu tinha que fazer grande esforço pra me segurar, caso contrario eu bateria nele.
Armin estava claramente surpreso com minha reação, entretanto, ele demonstrava ao mesmo tempo que esperava aquilo . . .
Obviamente ele esperava. Ele sabia o tanto de merda que tinha feito.
"Boreal . . . " Armin falou levantando a mão pra encostar em mim, porém com um tapa forte eu afastei a mão dele.
Estava com tanta raiva.
Meu maior desejo era que o tapa tivesse sido na cara dele, mas eu me segurei.
Me levantei e fui direto pro quarto antes que fizesse mais escândalo e descesse mais o nível.
Me sentei na cama muito irritada.
Fiquei por lá xingando baixo e remoendo a situação toda.
Passaram-se longos minutos, talvez horas, quando Armin decidiu subir.
Ele entrou no quarto calmamente e fechou a porta e silêncio.
"O que quer ?! Mostrar a merda da maquina ? Porque sinceramente eu--"
"Desculpa . . . Eu só estava querendo ser útil." Armin me interrompeu de uma vez.
"E me ignorar quase que 100% é a melhor forma ??" falei irritada.
". . . Não . . . Mas eu não sabia como te dar apoio emocional nem nada . . . Eu só sirvo pra montar coisas . . . Então quis ser útil na minha área de utilidade. . . " Armin falava de maneira melancólica, mas aquilo não diminuía meu timbre irritadiço.
"Nossa ! E tudo que eu precisava era uma maquina do tempo né mesmo Armin ?! Eu só pedi algo pequeno ! Que ficasse do meu lado !! Saber que você mentiu pra mim sobre o Jade, sobre ficar comigo no hospital . . . Isso doí. . . " aos poucos senti que estava amansando.
". . . A maquina pode trazer sua mãe de volta . . . Eu só queria te ver feliz . . . Principalmente porque eu sabia que você ia perder seu filho. Aquilo me corroeu . . . Eu não poia fazer nada, então só queria poder te dar algo de volta . . . Desculpa por não conseguir ficar por perto . . . " quando o Armin deu sua ultima justificativa eu não consegui evitar de ficar abalada.
Me silenciei totalmente sem respostas.
"Eu sabia que não iria me fazer bem, nem te fazer bem ficando no local . . .
Nathaniel por outro lado, ficou do seu lado e te deu todo apoio que eu não pude nem consegui dar . . . Ele é uma pessoa fantástica né ? "
Armin começou a falar sozinho basicamente.
Eu notei que ele estava iniciando um monologo e tentei me meter, mas foi em vão . . . Armin parece que após ter começado a falar, não conseguia mais parar ou prestar atenção a sua volta.
Chamei seu nome em vão.
"Nathaniel é sensato, um ótimo amigo, o melhor dos amigos na verdade. Ele tem estabilidade mental e financeira. Ele com a pouca idade que possui já tem formação. Nathaniel não se abala com praticamente nada. Ele pode te dar suporte pra qualquer hora, ele ficou do seu lado, ele é pai do seu filho, nada mais justo do que dar espaço pra ele . . . " Armin parecia nem notar que eu estava no quarto mais.
Ele falava sem olhar pra mim, ele olhava . . . Além.
Eu não me sentia tendo uma conversa, mas sim, vendo um lamento.
Aquilo começou a me assustar, aos poucos tentei interromper o Armin e entrar em seu foco.
Aquilo começou a me deixar em pânico . . . Ele não saia do frenesi.
Eu me levantei e fiquei tentando de todas as formas chamar atenção do Armin.
Mas ele continuava sem parar.
Então finalmente eu sacudi ele no literal.
"ARMIN ! PARA COM ISSO !!" Eu gritava.
Ele finalmente voltou seu olhar pra mim.
"Armin . . . porque ?" falei.
". . . Nathaniel provavelmente iria lutar contra. Afinal, o Jade era filho dele também . . . Eu por medo do futuro não me meti e não salvei seu filho mesmo sabendo tudo que ia acontecer . . . " Armin falava.
"Armin ! Claro que o Nathaniel faria o mesmo ! Ele fez !!" ao dizer isso consegui total atenção do Armin.
"Nathaniel literalmente terminou comigo por causa do futuro lembra ? Ele foi avisado que o futuro seria ruim se ficássemos juntos e terminou comigo me tratando feito lixo.
No fim, vocês dois tomaram a mesma atitude, sendo que com pessoas diferentes.
Pare de se martirizar ! Nathaniel não é perfeito como você coloca." respondi enquanto via um olhar confuso.
Armin realmente acreditava que Nathaniel era perfeito.
Ele acredita com todas as forças nisso e que ele é imperfeito . . .
Por essas e outras que eu acabo amolecendo com o Armin . . .
Aquele cara genialmente sensato tem um lado confuso e humano afinal.
Sempre ficarei surpresa com esses surtos "humanitários" dele.
"De qualquer forma . . . Me desculpa por como te tratei . . . " Armin dizia.
". . . Não vou dizer que está tudo bem, mas eu compreendo . . . Você teme pelo futuro não é ? Não é diferente do Nathaniel, não tem porque por ele como perfeito . . . Seria tão mais pratico se você se abrisse mais . . . " falei cansada.
". . . Ele é mais sensato querendo ou não assumir isso Boreal.
Sabe aquilo que nós sempre nos gabamos ? De um conseguir ler a mente do outro ?
Te desafio a dizer que não acertei ao dizer que você não pensou no Nathaniel quando te larguei no hospital." quando Armin falou isso eu tomei um susto, confesso, mas logo me recompus e respondi sua pergunta.
"Sim, eu pensei. Não nego.
Mas não porque ele é melhor que você. Vocês são diferentes apenas.
Armin . . . Eu estava sozinha, com meus hormônios explodindo, cheia de problemas na cabeça e vendo a pessoa que eu mais confio me virando as costas. Você realmente não acha que eu ia olhar e penar "tá tudo bem, de boa, vai lá Armin" ? É obvio que acabei colocando as coisas em uma balança. . . " respondi de forma mais objetiva que eu conseguia.
Armin só teve tempo de soltar um "então" que logo foi interrompido.
"Não tente argumentar.
Você não está em posição pra isso.
Vocês tomaram atitudes iguais e são pessoas diferentes. Armin eu gosto de você, eu to com você agora. . . Porque não conversa comigo e me conta o que houve. " Armin se manteve em silêncio. Ele parecia pensativo.
Armin repentinamente falou "quer fazer algo ?" desviando completamente de mim.
"Porque você faz isso ? Porque evita tanto falar comigo . . . " perguntei sendo totalmente ignorada.
Se ele falasse talvez tudo fosse tão mais prático.
"Vou descer e fazer algo pra comermos ! E ai podemos fazer algo juntos ! Faz tempo que não fazemos algo sem brigas ou algo do gênero né mesmo ?" Armin saiu sorridente. . .
Entretanto eu conheço ele o suficiente pra dizer que aquele sorriso não foi sincero.
Me sentei no sofá enquanto o Armin fazia coisas na cozinha.
Alexy estava de saída.
"Eu vou pra casa agora, amanhã eu volto. Se comportem, não briguem, se resolvam e transem. Tchau" Alexy dizia saindo.
Confesso que acabei rindo.
"Ele só pensa nisso . . . " Armin falou com cara de nojo.
". . . Você não é muito diferente Armin." retruquei pegando um copo que o Armin segurava.
"É . . . Você tem razão. Acho que meu problema é imaginar o Alexy com os namorados . . . "
Armin então se sentando do meu lado levantou minha blusa.
"Como está a cicatrização do--- Mas já está cicatrizado ?!" Armin demonstrou grande espanto ao ver que minha cicatriz da cesária estava fechada em tão pouco tempo.
"Você não fez pacto com o Azriel não né ?" Armin falou espantado e com certa raiva.
"NÃO ! São os experimentos do Alexy . . . Se você prestasse atenção na casa ia saber que o Dajan tem trazido a bactéria pro Alexy estudar e eu tenho sido o ratinho de laboratório dele." respondi pegando um saco de salgadinhos que ele havia colocado ali.
Armin levantou de uma vez irritado.
"ALEXY TÁ FAZENDO VOCÊ DE RATINHO DE LABORATÓRIO ?! EU NÃO ACREDITO ! EU VOU MATAR ELE !!" Armin estava possesso pegando o telefone.
"Nossa, pra que essa raiva ! Ele não em fez nada. Ele me trata super bem Armin. Para. Além do mais, tem dado certo." continuei a comer tranquilamente.
"BOREAL ! EU CONHEÇO MEU IRMÃO ! Ele te tratar bem não muda o fato de que ele tá disposto a te arriscar !
Ele tratava os ratinhos dele bem, e veja, ele tem rato ? NÃO TEM.
PORQUE ELE MATOU.
Ele não tem escrúpulos quando é "pelo bem da ciência"
Meu irmão se encaixa perfeitamente na postura de cientista louco. Então ele não vai medir esforços contigo mesmo adorando você.
VAI POR MIM. SEI DO QUE ESTOU FALANDO" Armin continuava a discar.
Eu só puxei o celular dele.
"Armin, ligar pra ele agora vai dar em nada. Pelo contrario, capaz dele nem pisar aqui amanhã sabendo que você vai brigar com ele. Sossega e relaxa ai." eu então joguei o celular dele pro lado.
"Eu não havia pensado nisso . . . verdade." Armin se sentou.
Sabe, a impressão que tenho dele ultimamente é de uma pessoa bem avoada.
Ficamos sentados no sofá vendo desenhos.
Era uma atividade que ambos gostavam de fazer juntos e bem . . . Seria bom pra nos reaproximar aos poucos.
Então ouvimos um som estranho vindo da janela da sala.
Armin levou para verificar.
Ele pareceu pegar algo e ao virar era um gato.
Eu surtei quando vi, adorava gatos.
Fui correndo até ele pegar o pequeno gato e brincar com ele, o gato estava um pouco arisco.
Armin sorria enquanto me mostrava que o gato estava com a pata machucada.
"Ele tava se debatendo ali enrolado nos fios de cobre que espalhei a tempos atrás.
Só tinha um fio levemente enrolado na verdade, mas foi o suficiente pra machucar ele . . . " Armin falava segurando a pata dele.
Eu rapidamente comecei a procurar coisas pra cuidar do gato.
Armin estava sorridente o tempo todo . . . Dessa vez parecia um sorriso sincero, e confesso que se eu já estava mais amolecida, aquilo me amoleceu de vez.
Ver ele sorrindo e cuidando de um gato me fez lembrar porque eu admirava tanto ele.
E o mais importante: que ele não é aquele monstro que estava sendo comigo.
Na verdade eu sempre soube e nunca esqueci disso . . .Mas estava com dificuldade de ver por trás das ações dele.
Eu estava simplesmente tomada pela raiva.
"Vamos ter que ficar com o gato até que ele melhore . . . Ou de vez, você quem sabe" Armin dizia rindo e colocando o gato em uma almofada no sofá já com os devidos cuidados na pata.
". . . Meu pai iria me matar por trazer um gato pra casa . . . Falando nisso . . . Onde ele está ? Eu não o vejo faz tempo . . . " falei acariciando o gato e um tanto quanto tristonha.
"Ele liga sempre perguntando como andam as coisas. . . Ele tem trabalhado cada vez mais.
Ele tem tentado esquecer tudo . . . E bem, ele não aceitou bem o rapto, nem a perda da Lucia . . . E nem nada dessas coisas . . .
Infelizmente não importa o que eu diga, ele não volta pra casa, diz que quer garantir o emprego . . .
Quem eu quero enganar, eu nem tenho moral pra isso" Armin estava rindo mas era claramente pra ocultar os sentimentos reais.
". . . Tem moral sim ! Apesar de tudo, você tem se mantido de uma forma ou de outra . . . " continuei a acariciar o gato que aos poucos pareceu pegar confiança e relaxar.
Armin então levantou repentinamente.
"Você dava comida pra uns gatos aqui na casa não é ?" Armin perguntou.
"Sim . . . Mas faz tempo que eles sumiram, principalmente depois que o Charlie veio pra cá. Porque ?" questionei.
"Bem . . . Você falou que seu pai te mataria por trazer um gato, sendo que você dizia ter vários." Armin então foi até a cozinha.
"Ah . . . Sim. Mas ele sempre reclamava e no fim minha mãe e ele deixavam. Eu vivia trazendo gato da rua pra cá, ou comprava ração e acabava atraindo eles." Armin olhava armário por armário.
"Ainda tem ração ?" ele questionava.
"Deve ter um pouco sim. Mas tem que ver a validade direitinho." então me direcionei a cozinha pra pegar.
"Falando nisso, você viu o Charlie hoje ?" perguntei chegando na cozinha.
"Não. Eu nem sai do escritório. Mas provavelmente ele foi dar uma volta. Ficar sozinho aqui trancado é um tédio. E não se esqueça que é a alma do . . . "
"Eu sei Armin . . . Meu pai." eu o interrompi antes que ele pudesse falar.
Ainda é estranho pra mim assimilar isso . . . Como não convivi com o meu pai na infância e coisa do gênero, eu não tive muito o impacto de "MEU DEUS ! MEU PAI BIOLÓGICO EM UM CACHORRO !"
