Capítulo 131
Era bem cedo quando o Armin estava de pé.
Eu sempre fui mais preguiçosa que ele e nunca gostei de acordar cedo, mas ele não é muito diferente de mim quanto a horário.
Estranhei bastante e mesmo cansada e muito sonolenta, eu me sentei enquanto via o Armin caminhar pelo quarto procurando algo.
"Aconteceu alguma coisa ?" perguntei.
"Eu trouxe várias coisas minhas pra cá e agora preciso da papelada do colégio. Meus pais falaram que não está lá em casa, e meu irmão já procurou no meu quarto e também não achou. Deduzo que trouxe pra cá." ele dizia.
"Ah. Se for aquelas pastas pretas onde ficavam os documentos eu coloquei no armário do quarto dos meus pais. Lá tem um armário só pra guardar documentos importantes tipo aquele que você tinha, com chave. Ai guardei lá quando vi que eram documentos." respondi sonolenta.
Ele só agradeceu e saiu.
Aos poucos decidi levantar, ainda cansada, e seguir ele.
Estava curiosa quanto a sua agitação, principalmente . .. porque ele precisava dos documentos do colégio ?
"Achei ! Agora posso levar pra eles." Armin dizia empolgado passando por mim e indo d volta pro quarto.
"Armin, afinal . . . Porque precisa disso ?" eu perguntei.
"Bem, lembra que meu e irmão e eu conseguimos convencer os caras a nos financiar ?
Eles querem avaliar nossos históricos escolares. Então temos que levar toda a documentação que tivermos.
No meu caso eu vou levar umas coisas extras porque eu sempre tirei notas abaixo da média.
Mas as coisas a mais é pra provar literalmente que eu consigo ter notas mais altas, sendo que eu não queria mesmo. . . Afinal, eu sempre escondi que tenho facilidade de pegar matérias em geral." Armin respondia enquanto separava as documentações.
"Eles realmente são muito exigentes . . . Que exagero."
"Boreal. São pessoas de postos altíssimos envolvidos em descobertas e experimentos que ninguém sonha em saber e que vão investir provavelmente MUITO dinheiro em cima do meu irmão e eu. É óbvio que eles são exigentes.
Até porque como já falei: somos dois adolescentes. É difícil levar a sério. . . "
". . . Eu posso ir contigo ver eles ?" perguntei tímida.
". . . Você quer ir ? Sabe, é cedo e eu sei que você dorme mais que a cama. Além do mais, provavelmente vou demorar de novo e você vai ficar plantada na sala de espera como da ultima vez." Armin dizia olhando pra mim.
"Eu sei . . . Mas eu queria ir por curiosidade mesmo . . . Até porque eu não vi o rosto de nenhum deles. Se não puder tudo bem." eu dizia tímida.
"Bem, você pode vir, mas como falei, não vai ter muito o que fazer.
Hoje minha mãe e meu pai tiraram o dia pra poder ir até lá pra resolver todo o resto.
Como eles me emanciparam eu não tenho mais a necessidade de uma autorização por escrito deles, entretanto, meu irmão precisa." Armin explicava calmamente.
"Eles vão passar aqui pra ir até o local ?" perguntei.
"Nathaniel vai passar aqui de carro lá pras 8 já após ter buscado meus pais e o Alexy. Eu ia deixar avisado com o Cookie pra onde eu fui já que eu tinha esquecido de comentar a respeito ontem." Armin completava.
"Tá . . . Pensar que vou ter que sair cedo desse jeito pra fazer nada me deixa deprimida . . . Mas eu quero muito conhecer quem serão os caras que querem financiar vocês dois." completei indo pegar uma roupa.
"Eles são bem sérios mas não parecem ser pessoas rudes. Bem, Nathaniel que conseguiu a reunião no fim das contas né."
Após nosso dialogo eu saí para me arrumar, e Armin não foi diferente.
Aguardamos calmamente . . . Tá, ele nem tanto, a vinda do Nathaniel.
Armin estava bem ansioso, dava pra ver em seus movimentos inquietos.
Eu separei meu celular e o PSVita na bolsa pra levar.
Então Nathaniel finalmente chegou.
Apressadamente Armin entrou no carro.
Estava um clima bem agradável e Armin se acalmou bastante.
Acredito que muito de seu nervosismos fosse por achar que o Nathaniel não apareceria ou algo do gênero. Ele é bem ansioso.
