Capítulo 130
Ontem eu passei o dia inteiro jogando.
Azriel veio aqui em casa me visitar, e inclusive, ele me tirou do meu transe com o jogo.
Azriel estava com os problemas de sempre, e mandei ele escrever tudo no diário, sem exceção.
Falei que era pra ele relaxar, de fato era.
Mas confesso que o motivo principal era pra eu poder fofocar a vida dele mesmo.
Meu diário já virou uma bagunça tem tempo então foda-se.
Inclusive, nota sobre o que o Azriel escreveu: Estou chocada em saber seus pensamentos e seu convívio com o Lysandre.
Nunca mais julgarei o Azriel como "bebezinho fofo".
Bem, vamos voltar pro dia antes de ontem ? Vamos.
Afinal, ontem eu realmente não fiz nada além de jogar . . . Só de noite que saí pra levar documentos pro Armin.
Inclusive, Azriel veio hoje cedo me entregar o diário que ele acabou levando.
Provavelmente ele leu coisas.
Tá, acordei de manhã com o Armin me encarando de cara feia.
"Bom dia, que foi ?" eu falava sonolenta.
"Essas marcas. De onde vieram ?" ele apontava pro meu corpo com a camisola toda torta. Eu ainda estava muito sonolenta, e lentamente olhei e me lembrei de tudo.
"RESPONDE BOREAL !" ele gritava muito irritado.
". . . Foi você ué." eu respondi naturalmente.
"EU NÃO FIZ NADA DIS---ah não . . . Não. NÃO ! ARMIN ?!" Armin dizia possesso.
"Você." eu continuava a falar naturalmente enquanto me sentava e arrumava a camisola no meu corpo.
"MESMO ELE SENDO EU ELE NÃO SOU EU DE AGORA !" Armin gritava.
". . . Ele e você são a mesma pessoa. . . E de qualquer forma, você vai esquecer disso em breve." eu falei calmamente.
"COMO TEM CERTEZA DE QUE VOU ESQUECER DISSO ?!"
"Você do futuro me falou ué." eu respondi. Estava tratando tudo exatamente como o Armin do futuro mandou. Com calma e naturalidade.
Ele sabia que essa cena toda ia acontecer e me preparou pra isso.
"ELE MENTE !" Armin gritava.
"Sim eu sei. . . Igual a você, afinal, vocês dois são a mesma pessoa. Eu não esqueci que você mentiu pra me separar do Nathaniel." eu respondia friamente.
"EU NÃO FIZ NADA !" ele gritava nervoso.
". . . Ainda . . . " eu então voltei a deitar e virei pro lado da janela.
Eu pensei que eu fosse ficar super nervosa quando ele visse as marcas mas ate que contornei tudo bem. Acho que era sono.
Armin estava claramente procurando argumentos e falhando.
É tão bom ter ele mesmo do meu lado como arma contra ele.
Desci e o Alexy estava conversando com o pai dele.
Ali me veio as lembranças novamente . . .
O Arnaud estragou minha noite passada com o Armin, verdade.
A raiva começou a bater.
Se bem que . . . Acho que a noite seria estragada por meus hematomas de qualquer forma.
Arnaud virou para Armin e eu descendo as escadas e deu um bom dia apático como sempre.
"Desculpa ter empatado a noite de vocês ontem. Eu realmente não tinha onde ficar.
Alexy mora comigo, então só me restava a casa do meu outro filho." ele dizia.
Tentei ser simpática e sorrir, mas dentro da minha alma eu estava completamente furiosa.
Fazia tanto tempo que que não ficava bem com o Armin que agora to assim.
"Bem, Alexy falou que conseguiu acalmar a Victoria, então vou voltar pra casa." ele dizia.
"Afinal, ela realmente se irritou só por causa da historia do pão ?" Eu perguntei.
Armin e Alexy começaram a rir na mesma hora.
Alexy soltou um "Só" e ria mais.
"Boreal, entenda uma coisa sobre minha mãe: Pra ela não existe "só".
Qualquer motivo que leve ela a fazer um escândalo não é "só".
Se meu pai fala algo absurdo daquele jeito, ela vai fazer escândalo." Armin completava.
". . . Ela já expulsou outras vezes ? Pra onde você ia ? " perguntei.
"Eu pagava um quarto qualquer de hotel. Ai no dia seguinte ela vinha brigar comigo porque eu dormi em um hotel e estava com alguma vagabunda. Ossos do oficio." ouvir como a Vitoria trata o Arnaud me fez concluir que eu sou a melhor namorada do mundo.
"Algum dos dois poderia me levar ? Estou sem carro." Arnaud dizia.
"Armin vai. Eu já fiquei a noite toda tentando acalmar a mamãe. Nem comi antes de sair." Alexy dizia empurrando o Armin.
"Mas eu mal acordei !" Armin gritava.
"Foda-se. Pode ir de pijama mesmo, nem vai sair do carro." Alexy dizia empurrando ele e entregando a chave.
"Além do mais, o carro é seu, eu vim de trem." Alexy completava acenando pros dois e fechando a porta.
Assim que Alexy fechou a porta ele parou pensativo e ficou com olhar distante.
"Tem algo te incomodando Alexy ?" perguntei.
"N-Nada não . . . " Alexy então entrou no laboratório e se trancou.
Eu não acredito que tenha sido o que houve com os pais dele que deixou ele abalado.