Na realidade não consigo ver o Charlie como meu pai mesmo sabendo a verdade . . .
Voltei minha atenção para o armário mais alto.
Tudo que não era usado, alimentos de conserva, essas rações de gato, eram colocadas na prateleira mais alta do armário sempre.
Quem normalmente colocava as coisas ali era meu pai ou eu pegava com uma pequena escadinha que deixávamos no canto da cozinha.
Entretanto, ela não estava ali.
Eu então puxei o saco que estava bem difícil de sair, ao puxar, notei que os enlatados estavam em cima mas era tarde, iam cair em mim, eu me joguei pra trás caindo sobre o Armin que ao notar as latas rapidamente "trocou" de lugar comigo ficando por cima, e assim, ele levou pelo menos duas latadas, uma na cabeça e outra no ombro.
"Sua ameba ! PORQUE NÃO ME PEDIU PRA PEGAR !" ele falava com cara de dor enquanto pressionava a cabeça.
"Porque eu não sabia que tinha lata em cima ué !" falei.
Ele ficou em silêncio me encarando com uma mistura de dor e raiva no rosto.
No fim, vendo aquela cara dele eu acabei rindo. Não sei, simplesmente a cara dele estava tão emburrada que me fez rir.
Me lembrou quando "re-conheci" ele.
Aquelas caras que ele fazia.
"Do que tá rindo ?!" ele perguntou
"Dessa sua cara ! É idêntica a cara que você fez quando nos conhecemos de novo após sua perda de memória. Deu até vontade de tirar foto de novo. É sua cara que eu mais amo." Sinceramente ? Se eu estivesse com o celular na hora provavelmente o teria feito.
Eu realmente amo essa expressão do Armin.
"É eu sei, você usa de wallpaper do celular até hoje . . ." Armin bufava.
Fazia tempo que eu não me sentia a vontade com ele . . . E sem raiva.
OK, falar que eu não estava com raiva seria mentira, mas eu sentia mais prazer com sua presença do que raiva propriamente dita.
Aquela noite estava sendo ótima . . .
Eu me sentia me desligando de tudo.
Dos problemas desses meses todos, das pessoas, do mundo.
Estava sendo um momento só meu com o Armin.
Fazendo coisas pequenas e divertidas como rir de uma queda na cozinha, cuidar de um gatinho . . .
Eu sinto falta desse tipo de atividade com ele.
Antes de namorado ele é meu melhor amigo, e isso não mudou.
Essas coisas como cair, debochar e correr pela casa se batendo são coisas que fazíamos desde a época que sequer pensávamos em namorar.
Armin ficou me encarando por tempo indeterminado, e eu encarei de volta e por ali ficamos durante bastante tempo, ambos com os rostos próximos e sem reação.
Acho que passamos tanto tempo sem mal nos falarmos que regredimos alguns degraus de relacionamento . . .
Eu sentia aquela tensão do inicio, de não conseguir tocar nele por vergonha, coisa que eu não tinha antes de namorar com ele . . . Eu tinha aquela sensação péssima de querer desviar o olhar por conta dele me encarar de tanta vergonha.
É tão estranho . . .
Me lembra muito quando terminei com o Nathaniel que eu não sabia como agir perante a essa situação e ficava sempre aquele clima constrangedor entre nós dois, com a diferença de que agora não é termino, pelo contrario, estamos juntos, mas . . . Não sabemos mais como nos portar como um casal.
Armin claramente estava passando a mesma coisa que eu.
Ele estava me olhando fixamente, mas eu conhecia aquele olhar e aqueles gestos, eram gestos de vergonha, timidez . . .
Ele apressadamente saiu de cima de mim. . .
Em outra situação provavelmente ele me agarraria ou me provocaria, até mesmo induziria novas brincadeiras . . . Mas agora sua única reação foi "correr".
Eu queria tomar alguma iniciativa pra quebrar aquele "gelo" mas eu também estava travada.
Após ele levantar e sair de perto eu fiquei ainda um pouco no chão com o coração disparado como se fosse tudo uma grande novidade pra mim . . .
Armin então me deu a mão em silêncio e me ajudou a levantar.
Ficou aquele clima constrangedor no local.
Então decidi puxar um assunto finalmente.
"A-Armin ! Pode me mostrar a maquina ?" falei tentando passar empolgação, mas creio ter falhado miseravelmente . . .
"Ah ! Claro ! Venha !" Armin dizia, e claramente ele sequer notou que eu falei tudo com grande desanimo.
Armin havia me tocado pela primeira vez naquele dia. (e dentro de vários dias)
Era algo simples, um puxão pela mão, mas foi bem significativo pra mim.
Entramos no escritório.
Eram fios e maquinas pra todo canto, uma visão BEM diferente da que eu tinha gravada fixamente na mente.
Eu já havia visto as mudanças que o Armin tinha feito, mas parecia estar mais bagunçado que antes.
Armin então se sentou em uma mesinha e me chamou.
Ele sorria empolgado. Ele sorria com gosto.
Me aproximei e vi algo na mão dele, era uma caixinha de metal.
"Essa é a maquina ?" perguntei.
"Na verdade é tipo um teste de receptor. Usei essa caixa pra enviar coisas no tempo.
Eu coloco coisas dentro dela e assim testo a viagem temporal.
A maquina é essa maior aqui atrás de mim sem forma definida." Armin dava batidinhas na maquina atrás dele.
"É bem grande ! Os relógios então estão ligados a essa maquina no fim das contas ?" perguntei.
"Sim. Inclusive eu fiz a ligação daquele receptor quebrado com essa maquina. Ainda não testei mas tenho 90% certeza que está funcionando." Armin dizia sorridente.
Eu então me apoiei nos ombros dele, curiosa.
Eu realmente não pensei em "quebrar" a barreira nem nada, só queria ver e tratei ele naturalmente como um amigo mesmo.
Fiquei olhando atenciosamente pra caixa.
Notei que o Armin estava parado, e desligada, não notei que era por eu estar colada nele.
Ao olhar pro seu rosto, que estava colado ao meu, eu confesso que tomei um pequeno susto.
Armin estava calado e me olhava fixamente.
Sua respiração era ofegante, ele engolia saliva de forma visível e nervosa, dava pra ver claramente suas bochechas vermelhas.
Automaticamente aquilo me contagiou.
Eu comecei a ter os mesmos "sintomas" do Armin e me afastei automaticamente.
"Fica !" Armin falou de uma vez puxando meu braço.
Aos poucos eu voltei pra posição em que estava, bem mais desconfortável com o clima . . .
E ele estava bem nervoso, claramente mas tentou dar continuidade.
Ele abriu a caixa e colocou um cacho de banana dentro, antes, tirou uma e colocou sobre a mesa.
Então ele mexeu em uns botões da caixa e em seguida ligou a maquina atrás dele.
A pequena caixa brilhou, como um receptor em uso.
Mas nada aconteceu.
"Tá . . . E ai ?" falei olhando pro Armin.
Armin sorria como se tivesse algo pra mostrar.
Ele então abriu a caixa e mostrou . . . o cacho de banana.
Ele estava . . .estranho.
Onde ele tinha tirado a banana tinha uma banana no lugar. Eu toquei nela e ela parecia uma meleca. SÓ AQUELA BANANA NOVA.
". . . Armin . . . Isso é brincadeira sua com aquele jogo que você viciou um vez ?" Perguntei olhando pra ele desconfiada e um olhar de pouco caso.
"NÃO ! Ela ficou assim porque eu fiz um teste.
Essa caixa serve pra enviar no tempo seja pro futuro ou para o passado o que coloco nela.
Entretanto, para o envio efetivo de algo grande você usa os receptores que estão programados pra conseguirem enviar massa corporal, eles usam uma tecnologia mais avançada.
Essa caixa é só um protótipo que usei como teste, e ela não envia grande massa.
Pra ela conseguir enviar no tempo ela tira as moléculas do objeto tornando ele em uma substancia que é possível de ser enviada pelo tempo e espaço ao ser colocado na caixa."
Eu então voltei a mexer na banana e engoli seco . . . Ver o estado daquela banana me preocupou.
"Armin . . . Tem certeza que o receptor é seguro ? Que ele não vai fazer com a pessoa que usar o mesmo que a caixa fez com a banana ?" falei.
"Certeza . . . Pelo menos 90%" ele dizia.
"E os 10% restantes ? Onde ficam ?"
". . . Eu sempre gosto de ter a porcentagem em aberto pra caso de falhas.Mas fica tranquila !" eu ouvia o Armin falando mas ainda assim ficava assustada e incomodada com a banana.
Fiquei em silêncio olhando pra banana e pra maquina.
Era muito estranho.
Aquilo me fez pensar . . . E se eu voltasse no tempo até antes de vir pra Terra ?
Armin perguntou o que eu estava pensando, afinal, me calei repentinamente por tempo indeterminado.
". . . Adivinha, você mesmo falou que temos conexão mental." eu dizia rindo.
"hmm Pensando em voltar no tempo e estar com medo de usar a maquina ?" ele falava.
"Olha . . . Foi bem certeiro. Mas . . . Sim, eu pensei em voltar no tempo. . . "respondi me sentando em um canto próximo a mesa onde ele estava sentado.
"Salvar sua mãe ?" ele questionou.
". . . Salvar todo mundo na verdade . . .
E se eu voltasse no tempo pra antes de vir pra essa dimensão ? Daria ?" perguntei olhando pra cima em direção ao Armin.
Armin respirou fundo e se sentou do meu lado no chão.
". . . Acho que não daria certo . . .
A maquina funciona nessa dimensão, não sei como ficaria pra fazer essa coisa toda de voltar antes.
Talvez isso apagasse sua existência.
Talvez te fizesse virar um espirito vago.
Talvez te fizesse parar no vácuo.
Ou talvez funcionasse . . . Mas sinceramente a ultima opção eu acho difícil." Armin falava pensativo.
"Você tá falando isso pra tirar a ideia da minha cabeça." rindo eu dizia enquanto dava um empurrão nele.
"É sério Boreal ! Eu realmente acho que isso poderia comprometer tudo . . ." Armin respondia sério, apesar de tudo, descontraído com meu jeito.
Ficamos em silêncio.
Eu continuava a olhar pra banana pensativa.
Então escorei a cabeça baixa no braço do Armin ainda sentada e continuei perdida em meus pensamentos.
"Armin. . . Você falou de eu ser de outra dimensão, na verdade . . . Eu realmente sou né. . .
Se um dia eu tiver que voltar de alguma forma pro bem de todos . . . Nos separaríamos e--"
"Eu daria um jeito. Eu prometi ficar do seu lado, e eu quero ficar do seu lado.
Enquanto eu achar que você corre risco eu vou tentar te ajudar.
Eu daria um jeito mas . . . Se um dia isso acontecer, eu me recuso a aceitar isso de forma simples. A menos que essa seja a única forma de te manter viva." Armin falava escorando a cabeça pra trás na maquina.
"Mesmo se nossa relação for perigosa pro mundo ?" questionei.
"Sim. . . E não digo apenas relação de namoro.
Você poderia ficar com o Nathaniel, Castiel, tanto faz.
Eu quero te manter viva.
Você já perdeu coisa demais pra perder mais a vida também. . . " Armin então encostou levemente a mão dele na minha, aquilo me deixou bem mais calma.
"Eu senti falta de passar o dia falando contigo . . ." falei.
"Eu também senti.
Mas eu não me arrependo de ter me trancado. Graças a isso eu terminei a maquina." Armin dizia.
"A maquina é realmente uma prioridade . . . " ali eu acabei soltando ar com a boca, realmente me senti deixada de lado.
Mas o Armin, me deu confiança e conforto.
"Não, a prioridade é você sempre. E se eu me empenhei na maquina dessa forma foi unicamente por você. Eu . . . te amo." senti meu rosto esquentar de vergonha.
Assim como senti o Armin.
Diferente de todas as vezes ele não correu pra esconder sua vergonha, pelo contrario, ele se manteve.
Eu dei a mão pra ele e com grande dificuldade consegui falar um "eu também."
Nunca pensei que dizer essas duas palavras seria tão difícil . . .
Ficamos contemplando a presença um do outro até eu decidir me desculpar.
"Eu . . . Dei muito trabalho me isolando e tentando me matar né ? Desculpa . . . "
Armin calmamente me respondeu
"Não tenho nada que desculpar.
Diferente de mim, você teve motivos bons pra isso . . . E foi muito forte.
Eu sou um fraco, mas você teve bons motivos pra fraquejar e ainda assim está de pé agora.
Foi um prazer cuidar de você esse tempo todo, mesmo que sendo irritante as vezes." Armin ria antes de continuar.
"Sabe, agora contigo, eu sei tudo que meu irmão passou esses anos todos . . .
Eu sempre estive na pele do suicida não de quem cuida do suicida . . . E consigo entender ele um pouco melhor.
Sabe, eu e meu irmão temos os mesmos transtornos. Nele é menos aparente.
Ele reage melhor as coisas e o fato de ele não ter diagnostico de depressão acho que releva muita coisa. Ele é uma das pessoas mais despreocupadas e felizes que conheço.