Alexy conversava empolgado a respeito do local em que estávamos indo, os pais deles pareciam bem felizes com a situação, até porque quem não estaria ?
Seus dois filhos estão conseguindo uma oportunidade única de serem MUITO bem sucedidos ainda na adolescência !
Eles não iam ganhar só uma oportunidade maravilhosa como irão receber por suas pesquisas.
Tanto investimento no material e local para trabalho quanto dinheiro para viver normalmente.
Assim que cheguei, Armin me apresentou para todos no local que foram todos bem formais comigo e logo foi para a sala de reuniões.
Sinceramente ? Eu estava estupefata e não prestei a devida atenção em nada.
Após andar um pouco no "limite" do local, me sentei na sala de espera.
A secretaria me encarava diversas vezes e quando via que eu olhava pra ela ela ou desviava o olhar ou sorria. . . Confesso ter ficado incomodada por diversas vezes.
Primeiro porque me tornei uma pessoa desconfiada de tudo. Atualmente só de um desconhecido me dar bom dia eu já acho que quer me matar.
E bem . . . Tem o fator de eu ter um olho só e odiar isso. Pra mim todos estão olhando pro meu olho e rindo mesmo que internamente.
Logo, seu sorriso pra mim não era um sorriso simpático para mim e sim um sorriso ocultando de forma falsa que ela estava rindo de mim . . .
Eu tentei ignorar e fiquei mexendo no celular e por diversas vezes mudando pro PSVita . . . Estava inquieta.
Era ansiedade de saber o que estava ocorrendo na sala e nervosismo de ver a secretaria me encarando.
Contado no relógio, passaram-se exatos 40 minutos quando Armin saiu da sala irritado.
"Vamos Boreal." ele dizia.
"Aconteceu algo ?" perguntei.
Assim que perguntei um homem veio atrás de nós.
"Espere ! Vai virar as costas pra uma proposta dessas ?!" o homem dizia puxando o braço do Armin.
"Eu aceitei TODAS as condições de vocês, pedi algo simples. Eu quero que meu local de trabalho continue sendo minha casa. Se não podem cumprir isso eu não vou aceitar a proposta. Me desculpe." Armin dizia irritado.
"Aqui você terá segurança pro seu material, vigilância e tudo o que precisar. Porque insiste em trabalhar em uma casa simples ?" o homem dizia.
"Entenda que pouco importa. Eu sem ter metade dos recursos que vocês apresentam consegui ter um avanço que vocês nunca conseguiram esses anos todos. Você só iriam acelerar meu processo de crescimento, nada mais. Prefiro continuar fazendo tudo sozinho em casa." Armin então puxou o braço de uma vez.
"Nós podemos muito bem proibir que você continue as pesquisas e confiscar tudo que você tem." o homem falava em tom ameaçador.
"E eu posso muito bem destruir toda a minha pesquisa. Além do mais, acham mesmo que se tocarem nas minhas pesquisas vão ter avanços ?
Pra começar vocês nem vão entender minha letra . . . E mesmo que entendam, eu sou um mero adolescente com recursos limitados que conseguiu o que vocês jamais sonharam que conseguiriam. Quer que eu repita quantas vezes isso ? Posso falar pra sempre, isso não afeta minha estima, pelo contrario, infla meu ego." Armin respondia de maneira afiada e sem medo algum.
"Quem perde são vocês, não sou eu. E estou certo que meu irmão concorda comigo e não vai aceitar ficar em um local desses." Armin então me deu a mão e saiu andando.
Eu não entendia nada mas pude ver o Alexy falando um "Não mesmo" e vindo com a gente irritado.
Dois seguranças então pararam a gente.
Confesso que me assustei e agarrei o braço do Armin com força.
Atualmente eu desconfio de tudo, e não pude evitar de desconfiar novamente.
Ao olhar pra trás os homens que estavam em reunião com Armin vieram até nós.
Um senhor mais velho de olhar gentil vinha falando com o Nathaniel e os pais dos gêmeos vindo logo atrás.
"Alexy, Armin, do que precisam no local atual onde fazem suas pesquisas ?" o senhor dizia.
Todos pareciam respeitar ele demais.
Nathaniel sorria confiante e gentilmente para nós 3.
"Mudaram de ideia ?" Armin dizia em tom de desafio.