Mas não consigo descobrir o que foi. . .
Desde que o Armin do futuro falou com ele ele ficou mais avoado mesmo.
Decidi preparar um lanche, até porque o Alexy havia dito que não comeu nada.
Eu então fui pra cozinha e fiz algo simples.
Claro que nem me comparo ao Alexy cozinhando, mas ele não poderia ficar sem comer.
E bem, eu estava vendo o Armin quando ficou avoado e depressivo, e não queria ver isso se repetir. Principalmente agora que sei que o Alexy tem os mesmos transtornos que o Armin.
Por mais que ele saiba contornar melhor e eu saiba que é tudo num grau mais leve, eu me preocupo. . .
Após o lanche estar preparado eu dei batidas leves na porta e abri ela.
Alexy tomou um susto MUITO grande.
Ele parecia estar pensativo e distraído. A sala estava escura, perguntei se eu poderia acender a luz.
Confuso, Alexy disse que sim. Então caminhei até ele com o lanche.
Ele estava com um olhar melancólico.
Nunca vi o Alexy ficar tão distante e assustado antes . . . Ele é sempre tão pra cima.
"Alexy . . . Tá tudo bem ?" perguntei.
"T-Tá sim ! Porque não estaria ?!" ele falou com um sorriso falso.
"Alexy, para de mentir. Você não é assim normalmente." eu falei.
"Eu não to mentindo ! Eu to bem. Só um pouco avoado."
"Meu Deus . . Você e o Armin são tão parecidos." eu falei enquanto levava a mão até a cabeça.
Alexy soltou um "ai" de leve que me deixou confusa na hora.
Ele então respirou fundo antes de olhar pra mim.
". . . Por favor, não conte pra ninguém . . . Eu preciso falar pra alguém . . . Guardar isso só pra mim tá me sufocando . . . " Alexy dizia me puxando pra perto e abrindo a porta pra ver se ninguém se aproximava.
"Tá . . . O que houve ? Nunca te vi assim . . . "
"Armin não pode ouvir . . . Temos que ter certeza que ele não vai chegar e ouvir de surpresa." Alexy dizia desligando um botão.
"O que é esse botão ?"
"São os equipamentos que o Armin espalhou pela casa por segurança, vou desligar eles um instante para que eu tenha certeza de que ele não vai ouvir nada. Ele NÃO PODE saber. Se não pode destruir a minha existência e a dele." quanto mais ele falava mais eu ficava chocada e com medo da gravidade do que estava por vir.
"Boreal é sério, não conte pra ninguém MESMO.
Esse segredo é nível . . . o Jade ser seu filho." Quando o Alexy falou isso me espantei. Algo grave assim ? Eu não fazia a minima ideia do que estava por vir.
Diferente do Armin, Alexy não enrolou muito e foi direto ao ponto.
". . . Armin e eu somos a mesma pessoa . . . " Alexy dizia
"OI ?????! NÃO TEVE SENTIDO ! COMO ASSIM ??!" confesso que acabei rindo. Rindo MUITO.
Mas logo parei ao notar que Alexy estava bem sério e me repreendia.
"É sério Boreal . . .
Armin do futuro me explicou que nós dois somos ele . . . Sendo que de linhas diferentes.
Ele falou que o Armin não pode saber se não um dos dois vai deixar de existir se não os dois."
"Vocês dois são o Armin ? Explica isso direito." estava bem confuso pra mim, e eu sinceramente não conseguia entender bem . . .
Alexy parecia nervoso e ansioso.
Imagino como deve ser remoer esse segredo desde que descobriu.
"É um pouco confuso . . . Vou tentar explicar com as palavras exatas que o Armin do futuro falou pra mim . . .
O Armin um dia, no futuro, decidiu voltar no tempo pra conhecer os nossos pais.
Ele então foi no orfanato onde fomos abandonados e viu um homem colocando duas crianças na frente do orfanato. Ele foi até lá pra conhecer o nosso pai biológico, mas ao chegar lá, ele reparou que era ele mesmo quem estava colocando as crianças na porta do orfanato, e desistiu.
Então decidiu voltar mais alguns dias no tempo pra conhecer os nossos pais e entender o que estava acontecendo.
Ele queria saber nossa origem sabe.
Porque fomos abandonados, o que houve.
Por isso ele stalkeou ele mesmo até achar nossa origem.
Enquanto ele procurava pelos pais, ele presenciou um acidente de carro, nesse acidente havia um casal e um bebe, o casal morreu instantaneamente.
E o bebe . . . Era ele.
Ali ele se tocou que ele ficou órfão provavelmente naquele acidente e pegou ele mesmo do local.
Então ele pensou "provavelmente é por isso que eu me abandonei no orfanato, porque eu fiquei órfão."
Entretanto . . . Ele se tocou que eu. . . ou ele, não dá pra saber por sermos "gêmeos", não estava no local do acidente.
Com ele mesmo no colo, Armin decidiu voltar pra horas antes do acidente pra procurar o Alexy, no caso, eu, ou comigo no colo ele decidiu voltar no tempo e procurar ele, não sabemos quem foi o menino que ele pegou no local do acidente, mas pouco importa, o que importa é que ele não encontrou o "Alexy" no lugar do acidente, e após voltar mais algumas horas ele foi até a casa dos nossos pais(com ele pequeno no colo) e viu o nosso pai biológico bêbado e triste.
