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This is so magical, so beautiful...
Capítulo 125 - República de menina.
Acordei do meu cochilo com o Fred batendo na porta do quarto.
Fred: PAPAPARTY! PAPAPARTY! - cada "pa" era um tapa na porta. Eu: Puta merda.
O Fred consegue me deixar puto até em dia de festa. Me levantei, peguei uma toalha no armário e segui direto pro banheiro pra não ter que falar com ele. Já sou mau humorado normalmente e fico ainda pior quando acabo de acordar. E fico ainda pior quando vejo que minha toalha ainda tá úmida. Lavo essa ou compro outra? Eu nem sei lavar nada.
Fred: BANG IT TO THE CURB BANG IT BANG IT TO THE CURB!
O que esse maluco tinha usado? Peguei a toalha molhada mesmo e fui pro banheiro. Nem vi se tinha mais alguém na república além do Fred e do Matt, mas provavelmente não, porque eu já não tava mais ouvindo os gemidos da Raíssa. Tomei um banho rápido e saí com a toalha amarrada na cintura. Do corredor, vi o Matt fumando maconha num bong, sentado no sofá. A sala era pura fumaça. O Fred passou dançando uma música que só tava tocando naquela cabeça maluca dele. Esses são meus amigos.
Fred: PASSA O PIPE AÍ, ZÉ LOUCO! - ele berrou pro Matt.
Fechei a porta, coloquei meu uniforme de Thom de sempre e tava pronto. Quando eu era mais novo, o Sick Boy costumava me zuar dizendo que eu tinha um monte de roupa igual no armário. Pior que era verdade.
Fred: THOM, TU TEM VISITA!
Desde que eu acordei até agora, o Fred não falou num tom normal. Só berrou.
Fred: THOOOOOMAAAAZ! Eu: JÁ VOU, CARALHO!
Devia ser a Layla com meu dinheiro. Aleluia. Se tudo desse certo, ela me traria o restante do pagamento e eu estaria livre daquela pica.
E quando vi quem tava na porta, percebi que não só não tinha me livrado de uma pica, como tinha arrumado outra.
Eu: Mano. O que eu te falei sobre vir na minha casa? Luiza: Thom, é sério. Preciso falar contigo.
Lá estava a Luiza, mais uma vez, maluca, doente, retardada, parada na porta da sala. Do mesmo jeito de sempre: o cabelo despenteado, os olhos grandes, usando uma camiseta bem maior do que deveria ser como vestido, meias que iam até os joelhos e um par de tênis velhos. Parecia que ela tinha acabado de fumar alguma coisa tensa antes de bater na minha porta. Ela tava em choque.
Eu: Na boa, vai embora. - eu disse com calma. Luiza: É muito sério, Thom. Me deixa entrar. Eu: Vaza. Por favor. Luiza: Eu não posso falar alto. Me deixa entrar. - ela falou mais baixo. Eu: VAZA, CARA! - e eu falei mais alto. Luiza: É muito importante, Thom. Por favor. - ela segurou uma mão na outra e os olhos se encheram de lágrimas. - Por favor.
E aí minha paciência, que já não muita, se esgotou de vez. Olhei pro relógio do celular e chamei os dois. Aquela menina não tava com cara de que ia sair dali tão cedo, então o jeito era a gente sair.
Eu: Fred, Matt, vamo nessa. Fred: A mina do Matt vai dar carona. A gente tá esperando ela. Eu: A gente vai de táxi. Luiza: Thom, não faz isso... - ela sacudiu a cabeça em negativo. Fred: Depois eu que sou o rico. Eu: VAMO, CACETE!
Bati a porta contra a parede e saí andando pra fora do apartamento, esperando que eles viessem atrás. Mas quem veio foi a Luiza.
Luiza: Thom, sei que eu te enchi o saco muitas vezes.
Desci as escadas acendendo um cigarro, e ela continuou atrás de mim.
Luiza: Mas agora eu preciso falar sério contigo. Eu sei de coisas que tu não sabe. E eu fiz uma grande, grande besteira.
Parei em frente à portaria, esperando o Fred e o Matt descerem. A Luiza continuou falando.
Luiza: Por favor. Conversa 5 minutos comigo. Eu: Mina, de uma vez por todas. Para de mendigar atenção minha. Tu pode não acreditar, mas tu é melhor que isso. Luiza: Querem foder contigo, Thom.
Os olhos dela se encheram ainda mais de lágrimas. Uma chegou a escorrer. E aí eu parei de olhar.
Eu: Disso eu já sei faz tempo. - traguei o cigarro. Luiza: E foi tudo culpa minha. Mas eu posso te explicar.
Cada vez que ela abria a boca, eu ficava mais puto.
Eu: Eu to ligado. O Carlão não quer mais trabalhar comigo por tua causa. Eu também ficaria bem mal com isso se fosse tu. Tu misturou as coisas e fez uma grande besteira mesmo.
Ela continuava mexendo a cabeça em sinal negativo.
Eu: Ainda mais porque tu foi atrás dele por minha causa, e eu quero mais é que tu se foda. - falei olhando pra ela com os olhos arregalados, pra ver se ela entendia de uma vez. - Vai viver tua vida. Fred: Tu cresceu, hein, Luana?
O Fred e o Matt chegaram até a portaria, e eu saí andando em direção à rua.
Luiza: É Luiza. Fred: Melhor chamar de Lu.
O Matt ficou sem graça ao ver que a Luiza tava chorando, ao contrário do Fred, e veio atrás de mim.
Matt: O que tá pegando? Eu: A guria é doida de pedra, cara. De verdade. Matt: Não é a primeira vez que ela aparece em casa atrás de ti. Fred: Eeesse Thomaz não muda! - ele deu um tapa nas minhas costas. - Quebrando o coração das menininhas desde os anos 90. Eu: Minha pica pra essa mina. Fred: Pode crer que é isso que ela quer. HAHAHAH!
Seguimos andando sem direção. Eles vieram andando atrás de mim, e eu só queria ir pra longe da Luiza. Olhei pra trás e a vi parada na porta do nosso prédio, segurando as mãos e com o rosto molhado de chorar. "Desculpa", ela repetiu. Desculpo se tu deixar de ser maluca e sumir um pouco.
Eu: Te juro que tenho medo dessa mina me matar algum dia. Fred: Vai te matar com uma chave de buceta. HAHAHAHAHAHAHAHA! - ele riu tão alto que eu me assustei. Matt: Nossa, velho. De onde tu tira essas coisas? - o Matt tirou um punhado de erva do bolso e começou a dichavar na mão. Fred: Eu ouvi alguém falando na faculdade e queria muito repetir. HAHAHAH! TÁ LIGADO?