"Você tem razão. Quem perde somos nós. Nós estipulamos várias coisas pra você das quais você aceitou, acho errado recusarmos seu único pedido. Afinal, você está esse tempo todo fazendo suas pesquisas sem ser descoberto, então significa que já sabe lidar com segurança, nós, no caso, só te daríamos um reforço extra em troca dos seus serviços.
Como o de Cristo falou, ele continuaria financiando suas pesquisas mesmo sem lucro nenhum." o senhor sorria gentilmente.
". . . Isso tudo seria algo pra conversarmos com calma. Até porque onde eu faço minhas pesquisas não é uma casa que está no meu nome ou nome de algum familiar meu. A casa é do meu sogro e eu teria que conversar com ele a respeito." Armin dizia com tom superior e ainda desconfiado.
"Perfeito. Então combinamos tudo depois." o senhor continuava a sorrir gentilmente.
". . . Porque a mudança de postura ?" Armin falava com uma sobrancelha arqueada.
"Nathaniel me explicou um pouco de sua situação ao todo e das cosias que aconteceram em sua vida e eu entendo melhor porque de sua preocupação." o homem então olhou pra mim, sem que eu entendesse eu desviei o olhar.
"Além do mais, gosto da postura de vocês dois. Vocês querem nosso financiamento mas não aceitam que mandem unica e exclusivamente em cima de vocês. Passam segurança. serão grandes lideres no futuro." o senhor continuava a falar gentilmente.
Alguns homens no local pareciam contrariados e irritados com a decisão do mais velho.
Dois deles entraram de volta pra sala e um deles foi direto em cima do senhor reclamar que o Armin e o Alexy estavam tendo prioridades e privilégios.
"Eles aceitaram todas as nossas propostas, não vejo nada de errado em abaixar a cabeça para algumas das propostas deles também." o senho respondeu calmamente.
"Eu irei conversar com eles a respeito da segurança. Podem ir na frente, devo demorar." Nathaniel dizia.
"Mas a segurança seria implementada diretamente na casa onde eu to vivendo, acho que eu devia participar disso." Armin respondeu.
"Na verdade é tudo que você apresentou. Eu só vou discutir como será feito. Fora que preciso resolver algumas coisas do meu pai por aqui." Nathaniel explicou.
"OK. Quando chegar em casa eu mando o motorista voltar." Alexy respondia.
Armin e Alexy sorriam um pro outro.
"Eu falei que ia funcionar." Armin falava rindo.
"E você acha que eu também não apostei as fichas de que isso funcionaria ?" Alexy dizia rindo.
"Do que estão falando ? Vocês planejaram aquele escândalo ?" eu perguntei.
"Né óbvio ? Temos eles nas nossas mãos. Eles querem imortalidade e voltar no tempo meu bem." Alexy respondia rindo.
"E o Nathaniel ainda ajudou." Armin completava.
"Pera . . . vocês todos tinham combinado ?" eu perguntei.
"Mais ou menos . . . Só com olhares mesmo." Alexy dizia enquanto entrava no carro.
Quando o Armin tava entrando no carro eu puxei ele que olhou pra mim confuso.
"Eu nunca vim em Rennes . . . Eu queria andar por aqui já que estamos aqui." falei tímida.
"Rennes é mais perto da sua casa do que da minha e você nunca veio ? Como assim ?" Alexy dizia espantado.
"Eu não reclamaria do seu pedido mas . . . Viemos de carona do Nathaniel. Eu não trouxe nada por conta do nervosismo acabei esquecendo minha carteira em casa . . . Como iriamos embora ?" Armin respondia.
Então o pai do Armin puxou um cartão e entregou pro Armin.
"Depois você me paga já que agora vai ser rico." ele dizia rindo.
. . . Posso dizer o quanto eu amo o pai do Armin mesmo ele tendo sido inconveniente da ultima vez ?
Na realidade acho que os pais de todos os meus amigos são o máximo.
Armin, Castiel, Nathaniel, Lysandre, Rosalya . . . Eu nunca vi nenhum deles serem pessoas ruins.
O pai do Ken é um pouco grosso mas ele sempre me tratou bem também.
Acho que só o Dake mesmo que deu azar.
Nos despedimos e fomos passear por Rennes.
É tão legal ter um dia assim, de passeio.