Aparentemente ele estava frustrado com algo e nossa mãe discutiu com ele.
Ele pegou uma arma de fogo e atirou na nossa mãe.
Mas pelo que foi dito pelo Armin, ele não tinha a intenção, foi totalmente acidental.
O nosso pai estava apavorado, e pronto pra levar a nossa mãe pro hospital.
Foi uma atitude impensada e sem querer.
Provavelmente foi isso que aconteceu.
Ele saiu bêbado pra levar nossa mãe pro hospital e acarreto no acidente que ele havia presenciado mais cedo.
Mas ali, no caso, não aconteceu . . .
Armin ao ver nossa mãe levando o tipo se meteu, e como nosso pai já estava bêbado e assustado, tentou atirar nele também. Como auto defesa, afinal, era um estranho invadindo a casa dele.
E bem, como autodefesa também, Armin acabou matando o próprio pai ao tentar segurar sua mão que segurava a arma.
Após isso . . . ele encontrou o outro que faltava. Ali ele reparou que . . . O Alexy era ele ou o Armin era o Alexy. No caso: Nós dois somos a mesma pessoa em espaços de tempo diferentes, linhas diferentes.
Em uma linha nossos pais morreram em casa pro Armin, na outra eles morreram em um acidente. . .
Ele tinha dois dele mesmo no colo e bem . . . Nossos pais estavam mortos.
Armin pegou nós dois, no caso, os dois "ele" e levou para um orfanato.
E o resto da historia você já sabe. Arnaud e Vitoria adotaram eles e bem, ai estamos.
"inclusive quando eu me toquei que eramos a mesma pessoa a primeira coisa que eu falei foi "Ai caralho . . . Eu sou gay . . . E hetero ao mesmo tempo ?" irônico né?
Armin do futuro estava sentado atrás de nós dois respondendo tudo normalmente
"ARMIN ?!" falei espantada.
Ele respondeu com um "Olá !" super debochado enquanto estendia a mão.
"Vai virar bagunça agora ?! ficar vindo quando bem quiser ?!" eu gritava.
"Não é como se você não quisesse que eu viesse sempre não é mesmo Boreal ?" Armin então segurou meu queixo de forma provocativa.
Eu vou mentir ? Não vou.
Eu gosto desse jeito dele, e ele sabe disso . . .
"Eu só vim porque eu lembrei que hoje você contaria tudo pra Boreal e que ia começar a ficar complexado. E eu não to afim de ter um irmão complexado e depressivo igual a mim." Armin falava se sentando na grande poltrona que tinha n sala.
"Irmão ?? Eu sou você !" Alexy dizia.
"Será ? E se eu for você ?" Armin respondia rapidamente.
"Do que tá falando ?" Alexy retrucava.
"Alexy, entenda, não sabemos quem veio primeiro, quem é a "origem" podemos ser dois Alexy como dois Armins, pouco importa. Somos pessoas diferentes e você É MEU IRMÃO SIM." Armin respondia.
". . . Você mesmo disse que somos a mesma pessoa." Alexy falou quase chorando.
". . . Somos tecnicamente. É tipo a Boreal dessa linha e da outra. São pessoas diferentes mas com a mesma genética.
Nossas vidas são diferentes, nossos gostos, experiencias, tudo.
Fomos criados na mesma casa mas cada um de uma forma.
Aqui temos a maior prova de que duas pessoas podem ser extremos opostos e serem criados pelos mesmos pais.
Eu e você não temos nada a ver. Tivemos experiencias diferentes.
Temos no máximo o QI, a obsessão por traquinagens e o lado satiríaco semelhantes.
De resto, não temos nada a ver.
Até a sexualidade que cada um seguiu é diferente.
Você talvez tenha um lado que gosta de mulheres dentro de você, assim como posso ter um lado homo, não sabemos, mas ambos adquiriram repulsa pelos opostos, e isso é mais uma prova de que somos extremos opostos e pessoas totalmente diferentes.
Você sempre será o Alexy, essa bicha pervertida poliamor e eu serei sempre o Armin Deus do universo e ser supremo." nessa hora eu dei uma cotovelada no Armin que ria da situação toda.
"Mas é sério . . . Você não tem porque criar esses complexos. Você é meu irmão querido." Armin então bagunçou o cabelo do Alexy que aprecia MUITO fragilizado.
". . . Eu sou você, não sou seu irmão. . . Fomos criados como irmãos mas não somos irmãos de fato . . . " Alexy dizia muito deprimido.
Eu nunca pensei que o veria nesse estado . . . É de partir o coração.
"Então nossos pais não são nossos pais né mesmo ? Fomos só criados como filhos deles." Armin respondeu rapidamente e silenciou o Alexy.
"Entende Alexy ? Somos irmãos você querendo ou não. Assim como nossos pais são nossos pais.
Vai falar que o Dake não é irmão do Nathaniel ? Ele foi adotado e por isso não é irmão ? Não tem nada a ver. Eles dois são tratados como filhos dos de Cristo e vivem em harmonia como irmãos.
E bem, temos pontos ao nosso favor. Afinal, nascemos da mesma mãe. Tecnicamente somos irmãos de fato" Armin respondia.
"Você é um idiota !" Alexy gritou socando o Armin e chorando.
É bom que apesar de ambos terem esse lado confuso, o Alexy aceita com mais facilidade o que é dito e tenta se resolver mais rápido.