Eu tava bravo pra caralho, mas a falta de noção do Fred conseguiu me fazer rir. Ele começou a explicar o que era uma chave de buceta, sem se importar com as pessoas que passavam do nosso lado na rua. O Matt bolou um beck no caminho e nós percebemos que sairia mais barato ir a pé até a casa onde ia ser a festa, que não ficava muito longe.
Matt: Ouvi dizer que é uma república só de meninas. Confirma? Fred: Confirma. Tem 10 gurias morando lá. Eu: Dez?! Fred: Sim, é uma casa grande. A galera de RI não é idiota nem nada, escolheram logo uma república grande e cheia de mulher pra fazer a festa que ganharam. Eu: Eles ganham a festa e o CA paga tudo? Fred: Sim, só precisam arranjar um lugar. Como vai ser na casa das minas, não precisamos pagar nada. Só se quebrarmos alguma coisa. Eu: Saquei. Fred: E se alguém ver. Eu: Saquei. Fred: Ou se a gente engravidar alguém. Daí vai ter que gastar bastante dinheiro e tal.
Silêncio.
Eu: Tu fumou o quê? Fred: Aquele bong do Matt não é desse mundo, velho.
Olhei pro Matt, que tava com os olhos apertados, fumando o beck que tinha acabado de bolar. Os caras não têm limites. Tive que rir dele. E pedir um trago. O Matt me passou o beck e atendeu o celular. Enquanto ele falava com alguém, eu fumava. O Fred já tava tão brisado que nem aceitou quando eu ofereci a ponta.
Matt: Era o Sick Boy. Fred: O que ele queria? Matt: Perguntou qual era a boa de hoje. Falei pra ele colar na festa que a gente tá indo. Eu: Ahhh, boa. Tava precisando falar com o Luc mesmo.
E meio que me desculpar por ter vazado da casa dele pra pegar a Clarissa sem nem avisar. Ainda larguei a Vicky lá com ele. Era culpa do álcool, não minha, mas acho que seria uma boa me desculpar.
Chegando na rua da casa onde era a festa, conseguimos ouvir a banda do Dudu tocando lá dentro, a Snakes in Suits. Esperei o Fred fazer algum comentário do tipo "essa banda de viado" ou "essa música de corno", mas ele não falou nada. Pelo visto a história com a Vicky tinha acabado de vez depois do vídeo ter passado sem a cena dela. Ainda bem. Confesso que senti um alívio.
Na porta casa, mais especificamente na garagem, tinha uma guria com cara de aluna sentada em um banco alto de bar, segurando um papel e uma caneta. O Fred a cumprimentou com um beijo no rosto porque já a conhecia. Ele disse nossos nomes, que ela anotou na folha, e em seguida apontou o portão por onde a gente poderia entrar. Passamos pelo portão e caminhamos pelo lado de fora da casa, num caminho de grama, até o fundo da casa, onde ficavam a churrasqueira, a piscina e todo o espaço da área de lazer, por assim dizer.
Eu: E a gente ainda acha que nossa república é legal.
Os dois concordaram. Na frente da piscina tinha um palquinho improvisado, onde a banda do Dudu tava tocando. Do lado esquerdo do palco ficava a churrasqueira, por onde devia ter passado alguma carne em algum momento, mas naquela hora a festa tava mais pra churrálcool do que churrasco. Ali também ficavam dois lixos gigantes que encheram de gelo pra colocar cerveja dentro. Um pouco mais à frente, ficava a porta da cozinha, onde a gente também podia entrar pra pegar bebida na geladeira se quisesse. Tinha gente pra caralho lá dentro, então achei melhor ir direto nos barris de lixo. Também tinha bastante gente em volta, mas menos do que naquela cozinha apertada. Na real, tinha bastante gente em todo lugar. Na frente do palco, em volta da piscina. Mas apesar do número de pessoas, tava um clima bem de boa. Parecia que quase todo mundo já se conhecia. O Fred, pelo menos, conhecia bastante gente.
!: Freeeeeeeed!
Uma guria veio correndo do além e agarrou no pescoço do Fred, que quase caiu com o abraço bêbado dela.
Fred: E aí. - ele a abraçou de volta meio sem vontade. !: Tu chegou tarde! Já tocou tua música! Fred: Ah, é? !: Vem pegar bebida! Fred: Já vou. Pode deixar. E aí, Fer! - ele cumprimentou outra pessoa que passou, mas a guria não o deixou em paz. !: Vamos comigoooo! Fred: Vai indo, eu te encontro ali perto dos coolers.
Ela apertou a bochecha dele, gritou com uma amiga e saiu andando.
Eu: Qual é a tua música? Fred: Eu sei lá. Matt: Cof, cof. - o Matt tossiu. Eu: Matt, chega de fumar por hoje. Fred: Pode crer. A quantidade de sexo e maconha do dia não precisa ser proporcional.
O Matt abriu um sorriso de orelha a orelha.
Eu: HAHAHAHAHAH! OTÁRIO! - dei um tapa nas costas do Matt, que cambaleou pra frente. - Tua mina vem? Matt: Tá chegando.
Eu ficava feliz pelo Matt, mas ao mesmo tempo meio incomodado. A guria apareceu do nada e de repente não desgrudava mais dele. Eu não queria comentar nada com o Fred, porque eu sabia que ele me zuar de viado dizendo que eu tava com ciúmes.
Fomos pegar bebida na churrasqueira. No caminho, o Fred cumprimentou uma galera, e eu tive que fazer o mesmo porque tava com ele. Ainda bem que não conheço tanta gente, teria preguiça de cumprimentar todo mundo sempre. O melhor era que quase todos faziam algum comentário sobre o vídeo da Festa do Pijama, que tinha passado na quadra naquele mesmo dia, e ele ficava feliz pra caralho. Posso ser escroto, mas fico feliz quando vejo meus amigos felizes. Talvez isso faça de mim uma pessoa melhor. Ou pelo menos é assim que eu gosto de pensar.
Fred: RAFINHAAA!
Uma das pessoas que ele cumprimentou nesse meio tempo foi a Rafaela. Pode crer, a mesma Rafaela que eu peguei no bar, que eu deixei sozinha no cinema, que já quis me matar, e que assistiu o filme comigo hoje na biblioteca. Essa mina tá sempre por aí. O Fred a cumprimentou com um abraço, provavelmente pra tentar descobrir qual sutiã ela tava usando e me contar.
Rafa: E aí, Frederico! - ela o abraçou de volta. - Oi, Thom. Oi, Matt.
Ela nos cumprimentou com um beijo no rosto, numa boa. Já devia estar bêbada. Uma guria que tava com ela nos cumprimentou também, e elas saíram em direção à cozinha.