Fazia tanto tempo que isso não acontecia comigo, ter um dia de paz e folga . . .
Armin na realidade ODEIA sair, principalmente pra locais movimentados como Rennes, mas acho que ele ficou tanto tempo trancado em casa por culpa minha que até ele sentiu falta dessas saídas.
"Bem, eu só vim aqui com minha mãe algumas vezes e agora pra essas reuniões. Então vamos descobrir Rennes juntos. Eu acho que vai ser só uma região e comum e sem graça como todas." Armin falava indo direto em uma loja que ele viu ali perto.
"Meu Deus ! Que sorte ! La bobonniere ! Eu não tinha visto isso da outra vez que vim aqui !" como doente por doce que ele é, obviamente aquilo encheu seus olhos. Uma loja lotada de chocolate na frente dele.
Armin sempre que vê doces parece uma criança. Seus olhos brilham.
Ele olhava pra todo lado da loja empolgado.
Armin saiu de lá com muitos bombons e barras de chocolate. . . .Não só pra ele, claro que ele me fez escolher coisas maaas . . . Eu não sou tão fã de doces feito ele, e isso inclui chocolate.
Eu estava de olho na verdade era no bar ao lado.
O cheiro de café me atraia demais.
De uns tempos pra cá eu me tornei um pouco viciada em café, confesso . . .
Armin sabia disso e foi comigo até o local, aproveitamos pra comer algo.
Ele como sempre, pediu só coisas doces. . . Só não digo que ele vai morrer de diabetes porque o Alexy não deixaria.
Ali começamos uma conversa casual, era agradável e era ótimo ver que o sentimento a respeito da situação era mútuo.
Armin me contou que ele teria que voltar a estudar, foi uma parte do acordo para que os caras financiassem seu trabalho.
"Mas porque ?" questionei.
"Além de termos pouca idade e o conselho não aceitar esse tipo de situação, meu irmão principalmente precisa estar estudando.
Eles basicamente estão empregando dois adolescentes. Envolve muitas coisas burocráticas." Armin dizia levando o chocolate quente a boca.
"Bem . . . Isso me faz puxar um assunto que eu queria falar faz um tempo. . . Eu quero terminar o colégio." eu dizia.
"Ótimo. Eu apoio. Acho que temos que continuar vivendo nossas vidas normalmente mesmo em meio a esse mar de caos." Armin parecia feliz de me ver dizendo isso, acho que isso tranquiliza ele já que passei tanto tempo de luto por conta da morte da minha mãe.
"O ponto que eu queria discutir contigo é que . . . Eu quero voltar pra Sweet Amoris." quando eu falei isso o Armin parou de beber o chocolate na mesma hora.
"Você tá louca ?! AQUELE PESSOAL TENTOU TE MATAR ! ELES MATARAM SUA MÃE !!" Armin estava ficando um tanto quanto explosivo. Ele realmente ficou sentido com a situação . . .
Um atendente do estabelecimento olhava para nós assustado.
"É por isso que quero voltar Armin. Eu quero me vingar enquanto termino meus estudos." eu dizia.
"Boreal, é perigoso ! Se eles decidirem que querem te usar também como fica ?" Armin dizia.
"Eu sou a única sobra da outra dimensão . . . Não acho que vão me usar.
Eu quero isso Armin. Eu preciso disso pra conseguir seguir.
Sei que é idiota se prender em vingança, mas não consigo evitar. Eles destruíram minha vida por completo. Além do mais, não acho que isso vai influenciar nosso futuro.
Pelo que o Armin do futuro disse, nós casamos. E ele tem bem mais idade do que aparenta, logo, devo demorar bastante pra chegar naquele estado do futuro, não acredito que tenha influencia da escola. Eu to viva e bem no futuro." eu dizia.
Armin então se jogou pra trás na cadeira.
"Meu irmão e eu íamos pra uma universidade que o Nathaniel se formou quando novo. A mesma que ocultou as notas altíssimas dele. Ele disse que ajudaria no financiamento inicial. Lá eles focam muito em crianças prodígio e ele disse que seria perfeito pro desenvolvimento do Alexy e meu. Mas contigo decidida a voltar pra Sweet Amoris . . . Eu vou desistir da ideia." Armin falava.
"Não ! Eu não quero que desista de algo tão bom por causa de uma decisão minha !