Eu já tive que cuidar dele em crise, mas foram raras as vezes e foram bem rápidas as crises do meu irmão.
Já ele teve bastante trabalho comigo . . .
E avaliando tudo que ele passou e agora o que passei contigo . . . Eu entendo bem o que ele passou. Não tenho raiva nenhuma do que aconteceu e entendo bem o que sentiu.
De certa forma fico até feliz porque acho que agora você entende minha mente um pouco melhor e vice versa." Armin sempre é gentil comigo com as palavras.
Mesmo quando faz brincadeiras de mal gosto, que aliás, ele não havia feito nenhuma até então.
"Desculpa mesmo ter te dado tanto trabalho Armin . . . Eu fui uma idiota egoísta . . . " voltei a repetir.
"Se for assim eu também sou o tempo todo.
Sabe . . . Eu entendo seus sentimentos. Talvez eu possa me atrever a dizer que sou quem mais te entende por aqui, já porque eu tenho os mesmos pensamentos e sentimentos que você. A intensidade pra cada um é diferente mas, são similares.
Você ainda passa por coisa pior se levarmos em conta seu magnetismo. Eu só tenho que lidar com minha própria mente.
Você tem que lidar com sua mente e seus problemas físicos. Eu . . . Só tenho minha mente pra me atrapalhar.
Não tenho problema físico nenhum. Nada de ruim de fato acontece comigo." Armin falava.
"Isso não desmerece seus problemas. Pelo contrario. Você é valioso e tem problemas como todos." respondi.
"Eu devia ser mais como o Nathaniel. Minha vida é perfeita.
O Nathaniel tem mais motivos pra ser depressivo do que eu, e ainda assim eu me deixei chegar nesse ponto." Armin dizia.
"Armin ! Para de se desmerecer." quando gritei ele se silenciou.
Com a cabeça baixa, Armin voltou a falar do Nathaniel.
". . . Quando estavam sozinhos no hospital . . . Ele ficou com raiva de eu ter fugido ?" ele perguntava.
Seu timbre tremia e ele parecia bem nervoso.
"Nathaniel falou comigo e em momento algum me induziu a separar de você ou sequer falou qualquer coisa negativa sua, na verdade, ele mal falava de você. Entretanto sei que ele estava preocupado . . .
Nathaniel se importa muito contigo Armin. Tudo que ele fez foi só me acalmar quanto a situação que estava acontecendo.
Você fugindo, eu sozinha em trabalho de parto. . . " sei que ele estava frágil e tentei ser delicada.
Mas . . . Tem certas coisas que saem sem querer e outra que não tem como medir.
"Entendi . . ." foi toda resposta que ouvi dele antes dele puxar assuntos variados.
Dali em diante conversamos sobre tudo.
Jogos, desenhos, filmes, até apagarmos.
Passamos a noite perfeita. Acho que o Armin queria compensar tudo que ocorreu. Ele falou tantas frases lindas e motivacionais ao decorrer da nossa conversa, e no fim, acho que ambos se ajudaram.
Na manhã seguinte eu estava abraçada no peito do Armin, algo que não acontecia a meses e tinha uma coberta nos envolvendo.
Alexy estava sentado em uma mesa lendo algo.
Ele levantou o óculos e olhando pra gente deu um bom dia alegre.
"Alexy ? Que horas são ?" perguntei esfregando o olho.
"Mais de 11 horas já. Eu cheguei aqui e ao chamar ninguém me atendeu.
Vim aqui pro escritório como de costume ai vi os pombinhos dormindo.
Peguei uma manta e cobri vocês e fiquei aqui mexendo nas coisas.
Fico feliz que tenham se resolvido" ele sorria gentilmente
Armin levantou e deu um soco no Alexy.
"VOCÊ TÁ USANDO A BOREAL DE RATO DE LABORATÓRIO ?!" Armin gritava.
"BOM DIA PRA VOCÊ TAMBÉM SEU TRASTE !" Alexy então devolveu o soco.
"EU TE SOQUEI COM MOTIVO !" Armin dizia.
"Não socou não ! Eu to cuidando bem dela e--" a voz de Alexy foi interrompida pela campainha.
Alexy saiu correndo pra porta e Armin foi atrás correndo.
"TEMOS VISITA ! SE COMPORTE FEITO GENTE SEU TRASTE !" Alexy gritava.
"PODE SER A RAINHA DA INGLATERRA NA PORTA ! ELA VAI TE VER APANHAR !" Armin gritava indo até o Alexy que ao abrir a porta já foi pego pelo irmão.
Na porta, era o Nathaniel.
Armin parou na mesma hora.
Nathaniel dava bom dia gentilmente enquanto Alexy se agarrava em sua cadeira falando "não me bata ! Estou com um cadeirante." Alexy dizia.
"Nathaniel sabe muito bem se virar ! Sai dai Alexy !" Armin gritava.
Nathaniel estava rindo.
"Vejo que o clima da casa está bem melhor não é mesmo ?" Nathaniel dizia entrando e se posicionando na sala.
Eu ainda estava sonolenta mas fui cumprimenta-lo empolgada.
Era ótimo ver a casa cheia de vida daquela forma.
Era ótimo saber que eu estava bem com o Armin.
Não vou falar que minha raiva passou 100%, mas pelo menos uns 90% sim . . .
Esses 90% que peguei do Armin . . .
Ainda estava chateada com o fato dele ter escondido o Jade e ter me largado no hospital, mas, eu conseguia entender com mais clareza suas atitudes.
Armin é muito importante pra mim pra eu simplesmente ignorar uma atitude claramente anormal dele, no caso, a forma como ele vinha me tratando.
Eu me sentei e comecei a contar pro Nathaniel tudo.
Sobre a maquina.
Ele pareceu muito empolgado.
Alexy também demonstrou empolgação.
Ele falava de como as coisas poderiam ser mais fáceis agora.
De poder tentar salvar minha mãe e até sobre ajudar nosso filho.
A conversa estava bem descontraída.
Alexy então repentinamente chamou atenção pro Armin.
"Vai onde ?" ele perguntava.
"Vou no quarto tomar um banho, essas coisas . . ." ele dizia com desanimo.
Confesso que notei, mas eu estava tão empolgada que acabei ignorando sem querer . . .
Continuei conversando com Alexy e Nath.
A conversa fluía e falávamos sobre assuntos variados.
Mas Alexy ia se silenciando aos poucos e parecia inquieto.
Ele então parou do meu lado e falou comigo.
"Estou preocupado com o Armin. Ele parecia chateado . . . "
"Agora que falou . . . Eu também achei . . . " respondi.
"Não quer ir ver ele ? Pergunta pra ele o que houve. Acho que você é a melhor pessoa pra falar com ele no momento. Ele tem passado por muita coisa e ele se apoia bastante em você . . . " Nathaniel dizia.
E bem, foi o que fiz.
Eu fui no quarto falar com o Armin, afinal, eles tinham razão, eu era a melhor pessoa pra isso.
Nossa relação estava bem melhor, o dia anterior havia resolvido muitos dos nosso problemas . . .
Pelo menos foi o que achei, mas . . . Minha mente pensou o oposto assim que abri a porta do quarto. . .
Eu entrei no quarto pra chamar o Armin e conversar com ele . . .
Mas tudo que eu via . . . Era seu corpo pendurado em uma corda com uma cadeira caída pro lado.
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Capítulo 123
Eu estou no meu semi estado vegetativo.
Não posso me mover muito por conta da operação.
Não que eu não possa, mas devo evitar. Se bem que estou praticamente cicatrizada já mas . . . Alexy não me deixa fazer nada.
Ele me lembra o Armin nesses pontos de cuidado . . .
De qualquer forma tenho ficado mais é sentada no quarto olhando a janela.
Azriel e Alexy são os que mais me visitam.
Faz umas 2 semanas que eu to nesse processo de tédio e cicatrização.
Sinceramente ainda não superei toda a ideia louca de Jade ser meu filho, Armin saber de tudo e todas essas merdas que descobri. Mas comparada as reações que já tive . . . Acho que estou bem.
Na verdade, estou bem apática com tudo.
Acho que as porradas tem sido tão intensas e constantes que estou ficando apática quanto a todos os acontecimentos.
E eu tenho remoído cada dia que passa mais e mais tudo que o Armin me fez durante o trabalho de parto, todas as grosserias e principalmente o fato dele ter me escondido tanta coisa . . .
Isso me fez acumular uma raiva enorme do Armin. . .
Por sorte ele sequer sai daquele escritório mais, então eu sequer vi a cara dele esses dias.
Quem tem me ajudado com tudo é o Alexy como falei. E confesso que a semelhança de rosto faz meu sangue ferver um pouco.
Acho que se eu visse o Armin agora só iria querer bater nele e gritar muito com ele até dizer chega.
Eu preciso descontar minha raiva em alguém e definitivamente esse alguém é o Armin . . .
Estou realmente MUITO ofendida com tudo.
A cicatrização que tem sido mais rápida que o esperado aparentemente é culpa daquela bacteria.
Dajan trouxe amostras da bactéria pro Alexy testar e usar em mim.
Alexy tem aplicado e me supervisionado esse tempo todo.
As vezes me pergunto se ele não está cuidando de mim só poque sou uma boa cobaia.
Enfim . . .
Azriel definitivamente está cada vez mais próximo.
E posso dizer que pelo menos por parte dele, sou a melhor amiga dele.
Ele me conta tudo, TUDO MESMO.
Inclusive, nos resolvemos depois daquela confusão.
Ele se desculpou varias vezes . . . Sinceramente, agora com a cabeça mais no lugar, eu consigo enxergar com clareza que ele fez bem em ter contado pro Armin.
Imagine se eu tivesse trago minha mãe . . . Será que eu iria conseguir ?
Eu realmente duvido muito.
Castiel tinha razão em tudo que ele falou a respeito do ritual, e eu sabia disso tudo, só quis negar pra mim mesma . . . Sou uma idiota mesmo, definitivamente.
Azriel faz o que ele fazia na época que eu ficava calada, vem e conta o dia todo dele.
O que fez na escola, em casa, etc.
Sinceramente eu gosto da "novela" da vida dele.
Me distrai.
Acho que é porque me lembra da época que o maior dos meus problemas era como me declarar pro Lysandre e desviar das investidas do Castiel
Sinto falta disso . . . Nunca pensei que diria isso.
Então participar da vida amorosa do Azriel tem me deixado feliz . . .
Azriel veio como de costume e ficou comigo o tempo todo.
Eu então me levantei pra pegar algo para comermos.
"Boreal ! Você tem que repousar." Azriel dizia.
"Azriel, relaxa. Eu já to bem. Inclusive to praticamente cicatrizada. Os experimentos do Alexy tem sido super efetivos." respondi mostrando a barriga.
"De qualquer forma você não pode exagerar dona Boreal" fui interrompida e empurrada pelo Alexy que vinha da garagem.
"Alexy nem vem. Não vou ficar mais naquela cama. Estou cansada de ficar tanto tempo deitada olhando a janela." Resmunguei.
"E pensa em fazer o que ? Você ainda está sendo testada. Você é meu ratinho branco de laboratório." Alexy ria.
"Alexy não é como se eu fosse correr uma maratona." falei apática.
"OK . . . Eu vou arrumar minhas coisas, estou esperando o Dajan. Ele está trazendo algumas amostras pra mim e provavelmente passarei o dia hoje estudando isso. Azriel, pode cuidar da Boreal pra mim ?" Alexy dizia.
"Claro ! Aliás, me lembrou bastante o Armin agora." Azriel dizia.
Confesso que ouvir o nome do Armin me causou certa raiva e eu com certeza demonstrei isso, Azriel notou e logo se desculpou.
Na hora notei que a porta do escritório foi aberta e Armin estava saindo e lá.
Quando ele saiu ele olhou fixamente pra mim assustado, como se não esperasse me ver.
Ele estava com um olhar cansado e de sono, cabelo desgrenhado e preso de qualquer forma, era deplorável.
Eu devolvi o olhar com muita fúria.
Ver ele naquele estado não causou nada em mim, nenhuma pena.
Eu estava realmente muito magoada com o Armin . . .
Eu então peguei o braço do Azriel e falei "vou tomar um ar com Azriel, não me espere ALEXY."
Antes que Alexy pudesse dizer algo eu já havia me retirado do local com o Azriel sendo arrastado.
A ultima coisa que vi ao fechar a porta foi o Armin de cabeça baixa da forma mais melancólica possível. . .
Aquilo me deu um pequeno aperto, mas eu não voltei atrás.
Puxei o Azriel para o parque, é o ponto mais fresco e próximo da minha casa, então acho que por isso me sinto tão atraída por ele.
"Boreal . . . Você não acha--" antes de Azriel completar a frase eu falei "se for falar do Armin eu não quero ouvir nada." Azriel então pareceu engolir suas próprias palavras.
Era fim de tarde, tinha alunos em alguns cantos indo pra casa ou socializando.
. . . Aquilo me deu um sentimento de nostalgia já que logo faria 1 ano que eu mal saia de casa.
"Hoje não teve aula ?" perguntei desanimada.