Fred: Meia taça sem bojo. Eu: Sem bojo? Fred: Pode crer, parceiro. Matt: Que mentira. Toda guria usa sutiã com bojo. Fred: AHHHHH, PRONTO! - ele berrou no meio da galera. - O CARA COME UMA MINA E SAI ACHANDO QUE VIU O PEITO DE GERAL! Eu: HAHAHAHA! Matt: Ahahaha! Cala a boca. Fred: A Raíssa usa bojo? Matt: Claro que usa. Fred: Loser. Matt: Pff. Qual foi a última mina que tu pegou que não usava sutiã com bojo?
Deixei os dois discutindo sobre sutiãs e fui até o balde pegar uma cerveja. Eu tava precisando de uma.
Vicky: Foi fácil achar vocês com o Fred berrando. - a Vicky apareceu do meu lado. Eu: Hahaha. E aí. - abri minha latinha. Vicky: Chegaram só agora? Eu: Aham. Tu tá aí faz tempo? Vicky: Mais ou menos. Começou à tarde. - ela dançou quando começou o refrão da música. Eu: Eu precisei dormir à tarde, cara. Não tava aguentando. Vicky: Eu devia ter dormido também. Fred: Teu sutiã tem bojo? Vicky: Oi, Fred. - ela revirou os olhos, mas deu risada. Fred: É pra uma pesquisa. Matt: Mano, cala a boca. Fred: O teu tem, Flavinha? !: É Fabi. Fred: Tem ou não? - ele passou o braço por cima dos ombros da guria. Fabi: Hahahah! Idiotaaaa!
E os dois saíram andando na direção da piscina.
A Snakes in Suits começou a tocar uma versão rock da música Summer do Calvin Harris e a galera deu uma leve surtada. Não era minha preferida, mas eles mandaram bem no cover mesmo. A Vicky me puxou pelo braço, eu puxei o Matt, e fomos parar em frente ao palquinho, mais precisamente na frente do Dudu.
Dudu: And we could be together, baby. As long as skies are blue. Vicky: You act so innocent now, but you lied so soon! - a Vicky cantou junto.
O Matt tava tão fumado que mal conseguia se mexer no ritmo da música, e eu fiquei rindo da cara dele enquanto a Vicky dava uma de groupie da banda. Ficamos naquela brisa por um bom tempo. Quando minha cerveja acabava, eu pegava outra ali do lado e voltava. Os dois bêbados tavam sempre no mesmo lugar e, se eu quisesse saber onde tava o Fred, era só prestar atenção nos sons. Uma hora ele berrava e eu o achava fácil. Até que uma hora eu cansei de cerveja e sugeri que a gente fosse na cozinha ver o que mais tinha pra beber. A Vicky e o Matt concordaram e me seguiram.
Na beira da piscina, encontrei ninguém menos que o Luc segurando um copo e conversando com um desconhecido.
Eu: Maaaano, tu veio! - cumprimentei o Luc com um high five. Luc: Vim, irmãozinho. E aí, Matt. Vicky: Oi! Luc: E aí, Vicky! Como passou de ontem? - ele riu e a cumprimentou com um beijo no rosto.
Achei aquilo meio estranho, mas depois me lembrei de que eles tiveram tempo de ficar melhores amigos na noite passada, me esperando voltar do pega com a Clarissa.
Vicky: Bem! Luc: Abriu a cerveja sozinha? Vicky: Abri, claro! Hahahaha! Matt: Desde quando vocês se conhecem? Luc: Teu amigo levou a Vicky em casa ontem e esqueceu ela lá. Eu: Ô, Vicky. Foi mal. Vicky: Hahahahaha! Eu: Não tinha falado disso contigo ainda. Foi mal também, Luc. Luc: Suave. A gente só ficou meio preocupado pensando que tu tivesse morrido. Eu: Pelo contrário. Vicky: Hahahaha! Fred: Tem erva aí, Matheus? - ele apareceu do nada. Matt: Tem. Eu: Caralho. Hoje vocês tão a fim, hein? Fred: Quero ver ele acender e tu não fumar também.
Vi que a Rafaela e outra tavam atrás dele, provavelmente pra filar beck. Enquanto o Matt dichavava mais um na mão, ficamos conversando e assistindo o show do Dudu. A Vicky conhecia todas as músicas, incluindo as autorais, e ficava cantando junto e erguendo os braços. O Fred olhou pra ela, olhou pro palco, e eu percebi uma leve expressão de tédio. To ficando pró na arte de pegar as coisas no ar. O Matt teria orgulho de mim.
O Dudu anunciou a última música, e o Matt passou o beck na roda. Todo mundo fumou, incluindo a Rafa e a amiga, menos a Vicky.
Vicky: Vocês sabem o que acontece se eu bebo e fumo. - ela disse quando recusou e deu risada.
Ficamos fumando enquanto a Vicky conversava com o Luc, que só tinha dado um trago no beck. Reparei que a Rafaela tava segurando uma long neck de Heineken e meu olho brilhou.
Eu: Onde tu pegou isso? - apontei pra Heineken. Rafa: Lá dentro. Eu: Olha aí os caras escondendo o ouro. Rafa: Hahaha. - ela deu um trago no beck e me passou. Eu: Vou lá pegar depois.
E de repente o Matt foi atacado. Eu nem precisei olhar muito pra adivinhar quem era. A Raíssa só faltou matá-lo sufocado com o quanto o apertou, mas ele pareceu achar graça. Se fosse comigo, eu ia ficar bem puto.
Raíssa: Oi, gente.
Ela deu um "tchauzinho" pra todo mundo que tava na roda e puxou o Matt pra outro lado.
Eu: Pronto. Agora vai levar o Matt pro buraco negro. - pensei alto. Rafa: Ihhh, to vendo alguém com ciúmes do amigo? Eu: Não, cara. Só to dizendo que ele agarra dessa mina e desaparece sempre agora. Rafa: É o amor. Fred: Amor é a cabeça do meu pau. Eu: Tu concorda comigo, não concorda? Fred: Nem sei o que tu falou, mas concordo. Eu te amo, cara. Rafa: HAHAHA! Eu: Essa mina que dopou o Matt. Fred: Essa aí prendeu o Matt com chave de buceta. Eu: HAHAHAHAHAHAHAHA! Fred: HAHAHAHAHAHAHAHAAAAA! Rafa: Vocês são muito idiotas. Hahahaha!
O Fred não parecia se incomodar tanto com a Raíssa, mas ela realmente me irritava. Eu tava me divertindo com o Matt até ela chegar. Agora os dois vão se pegar num canto e só vão sair de lá amanhã.
Olhei pro lado e vi que o Luc e a Vicky tavam conversando com a amiga da Rafaela, e o Dudu tinha acabado de chegar na roda. A Vicky jogou o cabelo suado dele pro lado de brincadeira e ele riu de volta, dizendo que precisava de uma cerveja.