Armin é mais rancoroso e demora um tempo discutindo a respeito.
"OK, se me dar esse soco te faz se sentir melhor, me de. Dessa vez não vou revidar."
Armin então puxou o Alexy e abraçou.
Alexy parecia bem abalado com essa ideia toda deles dois serem a mesma pessoa.
Alexy chorava sem medo ou vergonha, ele não tentava esconder que estava emocionalmente abalado.
Armin abraçava o Alexy gentilmente tentando acalma-lo o tempo todo.
Armin então afastou o Alexy de seu peito, e limpando as lagrimas do Alexy enquanto olhava pra ele ele mandava o Alexy ir no banheiro lavar o rosto.
Alexy estava com os olhos bem vermelhos.
Ele estava de óculos, Alexy tirou o óculos e enquanto esfregava os olhos, ele saia em silêncio em direção ao banheiro.
Eu só sabia fica chocada.
Nossa . . . É muita coisa ao mesmo tempo.
Minha vida nunca vai parar com essas noticias surpreendentes ?
Armin então se aproximou de mim enquanto sentava em uma cadeira com rodinha.
Ele chegou perto de uma vez com a cadeira e me colocou sentada no colo dele.
"E Super Armin salvou a paz do mundo mais uma vez." ele dizia rindo.
". . . .Você não cansa de criar paradoxos não ? Cara, até a existência sua e do seu irmão é um paradoxo !" falei.
"Incrível né ? Eu me sinto um gênio." então dei um tapa nele que começou a rir.
Armin repentinamente me beijou. Na mesma hora Alexy entrou no local.
". . . Eu to confuso . . ." Alexy respondia olhando pra nós dois.
"Com ?" Armin respondeu naturalmente.
". . . Isso é traição ? Beijar o Armin do futuro ?" Alexy dizia.
"Não. Sou o Armin do passado também, digo, já fui." Armin respondia rapidamente.
"Tá . . . É nojento te ver beijando ela e pensar que essa boca tecnicamente é minha . . . Com licença." Alexy virou as costas e saiu com cara muita náusea do local.
"E VOCÊ ACHA QUE FOI FÁCIL PRA MIM ASSIMILAR QUE O CU QUE VOCÊ DÁ TECNICAMENTE É MEU ?!" quando o Armin gritou isso pro Alexy eu comecei a rir MUITO. Era impossível não rir. Alexy só esticava o dedo do meio pra nós dois. "Bem, eu só vim pra isso, então já vou. Até porque vou reencontrar com o Jade após tanto tempo. Aliás, não deixe meu eu do passado ler o seu diário agora que você sabe a verdade. Só falar que é catastrófico que ele vai aceitar." Armin dizia se levantando.
"Jade . . . " acabei soltando seu nome baixo.
Eu sentia uma mistura de decepção, desgosto, tristeza . . . tantas coisas.
Só de pensar no Jade.
"Eu tenho muita pena do Jade . . . " Armin dizia sem mais nem menos. Conhecendo ele como eu conheço, ele notou que eu estava pensativa quanto a isso, com certeza.
". . . Porque isso do nada . . . ?" perguntei.
"Porque sei que está com ódio dele . . .
Deve ser horrível . . . Ele foi criado por ele mesmo. Ele nunca viveu de verdade, sempre só viveu o que tava escrito. Ele tenta a todo custo prevenir que ele deixe de existir . . . Ele não vive, ele lê o que tem que fazer e faz, não é como se ele quisesse fazer o que faz . . .
Jade só fez coisas negativas porque estava escrito no caderno que ele faria . . .
Quanto deve ter sido difícil pra ele fazer tudo isso pra fazer com que ele exista ?
Ele te violentou, te drogou, se sequestrou, bagunçou as linhas, ameaçou pessoas, cometeu crimes . . . tudo porque ele tem medo de deixar de existir.
E com isso, ele enlouqueceu e esqueceu de viver.
Ele faz tudo no automático. É basicamente uma criança confusa que começou a fazer um monte de coisa porque seu responsável falou que ele devia fazer ou deixaria de existir, e seu responsável, é ele mesmo.
De que vale se manter vivo se ele vive dessa forma ?
E agora . . . Ele tem o ódio da mãe concentrado nele . . . Eu queria poder dar paz pra ele . . . Sinceramente.
Eu já tive muita raiva dele no passado mas . . . Eu queria dar pra ele a chance de ter uma família normal. Jade tem certa inocência que as pessoas não compreendem . . . Sinto vontade de cuidar dele, de verdade.
Mesmo ele sendo seu filho com o Nathaniel, eu sei que ele me tomou como figura paterna . . . E eu iria adorar poder dar pra ele tudo que ele nunca teve.
É muito triste ver ele tão perdido.
Sabe o que vejo ? Uma criança.
Ele pode ser um adulto feito, mas a mente dele é totalmente de uma criança perdida jogada na rua que esta tentando ser independente. . .
Debrah sabe bem disso . . .Por isso ela te pediu pra que não tivesse raiva de seu filho . . .
E depois de toda explicação que lhe foi dada tempos atrás . . .Acho que você devia repensar seus sentimentos quanto ao seu filho. Jade, ou melhor, Rémy, fez muita coisa hedionda, mas . . . Ele é só uma criança.
Eu não conseguia enxergar isso antes, mas agora, eu vejo isso com clareza.