No colégio eu vou ter o Azriel, Lysandre e Bia ao meu favor. Fora que eu vou pedir para o Dake me ensinar a atirar." eu dizia.
"Peraí ! Você pretende andar com uma arma de fogo ??" Armin falou espantado.
"Eu tenho que me defender não é mesmo ? Você mesmo disse. Principalmente estando dentro da cova dos leões. Acho que uma arma de fogo será útil. Você e Alexy sabem defesa pessoal. Nathaniel e Bia faze box. Azriel tem super força. Dake tem uma arma. Castiel é o Castiel. No fim todo mundo tem como se defender, só eu sou 100% indefesa. Você não precisa se preocupar e ir pra Sweet Amoris comigo, sério." eu estava decidida já.
"Deixa de ser ameba. Acha mesmo que eu não vou ?! Boreal, isso não é uma brincadeira ! Sua mãe morreu nesse processo ! Acha mesmo que sabendo que eles estão na sua cola eu vou te deixar voltar ?! É sua vida que está em risco !
Sei que quando poe algo na cabeça não volta atrás, e eu não vou te deixar voltar pra lá sozinha.
Foda-se se tem Azriel, Lysandre e Bia. Estudar em um colégio longe e ficar pensando o dia todo na sua situação não vai me fazer bem. . . Eu vou falar com o Nathaniel mais tarde e dizer que desisti da ideia dele." Armin então se silenciou enquanto voltava sua atenção ao chocolate novamente, mas dessa vez, ele tomou tudo em um gole só.
Eu pensei em desistir da minha ideia . . . Até porque eu sabia que ele não desistiria de voltar pra Sweet Amoris comigo, não o culpo.
Mas . . . Era difícil reproduzir sons depois daquela tensão.
Não tem culpados no momento . . .
Eu no lugar dele tomaria a mesma atitude.
Mas eu não podia deixar ele desistir de uma universidade de grande porte.
Após nossa discussão, o clima não foi o mesmo, e não ficamos muito por Rennes . . .
Eu passei em uma lojinha pra tentar melhorar o clima mas . . . Eu estava fora de clima e logo saí.
Estava frio, entramos no trem em silencio e eu me encolhia no canto do trem com frio.
Armin me puxou pra perto dele em silencio, ele estava chateado obviamente, e eu estava decepcionada comigo mesma . . .
Armin então puxou pra perto dele e com o tom totalmente sereno ele se desculpou.
Não entendi de imediato.
"Eu realmente não vou mudar de ideia assim como você. . . Mas eu não devia ter explodido.
É que me irrita essa sua ideia idiota de ir pra lá e achar que eu vou ficar bem em outro lugar com essa ideia toda." Armin falava gentilmente.
"Armin, eu entendo sua preocupação, mas largar uma oportunidade grande dessa por um capricho meu ? Não eu não acei--"
"Eu não ligo, é sério mesmo.
Boreal, a oportunidade é boa ? Sim.
Mas convenhamos, eu conseguiria me destacar na escola que eu fosse. O máximo que acontece é que o estudo de lá é mais aplicado e eles me encaminhariam pra lugares onde eu poderia trabalhar com carreiras magnificas.
Mas vamos ser realistas, eu só vou voltar a estudar porque esse foi o combinado com os meus financiadores.
Eu vou trabalhar pra eles independente de me formar em uma universidade pequena ou grande.
A minha formação acadêmica atualmente não serve de nada, só serve pra eles saberem que não estão interrompendo a vida escolar de um adolescente.
Nathaniel trilhou tudo pra mim. E todos sabemos que serei bem sucedido no futuro, não tem com o que se preocupar no quesito sucesso." Armin falava com grande segurança.
Ele realmente não parecia irritado nem nada do tipo, mas . . . Eu me sentia errada ainda assim . . .
"Para com esse olhar tristonho. Te dar uma coisa . . . " Armin então foi na sacola com os chocolates e começou a procurar algo.
Ele então puxou uma pequena caixinha e me deu.
Era uma caixinha azul.
Quando eu abri tinha um colar, era um colar que eu fiquei olhando na loja.
"Você comprou ?! " falei surpresa.
"Não, eu roubei. Queria sentir a adrenalina de roubar uma loja. Aproveitei e roubei a caixa de presente." quando ele falou isso eu dei um soco nele.
Apressadamente eu coloquei o colar.