"Ter teve . . . Mas eu não acordei me sentindo bem pra ir . . . " Azriel falou desanimado.
"Se sentir bem ??? E desde quando gente com super força passa mal ?" retruquei.
". . . Não é bem fisicamente, é emocionalmente mesmo . . . " Azriel respondeu triste.
". . . O que houve ?" Eu então me sentei enquanto puxava o Azriel pro meu lado.
Realmente tenho amado ter ele como amigo.
Ele é tão gentil e sincero.
E ele realmente demonstra amar minha companhia e falar comigo.
" . . . Eu vi a Bia falando com um menino . . . Ela ria pra ele toda empolgada e . . . Aquilo me deixou mal . . .
Depois de termos ficado juntos ela simplesmente ficou de sorrisinho pra outro menino e . . . Não sei lidar." Azriel estava bem abalado enquanto contava sua situação.
"E se for um mal entendido ? Depois de todo envolvimento de vocês dois, principalmente carnal, duvido muito que ela iria simplesmente ficar com outro menino assim tão rápido. Ela tem uma mente bem conto de fadas Azriel.
E eu sei como é ter ciumes . . . Eu já acusei a Violette e quis afastar ela do Armin por causa de ciumes. Ela poderia estar só falando com o menino." respondi.
"Violette ??? A Violette nunca faria nada ! Até porque ela te respeita muito." Azriel estava espantado com minha revelação.
"Eu sei. Mas com ciumes não pensamos bem . . . Agora parando pra avaliar, porque tá incomodado dela se engraçar com outro menino se você não quer nada com ela ?" perguntei.
"Ah . . . Eu . . . Quero algo. Mas eu to dividido ainda com a ideia de ser tio dela. Fora meus sentimentos pelo Lysandre. . . " Azriel parecia cada vez mais confuso a medida que ia comentando seu caso.
"Ainda isso de ser tio da Bia ??? Meu Deus."
"Não é fácil Boreal . . . Sei que parece simples mas ver a Bia e lembrar claramente de tudo que passei com minha irmã quando eu era vivo é horrível. . .É tudo nítido demais.
E a Bia se parece muito com minha irmã.
Antes eu achava só coincidência, mas agora eu entendo o porque." Azriel estava com aquele olhar de cachorro sem dono dele de sempre.
Ele é tão fofo, sempre me da vontade de apertar ele.
"Bem . . . A Bia gosta de você, é prático, só tentar esquecer o passado e se prender a sua vida nova.
E o Lysandre já deixou claro que não quer nada contigo e até falou pra que se afastasse pelo que você contou. Então, o único empecilho é você mesmo."
"Pior que eu gosto muito do Lysandre . . . Mesmo sem nunca ter tido o mesmo contato físico que tive com a Bia." a mente do Azriel deve estar uma zona, até porque ele nunca viveu essas coisas né . . .
Ao longe vi a Bia com um menino conversando animada.
Notei que o Azriel apertou os punhos contra a calça, parecia muito incomodado.
Seu olha estava uma mistura de raiva e tristeza.
Eu então decidi tomar frente.
Comecei a acenar e gritar pra Bia.
Sinceramente eu não queria falar com ninguém . . . Ainda me sinto acuada.
Eu só quero falar com o Azriel porque me faz bem e o Alexy o mesmo, por mais que olhar pro Alexy me irrite as vezes por conta do rosto igual ao do Armin.
Bia viu e puxou o menino com ela enquanto vinha em nossa direção.
Bia veio empolgada me abraçar.
"BOREAL-SAMA ! VOCÊ TÁ BEM ?! JÁ PODE SAIR ?!" ela dizia me olhando.
"Tecnicamente não, mas você sabe das coisas que o Alexy tem feito né ? Eu sai por isso. Estou praticamente cicatrizada já." tentei medir palavras já que não poderia falar de experimentos científicos bizarros e afins perto do menino que a acompanhava.
"E esse seria ?" questionei.
"Ah, ele é o Samuel. Conheci ele no meu clube." Bia apresentou formalmente toda felizinha.
"Clube ? Está em um clube Bia ? Qual ?" perguntei pra puxar assunto.
"Eu levei ela pra conhecer meu clube . . . o de costura . . . " Azriel tomou frente.
"Er . . . sim . . . " Bia falou sem graça.
"Então está no clube de costura Bia ? É bem sua cara, você sempre demonstrou gostar de costura." comentei.
"Não, ela se inscreveu no clube de box . . . " Azriel falou irritado.
E eis que o silêncio pairou.
". . . Eu sempre quis fazer box . . . E com bem . . . Acho que tenho mais motivos agora . . . Eu decidi enfrentar minha vergonha e to fazendo box agora . . . " Bia falava sem graça.
"E você Samuel ? Porque escolheu box ?" perguntei enquanto Azriel bufava claramente incomodado.
"Bullying. Decidi aprender box pra parar de sofrer bullying." Samuel falava.
Ele tinha uma postura meio a meio.
E ele encarava o Azriel . . . Sinto uma hostilidade alta no local.
"Azriel, você faltou hoje porque ?" Bia perguntou repentinamente.
Azriel olhou com raiva pro Samuel antes de responder um"por nada, tava afim"
Bia claramente sabia que tinha algo além desse "nada" mas não insistiu no assunto.
"Samuel eu vou ficar aqui com eles tudo bem ? Faz tempo que não vejo a Boreal-sama saindo ! Quero aproveitar um pouco !" ela dizia sorridente.
Eles combinaram algo pro dia seguinte e o Samuel se despediu com um beijo no rosto de Bia.
Eu pude ouvir os dentes do Azriel trincarem.
Assim que Samuel saiu do local Azriel já dirigiu palavras a Bia.
"Não sabia que seu tipo tinha mudado tanto . . . " Ele dizia irritado.
Bia só teve tempo de falar um "oi ?" assustada e confusa.
Pra amenizar a discussão eu decidi falar do Castiel.
N hora não me toquei do quão infame eu fui.
"Você acha o Castiel bonito Bia ?" perguntei.
"Ah sei lá . . . Acho ele bonitinho mas não é muito o tipo de aparência que me atrai. Porque ?" Bia respondia inocentemente.
"Entendi porque tá de namorinho com o Samuel . . . " Azriel mandou essa farpa.
"Namoro ??? oi ???? De novo isso ?!" Bia realmente parecia muito confusa e assustada com a afirmação de Azriel, e ele não parava.
"De novo ?" foi tudo que consegui falar naquele momento.
Ali o palco tinha sido formado e tinha sido ocupado por Bia e Azriel.
"É ! Eu notei que vocês dois ficam de namorinho desde que se conheceram !!" Azriel afirmava.
"Azriel ! Deixa de ser bobo ! Eu não tenho o menor interesse no Samuel. E acho que é bem óbvio isso e também bem óbvio em quem tenho interesse . . . Ele só é um amigo do clube de box . . .
De qualquer forma, porque o interesse repentino na minha vida amorosa ?" Bia perguntava.
"N-Não to interessado ! Só quero . . .Ah esquece !" Azriel se sentou birrento no banco.
Sinceramente eu só queria ver até onde tudo isso daria.
"Se quer saber eu te acho bonito ! E muito . . . " Bia respondia.
Azriel claramente corou e eu estava adorando assistir aquilo, só jogando umas farpas volta e meia.
Precisava me distrair, e quer melhor que uma novela ao vivo ?
"Sou seu tio mesmo ! Então já que me acha bonito seria mais prático ficar com o Castiel já que você diz sempre que gosta de mim . . . " Azriel falava.
". . . Azriel.
Primeiro que ele namora a Ambre.
Segundo que eu goste DE VOCÊ não dele.
Mesmo vocês dois tendo a mesma aparência são TOTALMENTE diferentes.
A forma como você se veste, suas expressões e seu jeito te fazem ter o rosto totalmente diferente dele . . . E eu te acho mais bonito e . . . " Bia começou a corar.
Ele falou firme de inicio mas logo corou, inclusive, ela só ficou com vergonha quando se deu conta que eu estava no local.
"D-Desculpe excluir você repentinamente da conversa Boreal !" Bia estava agitada.
Eu sinceramente só ria.
Repentinamente o celular de Azriel começou a tocar.
Ele atendeu e após uma curta conversa ele se virou pra mim e explicou que devia voltar pra casa pra pegar um papel deixado pelo Nath que o Armin havia pedido. Era uma permissão pra algo.
Armin . . . Ouvir o nome dele me causa arrepios atualmente . . .
Eu realmente precisava desse tempo longe de casa com o Azriel.
Então Azriel falou que me deixaria em casa e iria buscar o papel que Armin pediu
Então, eu como estava querendo passar o máximo de tempo longe de casa e queria ver mais novela, tive a brilhante ideia de me convidar a ir na casa deles.
"Posso ir contigo Azriel ? Você sabe que eu não quero ficar em casa." eu dizia.
"ah, por mim tudo bem ! É bom que volto acompanhado." Azriel sorria.
Bia então se despediu e eu entrelacei meu braço no dela.
"Pera Bia ! Vem com a gente !" eu precisava continuar vendo eles interagindo.
Precisava dessa distração.
"Era . . . Acho melhor eu ir e--" Eu então ignorei totalmente o que a Bia falava pra puxa-la e perguntar para Azriel que papel era esse.
"Ah . . . É um papel pra ter permissão de usar um gerador de alta potência que o Nath pegou . . . " ambos pareciam nervosos.
E eu sinceramente estava amando ver o circo formado.
Fomos pra casa do Nath de táxi, Azriel pagou tudo, afinal, agora ele é rico né. Só por morar com os de Cristo.
Ao entrarmos, a casa estava vazia.
"Cadê os empregados ?" perguntei.
"Devem estar espalhados pelo quintal. Fora que diminuiu muito o número de empregados na casa." Azriel respondia.
Sempre que piso na casa do Nathaniel me vem lembranças da época que estávamos juntos . . .
E depois dos meus questionamentos no hospital em conjunto da minha birra com o Armin, eu estava pensando em toda essa situação e vinculo com o Nathaniel cada vez mais . . .
"Podem se sentir a vontade. Vou pegar os documentos no escritório e já volto." Azriel dizia se retirando.
Notei que Bia estava inquieta.
Então ela finalmente falou o que eu queria.
"Vou no banheiro, com licença"
Ali foi a deixa que eu precisava.
Eu sabia que ela não iria no banheiro e a segui.
Bia foi até o escritório onde estava o Azriel.
Confesso que ao ver ela entrando eu hesitei em ouvir a conversa atrás da porta . . .
Minha lembrança quanto aquele escritório era do Armin desabafando com o Nathaniel . . .
Lembrar disso me fez pensar pela primeira vez depois de 2 semanas no Armin de forma terna . . .
Toda sua tristeza, a forma como ele camufla tudo e se fecha . . . Os sons de choro . . .
Aquilo me fez pensar no Armin e sentir uma certa culpa por estar pensando no Nathaniel ultimamente . . .
Minha cabeça estava um turbilhão.
Eu não sabia se era certo pensar nele positivamente ou julgar suas atitudes baseadas em tudo isso mas . . . Eu senti um pequeno peso por ter tratado ele mal . . .
Por fim eu me aproximei.
Bia não encostou a porta direito, pra ela eu estava na sala.
Creio que meu momento de pensamentos filosóficos a respeito do Armin me fez perder algo, mas quando cheguei lá Bia começou a beijar o Azriel. Parecia que era continuação de algo que tinha acontecido naquele momento.
De qualquer maneira, ele não resistiu e retribuiu.
Os dois estavam com caricias intensas, é uma visão perturbadora pra mim sinceramente.
Ver a Bia com aquele fogo pra cima do Azriel me assustava . . . Talvez quem em visse com o Armin em nossos momentos íntimos pensasse o mesmo. . .
Eu estava pra me retirar ao ver que aquilo poderia terminar em sexo, e bem, Azriel já falou anteriormente que havia transado com a Bia . . . Não seria estranho se isso se repetisse.
Porém . . . Azriel interrompeu bruscamente o beijo intenso dos dois.
"Não devemos Bia . . . " Azriel afastava a Bia.
"Ainda está pensando naquela cosia sobre o Samuel ou. . .É por causa do Lysandre ? " Bia parecia confusa.
". . . Você é minha sobrinha, você sabe disso . . . "
"Não. . . Eu sou sobrinha do Dylan. Já falei ! Eu entendo que lembre da minha mãe como sua irmã, mas nós não somos parentes !! Armin mesmo encara você como uma reencarnação . . . Eu também !" Bia falava desesperada pro Azriel.
"Você só encara dessa forma porque quer ficar comigo." Azriel parecia tão triste quanto ela.
"Não ! Eu realmente não vejo dessa forma ! É legal saber que lembra das coisas . . . Mas não penso que seja o Dylan. . . Além do mais você também gosta de mim e pensa em mim como uma desconhecida ! O que tem de errado ?! SE você se sentisse tão preso a essa sua ideia de que somos parentes de verdade, você não teria nunca nem me beijado sequer . . . Muito menos feito sexo comigo . . . " Bia falava desesperada e quase chorando.
"Não precisa me lembrar disso ok ? Eu não me sinto bem com isso . . . " Azriel parecia tão perdido . . . Eu queria poder abraçar ele."
