Tirinha 142
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Tirinha 142
Capítulo 142
Capítulo 142 - Fala tchau, Matt.
O Matt pegou o papel com a lista do Fred da minha mão e ficou encarando os itens como se fossem os 10 mandamentos. Eu e o Fred ficamos quietos, só esperando o que ele teria a dizer depois daquele período de reflexão sobre a lista. Matt: Uma lésbica? Sério? - ele insistiu. Fred: Essa é a mais fácil. O Matt sacudiu a cabeça. Matt: Pelo amor de De... Eu: Que festa é essa que tu resolveu dar de última hora, velho? Fred: É disso que a gente tá precisando, cara. Tu e o Matt tão muito moles. Eu: Eu to mole? Peguei uma mina ontem! Fred: Isso é o mínimo que tu faz! Agora me diz, quantas tu tem na manga? Eu: Na manga? Fred: É, que tu pode ligar agora pra dar umazinha? Ou pelo menos pra deixar ali na geladeira pra quando for conveniente? Eu: Ah... - soltei um "ah" convencido, mas não me veio nenhum nome na cabeça. Fred: HEIN? Eu: A Clarissa? Fred: Quem é essa? Matt: A ruiva, Fred, porra... O Thom fica com essa guria há mais de um ano e tu ainda não decorou. Fred: Aquela que tu tentou comer ao mesmo tempo que a Rafinha? E que te chamou de nojento maníaco? - ele me apontou. - HAHAHA! Eu: Caralho... - cocei a cabeça, sem graça. Nem tinha o que responder. Fred: To vendo. Tá com várias no cardápio. Matt: Não fala "cardápio", Freds, é zuado... Fred: Pois tu trate de te acostumar, ô, Harry Potter. É assim que se fala no fantástico mundo dos solteiros! Aquele em que tu já devia ter entrado há uns meses, mas ficou enrolando. Não tem mais porra de enrolação nenhuma por aqui! Eu vou te transformar num solteiro exemplar. Matt: Eu não fiquei enrolando. To solteiro desde que a gente terminou, não fiquei com ela nesse tempo. Fred: Não, velho. Tu tava solteiro só na teoria. Não aqui. - ele apontou pra própria cabeça. - Aqui tu ainda não age como solteiro. Tu ainda não virou a chave. - ele simulou a abertura de uma fechadura invisível no ar. - ATÉ HOJE! HOJE! A partir de HOJE tu é um SOLTEIRO! Ele apontou pro Matt com tanta convicção que parecia o tio Sam chamando pra guerra. "We want you!" Disse isso e abriu um sorrisão. O Matt continuou imóvel, não parecendo muito animado com a ideia. Fred: É diferente estar solteiro e se sentir solteiro. Matt: Falou o cara que já soube como é não ser solteiro. Fred: Cala a boca. Tu ainda vai me agradecer por isso. O Fred adora essa frase. "Tu ainda vai me agradecer por isso." Fred: E tu também, Thommo. A gente vai dar um jeito nisso. Que história é essa de que tu pega a mesma mina há mais de um ano? Qual é o teu problema? Eu: Tu sabe quem é, Fred. Fred: Que se foda. Chega disso. Em outras circunstâncias, eu mandaria o Fred tomar no cu e cuidar da vida dele, mas no fundo, eu também tava a fim de acabar com aquilo. Precisava conhecer umas gurias novas e, principalmente, pegar umas gurias novas. E ele era a melhor pessoa pra me ajudar com aquilo. Fred: Escuta, Matt. To vendo que tu tá na bad, mas te prometo que vai passar. E vai ser mais fácil, mais rápido e mais engraçado desse jeito que to te propondo. No fim é tudo um jogo. Depois que tu aprende a jogar, tem ainda mais graça. E eu vou te ensinar. Eu: Eu já imaginei todo tipo de coisa acontecendo com a gente, menos tu ensinando o Matt a jogar alguma coisa. Fred: HAHAHAH! É, tu tem essa vantagem, Matheus. Tu