Ele era daqueles cordões de coração que abre. Sempre que vi esse tipo de colar em livros e filmes eu ficava pensando que um dia ia adorar ter um. Mas sempre desisti da ideia porque não sabia o que eu colocaria dentro de foto . . . Agora eu sei o que eu colocarei de foto . . .
"Quando eu vi que você não parava de olhar pra esse cordão eu tive que comprar.
Agora um comentário particular: Nossa como você é sem graça.
Tinha tanto cordão mais legal você me pega o mais clichê do lugar.
Um colar de coração que poe foto. . . Isso é tão protagonista de drama francês." Armin dizia com aquela cara apática dele e levava um tapa em seguida de minha parte.
"Armin pensa. Isso aqui é um drama francês e eu sou a protagonista.
Tudo gira ao meu redor, minha vida é um drama e se passa na frança. Você não errou. Nada mais justo do que eu ter um colar clichê." Armin acabou concordando comigo.
Passamos o resto da viajem conversando normalmente novamente, sem brigas, sem discussões.
Armin por sua vez não parava com os chocolates . . .Meu Deus.
Saímos da estação que não era tão perto assim de casa mas fomos andando normalmente.
"Eu me sinto mais confortável num território que conheço. Aqui é bem melhor." Armin dizia.
"Bem, antes de conhecer era um território desconhecido." respondi.
"É mas agora é conhecido e não quero mudar. Sou igual a bicho quanto mudança de casa, estranho muito o lugar." ele respondia ainda comendo mais chocolate.
"Amin . . . Você vai ficar ter diabete daqui a pouco." falei puxando a trufa dele.
"Vou nada. Eu to inteiro no futuro e DUVIDO que perdi meus hábitos alimentares com doces." ele vinha tentando pegar de mim mas logo desistiu e pegou outra barra na sacola . . .
Quando estávamos chegando em casa, passamos perto da casa da Bia, e lá estava o Lysandre.
Claro que estranhamos, Lysandre ? Na casa da Bia ?
Pude ver os olhos do Armin brilharem.
"Não acredito que chegamos na hora da novela !" ele dizia me puxando pra perto enquanto se escondia em um beco.
"Sério Armin ?" respondi,
"Não se faz de santa que eu sei que você faz a mesma coisa. Mesmo que você tenha me proibido de ler o diário o Azriel me contou que você faz isso." acabei soltando um sorriso sem graça por ser pega no flagra.
Voltamos então nossa atenção aos dois.
Lysandre estava bastante agitado.
". . . Lysandre . . . Eu sinceramente não ligaria se o Azriel falasse que quer ficar com você, de verdade. Inclusive, em momento algum eu falei pro Azriel ficar comigo ou contigo, ele quem deve tomar suas decisões sozinho.
Mas você simplesmente só maltrata ele e agora que ele está te deixando de lado você está agindo como se ele fosse posse sua. E pior, jogando a culpa em mim !" Bia falava pro Lysandre.
"Minha preocupação maior é contigo Bia, você sabe que ele é seu tio. E outra, eu não trato ele como posse, só nunca tive como falar sobre esses assuntos diretamente contigo." Lysandre falava com aquele tom sério de sempre.
"Então fica despreocupado porque meu tio morreu, o Azriel é diferente do Dylan." Bia estava claramente nervosa.
"Foi você que colocou isso na cabeça dele então ?!" Lysandre parecia irritado a essa altura. Ele imprensava ela na parede.
Bia diferente das outras vezes, peitou ele, com seu jeito sem jeito de sempre, claro.
". . . Lysandre eu não coloquei nada na cabeça do Azriel. Já falei.
Eu não quero interferir em escolha nenhuma dele." Lysandre olhava pra ela fixamente, a Bia retribuía o olhar.
A conversa parecia ter sido pega pela metade, não pegamos o dialogo completo.
"Você tem que parar pra pensar no futuro de vocês. Como acha que sua mãe vai ficar quando souber que a filha dela está se envolvendo com o próprio tio ?" Lysandre dizia.
"Ele não é meu tio, eu já disse !" Bia falava já quase chorando.
"Vamos deixar que ela decida isso." Lysandre então ameaçou de entrar na casa da Bia.
"NÃO LYSANDRE ! PARA !" Bia estava desesperada e empurrava ele pra fora.