Eu ajudava ele porque queria salvar nossas linhas, agora eu ajudo ele porque quero salvar ele.
Me desculpa se soar horrível pra você que seu futuro marido quer salvar seu estuprador.
Pode ter raiva disso, é compreensível. Mas . . . Não consigo evitar de ter pena dele.
Ele já me pede conselhos constantemente mesmo, então já me sinto como pai dele. . .
Repudio tudo que ele fez, mas . . . Sei que ele é sincero quando diz que não gosta das coisas que faz. É confuso e complexo.
Eu repudio as atitudes dele e quero ter raiva dele, mas por saber a situação toda eu não consigo.
Como pode isso . . . Ficarmos confusos entre repudiar um crime hediondo ou não.
A mente é uma maquina fantástica.
Eu realmente adquiri grande apego a ele, por isso ajudei tanto ele.
Ele é um menino muito inteligente igual o Nathaniel e puxou sua memória." Armin sorria após seu longo monologo.
Suas palavras ecoavam na minha mente, eram confusas. Eu não sabia o que sentir.
"Você conviveu bastante com o ele ?" perguntei um pouco tremula e confusa.
"De certa forma sim já que ele constantemente vinha me pedir ajuda. Inclusive . . . Comecei a me dedicar em ajudar ele após ele ter te violentado." Quando o Armin disse isso eu quis avançar nele. Eu tinha entendido tudo que ele tinha dito, entretanto, eu não sabia como agir ao ouvir uma coisa que seria "atrocidade". Me deu muita raiva ele assumir algo desse porte.
Ele sabe como aquilo me deixou abalada ? Eu gritei com ele instantaneamente.
"ARMIN ! COMO PODE FALAR ISSO ?!"
". . . Boreal . . .
Eu sabia que ele ia te violentar, e eu fiquei com ódio dele esse tempo todo que você esteve gravida lembra ? Eu sequer queria ouvir você falar do bebê porque além de saber que ele se levaria, ele ia te raptar. Guardei muito ódio esse tempo todo. Desde o nascimento dele.
Eu ajudava ele a contragosto no principio, eu te falei isso, eu só ajudava pra ter futuro, tratava ele com frieza o tempo todo, mal respondia ele e ele também não dirigia a palavra a mim por ver minha frieza.
Entretanto. . . Um dia eu estava na minha sala de pesquisas e o Jade chegou.
Ele estava vermelho e chorando MUITO. Eu nunca vi ele naquele estado.
Mesmo com todo o ódio, ver o cara na minha sala chorando do jeito que ele estava me deixou abalado.
Eu fiquei em um certo empasse, afinal, eu iria consolar um cara que fez atrocidades horríveis como estuprar a própria mãe ? Isso é hediondo.
Jade não esperava que eu fosse ser gentil com ele, tenho certeza disso.
Eu só me aproximei dele sem jeito e um pouco frio, e questionei o porque dele estar daquela forma.
Sabe . . . Ali foi a primeira vez que vi o que eu te falei: Uma criança.
Ele me olhou com aqueles olhos grandes dele cheios de água e falou apenas um "eu fiz".
Não precisou mais nada pra eu entender o que ele estava dizendo. Ele estava em pânico, traumatizado.
Ali, naquele momento, eu pensei . . . Quanto tempo de preparo ele teve pra tomar coragem de fazer isso ? O quanto ele se pressionou ?
Ele do futuro já está calejado e provavelmente pressionou ele do passado, além de tudo, tem a pressão de deixar de existir ecoando constantemente em sua mente.
Ele não sabia como fazer ou o que fazer, ele poderia mandar outra pessoa mas o Jade estava perdido, aliás, ele ia se sentir mal da mesma forma e ele sabia que estava escrito no diário que ELE faria, não outra pessoa . . .
O Jade quer existir.
O jade não sabe bem o porque, mas ele não quer deixar de existir. É normal seres vivos terem medo instintivo da morte, mesmo aqueles que querem se matar.
Quando você fica de frente com a morte, bate aquela coisa no fundo, aquele medo. . . E eu infelizmente sei bem disso.
Jade raramente tem atitudes "humanas" Ele é sempre bem técnico e robótico.
Talvez você não ache isso por conta da aura que ele passa, mas, ele não tem personalidade definida.
Muito da forma como ele age ele simplesmente imitou do que viu, no caso, ele só conviveu comigo na vida dele, no processo de "crescimento" dele, então ele imitou a pessoa mais próxima dele.
Eu fui a única influencia que ele teve de verdade, tecnicamente além dele mesmo.
Pode-se dizer que realmente fui pai dele . . . E ali eu vi ele ter uma atitude por ele mesmo.
Ele chorava, ele se condenava, ele se arranhava.
Ele claramente estava desesperado com o que havia feito contigo . . .
Naquele momento todo meu ódio deu lugar a pena. Eu não consigo sentir outra coisa pelo Jade além de um carinho incondicional e muita pena.
Sabe Boreal . . . Eu sei que você foi a vitima dele e sei que pode soar cruel o que direi agora, mas não pense que acho sua situação leve ou que deva ser algo pra se passar a mão na cabeça, pelo contrario, mas . . . Você tem uma vantagem grande de não lembrar de nada.
Você teve acesso rápido a situação toda graças a Debrah, mas tudo se isolou dentro de sua mente.