Bia então se sentou na cadeira do escritório se jogando pra trás.
"Eu não podia ter me apaixonado por alguém menos complicado . . . ? Pior que mesmo sabendo que você gosta do Lysandre também isso não me afeta sentimentalmente . . . O que você tá fazendo comigo Azriel ?" Bia tem uma personalidade um tanto quanto parecida com a do Azriel . . . E ela tentava sorrir pra amenizar a situação toda, porém, ela chorava feito uma criança.
Ambos não escondem o que pensam . . . Isso apesar de tudo pode ser um alivio grande pros dois lados.
"Porque não pode ser mais prático ? Você já falou que gosta de mim e eu já falei que gosto de você ! Já ficamos juntos e tudo !" Bia falava alterada.
"Não esquece que você é minha sobrinha . . . " Azriel dizia melancólico.
"Não sou. Sou sobrinha do Dylan. Você é o Azriel. Está me deixando impaciente esse seu argumento repetitivo Azriel."Bia falou silenciando o Azriel.
"É porque gosta do Lysandre também e tá dividido ? Se for fala logo. Eu não ligo que você assuma isso. Agora se prender a essa desculpa de que sou sua sobrinha está me deixando impaciente . . . " Bia parecia triste.
". . . Mas eu gosto do Lysandre também, você sabe disso. Mas ele não tem nada a ver com o motivo de eu ficar pé atrás contigo Bia . . . Desculpa." eu podia sentir no timbre da voz do Azriel que ele estava quase chorando.
Era incrível que . . . Perto da Bia quem parecia mais madura dos dois era ela.
E ela abraçou ele gentilmente.
"Fala que gosta do Lysandre e de mim ao mesmo tempo. Mas para com essa infantilidade de se prender as memórias da sua vida passada só pra ter uma justificativa pra continuar investindo em duas pessoas ao mesmo tempo. Isso é ridículo Azriel. Você brigou comigo por causa do Samuel, se fosse simples assim seu pensamento não iria ter esse sentimento conflituoso ao meu respeito." Bia falava coisas que jamais pensei que veria ela falando, entretanto, ela estava com aquele tom gentil dela de sempre.
Já o Azriel ? Chorava feito uma criança . . . Definitivamente sei quem é o maduro da relação dos dois.
O celular da Bia tocou e ela antedeu apressadamente.
Era sua mãe.
Era visível pela conversa.
"Minha mãe pediu pra que eu comprasse algo pra ela." Bia dizia.
". . . Eu te levo" Azriel respondia.
"Não, vou sozinha, sério. Fica com a Boreal . . . Quero ir sozinha . . . " Bia não enrolou muito e saiu da sala.
Eu sinceramente não fiz esforço pra me esconder, só fingir passar por lá na hora.
Eles olharam pra mim surpresos, principalmente ela.
"B-Boreal ?!" ela falava.
"Vim procurar vocês já que estavam demorando." respondi apressadamente.
Azriel já tinha entendido.
Ela explicou tudo apressadamente sobre ter que ir pra casa e não enrolou muito.
Azriel parecia desanimado.
Nos sentamos um pouco, ele ligou para o taxi e aguardamos um pouco antes de irmos.
"Quer falar sobre ?" perguntei.
". . . Quando chegarmos na sua casa talvez . . . Não quero falar parcelado, vamos conversar lá."
Finalmente levantamos.
Entrei no táxi junto de Azriel que logo notou que esqueceu o documento do Armin.
Ele então voltou para buscar e eu aguardei no táxi.
Notei que Lysandre estava passando pelo local . . . Lysandre por aqui ? Foi uma surpresa pra mim.
Ele foi com a mão em direção a campainha quando Azriel abriu o portão na mesma hora.Os dois se encararam por um tempo.
O táxi estava bem próximo de ambos, e pelo vidro ser fumê o Lysandre não sabia que eu estava ali.
Vantagem.
Parece que o dia foi a favor de minha novela.
"L-Lysandre ?" Azriel falava espantado enquanto fechava o portão.
"Eu vi sua discussão com ela ontem sobre ela namorar um menino.
E vi o beijo que deram no beco do colégio.
Como você pôde ficar com ela depois de tudo que descobriu a respeito da vida de vocês ??" Lysandre batia na parede ao lado do portão irritado enquanto fechava o Azriel na mesma. Azriel parecia assustado com os movimentos bruscos do Lysandre.
"E-Eu . . . Já falei que minha cabeça tá confusa . . . " Azriel estava com um olhar de desespero e olhava hora pro braço do Lysandre bloqueando seu caminho, hora pros lados e hora pro próprio rosto do Lysandre.
". . . Você sabe como ela vai ficar ? Você sabe como VOCÊ vai ficar com isso tudo acontecendo ??" Lysandre tinha um timbre irritadiço.
". . . Ela sabe de tudo . . . Eu contei pra ela ! Se ficamos juntos não foi sem antes eu ter contado tudo pra ela . . ." Azriel parecia estar a um ponto minimo de chorar, aparentemente o Lysandre ao notar que ele estava quase chorando se acalmou. "Ela gosta de você e é inocente, ela vai mentir pra ela mesma quanto a seu parentesco." Lysandre dizia.
"Ela é inocente sim, mas ela é muito madura, decidida e responsável !" Azriel rebatia.
"Vocês dois são dois irresponsáveis ! Como podem se deixar vencer por desejos carnais ?!" Lysandre batia novamente na parede assustando o Azriel.
"VOCÊ FICA BRIGANDO COMIGO POR CAUSA DELA ! EU AGRADEÇO SUA PREOCUPAÇÃO COM MINHA SAÚDE MENTAL E A SAÚDE MENTAL DELA MAS . . . ISSO NÃO VAI MUDAR NADA !
Além do mais . . . Você havia pedido pra eu me afastar ! Eu me afastei ! Te obedeci ! E agora você vem se meter na minha vida !
Você realmente veio aqui só pra isso ?!" Azriel rebatia ofegante e irritado.
"ESSA É SUA RESPOSTA ?! POUCO IMPORTA PRA QUE VIM." nunca vi Lysandre com uma postura tão agressiva.
Era incrível pra mim conhecer esse lado dele.
"SE POUCO IMPORTA ME DE LICENÇA !" Azriel então empurrou o Lysandre mas logo foi empurrado contra parede.
Azriel sempre evita usar a super força e ele tem um controle incrível.
"Você não falou que gostava de mim ?? Porque está proibindo a Bia de ter namorado ??" Lysandre berrava enquanto segurava o braço do Azriel.
"NÃO SEI ! Eu . . Gosto da Bia . . . Gosto muito dela. . . Eu não consigo aceitar a ideia de ver ela com outra pessoa . . .
Assim como não consigo aceitar a ideia de te ver com outra pessoa . . .
Eu . . . Não sei como lidar com sentimentos. Eu nunca tive isso . . . Mas sei que tem algo diferente com vocês dois.
Eu consigo ver a Boreal com o Armin, o Castiel com a Ambre, e todos o resto sem me sentir mal. Mas gosto muito deles também.
Agora vocês dois . . . Eu não quero, eu não consigo." Azriel estava chorando bastante a essa altura, o que parece ter feito o Lysandre hesitar em sua postura ofensiva.
Deve ser tão confusa pra cabeça dele. . . Ele nunca "viveu". E agora de repente ele se vê cercado por sentimentos intensos POR DUAS PESSOAS AO MESMO TEMPO.
Sendo que uma, a única que corresponde ele . . . É a pessoa que confunde ele mentalmente.
"Lysandre, se você já mandou eu parar de te seguir e dar em cima de você, porque tá tão incomodado comigo e a Bia ?" Azriel estava bem irritado. Ele oscilava constantemente entre choroso e irritado. Eu nunca pensei que veria ele irritado com o Lysandre. A postura dele com o Lysandre sempre foi mais ofensiva ? Sim, mas nunca nesse nível.
Era um ofensivo brincando de flertar sempre.
"Minha preocupação é totalmente focada na Bia, não em você." Lysandre respondia.
Nessa hora pude ver o Azriel morder os lábios com certa raiva quando finalmente ele se pôs a falar.
"Então fica despreocupado porque ela é mais madura que eu e você juntos, com licença." Azriel saiu muito irritado de perto do Lysandre que por sua vez deixou claro que estava com muita raiva da postura do Azriel . . .
Está tudo tão confuso quanto a ele . . .
Pouco antes de Azriel ir pro táxi, Lysandre tomou uma ultima atitude.
Lysandre segurou o Azriel contra a parede e ficou encarando ele.
Eu não conseguia ver o que estava acontecendo.
Azriel parecia em pânico, e após alguns segundos atônito, ele falou: "Com licença, tenho que levar a Boreal pra casa." e empurrando o braço do Lysandre ele seguiu até o táxi.
Lysandre por sua vez pareceu surpreso.
Ele não sabia que eu estava presente.
Tivemos uma pequena troca de olhares.
Ele me olhava fixamente no olho enquanto a porta abria e se fechava.
Então, seguimos o caminho para minha casa.
Dentro do táxi Azriel soltou um grito surpreso, ele falava meu nome já puxando minha mão e colocando em seu peito pra sentir seu coração disparado.
"Que houve ??!" falei metade surpresa e metade fingindo. Era uma pergunta retórica.
"O Lysandre . . .Ele . . . Me pressionou na parede e . . . Ele tava tão perto.
Ele ficou me encarando e . . . Aqueles olhos dele . . . Eu não sei como reagir . . . Foi uma surpresa" Azriel falava.
"Sinceramente ? Estou confusa sobre o Lysandre depois do que vi hoje . . . " respondi.
Não prolongamos a conversa porque realmente não queríamos interrupções.
Íamos conversar tudo em casa.
Apressadamente ao chegar joguei os papeis no Alexy que estava no sofá.
E ele me viu subindo apressadamente com Azriel pro quarto.
Eu me sentia naquelas situações de filme em que as meninas sobrem pro quarto empolgadas pra falar de meninos.
E foi basicamente isso já que íamos falar dos sentimentos do Azriel.
Me sentei apressadamente na cama
"Antes de mais nada, vi e ouvi tudo tanto da sua situação com o Lysandre quanto com a bia hoje". falei antecipando e poupando grande esforço por parte dele.
"EU SABIA ! EU SABIA QUE ESTAVA OUVINDO NO ESCRITÓRIO !" ele dizia rindo e me contagiando.
Azriel então se interrompeu antes mesmo de começar a falar.
"Eu me sinto um monstro de estar falando de problemas amorosos enquanto você tá sofrendo um monte de coisa . . . Constantemente venho te falar dos meus problemas . . . Isso é péssimo.
Minha vida é ótima se comparada a minha vida passada !
Tenho tudo !
"Família", amigos, saúde, dinheiro . . . Não me falta nada !
Meu maior problema é amoroso . . . E você, tem varias coisas acontecendo, e ainda tem que me ouvir me lamentar porque eu gosto de duas pessoas ao mesmo tempo e não sei o que fazer . . . Me sinto tão idiota e infantil . . . " Azriel me contava melancólico.
Eu não julgo . . . Eu mesma já estive na posição dele.
Ficar chorando por dúvidas e me focando em meninos enquanto o mundo desabava ao meu redor.
As vezes parece que problemas amorosos são mais intensos que problemas físicos que podem te destruir . . .
De fato, ter o Armin do meu lado amenizou muita coisa, apesar de toda a dor dos problemas constantes acabarem comigo . . . Sem ele, acho que estaria muito pior.
E pensando nisso . . . Eu novamente pesei o quanto valia a pena ficar brigada com ele . . .
Talvez sentar e conversar seja a melhor opção.
"Vivi isso tudo, e não te julgo. Até porque comparado a mim, você mal comete erros, vamos ser sinceros." respondi tentando rir da minha desgraça.
Sinto falta daquela época que maior dos meus problemas era pensar em como ia me declarar pro Lysandre . . .
"Quando você ficou com o Armin . . . Você só gostava dele né ?" Azriel perguntava.
"Na verdade . . . Eu tinha terminado com o Nathaniel e estava MUITO mal com isso.
Eu gostava DEMAIS do Nathaniel.
O Armin entrou de voadora em cena jogando os sentimentos dele assim que viu que eu estava melhorando . . . Foi tudo muito rápido.
Mas . . . Já passei pela mesma coisa que você. . . Eu era muito apaixonada pelo Lysandre . . . " Quando eu falei isso eu pude ver o rosto do Azriel ficar com um espanto ENORME.
"Eu . . . Sabia que ele havia gostado de você, mas algo por alto, não sabia que era reciproco ! E porque não ficaram juntos se se gostavam ?" Azriel questionou.
"Lysandre havia me rejeitado porque queria que eu ficasse com o Castiel . . . Mas eu estava começando a gostar do Nathaniel aos poucos.
No fim . . . Nos afastamos e eu comecei a ficar com o Castiel na raiva do momento.
Quebrei o coração do Nathaniel e depois do Castiel.
Fiquei sozinha um bom tempo . . . Achei que Castiel e Nathaniel estivessem mortos.
O Lysandre então investiu em mim finalmente.