"O que foi ?! Ele não é seu tio. Não em problema eu falar pra sua mãe a respeito da relação de vocês." Lysandre continuava com aquela postura superior dele.
"Filho da puta !" Armin falou baixo e tenso como se fosse cena de filme mesmo o que ele estava assistindo.
"Esse é meu episodio favorito." Armin do futuro dizia atrás de mim enquanto pegava o chocolate do Armin do presente.
"Quando você chegou ?!" Armin dizia espantado.
"Agora. Tava passando por aqui e lembrei que o episodio de hoje da novela era bom, decidi ver reprise." e eu acabei rindo novamente.
Infelizmente quando voltamos nosso olhar pra situação da Bia, Lysandre havia ido embora e Bia estava estática olhando pra ele até que ela entrou.
"Perdemos o final da briga !!" Armin disse.
"Perdeu nada não, o Lysandre só falou pra ela tomar cuidado e foi embora. Fiquem tranquilos." Armin do futuro disse tranquilamente.
"Afinal, com quem o Azriel fica no futuro ?" perguntei curiosa.
"Segredo. Não vou dar spoiler." Armin respondia roubando um beijo meu.
Armin do presente por sua vez, começou a explodir como sempre.
"Porque você me irrita tanto ?" ele berrava levantando.
"Você e o Alexy são irmãos e se perturbam certo ?
Agora pensa: pra mim você é como um irmão mais novo. Como você trataria seu irmão mais novo ?" Armin do futuro dizia rindo pra mim.
"Ai meu Deus . . . Eu sou um monstro. . . " Armin do presente colocou a mão no rosto enquanto o do futuro sorria de maneira sínica.
Eu confesso que adoro ver ele interagindo com ele mesmo.
"Isso tudo vai passar e no futuro você vai se divertir com a situação.Afinal, eu estou me divertindo agora." ele falava sorrindo.
Fomos os 3 caminhando até minha casa.
"Er . . . Você não devia se esconder ? Vão ver dois Armins e--"
"Não, fica tranquila. Ninguém me associa ao Armin. Até porque viagem temporal não existe né ?" Armin do futuro dizia.
"O que veio fazer afinal ?" Armin perguntou.
"Hoje decidi vir relaxar um pouco. E não foi coma Boreal dessa vez, eu sabia que vocês sairiam.
Eu queria passar em uma lanchonete aqui perto que não existe no futuro, quero comer algo muito especifico.
Estava uma gritaria lá em casa.
Quando o Alexy falou pra minha mãe que tava gravido ela começou a bater nele e gritar falando que estava orgulhosa enquanto ele não estava usando drogas . . . Foi um inferno pra ele provar pra ela que estava realmente gravido." Armin dizia com as mãos nas têmporas.
"Sua mãe não sabe que ele é um gênio ?" questionei.
"Saber ela sabe . . . Mas bem . . . É uma gravidez masculina né. Foi um baque até pra ela.
E eu achando bizarro M-preg em hentai . . . " Armin do futuro respondia.
O Armin do presente me olhava um pouco desconfortável enquanto eu fixava meu olhar nos dois.
"Que tipo de lixo vocês leem ?" perguntei.
"Todo tipo. Já devia saber Boreal." Amrin do futuro respondia.
". . . Sim eu devia . . . Mas ainda me espanto. . . " eu então tomei impulso.
Armin do futuro chegou na lanchonete, lá estava o Castiel, cumprimentamos ele rapidamente e ele ficou pra trás com o Castiel conversando.
Ele realmente está tratando o passado dele, que consequentemente é meu presente, como o cotidiano dele . . .
Daqui a pouco ele cria mais paradoxo.
Armin e eu chegamos em casa.
Cookie estava vendo TV com o Charlie, é tão bizarro pra mim.
Eu ainda não acostumei com a ideia de um pai cachorro e um cachorro com intelecto mais alto que todo mundo que eu conheço.
"Armin, afinal, o que sua mãe achava de um cachorro que lia e via TV ?" perguntei.
"Nada. Ela achava ele muito bem treinado e falava que era o melhor morador da casa já que ele ficava só na dele e ajudava ela com os afazeres." Armin falou guardando os chocolates dele todo feliz.
"Ela nunca questionou o Cookie ? E o Glenn ?" perguntei.
"Ela nem chega perto do Glenn porque fala que é um sapo nojento.