O neuralyzer que ele possuía podia apagar memória de alienígenas.
Era uma versão de testes, por isso fez o estrago que fez com o Lysandre.
A organização estava usando o Leigh como beta tester.
Como sua memória é muito potente, mesmo com o neuralyzer conseguiram alcançar suas lembranças embaçadas, além de que claro, Jade te deixou inconsciente com calmantes.
Você sofre com o peso de saber o que houve, só saber, agora o Jade ?
Ele lembra todo dia claramente disso . . . Até porque ele tem a sua memória como eu falei, e nós dois sabemos de como tudo é muito nítido pra você. E ele, incrivelmente, é uma vitima como você.
No fim das contas você não foi uma vitima do Jade, mas sim, do destino.
Jade também foi vitima. Vocês dois tem que brigar com o destino . . .
Eu nunca acreditei nisso, mas, após notar que tem coisas que não mudam, passei a ser mais crente com essa ideia de "destino"
Afinal, meus pais biológicos morreram em duas linhas me deixando órfão.
E bem . . . Em toda linha que fui, eu sempre fui adotado.
A situação de vocês dois é muito delicada, e eu confesso, eu me condenei MUITO por passar a mão na cabeça dele.
Eu fiquei me perguntando por dias se era certo eu ter pena dele e sentir carinho pelo Jade.
E no fim eu conclui que era.
Eu entendo se quiser me condenar, de verdade. É uma situação muito frágil principalmente pra alguém que passou feito você.
Mas quero deixar tudo em pratos limpos e bem claro pra você: O Jade tem traumas e sequelas por conta disso.
O Jade não se perdoa pelo que fez.
E o Jade já se perguntou se ele devia mudar isso, entretanto, ele sempre chega a conclusão de que deve existir.
Jade muitas vezes acaba fazendo tudo no automático, além de que ele faz certas coisas por você, por mim, por outras pessoas, já que ele não sabe o que é viver.
Ele só tá vivo, mas não sabe como é aproveitar um dia fazendo algo que gosta de fazer.
Ele não sabe como é ter folga.
E isso foi uma das coisas que nos uniu ao ponto dele me tomar como pai.
Ele não podia aparecer pro pai biológico nem pra você na época de juventude.
E depois de grande, bem, aconteceram muitas coisas.
Ele sempre só teve a companhia dele mesmo, e eu fui a única pessoa "diferente" dele mesmo da qual ele pode desfrutar.
Acho que ele só teve momentos pra relaxar perto de mim.
Conversar, rir de verdade.
Ele já comentou de algo que ele viu vocês fazendo e veio me perguntar o que era por exemplo.
Ele tem interesse em interações humanas comuns, mas ele não tem direito de ter elas . . . "
Enquanto o Armin falava eu só ficava mais e mais pensativa . . as palavras do Armin derrubaram todos s meus pensamentos . . .
Eu gerei uma criança que sofreria tanto assim ? Era inacreditável demais pra mim . . .
"Sabe, uma vez ele veio me perguntar porque você e eu ficávamos tantas horas em vídeo games.
Eu dei um portátil pra que ele jogasse um pouco e descobrisse o porque sozinho enquanto eu voltava pro meu trabalho.
Jade passou apenas 15 minutos naquele portátil, e foram os 15 minutos mais humanos dele.
Ele parecia encantado com algo tão simplório pra mim.
Sabe o deslumbre que o Azriel tem com tudo ? Jade tem esse mesmo deslumbre com as coisas.
Ele não chega a ter aquela aura inocente do Azriel, até porque ele não é inocente, como falei, ele é bem robótico e sério. Azriel apesar de malicioso ele tem bastante inocência quanto a muitas coisas.
Mas ali eu vi que ele estava deslumbrado com algo.
Eram 15 minutos de folga, Jade nunca se dá folga.
E confesso que gostei da interação, sabe, eu trabalhando com ele jogando ali perto de mim em silêncio.
Eu me senti realmente com um filho.
E bem, eu não nego que quero um filho, e como me apeguei ao Jade e sei que ele me tomou como pai, eu gostei muito de passar esse tempo com ele.
Sei que ele me procura porque gosta da minha companhia e não só porque ele me pede ajuda.
Ele cansa de me procurar pra conversas casuais e fazer questionamentos bobos como escola ou até pedir ajuda com uma peça de roupa.
Entretanto . . . Logo ele me devolveu e falou que não podia perder tempo com jogos e voltou a ser o robozinho de sempre programado pra existir.
Insisti em dar o console de presente pra ele, mas ele recusou veementemente.
A razão de ele fumar tanto é justamente porque foi a unica forma que ele encontrou de levar os problemas com mais leveza sem precisar parar tudo que está fazendo.
Jade se preocupa muito com o tempo o tempo todo.
E ele sabe que ele vai viver menos que todos nós, então acaba dando mais valor ainda.
Diferente de mim que não ligo tanto pra isso por estar me sustentando com bactérias. . ." eu não conseguia derrubar a parede do ódio, entretanto, eu conseguia entender o lado do Jade.
E cada vez que o Armin contava mais sobre ele, eu me sentia mais amolecida e com vontade de encontra-lo.
"Jade realmente foi seu filho então né . . . ?" falei chocada entretanto, por algum motivo eu sentia algo bom . . . Não sei.
Meu coração estava muito rígido quanto ao Jade. Só de ouvir seu nome me irritava.