Fred: Cadê o Sick Boy? Vi ele chegando e depois não vi mais. Rafa: O apelido do cara é "Sick Boy"? Eu: Todo mundo pergunta a mesma coisa. Fred: Queria umas paradas. Eeeei.
Ele segurou na cintura de uma guria conhecida e saiu com ela. Ficamos só eu e a Rafaela.
Rafa: Como se ele já não estivesse chapado o suficiente. Eu: O cara já tá até vermelho e não cansa. Vou pegar a Heineken, se pá. Tu pegou na cozinha?
O Dudu me ouviu falando e me ofereceu uma long neck de Heineken fechada.
Eu: Orra, cara! Valeu! Dudu: Nada. Me trouxeram duas. E aí, curtiram o show? Rafa: Muito! Eu: Eu não vi inteiro, mas a parte que eu vi tava legal. Dudu: Hahaha! Boa.
A Vicky e o Luc se sentaram no chão de grama em frente à piscina e ficaram ali conversando. O Dudu se despediu da gente e saiu com o chamado de um outro amigo.
Rafa: Conseguiu fazer o trabalho? Eu: Porra, consegui. - abri a Heineken. Rafa: Pensei que não fosse conseguir. Tu dormiu pra caralho. Eu: Hahahaha. Pode crer. - dei um gole. - Tu me ajudou muito, não faz ideia. Rafa: Que bom. O meu vou entregar só semana que vem. Eu: Tu tava adiantada então. Rafa: Não, tu que tava bem atrasado. Hahaha.
Tive que concordar. Tirei um cigarro do maço e ofereci pra ela, que aceitou, depois peguei outro pra mim. Atrás dela, consegui ver o Fred terminando de beijar a guria com quem ele tinha saído. Ou será que era outra? O Matt também devia estar se dando bem em algum lugar. Fiquei pensando: eu já peguei essa Rafaela, pelo visto ela não me odeia mais, ela é gatinha e tá usando sutiã sem bojo. E ela tem um belo de um peitão. Acho que posso investir.
Eu: Agora tu não pode dizer que a gente não assistiu um filme juntos. Rafa: Hahahahaha! É, em um tu sai fora e em outro tu dorme. Eu: Hahahaha! Eu sou um fracasso. - disse olhando pra boca dela. Fred: O que tão achando do som?
Reparei que tava tocando um hip hop desconhecido.
Eu: Nunca ouvi. Fred: Mas é bom, não é? Rafa: Até que é. Fred: Claro que é. Eu: Tu que colocou, né, babaca? Fred: Óbvio. Esses caras não entendem nada de música.
O Luc, que tava sentado do lado da Vicky na grama, se levantou.
Luc: Eu pego pra ti. Qual cerveja tu quer? Vicky: Qualquer uma.
Ele saiu em direção à cozinha e a Vicky olhou pro lado oposto de onde a gente tava, pra churrasqueira. Num piscar de olhos, o Fred pegou a garrafa de Heineken da minha mão e se sentou do lado da Vicky no chão.
Fred: Aqui tua cerveja.
Ela se virou pra pegar e ganhou um beijo de presente.
Eu: Eita porra. Rafaela: Isso foi rápido. HAHAH!
Demorei um tempo pra entender o que tinha acabado de acontecer. Fiquei olhando os dois se beijando e segurando a minha cerveja.
Eu: Bom. Rafaela: Pois é. Eu: Acho melhor pegar outra. Rafaela: HAHAHA! Vamos lá dentro.
Eu ainda tava meio anestesiado com aquilo. O Fred é foda, era só nisso que eu conseguia pensar. Na porta da cozinha, encontramos o Luc voltando com duas cervejas na mão.
Rafaela: Acho que tu não vai precisar mais disso. - ela disse pro Luc. Eu: É, cara.
O Luc estranhou, deppis olhou na direção da Vicky e começou a rir.
Luc: Tinha alguma coisa aí que eu não tava ligado? Eu: Cara. Nem eu tava ligado. Luc: Hahahah. - ele deu de ombros. - Quer uma cerveja? - me ofereceu. Eu: Valeu.
Ele abriu a dele a deu um gole.
Eu: Eu te arranjo outra amiga universitária, fica sussa. Luc: HAHAH! Que isso. Rafa: Falando sério? Minha amiga te achou maravilhoso. Eu nem devia falar isso, mas ela não tá aqui, e eu já bebi. Luc: Hahahaha. Rafa: O nome dela é Luiza.
Gelei por dentro.
Rafa: Sabe, Thommo? Aquela que tava comigo.
Ah, a loira que tava com ela mais cedo. Era só falar em "Luiza" que meu estômago revirava, mas dessa vez a gente não tava falando da maluca de treze anos.
Eu: Sei. E Luc, precisava te contar umas paradas depois. Luc: Que paradas? Eu: Tá lembrado da Luiza? Tu conhece ela, certo? Luc: Conheço. Eu: Então... Fred: Aí, francês. - o Fred chegou na roda. - Se encostar na guria eu quebro esse teu pescoço comprido em quatro.
Disse isso e saiu andando e pulando ao som da música. O Luc apertou os olhos, tentando entender.
Eu: Nem tenta entender, cara. Rafa: HAHAH! Faltam muitos parafusos no Fred. Luc: Muitos! HAHAHA!
Olhei pra trás e vi a Vicky ainda sentada na grama, segurando minha garrafa de Heineken.
Conversamos sobre mais alguma coisas, até que o Fred voltou, segurou no meu braço e no da Rafa com força e correu nos puxando em direção à piscina.
Eu: NÃO, NÃO, NÃO!
Eu tentei fugir, porque sabia o que ele tava a fim de fazer, mas o Fred sempre foi muito mais forte que eu. Nem preciso dizer que ele também era mais forte do que a Rafaela. Dito e feito: o retardado nos jogou na piscina com celular, carteira, garrafa de cerveja, foda-se. E ainda teve um ataque de riso do lado de fora, quando nos viu encharcagos dentro da piscina.
Fred: HAHAHAHAHAHA! Aeeeeeee, Thomaaaaaaz!
Vendo a cena, uma guria no canto direito tirou a blusa e pulou na piscina de sutiã e shorts. As amigas dela gritaram, mas depois começaram a fazer o mesmo. E o Fred foi logo atrás.
-------------- CONTINUAÇÃO A PARTIR DAQUI --------------------------
O Fred se jogou como se estivesse pulando numa piscina olímpica e fez voar água pra todo lado. Eu tentava não xingá-lo de todos os nomes enquanto tirava meu celular do bolso, completamente encharcado. "Calma, Thomaz, é uma festa. Não mate o Fred." Repetia pra mim mesmo em pensamento.