Ele foi impulsivo e não esperou nem 2 dias após a morte dos dois pra investir em mim.
Aquilo obviamente foi um choque pra mim, até porque segundos antes do Nath ser "morto" tinhamos decidido ficar juntos.
A pressa do Lysandre me fez ver que eu não conhecia ele.
Eu estava apaixonada pela imagem que criei dele.
E quando descobri que ele sabia o paradeiro do Nath, piorou tudo. Toda a admiração que eu tinha por ele se foi. . .
Você conhece o lado ruim e bom dele e gosta de ambos, então já está cometendo menos erros que eu só pelo fato de saber o campo em que pisa.
Ambos pelos quais se apaixonou você conhece bem. " Azriel prestava atenção em cada palavra que eu proferia.
". . . Deve ter sido difícil pros dois . . .
Eu já notei que ele é bem possessivo. E se ele era desmemoriado ao ponto de entrar em estado vegetativo como já me foi dito . . . Devia ser horrível pra ele.
Acredito que ele se jogou em cima de você por desespero de ficar sozinho. Lysandre é muito astuto. Ele não iria investir dessa forma desesperada, ele sabia que iria perder você caso o fizesse, provavelmente ele nem pensou nisso.
Ficar sem o Castiel deve ter deixado ele sem chão e automaticamente sem pensar também . . . " Azriel falava pensativo.
"Sim . . . Na época eu não pensava muito nessas questões e nem tinha uma mente muito madura pra isso.
Não digo que sou super madura agora, mas . . . Agora eu consigo ver ao meu redor e avaliar tudo que passou. Ele não estava com a cabeça no lugar. E eu também não . . . "
"Sinceramente ? Não é porque eu gosto do Lysandre mas . . . Acho que o Armin combina bem mais contigo.
Ele te entende como se estivesse dentro da sua cabeça. E ele ama você de uma forma que só vi em livros.
Mesmo sendo frio de certa forma e tendo vergonha pra demonstrar os sentimentos dele de forma explicita, ele demonstra isso em cada atitude dele. Tipo largar a vida toda dele pra viver cuidando de você . . .
Ele não demonstra pena ou remorso nenhum de ter feito isso, ele fez de bom grado e parece feliz de cuidar de você. E isso tem apresentado bons resultados, você está bem melhor comparada a antes.
Sei que ele está mal agora mas . . . Não é culpa sua.
Sabe . . . Eu queria que alguém tivesse feito isso por mim . . . Quem sabe eu não precisasse só disso pra melhorar ? Talvez eu ainda estivesse vivo se tivesse alguém assim do meu lado . . ." ouvir isso do Azriel me deixou tão . . . aliviada e feliz.
Eu precisava ouvir esses elogios referentes ao Armin . . . Precisava mesmo . . .
Minha mente está uma constante zona.
. . . Jade estava carregando grande parte da minha carga negativa. . . E Armin a outra parte.
Eu estava concentrando tudo nos dois . . .
Diferente dos meses passados que me isolei, eu estava tentando fugir de tudo de outra forma . . . No literal.
Me calei automaticamente e fiquei pensativa sobre o Armin.
Azriel notou, obviamente, afinal, minha discrição foi de menos cem por cento.
"Fala com ele." Azriel interrompeu meus pensamentos.
"Sei que ele escondeu tudo pra te proteger.
Boreal, pensa.
Se você soubesse desde o inicio que o Jade era seu filho poderia ter impedido ele de nascer por raiva das coisas horriveis que ele fez.
Isso ia mudar MUITA coisa.
Poderia destruir tudo.
Começando pela sua existência.
Pensa no quanto foi difícil pro Armin manter esse segredo por tanto tempo . . .
Tenho certeza que ele queria fazer algo e ficou se remoendo com isso esse tempo todo."
Cada vez que o Azriel falava do Armin eu me sentia mais culpada por tratar o Armin como verme . . .
"Eu . . . vou pra casa por agora . . . Mas amanhã podemos conversar mais ? Também preciso pensar na minha situação atual . . . " Azriel sorria gentilmente.
Balancei a cabeça positivamente enquanto descia as escadas com ele para acompanha-lo até a porta.
Ambos pareciam perdidos em seus pensamentos referentes aos seus respectivos problemas.
Ele sobre Bia e Lysandre e eu sobre o Armin e o Jade . . .
"Jade" . . .
De onde veio esse nome ?
De qualquer forma, eu me despedi de Azriel e entrei.
Alexy estava na sala lendo os papeis que Azriel trouxe.
Quando me virei ele estava tirando o óculos e apertando o topo no nariz com rosto pensativo.
"Alexy ?? Tá usando óculos desde quando?" perguntei espantada já que nunca vi ele usar.
"Sim, sempre usei." Alexy ria tirando o oculos.
"Não sabia ! Engraçado, o Armin não usa óculos e ele passa horas em frente a aparelhos eletrônicos . . ." retruquei.
"Sim, mas é que eu sempre forcei mais a vista. Gosto bastante de ler e já passei noites lendo no escuro, isso acabou me ferrando mais que o Armin, que aliás, também tem problema de vista mas ele ignora. O que vai agravar provavelmente no futuro." Alexy então mostrou o grau fortíssimo de seu óculos.
"Eu nunca te vejo de óculos por isso estranhei . . . Alias, tirou as lentes ?" perguntei.
"Sim, hoje eu não tava com saco pra por lente ai vim com óculos mesmo." ele dizia colocando o óculos de volta no rosto.
"Eu pensava que era uma lente colorida só por estilo e não que precisasse." comentei.
"Eu preciso. E se eu tenho que usar algo obrigatoriamente vai ser sempre algo fabuloso." Alexy dizia rindo.
Me contagiou com a risada.
Repentinamente enquanto riamos Armin abriu a porta do escritório e ficou olhando pra nós dos fixamente.
Nos silenciamos e encaramos de volta.
Acredito que ficamos 1 minuto os 3 se encarando.
Armin não estava com o cabelo desgrenhado nem nada do tipo.
Armin veio sorridente até mim.
Armin só se aproximou e me tomou em seus braços sorrindo.
Eu olhava pro Alexy confusa, e ele devolvia o olhar confuso.
Ambos estavam em silêncio.
Armin então me segurou forte pelos ombros e olhando pro meu olho enquanto esboçava um grande sorriso ele falou: "ACABEI DE CONSTRUIR A MAQUINA !"
Eu e o Alexy nos olhamos muito assutados.
E Armin se mantinha sorridente o tempo todo.
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Capítulo 117
Meu pai ainda estava chocado.
Ele se aproximava lentamente da entrada do colégio sem entender o que acontecia.
"Boreal . . . Me explica" ele olhava pra mim confuso.
"Eu. . . Também quero entender. . ."
Charlie repentinamente começou a latir muito e empurrar eu e meu pai com as duas patas.
Foi a primeira vez que vi ele interagir com meu pai sem ser pra rosnar.
Ele latia e rosnava mas . . . Era diferente.
"O que houve ?!" meu pai falava assustado olhando pras atitudes estranhas de Charlie.
Mas Charlie continuava.
"Ele tá seguindo as ordens do Armin pai . . . O Armin mandou ele cuidar de mim e eu não sair de casa.
Armin voltou pra escola pra ver o que estava acontecendo.
Eu fiquei presa em um buraco com varias meninas e nossa . . . Uma confusão.
Resumidamente, o Dake nos colocou pra fora por uma passagem no fundo do colégio e falou para me manter afastada." falei.
"E porque voltou ? Se ele falou isso é porque algo de errado iria acontecer contigo. Você sabe que estão te perseguindo." meu pai parecia preocupado e irritado nessa hora.
"Meus amigos, minha mãe, meu namorado, todo mundo ta ai dentro ! Acha mesmo que eu ia conseguir ficar em casa parada ? Eu sequer sei o que tá acontecendo !! Todos estão incomunicáveis !" respondi.
Meu pai então respirou fundo e me deu a mão.
"Eu sei que você vai mesmo se eu te mandar pra casa . . . Você sempre passa por cima.
Então já que é pra ir . . . Vou contigo." ele dizia.
Charlie começou a latir mais ainda e ameaçou morder pela primeira vez . . . Porém, obviamente ele não o fez, afinal, ele tinha veneno e sabia bem disso.
"Charlie ! O que deu em você ?!" falei espantada e gritando.
Ele então se acalmou e começou a andar na nossa frente . . . Ele estava tão confuso hoje.
Muitas pessoas se aglomeravam em frente ao colégio.
Fomos direto na porta do auditório, mas estava trancada e . . . Dava choque ? Era algo estranho.
"Minha mãe e todos os pais estavam ai dentro . . . " Eu dizia.
"Temos que entrar ai . . . Tem outro caminho ??" meu pai falou olhando o prédio.
". . . . Tem um buraco que da no auditório, onde eu fiquei presa. Dá pra acessar a partir o porão." falei.
Charlie estava muito inquieto e tentava entrar no auditório pela porta mas ele mal conseguia encostar na porta.
"Lá estava trancado mas . . . Com a super força do Charlie quem sabe consigamos entrar. Talvez lá não esteja sendo eletrocutado ou sei la o que." falei.
Meu pai parecia preocupado demais.
Ele então foi em frente, até a estufa do jardim e começou a mexer na maleta de equipamentos de jardinagem.
"A escola está bem vazia . . . " ele resmungava.
"Enquanto eu estava no buraco mandaram todos se dividirem, as meninas em uma sala, os meninos em outra e os pais no auditório . . . Só quem estava comigo eu vi fugir."
Meu pai então repentinamente me entregou uma tesoura da jardineiro.
"Pra que isso ?" perguntei assustada.
"Tem 2 organizações atrás de você, demônios, fantasmas, tudo rondando sua vida. De repente temos brilhos por aqui e todo mundo desaparece. Seu amigo mais próximo dos responsáveis do colégio te manda ficar afastada . . . Se quer andar nesse colégio comigo vai andar com algo que te permita se proteger, caso contrario, vai voltar pra casa." meu pai falava bem sério.
Era estranho pensar que ele me deu uma tesoura enorme pra que eu me defendesse . . .É estranho pensar que eu vou me defender de algo.
Espero que seja só precaução.
Ele pegou uma pá e seguimos pra dentro do colégio, que inclusive, estava trancado.
"Que estranho. . ." ele falava enquanto Charlie quebrava a porta.
Assim que entramos estava tudo vazio.
Fomos abrindo porta por porta do corredor pra ver se achávamos alguma alma por ali, mas não tinha ninguém.
Por fim, ouvi um som. Estava tudo vazio e silencioso demais, era fácil ouvir qualquer som emitido.
Calmamente seguimos o som, dava na sala do grêmio.
Charlie ia na frente, meu pai vinha em seguida e eu atrás dos dois.
Todos apreensivos.
Então começamos a vasculhar a sala toda.
Eu me mantive na porta.
Por fim, meu pai abriu o armário de papeis.
Ele estava em prontidão com a pá na mão, porém, ouvi som de choro intenso e em seguida vi pequenas mãos abraçarem o pescoço do meu pai.
Era a Bia.
"Bia ?! O que faz aqui ?! Dake não mandou todas vocês pra casa ?!" eu falei espantada e relaxando.
". . . S-Sim . . . Desculpa . . . Mas . . . Quando ouvi a conversa e quando vi o desespero dele voltando pro colégio falando que tinha que ir onde estavam os pais eu entrei em pânico.
Minha mãe ! Ela tá naquele auditório e não atende nenhuma ligação . . . " Bia chorava intensamente.
Eu não posso condena-la nem culpa-la de nada . . . Eu fiz o mesmo.
Então abracei ela, que colou no meu tronco na mesma hora.
Ela chorava muito.
"OK . . . E porque se escondeu no armário ?" meu pai questionou.
"Eu . . . Ouvi tiro mais cedo vindo do corredor.
E muitas pessoas gritando. Eu fiquei em pânico e corri pra primeira sala aberta e me tranquei no armário. Não sei quanto tempo se passou mas . . . Mas estou apavorada." Bia tremia muito.
Eu imagino o nervosismo que ela passou.
"Bia . . . Você viu mais alguém ? Armin ? Dake ?" perguntei.
"Não . . . Eu só vi um homem de cabelo verde passando no corredor em um dos momentos que tentei sair, parecia o jardineiro antigo, mas eu estava com tanto medo que voltei. O que tá acontecendo ?" ela perguntava.
"Também queremos saber . . . " respondi preocupada.
"Bem . . . Não podemos te deixar sozinha. . ." meu pai dizia.
"Eu . . .posso ir com vocês ?" ela falava timidamente.
"Melhor ir pra casa . . . Já acho que a Boreal não devia estar aqui.
Pode deixar que vamos procurar cuidar bem de todos os envolvidos."
Bia pareceu se sentir contrariada mas não questionou.
Então saímos para leva-la a saída.
Ao chegar na porta de entrada dos corredores para o pátio . . . Algo MUITO estranho aconteceu.
". . . Cadê a porta . . . ??" falei espantada.
Pude ver claramente os olhos de Bia e meu pai ficando enormes de tanto espanto.
"Passamos por ela agora . . . O que houve ?!" meu pai dizia.