é bom nos jogos. Matt: É, nos de vídeo game. Não na vida real. - o Matt tava um poço de pessimismo ambulante. Fred: Não tem problema! As mensagens de celular tão aí pra isso. Tu já tem a melhor pegada do universo pra entreter a mina ao vivo. Quem precisa conversar? Matt: Han? Eu: HAHAHAHA! Se eu senti saudades da Alícia, a Mari deve ter sentido o dobro do Matt. E, pela reação dele, nem devia saber dessa fama toda. Fred: Vai dar tudo certo, Matt. Tu só precisa perder o medo. E parar de enxergar tudo como algo sério. Tem que seguir a prática do "só uns pega. Eu: Hahaha. Tu fala como se fosse uma doutrina. Fred: Repete comigo, Matt: "só uns pega". Matt: Não enche, velho. Fred: "Meu nome é Matt e eu vou dar só uns pega." Eu: Hahahaha! Fred: Os únicos "só uns pega" que tu deu na vida tu nem lembra, já parou pra pensar nisso? O Matt revirou os olhos e cruzou os braços, na defensiva. Nem respondeu. Fred: Como tu vive com isso? Eu: Mas o cara namorou uma cota. Deve ter feito mais sexo que tu nesse meio tempo. - tentei defender o Matt dos ataques convencidos do Fred. Fred: Mas não MESMO. O Fred ficou olhando pra um ponto fixo no nada, como se estivesse fazendo uma conta muito difícil de cabeça. E finalizou: Fred: Não MESMO. Hahaha. Com certeza não. Ei! - ele mudou de expressão na hora, parecendo preocupado. - Quantas gurias tu já comeu na vida? Eu: Eu? Fred: Não! O Matt! Quantas? O Matt só faltou dormir na mesa com aquela pergunta. Fred: Não... Não é possível. Demorou um pouco pra cair minha ficha, mas comecei a pensar naquilo também. O Matt perdeu a virgindade com a Larissa e, depois disso... Ué? Fred: Tu comeu a Mari? Eu e o Fred olhávamos pro Matt como se estivéssemos interrogando o suspeito mais procurado do estado. Fred: Me diz que tu comeu a Mari. - ele apertou o sachê de ketchup. Matt: Caralho, Fred. Fred: Sim? Não? Matt: Não. Fred: NÃO?! Não?! PORRA DE NÃO? O Fred levantou da mesa com uma expressão que misturava risada e surpresa. Era como se ele estivesse descoberto a origem da vida. Fred: Ahhhhhh, cara! Tu vai me agradecer pelo resto da vida! HAHAHA! DA VIDA! Vamo embora, Thommo. Temos muito trabalho a fazer. Muita saia pra esse quatro olhos levantar. Muito sutiã pra abrir. Ô, meu pai. Ele falava com tanta empolgação que parecia que era ele quem ia levantar tanta saia e tirar tanto sutiã. E, pela cara do Matt, ele deve ter pensado que aquela encheção de saco do Fred fosse acabar depois que ele perdesse a virgindade. Mas, pelo visto, só tava começando. Fred: É como descobrir um mundo novo, tu tá ligado, né? É como se tu pousasse em Marte. - ele falou enquanto a gente andava em direção ao caixa do bar. - Só que com várias gurias de sutiã de rendinha. Daquele preto. A Vicky usa desses. - ele divagou. Matt: Eu já transei, cara. Não é um mundo novo. Fred: Não é a mesma coisa, não é mesmo. São tantas possibilidades, Matt. O Fred parecia estar recitando uma poesia. Falava com a voz calma e serena, como se narrasse os campos floridos de Florença. Fred: Tantas cinturas, tantos cheiros de cabelo, tantos fechos diferentes de sutiã. Caralho, tem tanto fecho de sutiã que tu precisa aprender a abrir, Matt. A mina do caixa fingiu não estar escutando a conversa e falou o valor da conta. O Fred tava tão anestesiado com aquele papo que deixou uma nota de cem reais no balcão dela e saiu andando. Fred: Até as xoxotas mudam de uma guria pra outra, sabia? Matt: Nossa, Fred... Eu: HAHAHA! Fred: Não é, Thommo? Eu: Eu nem to aqui, velho. Olhei de um jeito sem graça pra guria do caixa, peguei o troco do Fred e saí atrás dele e do Matt. Fred: Aposto que tu já tinha decorado todos os sutiãs da Larissa. Matt: Isso não é exatamente ruim. Fred: Isso é deprimente, cara. Eu: Vocês reparam mesmo nisso? Matt: É, o Fred tá na fissura com sutiã hoje. Fred: Eu reparo em sutiã. Vocês tão ligados. Eu não reparo em porra nenhuma. Ou pelo menos não nessas porras. A ideia é que o sutiã e qualquer outra peça de roupa terminem no chão mesmo. Pouco importa. Fred: Falando nisso, já repararam naquela guria de relações internacionais que não usa sutiã? Caraaalho. - ele tentou enfiar a mão inteira na própria boca. - E vai de regata fininha ainda. Fui comprar uma parada na cantina do lado dela esses dias, joguei meu troco no lixo e guardei o guardanapo no bolso. Tenso. Eu: Hahahaha! Que merda. Nem sei quem é. Eu nunca sei quem é ninguém. É bizarro. Fred: Como não?! Tu sabe, Matt? Ei. MATT! Enquanto a gente andava pra fora do bar, o Matt ficava olhando pra trás. Só respondeu quando o Fred colocou a mão no ombro dele. Matt: Quê? Fred: Quer olhar? Pode olhar. Matt: Não, tudo bem. Ele obviamente tava olhando pra Larissa com o cara no fundo do bar. Fred: Olha e já te despede. Te despede do teu passado. Aquele é o teu passado. - ele apontou pra Larissa. Matt: Cala a boca, Fred. Fred: FALOU AÍ, PASSADO DO CARALHO! BERRA, MATHEUS! Matt: Caralho... Vamo embora. O Matt me puxou pelo braço com força e deixou o Fred berrando na porta do bar. Fred: FALOOOOOU! A gente já tava a uns dez passos de distância quando o Fred finalmente saiu do bar. O Matt ficou procurando um buraco no chão pra se enfiar de tanta vergonha, e rezando pra que a Larissa não tivesse visto nada. E acho que ela não viu mesmo. Acho. No caminho de volta até a república, meu celular vibrou. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi o Z Club, por isso estranhei quando vi um número desconhecido na tela seguido da mensagem: "Oi. É a Helo." Eu: Helo? - pensei alto. Fred: E aí eu falei pra ela "qual é? Tu nunca ouviu Sonic Youth e quer meter o louco de post punk?" Eu não fazia a menor ideia do que os dois tavam conversando, e me concentrei na mensagem. Caralho, Helo. A guria da chacara. Eu passei meu número pra ela? Acho que a gente nem chegou a se despedir. A última vez em que vi ela foi um pouco antes de eu xeretar o Matt com a Larissa. Matt: Pra começar, eu não acredito em banda indie que tem contrato com gravadora. Fred: Quem tá falando de indie, velho? Eu: Porra, a mina conseguiu meu telefone. Fred: Que mina? Eu: A mina que eu peguei ontem. A gente não trocou telefone e ela acabou de me mandar uma mensagem. Matt: Deve ser pra te xingar por ter fodido a chácara de extintor de incêndio. Fred: HAHAHAH! PUTA QUE PARIU! AQUILO FOI DEMAIS! Deixei os dois relembrando os melhores momentos da noite passada e respondi a mensagem. Tava curioso com aquilo. "E aí?" Eu queria ter mais jeito pra falar com as pessoas, mas não faço isso direito nem por mensagem. Principalmente quando se trata de alguém que eu já peguei ou quero pegar. Ou os dois. A mensagem em resposta dela veio rápido. "Tinha pó de extintor no ar até agora pouco na chácara." Fred: Mas voltando, Sonic