Rafaela: Filha da putaaaa!
Ela xingou o Fred, mas tava morrendo de rir. Deixou a garrafa de cerveja na borda da piscina e mergulhou pra arrumar o cabelo embaixo d'água. Eu pensei em sair da piscina, mas passado o meu ódio momentâneo, decidi ficar ali mesmo. Tava calor e várias gurias tavam entrando. Me encostei na borda, dei um gole na cerveja e fiquei assistindo o grupo de amigas que tirava a blusa.
Rafaela: Eu sabia que ele ia fazer isso.
Ela riu e jogou água na direção do Fred, que tava no outro canto da piscina incentivando as gurias a entrarem.
Rafaela: É a cara do Fred ser o primeiro a entrar ou jogar alguém na piscina. Eu: É um idiota. Mas preciso concordar que isso deu uma animada na festa.
Logo que eu terminei a frase, um moleque pulou na água de mãos dadas com uma menina. Ela tentou resistir, mas ele a puxou, e os dois caíram abraçados. A galera surtava de tanto rir e gritar em volta.
Rafaela: Isso é verdade. Hahaha! Eu: Ele enche muito teu saco na aula? Rafaela: Mais ou menos. Tem dias em que ele tá atacado, mas tem dias que... Eu: Ele só dorme. Rafaela: É! - ela me apontou. Eu: Hahaha. Sei como é. EI, FRED! - chamei.
Me lembrei da época da escola, quando o Matt se sentava na minha frente e o Fred do meu lado, no fundo da sala. O Matt só ouvia música, o Fred só dormia, eu só contava as horas pra ir embora e fazia barulho de mala no final da aula pra acelerar a professora. Mas não posso dizer que não sinto falta daquela época. De ver as pernas bonitas da Mirella, de pular o muro do fundo da quadra, de quase apanhar do Vinão todos os dias, de ter a Bruna como o maior problema da minha vida. Da Alícia.
Fred: A gente precisa de uma dessa na nossa república, cara. Eu: Uma piscina? Fred: Não, uma moradora igual aquela. - ele apontou com a cabeça pra uma guria sentada na borda da piscina. Rafaela: Hahahaha. É a Bianca, ela mora aqui. - ela me explicou. Fred: Pode morar comigo se quiser. Rafaela: Ela namora o Marcus, viu? Fred: E eu to preocupado com isso? Quem tem que se preocupar é ele. Eu: Porra, Fred. Acabou de pegar a Vickyzinha e já tá pensando em outra.
Quis me aloprar me jogando na piscina. Pode deixar que eu alopro de volta.
Fred: Hahaha! AÍ, MAGRELA!
Ele jogou água na Vicky, que tava sentada na grama do lado de fora da piscina. Assim que ela olhou, ele mostrou o dedo do meio e sorriu. Ela sacudiu a cabeça sorrindo e mostrou o dedo do meio também, depois se levantou e saiu.
Eu: Tu tá me devendo um celular.
Mostrei o meu todo molhado.
Fred: Noss. Se fodeu. Cadê o Matt? - ele olhou em volta. Eu: Tu tem 3 chances de acertar. Fred: Ou ele tá fumando num canto, ou tá passando mal no banheiro... Eu: Ou...
Ele apertou os olhos pra pensar.
Fred: Tá me zuando que ele tá pegando a mina? Eu: Pode crer que sim. Fred: Caralho, velho. - ele assentiu com a cabeça. - Maratona de chave de buc... Eu: Éé, Fred. É.
Interrompi porque eu ficava meio sem graça com ele falando "chave de buceta" do lado da Rafaela. Parecia que tava viciado naquela expressão que mal fazia sentido.
Logo que uma guria morena de cabelo comprido pulou na piscina usando só um vestido branco, o Fred praticamente esqueceu que tava no meio de um assunto com a gente e foi falar com ela, quase que hipnotizado.
Rafaela: A guria do Matt é aquela Raíssa de quem tu tava reclamando? Eu: É. Tu conhece? Rafaela: Mais ou menos. Ela é do segundo ou terceiro semestre, não é? Eu: Não faço ideia. Só sei que é mais velha que a gente. Rafaela: Conheço mais ou menos. Acho ela meio metida. Eu: Não é por nada, mas sempre que uma guria chama outra de "metida" é porque na real achou ela bonita. Rafaela: Não, ela é bonita, mas é metida também. Tu não acha?
Bebi a cerveja pra pensar.
Eu: É, é um pouco. Sei lá. Ela é estranha. Rafaela: Ela namorou uns dois conhecidos meus já. Eu: Porra, sério? Rafaela: É. Ela era da escola de uma amiga minha. Ah, acabei de lembrar de outro conhecido meu que ela namorou... Olha, se bobear, ela já teve uns 6 namorados. Eu: Tá me zuando? Caralho. Nem existem 6 pessoas que eu namoraria no mundo. Rafaela: Hahaha! Pois é! Eu: Quero dizer, até existem 6 que eu namoraria, mas não que me namorariam de volta. Hahaha! Rafaela: Isso que eu ia falar. Eu namoraria o Leonardo DiCaprio e mais uns outros vinte caras do mesmo tipo, mas meio que não rola nessa encarnação. Eu: Hahahaha! Rafaela: Mas é isso, ela é meio chatinha e já teve uns mil namorados. Eu: Saquei. Tipo, ela é bem gata e fico feliz pelo Matt. Ele tá fazendo todo o sexo que não fez na vida em uma semana... Mas não sei. Rafaela: Ah, se eles se dão bem, é isso que importa. Eu: Eu fico meio assim porque acho que eles não combinam, tá ligado? Rafaela: Tu acha? Eu: É que tu não conhece o Matt. Ele é a melhor pessoa que eu conheço, de verdade. Rafaela: Hahaha! Fofo! Eu: Não, sério. Tô meio bêbado, mas é sério. Ele é um cara foda. Não consigo imaginá-lo desejando mal pra ninguém, nunca. E ele é do tipo que lembra de datas importantes, colhe flor na rua pra levar pra guria, escreve cartinha... É uma bichona. Rafaela: HAHAHA! Eu: Ele é meio que o oposto do Fred.
Apontei pro Fred, que tava na direção oposta a nossa na piscina, xavecando uma guria na cara dura, quase pegando.
Eu: Tu entende o que eu quero dizer? O Matt é realmente uma boa pessoa. Rafaela: E ela não parece ser? Eu: Pô, não quero julgar a guria sem conhecer, mas sei lá. Rafaela: Tu tá com medo de fazerem teu amigo sofrer, né? Hahaha! Eu: Acho que sim. Ele já passou por uma bad há pouco tempo, e eu realmente acho que ele não merece. Acho muito injusto a vida ser injusta com ele. Rafaela: A vida é injusta pra todo mundo, meu caro Thomaz... Qual é teu sobrenome? Eu: Rohr. Por quê? Rafaela: Curiosidade. Eu: Quer ver se fica bonito no teu nome? Rafaela: HAHAH! Idiota! - ela empurrou meu peito.