Passávamos a mão por toda a parede e não tinha nem sinal de que existiu uma porta por ali um dia.
"OK . . . não é hora pra questionamentos. Vendo isso eu concluo que precisamos achar o resto do pessoal e sair daqui o mais rápido possível. Tem algo estranho acontecendo DE VERDADE." meu pai dizia bem sério.
Nós então demos meia volta e começamos a caminhar pro interior do colégio.
Eu e Bia íamos atrás do Charlie e do meu pai que averiguava todas as salas em busca de pessoas.
Ouvimos sons de vozes vindo do segundo andar.
Meu pai mandou eu e Bia ficarmos pra trás com Charlie que ele ia ver. Obviamente recusei.
"Pai, pensa bem. O melhor agora é ficar todo mundo junto. Você sabe que existe gente com super força por aqui e não vai bater de frente com um desses, pra isso só temos o Charlie.
Temos que ficar todos juntos." meu pai respirou fundo e por fim concordou.
Subimos as escadas lentamente e cautelosamente.
Aos poucos as vozes ficavam mais altas.
"Eu tenho certeza do que eu vi !! Parem de me tratar como louco !" eu ouvia. Parecia a voz do Castiel.
"NÃO É HORA PRA ISSO ! TEMOS QUE ENTRAR NAQUELE AUDITÓRIO ANTES QUE O DAKOTA DESMAIE" pude reconhecer bem aquela voz, era do Nathaniel.
Eu então tomei frente e segui a voz.
Estava na sala de artes.
Eu abri a porta de repente.
Armin, Dake, Nathaniel, Azriel e Castiel estavam ali.
"Boreal ?!" Armin gritou espantado e se aproximando.
"O que houve ?!" perguntei.
"EU QUEM PERGUNTO !! O QUE FAZ AQUI ?! MANDEI VOCÊ FICAR EM CASA ! O DAKOTA FALOU QUE ERA PERIGOSO !!" Ele gritava.
"E VOCÊ ACHA MESMO QUE EU IA FICAR EM CASA COM VOCÊS TODOS AQUI NO COLÉGIO SEM SEQUER ME DAR SINAL DE VIDA ?! PARECE QUE NÃO ME CONHECE !" eu gritei de volta.
"EM OUTRA SITUAÇÃO EU ACEITARIA SEUS ARGUMENTOS ! MAS AGORA, É UMA SITUAÇÃO ARRISCADA ! SERÁ QUE NÃO PENSA QUE O FATO DE TERMOS QUE PROTEGER VOCÊ DE ALGUMA COISA VAI ACABAR NOS DEIXANDO VULNERÁVEIS ?!" Armin gritava ainda mais irritado.
"Então que não me protejam ! EU NÃO PEDI PRA SER TRATADA FEITO UMA PRINCESA EM PERIGO CHEIA DE CAVALEIRO NO CAVALO BRANCO QUERENDO ME PROTEGER !" gritei ainda mais alto.
"SE TOCA UM POUCO QUE VOCÊ EM PERIGO VAI DEIXAR TODO MUNDO EM PERIGO !! NÃO É QUESTÃO DE TRATARMOS VOCÊ COMO PRINCESA ! MAS A QUESTÃO É QUE NÃO SABEMOS O QUE QUEREM FAZER E ISSO PODE SIM PREJUDICAR TODO MUNDO !! PENSA UM POUCO SUA AMEBA !!
EU SOU O PRIMEIRO A ACHAR QUE VOCÊ DEVE TOMAR DECISÕES SOBRE A SUA VIDA ! MAS QUANDO ELAS INTERFEREM COM A VIDA DE MAIS PESSOAS TEMOS QUE PARAR PRA PENSAR ! AINDA MAIS PORQUE FOI AVISADO PRA VOCÊ NÃO VOLTAR !" Armin estava MUITO irritado.
"Armin . . . Não temos o que fazer, só resta aceita que ela tá aqui." Nathaniel se meteu.
"NÃO ! VOCÊ VAI PRA CASA AGORA BOREAL ! JÁ ESTÁ UM INFERNO PRA NÓS AQUI DENTRO !" ele gritou ainda mais forte e me puxando.
"NÃO ! EU QUERO AJUDAR E VOU !" eu puxei meu braço de uma vez.
"Armin . . Eu não queria que ela viesse também. E você sabe que ela é teimosa. Pensa: Seria pior se ela estivesse sozinha agora andando pelo colégio. Ainda bem que encontramos com ela não acha ?" meu pai respondia.
"A questão não é essa ! Porque ela não pode só ficar em casa e esperar ?! Foi avisado que estão atrás dela !! DÁ PRA ELA SER MENOS TEIMOSA AS VEZES ?!" Armin dizia desesperado olhando pro meu pai.
"Foi avisado pra você que você destruiria linhas se ficasse comigo, qual foi sua resposta ? Que ia continuar.
Você não ligou pra vida dos outros. E eu não te julgo por isso." respondi ríspida.
"A questão é: não sabemos se é verdade ! É uma suposição da Debrah." ele falou.
"A questão REAL é: VOCÊ É TÃO TEIMOSO QUANTO OU ATÉ MAIS QUE EU. Se algo sai do seu controle você pira e se torna ainda mais cabeça dura." gritei.
"Tá Boreal ! Chega !" Armin gritou colocando a mão na cabeça.
"De qualquer forma . . . Não temos como ir embora . . . A porta de entrada desapareceu." Bia dizia finalmente.
"Outra louca . . . Tinha que ser a Bia. . . " Armin falou se sentando irritado.
"VIU !? EU NÃO FUI O ÚNICO QUE VIU ! " Azriel dizia.
"Nós vimos também com a Bia. A porta de entrada realmente sumiu." meu pai falava.
"Mas . . . A de entrada também ? O que tá acontecendo ?" Azriel falava.
"Também ?" o que ele quis dizer ?
"A porta do auditório havia desaparecido. . . "Azriel dizia.
"Nós passamos pelo auditório e a porta estava lá. Mas estava com algo que parecia eletrocutar ela." eu respondi.
"Não é possível . . . "
"Com mais gente podemos despachar o Nathaniel e o Dakota." Armin falava se levantando.
"Pelo visto o remédio do Dajan fez efeito na sua perna . . . " ele falou enquanto passava por mim. Eu havia me esquecido da perna.
Azriel colocou o Dake nas costas e Castiel colocou o Nathaniel, então todos nós descemos as escadas.
"O que houve com sua cadeira ?" perguntei no caminho.
"Eu não sei . . . acordei na sala de artes depois que fui pro local indicado pela diretora . . .
Ela reuniu todos os alunos e eu não lembro o que houve, só de ter sido acordado pelo Azriel." Nath respondia.
"Eu encontrei com o Armin carregando o Dake e quando estava ajudando a por os alunos pra fora, ou no caso, achar alunos pra por pra fora, eu encontrei o Nathaniel lá na sala. Então chamei o Armin e o Dake e no caminho o Castiel apareceu." Azriel dizia.
Assim que chegamos no corredor . . . Armin parou incrédulo e correu até a porta de entrada.
"Não é possível . . . Onde está a porta ?!" ele berrava enquanto passava a mão na parede procurando indícios de porta.
"Não tem jeito . . . Vamos ter que sair daqui por outro lugar." Azriel dizia.
"E as janelas ?" Castiel falou.
"AS JANELAS ! FINALMENTE CASTIEL DEU UMA IDEIA QUE PRESTE !" Armin falou rindo.
"VAI TOMAR NO CU !" Castiel gritou.
Todos então saíram pelas janelas e então notamos que . . . o auditório estava aberto.
Eu fui correndo até lá, mas Armin me parou.
"Eu acho que se o Dakota falou pra não irmos pro auditório contigo, tinha motivo, deixa de ser afobada." ele dizia.
"Eu, Charlie e o Armin vamos na frente, vocês aguardam ok ?" meu pai dizia.
"MAS EU QUERO IR !" gritei.
"Não Boreal ! Temos que ver se é seguro." meu pai dizia.
"Boreal . . . Escuta seu pai . . . " Dake falou fraquejando . . . Aquilo me deixou bem triste mas eu obedeci.
Eles então entraram no auditório.
Demoraram um tempo, um bom tempo na verdade . . .
Eu estava nervosa, andava de um lado para o outro inquieta.
De repente ouvi gritos, gritos altos, muito alto mesmo !
Eu fiquei desesperada.
Castiel soltou o Nathaniel de uma vez e foi correndo até o auditório.
Eu fui atrás, mas antes que eu pudesse entrar o Armin surgiu na porta de uma vez me segurando.
Armin me empurrava contra o lado de fora do auditório.
"O que aconteceu por lá ?" Eu questionava desesperada.
"Boreal, só confia em mim, não é o melhor momento pra entrar no auditório. . . " ele me empurrava enquanto tentava fechar a porta com a outra mão.
A atitude dele pra mim estava muito suspeita. Os gritos continuavam, era meu pai.
"Eu quero saber Armin, me solta !!" continuei a insistir e ir contra o Armin e gritar com ele.
Por fim eu consegui abrir a porta de uma vez empurrando muito o Armin e sai empurrando e correndo.
Armin veio atrás de mim mas não deu tempo, eu fui mais rápida e cheguei na parte de trás do auditório.
Haviam varias pessoas caídas em um canto da cortina.
Elas pareciam estar acordando aos poucos, faziam sons de dor.
E por fim, vi meu pai abaixado.
Eu me aproximei e Armin veio a tempo, começou a me empurrar contra.
"BOREAL VOLTA POR FAVOR ! DEPOIS VOCÊ VEM !" ele dizia.
"NÃO ! NÃO QUERO DEPOIS QUERO AGORA ! PORQUE ESTÃO ME IMPEDINDO DE VER ?! O QUE HOUVE ?! É MINHA MÃE NÃO É ??" eu gritava empurrando o Armin.
Finalmente me soltei dos braços dele depois de muita força e corri até onde estava meu pai abaixado.
Castiel então veio também pra tentar impedir.
"Não vai é serio !" Castiel dizia e parecia chocado.
"Deixe ela vir . . . " meu pai falou.
Armin e Castiel olharam pra ele preocupados e tensos. Mas o Castiel me soltou aos poucos . . .
Foi quando vi . . . Minha mãe.
Minha mãe estava . . . morta.
Eu . . . Eu . . . Não pude acreditar.
O corpo dela estava repleto de sangue da cintura pra baixo . . . Foi . . . A visão mais horrível da minha vida.
ERA MINHA MÃE ! NA MINHA FRENTE.
Eu só me aproximei do corpo dela . . . Ele estava gelado . . . Muito gelado.
A sensação que tive de tocar um defunto a primeira vez foi horrível . . . Mas saber que esse defunto era da minha mãe ?
Não importava o quanto eu chamasse por ela, ela não me respondia.
Eu aumentava progressivamente meu tom, até chegar no nível de berrar.
Eu me sentia rouca de tanto gritar e gritar.
Repentinamente, ouvi vozes.
"Fique tranquila querida. Foi para um bem maior." era a diretora.
Ela falava normalmente como se nada tivesse acontecido.
Atrás dela tinha 2 professores.
"Foi a senhora ?!" Armin perguntou.
"Em partes sim . . . Fico feliz que tenha sido sua mãe, me preocupo contigo querida." Ela repetia.
"PREOCUPAÇÃO ?! VOCÊ MATOU MINHA MÃE !" eu falei levantando e indo pra perto dela irritada.
"Seria ou você ou ela, fico feliz que tenha sido ela. Você é jovem, tem muito o que viver ainda. Se isso não é preocupação."
Castiel então foi pra cima da diretora, foi quando um dos professores deu um soco no Castiel e imobilizou ele no chão.
"Ele . . . É muito forte . . . !" Castiel falava sentindo claramente muita dor.
Charlie foi pra cima da diretora, mas antes que pudesse o outro professor imobilizou ele calmamente.
Ele levava mordidas do Charlie e nenhuma surtia efeito.
"C-Como assim . . . "
Repentinamente surgiram mais professores.
Um se direcionou até o Armin e imobilizou ele.
O outro até mim, e outro até o meu pai, que não lutou contra, meu pai se entregou facilmente.
Ele só olhava pro corpo da minha mãe perdido.
Era como se estivesse desligado de tudo que estava acontecendo . . . Era horrível ver meu pai naquele estado.
Todos imobilizados, Armin se mantinha quieto enquanto sera segurado, ele parecia avaliar a situação toda, como sempre.
A diretora veio então até mim.
"Eu te defendi de tanta coisa Boreal. Seja mais grada a sua salvadora !" ela dizia sorrindo gentilmente . . . Aquela gentileza que eu sabia que era falsa.
". . . Porque matou a mãe da Boreal ? Porque queria a Boreal ?" Armin perguntou em tom firme e sem demonstrar nenhuma insegurança ou medo.
A diretora se virou e foi até ele.
"Como sempre destemido né Armin ? Eu nunca pensei que você fosse se meter tanto na vida dela. Sempre achei que só teria que lidar com o idiota do Castiel, que era bem mais fácil. Mas parece que ela conquistou muitas amizades. Enfim . . . Você gosta muito de filmes, séries e afins né ?" A diretora dizia sorrindo.