Youth não é indie. Matt: Eu não falei que era. Fred: Do que tu tá falando então, caralho? Eu: Ela mandou mensagem pra me xingar da chacara mesmo. Fred: Tá me zuando. O que ela falou? Eu: Que tem pó de extintor no ar ainda. Fred: Ela tá puxando assunto contigo, retardado. Eu: Puxando assunto? Isso não parece uma pergunta. Tá mais pra uma acusação. Fred: Ela tá tentando ser engraçada. Eu: Hm. Guardei o celular no bolso. O Fred ficou me olhando. Fred: Que isso? Eu: O quê? Fred: Não vai responder? Eu: Ela não perguntou nada. Fred: Caralho, Thomaz. Manda uma risada pelo menos. Eu: Eu não achei engraçado. Fred: Então finge. Eu: Pra quê? Fred: Porra, tu quer pegar essa mina de novo? Eu: Algum dia sim. Posso mandar mensagem quando eu quiser pegar. Não hoje. Fred: Não. Muito ruim. Muito ruim. É por isso que tu não tem ninguém na manga. Responde a guria. Eu: Vou responder o que, velho? Fred: Tu acha que a guria ia te mandar mensagem no domingo à noite por nada? Vê o que ela quer! E se ela te chamar pra ir na casa dela hoje? Tu ia recusar? Não, mas também nem tinha considerado essa possibilidade. Talvez seja essa a diferença do Fred pra maioria dos caras: ele sempre acha que pode rolar. Qualquer dia, qualquer hora, qualquer mina. Sempre pode ser uma oportunidade. Fred: Responde uma risada e pede desculpa pelo estrago. Eu: Pedir desculpa? Eu não to arrependido. Fred: Mas não é pra estar de verdade! Cacete, tu é muito ruim, me dá esse celular. Eu: Sai fora! Sabe qual é a real? Eu não to a fim de ficar com papinho. Não quero trocar ideia, ficar tentando ser legal, puxando assunto. Não to a fim disso. Fred: Tenta, vai. Responde essa. Se tu ficar cansado depois tu para. É só pra demonstrar um mínimo interesse agora. Bufei, mas respondi pra ele parar de me encher o saco. Foi uma risada seguida de um "foi mal". Ela respondeu rápido de novo. "Que isso. Foi engraçado! Teve gente que ficou puta, mas eu achei bem divertido" Fred: Já respondeu? Eu: Sim. Fred: O quê? Eu: Não interessa. Fred: Tu quer que eu te ajude com as gurias novas ou não? Eu: Essa não é guria nova. Eu peguei ela ontem. Fred: Pergunta se ela quer fazer alguma coisa hoje. Eu: Eu não quero pegar ela hoje, Fred. Fred: COMO NÃO? O celular vibrou de novo: "Vai fazer o que amanhã?" Fred: Que foi? O que ela mandou? Eu: Perguntou o que eu vou fazer amanhã. Fred: Caralho! Gostei dessa mina. Rápida. Chama ela pra minha festa. Comecei a digitar, mas ele interrompeu. Fred: Não! Mentira, nem chama. Essa já tá no papo, pega ela outro dia. Na festa tu tem que estar livre pra pegar outra. Diz que amanhã tu tem compromisso. Tem aula. À noite. Eu: Mano... Fred: Faz o que eu to falando! Vai, me deixa te ajudar por alguns dias só. Tu vai ver. Respondi que ia ter aula a noite. Fred: Mas fala que tu tá livre a tarde. Eu: E daí que eu to livre a tarde? Não vou dar role com a mina segunda-feira à tarde. Fred: Joga um verde, Thomaz, ôu! Vai que ela pega. Suspirei e respondi dizendo que não tinha nada pra fazer a tarde. Eu: A mina tá na escola ainda, deve morar com o pai e com a mãe, não vou levar ela pra tomar um sorvete à tarde no parqu... "To sozinha em casa amanhã durante o dia, se quiser fazer alguma coisa." Fiquei encarando aquela última mensagem. O Fred esticou o pescoço pro meu lado até conseguir ler também. Fred: De nada. Troxa. Proximo post: 03/08!