A Alícia fazia isso. Era uma besteira que eu achava graça. Por que eu sempre penso na Alícia quando tô falando com a Rafaela? Que inferno. Tenho vontade de quebrar a garrafa na minha cabeça quando começo a pensar nela. Não serve pra nada além de me deixar mal.
Eu: Eu sei que eu já falei isso, mas desculpa por aquele dia do cinema. Rafaela: Ah, para.
Percebi que ela ficou sem graça com aquele assunto. Eu ficaria em situações normais também, mas eu já tava meio bêbado.
Eu: Desculpa mesmo. Eu fui um idiota. Rafaela: Tudo bem. Já passou. Todo mundo tem seus motivos pra fazer merda. Eu: Sim. É que eu sou meio perturbado mesmo. Tu já deve ter percebido. - ri. Rafaela: Hahah. Tudo bem. Eu: Só não sou mais perturbado do que quem gosta de Dogville. Puta que pariu. Rafaela: HAHAH! Meu, ainda tô sem acreditar que tu dormiu 4 vezes vendo esse filme! Eu: "Quatro" é gentileza tua. Eu dormi umas mil vezes.
Vi que o Fred tava saindo da piscina e pedi pra ele pegar uma cerveja pra mim, porque a minha já tinha acabado, e ele concordou.
Senti uma mão no meu ombro e olhei pra cima pra ver quem era. Era o Matt.
Matt: E aí.
Milagrosamente, ele tava sem a Raíssa.
Eu: Fala. Matt: Tu tem como ir embora? Eu: Eu me viro. Por quê? Matt: Vou embora com a Raíssa.
Porra, ele já não vai ver essa porra dessa mina amanhã cedo na faculdade? Já não viu ela a tarde inteira, depois na festa inteira? Cacete.
Eu: Beleza.
Ele deu uns tapinhas no meu ombro, se levantou e olhou em direção à churrasqueira, pra onde eu olhei também. Vi a Raíssa pegando a bolsa dela pra ir embora, que tava apoiada numa das cadeiras de plástico. Do lado dela, tava o Fred escolhendo cerveja no latão. Ele pegou uma garrafa e, quando se levantou, deu de cara com a Vicky, que tava se preparando pra pegar uma cerveja também. Ele a olhou de cima a baixo, do jeito mais Fred possível, passou um dos braços em volta do pescoço dela e a beijou.
Matt: Caralho! - ele pareceu surpreso. Eu: É, cara. Tu fica no mundo paralelo e perde essas coisas. Matt: Já tinha rolado hoje?
Fiz que "sim" com a cabeça. A Raíssa chegou logo em seguida.
Matt: Então tá, né. Vou nessa. Raíssa: Tchau, Thom. Tchau, Rafa. É Rafaela teu nome, né? - ela apontou pra Rafa. Rafaela: É sim. Raíssa: Tchau, amore. A gente se vê.
Ela segurou o Matt pelo braço e os dois saíram.
Matt: Falou, Thommo.
Acenei um "tchau". Ouvi a Vicky berrando alguma coisa e olhei pro Fred. Vi que ele ainda tava com os braços em volta do pescoço dela, andando na direção da piscina. E não deu outra: ele pulou na água com ela junto. Depois de rir, xingar e até dar uns tapas nele, o Fred a puxou pro canto da piscina e eles voltaram a se pegar.
Eu: Esse arrombado não pegou minha cerveja. Rafaela: Hahahah! Vamos pegar. Já cansei de ficar aqui.
Concordei e saí da piscina com certa dificuldade, já que minha roupa tava molhada e pesando pra caralho. Ajudei a Rafaela a sair também e fomos pegar nossas cervejas no latão da churrasqueira. O Luc tava por lá, então ficamos nós três conversando. O bom de estar bêbado era que eu nem tava ligando de estar todo molhado.
Luc: Ei, encontrei teu irmão ontem. Esqueci de te falar. Eu: Tu vê o Gabriel mais do que eu. Luc: É então. Ele deixou o shape que tu deu pra ele em casa. Vou fazer um desenho pra ele. Eu: Porra. Da hora. Ele tá andando bastante? Luc: Tá, cara. Vejo ele na pista às vezes. Sempre que pode, ele conta pra alguém que foi tu que deu o shape. Hahaha! Ele é comédia. Eu: Hahaha. Precisava encontrar com ele. Luc: O que tu vai fazer amanhã? A gente pode marcar. Eu: Amanhã à tarde tenho aula, mas depois nada. Luc: Demorou. Daí vocês passam em casa pra escolher o desenho. Eu: Fechou, velho. Luc: Tá convidada também. - ele falou pra Rafaela. Rafaela: Ah, obrigada! Luc: Vou no banheiro. Já volto.
Lembro que há um tempo atrás o Luc achava bizarro a gente avisar que ia no banheiro, porque na França ninguém nunca fazia isso. Ele chegava a rir na nossa cara. Agora já se acostumou.
Eu: Qual foi a tua amiga que curtiu o Luc mesmo? Rafaela: Uma loira que chegou comigo. Ele curte loiras? - ela sorriu. Eu: Pior que eu nem sei. O Luc é um cara bem discreto. Mas já vi ele pegando loiras sim.
Ela sorriu e o assunto meio que acabou ali. Olhei em volta porque não conseguia pensar em nada pra falar, e vi o Fred ainda pegando a Vicky no canto da piscina. Ela encostada no azulejo abraçando o pescoço dele, e ele na frente dela, com as mãos na borda.
O Fred pegando a Vicky, o Matt comendo até a orelha da Raíssa... E a Rafaela tá comigo desde metade da festa até agora, e eu ainda não peguei. Fico meio assim de chegar nela desde aquele dia, mas não pode ser coincidência ela preferir ficar comigo do que com as amigas dela hoje. Assim que ela deixou a garrafa vazia em cima do balcão da churrasqueira e se abaixou pra pegar outra, eu estendi a minha pra ela e me aproximei.
Eu: Aqui tua cerveja.
Ela fez uma cara estranha, sem entender.
Eu: Só funciona com o Fred essa? - sorri. Rafaela: Hahahahahaha! Que idiota!
Me aproximei mais um pouco e ela cedeu, me dando um beijo. Como o Fred me disse uma vez: se o xaveco funcionou, então ele não é ruim. Não importa o que digam.