Já o Cookie era mais paparicado que meu irmão, eu e meu pai juntos." Armin então se sentou próximo do Cookie e o Charlie.
Eu estava exausta.
Além de ter andado bastante, acordei cedo, e isso é desafiador pra mim.
Decidi subir pra tomar banho e por alguma foto no meu colar após o banho, e assim o fiz.
Após o banho coloquei uma roupa confortável e me sentei n chão.
Liguei meu notebook, espalhei tesoura, papeis e varias coisas na cama, e empolgada, comecei a escolher qual foto eu usaria.
"O que tá fazendo ?" Armin chegou . . . Comendo chocolate.
A quantidade de chocolate que ele comprou naquela loja acho que vai durar a vida toda . . . Se bem que conhecendo ele é bem capaz de ele acabar com tudo em 2 dias no máximo se eu for muito gentil com o tempo.
E pensar que ele usou o cartão do pai . . . É bom que ele realmente receba bem daqueles cientistas pra alimentar os vícios dele e pra pagar o pai dele.
"Eu to escolhendo a foto pra por dentro do colar !" falei empolgada.
Armin então se sentou do meu lado e olhou curioso.
"E já tem alguma em mente ?" ele perguntou mexendo nas minhas fotos espalhadas.
"SIM ! Como são duas fotos eu escolhi essas aqui." eu então puxei as fotos que eu estava colocando no formato certo pra imprimir em papel de foto.
Armin inconscientemente sorriu ao ver as fotos.
Era uma foto nossa e uma foto dos meus pais . . . Na foto dos meus pais, minha mãe estava bem destacada, e era por isso que eu queria aquela foto.
"As fotos são bonitas apesar da escolha ser clichê." Armin dizia já levando um chute meu.
Por fim começamos a nos estapear como sempre rolando no chão e um empurrando e batendo no outro, e bem, terminamos em um beijo.
Nada daqueles agarramentos intensos de sempre.
Confesso estar gostando desse clima mais sereno com o Armin.
Não que eu não goste de como tudo nosso termina em sexo mesmo depois de tanto tempo junto, mas, eu gosto de ter esses momentos "ternura" com ele.
Era finzinho do por do Sol, bem no final mesmo.
Pôr do sol é minha hora do dia favorita.
Maior parte das coisas que fiz ou vivi com Armin foi nessa hora.
Muitas lembranças minhas são nesse horário.
Além da coloração ser bonita, é um horário que me marcou muito.
Quando me declarei pro Lysandre e o Armin me consolou na escada, era pôr do Sol.
Quando eu soube que meu pai Philippe não era meu pai biológico e o Armin me ajudou a entender que ele era um pai maravilhoso ainda assim, era pôr do Sol.
Quando ele se declarou pra mim, era pôr do Sol.
Entre milhares de vezes que passamos o fim de tarde jogando.
Eu tenho lembranças boas com o Armin . . . Sempre ao pôr do Sol.
Armin voltou a me encarar no chão enquanto estava em cima de mim sem apoiar seu corpo, só me olhando.
Ele estava se aproximando pra mais um beijo quando seu celular tocou.
Ele tentou ignorar, e eu também, mas . . . Parecia ser bem insistente a ligação então ele decidiu atender.
Seu rosto mudou muito ao atender a ligação, ele estava tenso.
Armin sem explicação falou que voltaria logo e saiu correndo de casa.
Eu fiquei sozinha sem entender nada . . . Era tão confuso e preocupante.
Fiquei tensa o tempo todo enquanto não recebia noticias do Armin nem via seu retorno.
Agoniada, fiquei na sala.
Charlie notou e tentou me distrair dentro do que estava ao seu alcance.
Passaram-se 1,2,3 horas . . . E nada.
Nenhuma noticia.
Então a porta finalmente abriu.
Eu praticamente dei um salto até a porta.
E pro meu espanto . . . A palavra, a única palavra que eu reproduzi foi "Pai . . . ?"
Meu pai estava em um estado . . . Decrépito.
Fazia tanto tempo que eu não o via que não sabia dizer se ele estava "natural" e eu havia esquecido por falta de costume ou se ele realmente estava MUITO acabado.
"Fui demitido !" ele dizia sorrindo naturalmente com o Armin logo atrás segurando o casaco do meu pai e fechando a porta com olhar deprimido vendo meu pai cair aos poucos no chão . . .
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