Mas agora . . . Que abraçar ele em meio a raiva que eu sentia. . . É tão confuso.
"Sim . . . Eu meio que criei ele querendo ou não.
E eu fico feliz, confesso, que fico muito feliz em saber que ele me vê como pai.
Nathaniel e você deviam ter convivido com ele . . . Ele ia adorar ter pais como vocês e vocês dois provavelmente amariam ele como filho." Armin sorria serenamente.
"Ele já te chamou de pai ?" perguntei realmente curiosa após tudo que ele havia dito.
"Uma unica vez.
Ele estava conversando comigo a respeito dos planos dele.
Então eu comecei a discordar de um dos planos dele e meio que começamos a discutir.
No fim ele se sentou na minha cadeira emburrado por eu não concordar em dar pra ele o que ele queria e falou um simples "tá bom pai, chega."
Eu confesso que olhei pra ele espantado, e na mesma hora em que ele se tocou do que disse ele corou no nível que eu ficava antigamente e saiu desesperado com o receptor.
Confesso que achei engraçado e uma cena bem fofa ate certo ponto.
Jade tem desses surtos, e é ótimo presencia-los." Armin dizia.
Inconscientemente eu senti um sorriso se formando no meu rosto. . . Ouvir aquilo me encheu de paz.
Mesmo com raiva, eu quero a felicidade do Jade por muitos motivos, acredito que ser mãe dele é um dos motivos fortes.
"Afinal, de onde veio esse nome "Jade" ?" perguntei.
"Eu dei esse nome pra ele." foi uma surpresa ouvir o Armin dizer isso.
"Você ?! porque ?! Porque mudaram o nome dele ?!" Perguntei.
". . . Ele não queria ser reconhecido.
Ele tentou se desprender ao maximo de todas as coisas que pudessem dar um vinculo a vocês dois.
Ele veio com um nome escroto, Lorenzo, odeio esse nome sinceramente.
E então eu sugeri Jade, sabe, como a pedra.
Os olhos dele são grandes como o seu e verdes como os dos familiares do Nathaniel, entretanto, é um verde muito mais vivo, um verde com um tom diferente. Chega a ser surreal.
Dai veio a ideia de Jade. Ele aderiu sem pensar duas vezes.
Inclusive o cabelo verde foi uma brincadeira minha.
Eu falei que se ele queria tanto ser irreconhecivel devia pintar o cabelo, ele pensou em por preto.
Enquanto eu brincava eu falei que já que ele era uma pedra Jade devia por verde . . . Ele não tem muito senso de humor, e na epoca tinha menos ainda, ai ele levou a sério."
Confesso que acabei rindo ao ouvir isso e Armin parecia relaxado em ver meu sorriso.
"Bem vou indo, só vim pra falar aquilo com o Alexy mesmo." Armin falava se levantando da cadeira novamente e arrumando o jaleco enquanto o Armin do presente se aproximava.
"Eu realmente queria saber que segredinhos que você tem com o Alexy . . ." Armin dizia olhando feio pra ele mesmo ao ouvir a respeito do Alexy.
Eu confesso que tomei um susto, não esperava o retorno do Armin tão rápido.
"Desculpe mas você não pode saber ainda. Sabe como é né, linhas temporais, futuro, etc. Bem, vou indo"Armin do futuro então me puxou e deu um beijo . . . Mas um daqueles beijos longos de deixar sem folego, olhou pra ele e se despediu enquanto ativava o receptor e sumia na nossa frente.
Eu fiquei sem reação.
Quando olhei pro Armin do presente ele estava com uma cara de ódio.
"Que foi ?" perguntei.
"VOCÊ BEIJANDO ELE NA MINHA FRENTE !" Armin estava aos berros, claramente MUITO irritado.
"Ele me beijou . . . " falei tímida enquanto arrumava o cabelo ainda sem fôlego.
"E você não afastou porque ?!" Armin falava ainda irritado.
"PORQUE ELE É VOCÊ UE !" e o silêncio se estabeleceu no ambiente.
Armin não sabia como retrucar.
Placar: Boreal: 1; Armin: 0 "Armin não reclame, você ficaria com minha eu do futuro que eu sei." eu dizia.
"Eu não ficaria não !" ele falava bravo.
Armin do futuro surgiu do nada e falou um simples "Ficaria sim." desaparecendo em seguida.
"Você não permite que você tenha segredos mais, adoro isso." eu ria enquanto batia na cabeça dele de leve e debochadamente.
Claramente ele havia se irritado.
Armin veio atrás de mim e Alexy não ficou muito tempo.
Ele dizia que estava tristonho e precisava descansar ainda pra processar tudo que havia acontecido.
Armin não sabia nem podia saber de nada.
Decidimos passar o fim de dia isolados.
Cookie ficou no quarto lendo . . . sim, nosso cachorro ficou no quarto lendo um livro . . .
E Charlie, bem . . . Como sempre foi dar seu passeio noturno.
Armin trancou a porta e se sentou pra ver algo comigo.
Foi uma noite agradável.
Armin perguntou o que eu queria ver, e eu falei de uma animação fantasiosa.
Armin então bufando e jogando a cabeça pra trás se pôs a falar.
"Eu to bem cansado desses filmes, séries e coisas do gênero cheios de ação e protagonismo.
Não que eu não goste, mas quero ver algo mais slice of life" Armin falava.