Ficamos ali por um tempo, depois nos sentamos na mesa de madeira que ficava na churrasqueira, e continuamos nos pegando. Curto muito pegar alguém quando tô bêbado de cerveja, não sei por quê. A sensação é muito boa. Já tinha gente indo embora, mas eu nem tava ligando muito. Na real, podia todo mundo ir embora, que eu ia achar bom.
Fred: Ei. Vamo nessa.
O Fred me deu um tapa no ombro sem aviso. Nem respondi e continuei beijando a Rafaela.
Fred: Todo mundo vazou já. As gurias tão expulsando.
Abri os olhos e olhei em volta. Realmente, 90% da galera da festa já tinha ido embora ou tava se ajeitando pra ir.
Fred: Te espero lá na porta. Eu: Demorou.
Porra. Que merda. Quando tava começando a ficar bom.
Eu: Como tu vai embora? Rafaela: De carro com a minha amiga. Eu: Ahhh. Tu não quer dormir em casa? Rafaela: Hahaha. Não, não. Eu: Sério. Vamo aí. Rafaela: Não. Valeu.
Ela respondia e dava risada.
Eu: Sério, meu. Só dormir mesmo. Rafaela: HAHAHA! Tchau, vai, Thom.
É, não era só dormir mesmo. Mas não custava tentar. Ela se levantou e procurou em volta a amiga com quem ela ia embora.
Rafaela: Achei a Lu. Até amanhã então. Eu: Porra, pode crer. Amanhã tem aula. Fred: THOOOMAAAAAAAZZZZZZZZZZZ!
Ouvi o retardado do Fred me chamando do lado de fora da casa. A Rafaela arregalou os olhos de brincadeira.
Rafaela: Acho melhor tu ir. Hahaha! Eu: Porra. Que maluco. Tem certeza que não quer dormir em casa? Rafaela: Absoluta. Haha!
Ela me deu um beijo de tchau e foi encontrar a amiga. Olhei em volta pra ver se encontrava algum conhecido, mas o Fred tava certo: todo mundo já tinha ido embora.
Na porta da casa, encontrei o Fred sem camiseta e descalço, todo molhado, fumando um cigarro que tinha acabado de pedir pra uma menina.
Eu: Isso que eu chamo de fim de festa. Cadê tua camiseta? E teu tênis? Fred: Sei lá, velho. Vamo embora. O viado do Matt já foi, né? Eu: Já.
Ele assentiu com a cabeça e saímos andando, indo embora pra casa. Os dois bêbados e molhados dos pés à cabeça. Quando a gente já tava a uma distância razoável das pessoas, ele soltou:
Fred: Mano. Eu: Fala. Fred: Mina filha de uma puta. Eu: Quem? Fred: Eu sabia que ela ia fazer isso. Eu: Que aconteceu, velho? Fred: A gente se pegou bonito na piscina, eu já tinha até combinado com o Matt pra ele deixar o quarto livre. E o que ela me fala? "Tchau, Fred". - ele fez uma voz fina e irritante. Eu: HAHAHAHAHAHAHAHAHA! - eu pensei que fosse engasgar de tanto rir. Fred: TCHAU, FRED? TCHAU?! Eu: Tu é muito palhaço. HAHAHA! Fred: Na moral, vai tomar no cu! Olha como eu fico! - ele abriu os dois braços. Eu: Eu tentei com a Rafaela, mas não rolou também. Fred: Não, cara. Eu não to acostumado com essas coisas. Essas minas são muito frescas. Eu: Ah, mano. Sussa. Numa próxima eu sei que rola. Fred: Porra, sacanagem. Filha da puta. "Tchau, Fred." Eu: HAHAHAH! Cada vez que tu fizer essa voz, eu vou rir. Fred: "Vou dormir na casa da minha amiguinha porque eu sou uma escrota." Eu: HAHAHAHA! Fred: Quero só ver. Daí vão dormir as duas bêbadas de calcinha e vão começar a se pegar à noite. AAAHHHHHHHHH! - ele berrou tão alto que fez eco na rua. Eu: HAHAHAHAHAHAHA! CERTEZA! Fred: Na moral, certeza que agora rola uma After Party com todas as gurias se pegando, menos a gente. Eu: Certeza. - resolvi entrar na onda dele pra rir. Fred: Porra, to inconformado. Preciso ligar pra alguém. Eu: Nossa, velho. Eu vou dormir. Fred: Vou ligar pra alguma mina, velho. Senão vou dormir de bola roxa. Eu: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH! Fred: Sem contar a derrota de dormir SOZINHO, quando finalmente o Matt deixa o quarto livre pra mim. Nem fodendo.
E no caminho até a república ele ligou pra umas mil gurias. A maioria desligava quando ele falava o nome errado e mostrava que tava absolutamente chapado. Eu fiquei só assistindo e dando risada. Até que uma tal de Júlia topou um rolê naquele horário.
Fred: Beleza. Eu passo aí. - ele falou no celular. - Até. - e desligou. Eu: Quem é Julia, cara? Fred: É aí da faculdade mesmo. Eu acho. Eu: Tu vai passar na casa dela? Fred: Sim, ela mora naquele prédio. - ele apontou um prédio do quarteirão anterior, pelo qual a gente já tinha passado. - Me empresta tua blusa? E teu tênis? Eu: Tá maluco? Fred: Só pra eu não chegar lá assim. Chegar molhado tudo bem, mas sem camisa e descalço é meio zuado.
Chegamos num ponto em que chegar todo molhado na casa de uma guria às 4h da manhã é "tudo bem".
Fred: E se eu for pra casa pegar minhas coisas, vou perder tempo. A mina não vai ficar esperando, daqui à pouco ela vai dormir. Eu: Nem fodendo. Fred: Vai, mano. Eu: Velho, não. Fred: Vai, Thommo. Quebra essa! Eu vou parecer aqueles malucos arranhando a parede se for pra casa agora.
Pensei no que eu teria que aguentar caso o Fred não fosse pra casa dessa mina. Ele já enche o saco normalmente, imagina bêbado e reclamando porque não comeu a Vicky. Beleza, vai. Tirei a camiseta e o tênis e dei pra ele. Ele me deu um abraço de volta.
Eu: Chega. Fred: Tu é o melhor amigo que existe. Eu: Valeu. Fred: O melhor amigo do universo. Eu: Vai logo senão eu vou mudar de ideia.
Ele vestiu minha camiseta e saiu correndo com o par de tênis na mão. Percebi que eu realmente era o melhor amigo do universo quando comecei a andar descalço até a república. Eu nunca faria uma coisa dessas sóbrio. Puta merda.
(viram que agora tem agenda de post ali do lado direito? aaeaeae assim ninguém se perde - ps: só da pra ver se tu tiver lendo no pc!)