Armin se mantinha em silêncio olhando pra ela.
Ela andava pela sala tranquilamente, chegou a acariciar o rosto de minha mãe.
"Em filmes, quando os mocinhos são capturados, o vilão conta todo seu plano não é mesmo ? Então acho que é essa cena né ?" ela ria. Aquele mesmo sorriso gentil.
Armin por sua vez, continuava em silêncio.
"As Boreais serviam de portal. Simplesmente isso.
Elas conectam nossa dimensão com a outra.
Rituais, "magia" só é possível nesse mundo, graças a presença misteriosa delas.
Eu precisava desse portal pra ter acesso a mais magia, a mais coisas . . . Resumidamente . . . Fiz tudo isso pra abrir esse portal novamente.
Elas atraem as coisas, e eu finalmente tenho livre acesso ao portal graças ao ritual que realizamos aqui.
Como falei, ia ser a Boreal filha, mas, pude poupar sua juventude querida." ela falava apertando meu rosto.
Me dava raiva.
"Acabou de falar seus planos ? Pra que quer esse portal ? Explique direito. Vilões contam todos os detalhes." Armin respondia sério.
"Contarei um segredo então . . . Todos nós, estamos mortos. Assim como o tal . . . Azriel ? Foi esse o nome que deram pra aquele clone do Castiel ?" ela respondia.
Pude ver espanto nos olhos do Castiel.
"Pera . . .Quem fez o ritual com vocês ?? Quem são vocês ??" ele perguntava assustado.
"Somos almas variadas meus caros . . . Mas isso pouco importa. Agora posso pegar a alma que eu bem quiser. Agora eu tenho passe livre graças ao ritual que fiz." Ela dizia sorridente.
". . . Sabe dona diretora . . . Eu não gosto de historia clichê. Então você fez tudo isso atoa. Contar seus planos." Armin respondia irritado, porém, com timbre calmo.
"Oh fiz ? Não Armin. Sabe porque não é uma historia clichê ? Primeiramente porque eu contei o plano após ele ser bem sucedido, não tem como vocês me interromperem mais.
E segundo . . . Essa historia não sou de toda ruim. Eu vou deixa-los viver livremente." ela falava sorrindo enquanto ia atras das cortinas.
E retornou com um neuralyzer.
"Amanhã não lembraram de nada.
E te pouparei de toda a dor querida. Colocarei lembranças em sua mente de que sua mãe morreu contigo nova. Vai tudo ser novo.
Esses pais já passaram pelo processo todo. Agora é a vez de vocês !" ela se aproximava com o neuralyzer.
Nessa hora o Jade apareceu bem na frente de todos.
Ele olhava sério pra situação toda ao seu redor.
Jade . . .
Mais uma pra festa ?
"VOCÊ DE NOVO !? O QUE QUER AGORA ?!" a diretora gritava irritada.
"Que você solte eles." Jade respondia firme.
"EU NÃO VOU SOLTAR NINGUÉM ! NÃO SEM ANTES APAGAR SUAS MEMÓRIAS." Diretora gritava ajustando o neuralyzer.
"Se você quer que tudo isso que acabou de fazer ocorra, você vai soltar eles.
Eles precisam da memória pra fazer tudo acontecer. Fica tranquila, eu vou garantir que eles não vão se meter no seu caminho." Jade dizia.
"EU NÃO CONFIO EM VOCÊ !! " Ela então mandou mais 3 professores atrás do Jade que desapareceu ao tocar seu relógio e apareceu atrás ela.
"Você sabe que é inútil. Porque insiste ?" Jade dizia.
"QUE TAL EU MATAR ELES ENTÃO ?! ESTAVA SENDO BOAZINHA !" ela respondia.
"E por em risco sua existência ? Você não vai fazer isso." Jade falava sério.
". . . Porque eu confiaria em você ?" ela falou irritada.
"Porque não confiaria ? Sou uma pessoa que pode viajar no tempo e aparecer onde eu quiser. Se eu quisesse te matar já teria te matado. Eu só quero que libere eles. Não é só o seu futuro que tá em risco caso a memória deles apague." Jade falou.
A diretora hesitou MUITO, mas finalmente deu ordem para que nos soltassem.
Jade cumprimentou ela com a cabeça e puxou a gente.
Castiel ainda explodia, porém, ele veio.
Meu pai teve que ser arrastado pelo Castiel praticamente.
"Se soltarem algo, eu juro que te caçarei Jade." a diretora dizia.
"Fica tranquila. Eu sei tudo que vai acontecer, e eles não vão falar nada. Nem tem pra quem falar. Quem acreditaria nesse bando de fantasia de adolescente ?" Jade estava com uma postura séria.
Armin e Jade trocaram olhares estranhos algumas vezes, eles pareciam ter algo em mente . . . Algo que incomodava o Armin claramente . . .
Ao chegar do lado de fora . . . Nathaniel e Azriel perguntaram desesperados o que houve.
"Eu queria entrar mas . . . Não sabia o que fazer com eles dois. Eu não ia deixar eles sozinhos . . . Então só esperei. Se demorassem mais eu . . . " Azriel então olhou pro Jade pareceu confuso.
"JADE ?!" Nathaniel gritava.
Azriel já tinha ouvido falar do Jade, na mesma hora ele ficou com postura ofensiva.
"A frase "Eu vim em paz" serve pra um Terráqueo falando com um zumbi ?" Jade falou rindo.
"O que quer ?!" Nathaniel dizia.
"Ele nos ajudou lá dentro e . . . "
Nessa hora eu . . . desliguei.
Me joguei no canto . . .Estava tonta e com dor forte, parecia cólica.
Estava entre gemer de dor e chorar pela perda . . .
Meu cérebro desligou.
Eu . . . Eu queria morrer.
EU QUEM DEVIA TER MORRIDO NÃO ELA ! EU !
PORQUE FUI COVARDE E FUGI ??
PORQUE EU NÃO ENFRENTEI ??
MEU MAIOR DESEJO AGORA ERA ESTAR MORTA !! EU QUEM DEVIA TER MORRIDO !!
Eu . . . Não aguento mais essa vida . . .
O simples fato de eu estar viva prejudica todo mundo que eu amo.
E o pior . . . Nos últimos tempos o que eu fiz ???
EU IGNOREI ELA.
EU DORMI FORA TODO DIA.
EU MAL FALEI COM ELA.
E AGORA ?? EU NUNCA MAIS VOU FALAR COM ELA.
Eu repentinamente comecei a entrar de novo no auditório.
Armin então me segurou.
"Onde pensa que vai ?!" ele dizia.
"VOU ME MATAR ! VOU DAR MINHA VIDA PRA MINHA MÃE !!" eu gritava.
"É o que ?? Não . . . Você não vai mesmo !" Armin então me prendeu ainda mais.
"EU VOU ME MATAR SIM "eu gritei . . . E esse é meu sentimento mais sincero no momento.
"BOREAL PARA DE FALAR ISSO ! VOCÊ NÃO VAI !" Armin gritava me prendendo.
"PORQUE VOCÊ PÔDE TENTAR E EU NÃO POSSO ?? EU QUERO ! ME DEIXA EM PAZ !" continuei a gritar com ele.
"VOCÊ ACHA QUE EU ME ORGULHO DISSO ?! SE VOCÊ SE MATAR COMO VAI FICAR TUDO ? ACHA QUE VAI SOLUCIONAR TUDO MORRENDO ??" quando o Armin falou isso eu me descontrolei ainda mais.
Eu comecei a gritar muito, me debater e bater nele inclusive . . . E não era brincadeira dessa vez.
"VOCÊ NUNCA PENSOU NISSO EM TODAS AS VEZES QUE TENTOU SE MATAR !" eu gritava enquanto tentava incansavelmente pegar os remédios dele.
Armin então me deu um tapa . . . Ele estava chorando muito.
Eu fiquei muito assustada com o tapa e estática.
"Desculpa . . . Eu não queria fazer isso mas . . . Só para com isso . . . Por favor." Ele dizia chorando, tremendo muito e ainda prendendo meus braços. Ele claramente só fez pra tentar me por de novo no lugar.
Armin estava chorando muito a essa altura.
"Armin . . . Se eu morrer eu vou salvar vocês todos . . . Tudo de ruim que acontece atualmente com todos que me certam é culpa minha. Da minha existência !" eu . . . não conseguia parar de soluçar.
"Eu sei que o que eu vou falar é egoísta mas . . . Se você se matar eu também vou.
Eu parei de tentar suicídio depois que te conheci porque você deu emoção pra minha vida, e se tornou parte importante. Se você morrer o que eu vou fazer ? Eu . . . Não sei viver sozinho. Eu falo da sua dependência mas . . . Eu quem sou dependente aqui.
Eu dependo de você Boreal.
Meu irmão constantemente se preocupa com minhas frustrações. Ele sempre acha que vou me matar por conta delas, mas . . .Eu não penso mais nisso faz tempo.
Você foi mais efetiva que todos os meus remédios.
Então se não quer viver pra você mesma, se quer se por como algo importante pra manter a vida de alguém, mantenha meu egoísmo se isso te mantiver viva . . . Fica viva pra me manter vivo." Armin falava me abraçando.
Eu me sentia tão sem chão.
". . . Fica tranquila. Essa sensação horrível vai melhorar." Jade dizia.
Armin parecia rosnar pra ele, porém, não falava nada.
Castiel então pegou ele pela blusa de uma vez só.
"PORQUE VOCÊ AGE COMO SABICHÃO ?! SEU JEITO ME IRRITA ! O QUE QUER COM A GENTE AFINAL ?!" Castiel dizia.
"Eu sou sabichão. Por isso tenho tais atitudes." ele sorriu antes de se retirar com o receptor.
Ele sumiu nos braços do Castiel que começou a rosnar de ódio.
Nessa hora Dake desmaiou.
Ele suava muito, MUITO MESMO.
E fazia sons de delírio.
Nathaniel tomou frente e se aproximou rastejando do corpo do Dake, ele foi calmamente até o braço do Dake.
Ao tirar o apoio do braço do Dake ele ficou chocado, aliás, todos ficaram.
Estava MUITO roxo o braço inteiro.
"Meu Deus !!! O Braço dele está quebrado a quanto tempo ?! O que fizeram com o braço dele ?! Tá . . . MUITO GRAVE !! PRECISAMOS LEVAR ELE PRA UM HOSPITAL URGENTEMENTE." Nath dizia desesperado enquanto pegava o celular.
"Você sabia do braço . . . "Azriel respondia.
"Não que estava nesse nível . . . " ele então demonstrou espanto ao notar que seu celular não tinha sinal . . . Nenhum celular tinha.
Bia se aproximou.
"Desculpem a demora eu . . . Boreal !" ela então veio até mim correndo e parou ao notar meu estado . . .
"Isso . . . É culpa minha também . . ." eu repetia sem parar.
"Boreal ! CHEGA ! NÃO É CULPA SUA !!" Armin então me sacudiu falando isso.
Ele parecia estar ao ponto de chorar novamente.
"CLARO QUE É !! EU ATRAIO SITUAÇÕES BIZARRAS PRA TODO MUNDO !!"
"Você acha que ele só sofre abuso por sua culpa ? Que ele ficou assim por sua culpa ?! Sabe quantas pessoas no mundo sofrem tudo que o Dakota sofreu ?? Ele deu sorte de você ser um imã e ter atraído ele.
Não sabemos como ele estaria agora. Talvez morto ! Graças ao seu imã conhecemos ele podemos tentar ajuda-lo !" Armin falava desesperado.
Sua voz foi coberta pela voz de meu pai que repetia "Lucia . . . " compulsivamente enquanto chorava.
O clima estava horrível . . .
Pude ouvir a distancia sirenes . ..
Alguém ligou para a policia ? Bombeiros ?
Alguém que fugiu ? Afinal, ninguém tinha sinal lá dentro.
Pouco importava . . . Sinceramente, pouco importava.
Eu só queria minha mãe de volta.
Só queria minha vida, aquela que eu reclamava tanto, de anos atrás de volta.
Se eu soubesse que minha vida ia se tornar esse inferno, teria agradecido por toda a bizarrice que vivi quando entrei pra esse colégio . . .
Aquilo tudo era nada perto do meu estado atual.
Minha vida estava de pernas pro ar.
Aos poucos me senti cada vez mais tonta . . .
Armin me apoiou em seu tronco desesperado.
Eu suava muito e a dor estava aguda.
A cólica aumentava gradativamente. Mas era algo mais forte que o normal . . . Era algo realmente doloroso em um grau que eu não consigo definir com palavras.Somente dizer: Estava muito forte.
"Boreal . . . O que esta sentindo ?" Armin falava calmo, porém, claramente muito preocupado e assustado.
Eu estava tonta e suas palavras soavam como um sonho pra mim.
As coisas brilhavam, claramente eu tive uma oscilação na minha pressão sanguínea.
Armin notou que a dor era na barriga ao ver meu gesto de por a mão na barriga e gemer de dor.
"Meu Deus ! É mesmo ! O bebê !" Nathaniel dizia olhando pra mim assustado.
Foi tudo que ouvi antes de perder a consciência . . .
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