Confesso que foi uma surpresa.
"Armin ? Você falando isso ??" eu dizia.
"Entenda. Minha vida tá um caos, então quero umas coisas normais pra compensar.
Normalmente assistimos algo referentes a aquilo que não temos na nossa vida.
Vamos combinar que eu tenho zumbis, organizações secretas, viagem temporal e até uma namorada alienígena Não significa que não quero ver nada disso, mas . . . Vamos dar uma pausa pra um slice of life."
Eu então coloquei a mão sobre a cabeça dele fingindo que media sua temperatura.
Ele deu um tapa na minha mão enquanto resmungava e me fazia rir.
"Engraçada você. É sério. Eu sofro porque eu queria tanto ser protagonista de anime e agora que consegui quero ser rebaixado pra figurante.
Vê o Lysandre. Ele é só figurante e quase não sofre nada, no máximo a novela mexicana dele lá com o Azriel e a Bia" Armin dizia.
No fim acabou que nem assistimos nada.
. . . Meio que compensamos o dia anterior que o pai dele interrompeu . . .
Como o próprio Armin disso "Dessa vez ninguém vai invadir a casa e nos interromper já que está tudo trancado."
Na manhã seguinte ele foi na reunião com o Alexy e o Nathaniel.
Eu não sabia bem do que se tratava e ele explicaria quando voltasse.
Fiquei o dia todo jogando com som algo como falei no inicio da entrada, e bem, não ouvi o telefone tocar até o Azriel vir até mim na janela de minha casa.
Eu atendi ele e finalmente ouvi o telefone tocar.
Armin queria que eu fosse com o carro levar uns documentos que só nós sabíamos onde ele guardava.
No caso, Alexy, Armin e eu.
Azriel não sabia dirigir, então só restou eu.
Eu fui no endereço que me foi passado com os documentos, eram coisas bem importantes.
Anotações e estudos avançados.
Armin e Alexy haviam saído com seu material de estudo.
Armin saiu de casa com o protótipo da maquina temporal em uma mala de metal que o Nathaniel levou.
Alexy saiu com uma maleta com varias ampolas, seringas e um pequeno ratinho branco em uma gaiola de plastico altamente resistente e limpa, também disponibilizada por Nath.
O Nathaniel buscou o Alexy em sua casa e Armin aqui.
Mas os objetos foram todos pegos por seu motorista aqui em casa.
Eles não permitiram que o homem pegasse as documentações comigo porque sabiam que eu poderia desconfiar de ser uma armadilha ou algo do gênero e não entregaria. Espertos.
Após chegar lá eu fiquei um bom tempo aguardando.
Infelizmente a carga do meu celular estava nas ultimas e passei grande tédio enquanto aguardava na sala de espera do lado de fora.
Após aproximadamente 2 horas, eles saíram.
Armin e eu fomos no carro do Armin, enquanto Alexy e Nathaniel foram no carro do Nath mesmo.
Nath disse que deixaria Alexy em casa.
Todo o material foi no nosso carro pra levarmos de volta pra casa.
Assim que chegamos em casa Armin se jogou no sofá cansado.
Ele parecia muito pensativo.
Eu parei agachada no chão enquanto olhava pra ele.
"Afinal, o que foi fazer afinal com o Nathaniel e o Alexy ?" perguntei curiosa.
"Apresentar o projeto para pessoas de alto calão que poderão financiar nossos projetos. Nathaniel conseguiu uma reunião com essas pessoas e hoje era nosso dia de convencer eles de que nossos projetos teriam fundamento ao serem financiados."
"Demorou um dia inteiro . . . " falei.
"Sim...são 2 adolescentes menores de idade apresentando um projeto grande não é algo simples,
Precisávamos de argumentos convincentes. Além de claro, tempo."
"Mesmo tento a maquina e a bactéria em mãos, pra que precisaram da pasta ? Já tinham tudo pra convencer eles."
"Boreal, são cientistas renomados. Eles queriam ver se eramos bons e sabíamos o que estávamos fazendo e não que chegamos no estagio atual dos projetos por mera sorte.
De que adiantaria conseguir chegar no estagio que chegamos sem saber se fizemos certo e sabendo o que estávamos fazendo ?
A reunião serviu pra eles verem se valeria a pena nos financiar e assim termos mais avanços e mais rapidamente." Armin dizia.
"E qual o resultado ?" questionei.
"Resultado é . . . Que vamos pedir pizza pra comemorar !" Armin falava ainda cansado porém sorridente.
Aquela noite de fato passamos comendo pizza conversando.
Fizemos atividades divertidas e que lembrava os velhos tempos, tipo jogar.
E bem . . . O clima era de fato comemorativo.
Eu não entendo bem essa parte cientifica mesmo com memória fotográfica, mas é interessante e me deixa bem feliz ver ele tão novo alcançar conquistas tão grandes.
Duas coisa ecoaram na minha cabeça . . .
Uma foi o paradeiro de meu pai . . . Ainda me incomoda essa falta de comunicação com ele.
E a outra é que eu vejo o futuro cada vez mais próximo . . . E me pergunto: O que vai acontecer comigo ? Porque estou naquele estado no futuro ?
Esses pensamentos me deixaram um pouco avoada em alguns momentos . . .
[<< CAPITULO ANTERIOR] ✖ [PROXIMO CAPITULO>>]