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Capítulo 125
Manuella Narrando O barulho do despertador foi se misturando aos meus sonhos, ou melhor, pesadelos. E aos poucos me acordando.. Droga! Era uma segunda-feira chuvosa em São Paulo, os meninos deviam estar voltando de um final de semana de shows mega cansados, e eu? Bom, desde que eu e o Pedro terminamos, final de semana pra mim significa uma coisa: sofá, brigadeiro, comédia romântica e lágrimas. Não que eu esteja sendo dramática, mas depois que eu conheci ele, admito que mudei bastante, mas até do que eu gostaria. Peguei uma foto nossa e fiquei olhando..
Minha vida sem ele era tão... morta! Eu vivia tendo pesadelos, comigo, com ele, com nós. Mas talvez não fossem apenas pesadelos, talvez fosse só os sonhos querendo imitar minha realidade sem ele. Mas não ia adiantar me lamentando, eu tinha trabalho, não podia passar mais tempo chorando por ele.. apesar dessa ser a minha maior vontade eu não podia. Não podia ser fraca, ou pelo menos tinha que fingir não ser. Levantei, tomei um banho e me arrumei.. do jeito mais simples, calça jeans, all star, blusinha solta, cabelo solto. Peguei minha bolsa e desci, as meninas deviam estar dormindo ou terem saído, não vi ninguém. Cheguei na agência, assinei uns papeis, o Henrique pediu pra falar comigo então eu fui até a sala dele.. -Manuella, que saudade! -ele me abraçou, ele vivia viajando e organizando a vida das outras modelos, era raro a gente se ver -Queria falar comigo? -perguntei meio seca -Queria sim, senta ai! -ele apontou pra cadeira e eu sentei- Então Manu, eu sei que você ficou muito mexida com tudo o que aconteceu naquela viagem, foi complicado.. mas como já passou um tempo achei que já tava na hora de tocar nesse assunto com você. -Eu não queria falar sobre isso, Henrique. Isso ainda me faz mal, pode até ter passado um tempo, mas foi complicado pra mim. -E eu entendo Manu, só que você é uma das modelos mais importantes dessa agência. E eu queria te dizer que aquela minha proposta continua de pé. Eu quero que você passa 1 ano e meio trabalhando com a gente, nos Estados Unidos. Sei que você ainda não tá pronta, você vai continuar com o tratamento e tudo mais.. acompanhada de psicóloga, e quando ela disser que você pode ir você vai, se quiser é claro. Mas por favor, pensa com carinho, é uma oportunidade incrível pra sua carreira, você sabe disso, eu não preciso ficar repetindo. -Mas Henrique.. -ele me interrompeu -Eu não to te pressionando Manuella, de modo algum. To falando que mantenho minha proposta, mas não agora, você ainda tem um tempo tá? Não precisa ser agora. -Obrigada! -falei e sai da sala dele Entrei no carro, mais tarde eu tinha consulta com a psicóloga, eu nem sabia mais se queria ir pros Estados Unidos, claro que a proposta é incrível e que isso seria perfeito pra minha carreira, mas tinha acontecido tanta coisa de uns tempos pra cá que.. Eu tava começando a rever minhas prioridades. Fui pra consulta com a psicologa, sai de lá irritada, confusa.. Fui pra casa tomei um banho e resolvi ir pra um barzinho, a Isa tava muito mal.. mas se eu ficasse ali no estado que eu tava eu só iria piorar as coisas, o Pedrinho ficou cuidando dela. Fui pro barzinho, bebi de tudo, tava completamente acabada.
Sentei no chão do barzinho e escutei uma voz atrás de mim.. -Eu sabia que você ia fazer isso! -O que você tá fazendo aqui? -perguntei irritada -Vim cuidar do que é meu! -E por acaso eu sou sua? -Se você ainda quiser.. -ele sorriu, aquele sorriso lindo.. -Vem.. -ele me puxou e entramos em um táxi
Fomos pra casa dele, fiquei quieta o caminho todo, e ele também. Fiquei pensativa, ele teria me seguido até lá? Ele me perdoo? Ou só disse isso porque me viu nesse estado? Descemos do carro, ele pagou o cara e o cara foi embora. -O que estamos fazendo aqui? -perguntei -Você vai dormir aqui hoje! -ele respondeu seco -Não vou não!
Ele me puxou pelo braço. -Vai sim, eu vou cuidar de você! -Ele me pegou no colo e entrou no elevador Chegamos no apartamento, ele me jogou no sofá. -Quem você pensa que é? -gritei -O cara que te ama, e que você também amava.. -Amo!-falei -Então deixa eu cuidar de você? Sorri apenas. Ele me levou pro quarto dele, tomamos banho juntos. -Pega essa blusa! -ele jogou uma blusa dele e eu coloquei Fomos pra sala, sentamos no sofá. -Tá com fome? -ele perguntou, todo fofo -To sim! Ele ligou pra uma pizza e sentou do meu lado. -Acho que a gente precisa conversar né? -Eu não quero ter dr Pedro! -E não vai ter. Eu só quero te dizer que aquela música é linda, que apesar de tudo, eu te perdoo. Eu te amo, e nunca mais quero me afastar de você. -uma lágrima caiu do meu olho ao ouvir essas palavras saindo de sua boca- Que foi? Aconteceu alguma coisa? Você não me quer mais? -Não.. não é isso, não é nada disso, aliás, não é nada! Vem aqui! -puxei ele e beijei Aquilo parecia um sonho, será que não era? Mordi seus lábios com tanta força que ele reclamou. -Manu! -ele riu -Desculpa, só queria ver se era de verdade! -respondi rindo -Se era de verdade? O que? Minha boca? -ele ainda ria -Não.. você, aqui comigo, se não era apenas mais um sonho meu! -falei -Mas é claro que não.. -ele me puxou e me colocou no seu colo -Eu te amo! -falei sorrindo -Eu te amo mais! Ficamos juntos ali um tempo, acabamos dormindo, ambos estavam cansados. Acordamos com a campainha tocando, era a pizza. -Eu atendo! -levantei Ele puxou meu braço -De jeito nenhum! -ele disse e eu não entendi nada -Pedro! -reclamei -Manuella olha como tu tá? Não quero que o cara da pizza veja minha namorada assim -ele apontou e eu vi que só tava com a blusa dele -Namorada é? -sorri
-É a gente voltou né? -ele perguntou -Claro! -dei um selinho nele -Agora vai pro quarto! Vai Manuella! -ele gritou -Que ciumentooooo! -falei e fui Ele atendeu o cara da pizza e gritou -Pode vim! Sentamos no sofá, nem pegamos pratos nem nada, comemos com a mão mesmo. E depois dormimos ali, jogados no sofá, um em cima do outro.